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domingo, 12 de fevereiro de 2012

OS FOGOS DA PERSEGUIÇÃO

Quando Jesus revelou a Seus discípulos a sorte de Jerusalém e as cenas do segundo advento, predisse também a expediência de Seu povo desde o tempo em que deveria ser tirado dentre eles até a Sua volta em poder e glória para o seu libertamento. Em poucas e breves declarações de tremendo significado, predisse o que os governadores deste mundo haveriam de impor à igreja de Deus. (Mt. 24:9, 21,22.)
A história da igreja primitiva testificou do cumprimento das palavras do Salvador. Acenderam-se as fogueiras da perseguição. Os cristãos eram despojados de suas posses e expulsos de suas casas. Grande número deles selaram seu testemunho com o próprio sangue. Nobres e escravos, ricos e pobres, doutos e ignorantes, foram de igual modo mortos sem misericórdia.
Estas perseguições, iniciadas sob o governo de Nero, aproximadamente ao tempo do martírio de Paulo, continuaram com maior ou menor fúria durante séculos. Os cristãos eram falsamente acusados dos mais hediondos crimes e tidos como a causa das grandes calamidades - fomes, pestes e terremotos. Eram condenados como rebeldes ao império, como inimigos da religião e peste da sociedade. Grande número deles eram lançados às feras ou queimados vivos nos anfiteatros. Alguns eram crucificados, outros cobertos com peles de animais bravios e lançados à arena para serem despedaçados pelos cães. Vastas multidões reuniam-se para gozar do espetáculo e saudavam os transes de sua agonia com riso e aplauso.
Quando se acenderam os fogos da perseguição, grande número de cristãos selaram seu testemunhe com o próprio sangue.
Onde quer que procurassem refúgio, os seguidores de Cristo eram caçado como animais. Eram forçados a procurar esconderijo nos lugares desolados e solitários. Por sob as colinas, fora da cidade de Roma. longas galerias tinham
sido feitas através da terra e da rocha; a escura e complicada trama das comunicações estendia-se quilômetros além dos muros da cidade. Nestes retiros subterrâneos, os seguidores de Cristo sepultavam os seus mortos. Quando 0 Doador da vida despertar os que pelejaram o bom combate, muitos que foram mártires por amor de Cristo sairão dessas sombrias cavernas.
Baldados foram os esforços de Satanás para destruir pela violência a igreja de Cristo. Os obreiros de Deus eram mortos mas a Sua obra ia avante com firmeza. Disse um cristão: "Podeis matar-nos, torturar-nos, condenar-nos... Quanto mais somos ceifados por vós, tanto mais crescemos em número: o sangue dos cristãos é semente". Apologia de Tertuliano, parágrafo 50. Milhares eram aprisionados e mortos, mas outros surgiam para ocupar as vagas.
O grande adversário se esforçou então por obter pelo artificio aquilo que não lograra alcançar pela força. Cessou a perseguição e, em seu lugar, foi posta a perigosa sedução da prosperidade temporal e honra mundana. Levavam-se idólatras a receber parte da fé cristã, enquanto rejeitavam outras verdades essenciais. Professavam aceitar a Jesus como Filho de Deus e crer em Sua morte e ressurreição, mas não tinham a convicção do pecado e não sentiam necessidade de arrependimento ou de uma mudança de coração. Com algumas concessões de sua parte, propuseram que os cristãos fizessem outras também, para que todos pudessem unir-se sob a plataforma da crença em Cristo.
A igreja naquele tempo encontrava-se em terrível perigo. Prisão, tortura fogo e espada eram bênçãos em comparação com isto. Alguns dos cristãos permaneceram firmes, declarando que não transigiriam. Outros eram favorá veis a que cedessem ou modificassem alguns característicos de sua fé, e se unissem aos que haviam aceito parte do cristianismo, insistindo em que este poderia ser o meio para a completa conversão. Foi um tempo de profunda angústia para os fiéis seguidores de Cristo.
"Podeis matar-nos, torturar-nos, condenar-nos... Quanto mais somos ceifados por vós, tanto mais crescemos : em número; o sangue dos cristãos é semente."
UMA PROFECIA
Esta mútua transigência entre o paganismo e o cristianismo resultou no desenvolvimento do "homem do pecado", predito na profecia como se opondo a Deus e exaltando-se sobre Ele. O apóstolo Paulo, em sua segunda carta aos tessalonicenses, predisse a grande apostasia:
"Porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição; o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou é objeto de adoração; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus. " 2 Ts. 2:3, 4.
E. ainda mais. o apóstolo adverte os irmãos de que "já o mistério da injustiça opera". 2 Ts. 2:7. Mesmo naqueles primeiros tempos viu ele. Insinuando-se na igreja, erros que preparariam o caminho para o desenvolvimento daquele gigantesco sistema de religião falsa - obra-prima do poder de Satanás monumento de seus esforços para assentar-se sobre o trono e governar a Terra segundo a sua vontade.
A conversão nominal de Constantino, na primeira parte do século quarto, causou grande regozijo; e o mundo, sob o manto de justiça aparente, introduziu-se na igreja. O paganismo. conquanto parecesse suplantado, tornou-se o vencedor. Suas doutrinas, cerimônias e superstições incorporaram-seà fé e culto dos professos seguidores de Cristo.
A maioria dos cristãos finalmente consentiu em baixar a norma, formando-se uma união entre o cristianismo e o paganismo. Posto que os adoradores de ídolos professassem estar convertidos e unidosà igreja. apegavam-se aindaà idolatria, mudando apenas os objetos de culto pelas imagens de Jesus e mesmo de Maria e dos santos.
A fim de proporcionar aos conversos do paganismo uma substituição à adoração de ídolos e promover. assim. sua aceitação nominal do cristianismo. foi gradualmente introduzida, no culto cristão, a adoração das imagens e relíquias. O decreto de um concílio geral (Segundo Concílio de Nicéia, 787 E. C.) estabeleceu por fim este sistema de idolatria. Para completar a obra sacrílega, Roma pretendeu eliminar, da Lei de Deus, o segundo mandamento, que proíbe o culto das imagens, e dividir o décimo mandamento a fim de conservar o número deles.
Satanás intrometeu-se também com o quarto mandamento e tentou pôr de lado o antigo sábado, o dia que Deus tinha abençoado e santificado (Gn. 2:2. 3), exaltando em seu lugar a festa observada pelos pagãos como "o venerável dia do sol". Esta mudança não foi, a princípio, tentada abertamente. Nos primeiros séculos o verdadeiro sábado foi guardado por todos os cristãos. Eram estes todos da honra de Deus e. crendo que Sua Lei é Imutável, zelosamente preservaram a santidade de seus preceitos. Mas com grande argúda, Satanás operava mediante seus agentes para efetuar seu objetivo.
Na primeira parte do século quarto, o imperador Constantino promulgou um decreto fazendo do domingo uma festividade pública em todo o Império Romano. O dia do sol era venerado por seus súditos pagãos e honrado pelos cristãos; era política do imperador unir os interesses em conflito do paganismo e cristianismo. Com ele se empenharam para fazer isto os bispos da igreja, os quais, inspirados pela ambição e sede de poder, perceberam que, se o mesmo dia Fosse observado tanto por cristãos como pagãos. promoveria a aceitação nominal do cristianismo pelos pagãos, e assim adiantaria o poderio e glória da igreja. Mas, conquanto muitos cristãos tementes a Deus fossem gradualmente levados a considerar o domingo como possuindo certo grau de santidade. ainda mantinham o verdadeiro sábado como o dia santo do Senhor, e observavam-no em obediência ao quarto mandamento.
Satanás induzira os judeus, antes do advento de Cristo, a sobrecarregarem' o sábado com as mais rigorosas imposições, tornando sua observ~5ncia um fardo. Lançou desdém sobre o Sábado como instituição judaica, Em quase todos os concílios, o sábado que Deus havia instituído era rebaixado um pouco mais, enquanto o domingo era, em idêntica proporção, exaltado. Destarte a festividade pagã veio finalmente a ser honrada como instituição divina, ao mesmo tempo em que se declarava ser o Sábado bíblico relíquia do judaísmo, amaldiçoando-se seus observadores.

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