No século sexto tornou-se o papado firmemente estabelecido. Fixou-se a sede de seu poderio na cidade imperial e declarou-se ser o bispo de Roma a cabeça de toda a igreja. O paganismo cedera lugar ao papado.
O acesso da Igreja de Roma ao poder assinalou o início da escura Idade Média. Aumentando o seu poderio, mais se adensavam as trevas. Dias perigosos foram aqueles para a igreja de Cristo. Os fiéis porta-estandartes eram na verdade poucos. Parecia por vezes que o erro e a superstição prevaleceriam completamente e a verdadeira religião seria banida da Terra. Perdeu-se de vista o Evangelho. mas multiplicaram-se as formas de religião e o povo foi sobre-carregado de severas exigências. Ensinava-se-Ihes não somente a considera; o Papa como seu mediador, mas a confiar em suas próprias obras para expiação do pecado. Longas peregrinações, atos de penitência, adoração de relíquias, ereção de igrejas, relicários e altares, bem tomo pagamento de grandes somas à igreja, tudo isto e muitos atos semelhantes eram ordenados para aplacar a ira de Deus ou assegurar o Seu favor, como se Deus fosse idêntico aos homens, encolerizando-Se por ninharias, ou apaziguando-Se com donativos ou atos de penitência.
Mais ou menos ao findar o oitavo século, os romanistas começaram a sustentar que, nas primeiras épocas da igreja, os bispos de Roma tinham possuído o mesmo poder espiritual que assumiam agora. Para confirmar essa pretensão, antigos escritos foram forjados pelos monges. Decretos de concílios, de que antes nada se ouvira, foram descobertos, estabelecendo a supremacia universal do Papa desde os primeiros tempos. E a igreja que rejeitara a verdade avidamente aceitou estes enganos.
Outro passo ainda deu a presunção papal quando, no século XI, o Papa Gregório Vll proclamou a perfeição da Igreja de Roma. Entre as proposições por ele apresentadas, uma havia declarando que a igreja nunca tinha errado nem jamais erraria, segundo as Escrituras. Mas as provas escriturísticas não acompanhavam a asserção. O altivo pontífice também pretendia o poder de depor imperadores e declarou que sentença alguma que pronunciasse, poderia ser revogada por quem quer que fosse, mas era prerrogativa sua revogar as decisões de todos os outros.
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