Ao entrar Tetzel numa cidade, um mensageiro ia adiante dele, anunciando: "A graça de Deus e do santo padre está à vossa porta!" D'Aubigné, livro 3, cap. 1. O infame tráfico era recebido na igreja e Tetzel subia ao púlpito e exaltava as indulgências como o mais precioso dom de Deus. Declarava que, em virtude de seus certificados de perdão, todos os pecados que o comprador mais tarde quisesse cometer, ser-lhe-iam perdoados e que "mesmo o arrependimento não era necessário." D'Aubigné livro 3, cap. 1. Mais que isso, assegurava aos ouvintes que as indulgências tinham poder para salvar, não somente os vivos mas também os mortos e que, no mesmo instante em que o dinheiro tinia de encontro ao fundo de sua caixa, a alma em cujo favor era pago, escaparia do purgatório, ingressando no Céu. História da Reforma, Hagenbach, vol.1, pag. %.
Nenhum prelado ousou erguer a voz contra este iníquo comércio, mas o espírito dos homens estava-se tornando perturbado e desassossegado. Muitos com avidez inquiriam se Deus não operada mediante algum instrumento a purificação de Sua igreja.
Lutero, conquanto ainda católico romano da mais estrita classe, encheu-se de horror ante as blasfemas declarações dos traficantes das indulgências. Muitos de sua própria congregação haviam comprado certidões de perdão e logo começaram a dirigir-se ao seu pastor, confessando seus vários pecados e esperando a absolvição, não porque estivessem arrependidos e desejassem corrigir-se, mas sob o fundamento da indulgência. Lutero recusou-lhes a absolvição, advertindo-os de que, a menos que se arrependessem e reformassem a vida, haveriam de perecer em seus pecados. Com grande perplexidade voltaram a Tetzel, queixando-se de que seu confessor recusara-lhes o certificado; e alguns ousadamente exigiram que lhes restituísse o dinheiro. O frade encheu-se de cólera. Proferiu as mais terríveis maldições, fez com que se acendessem fogos nas praças públicas e declarou haver recebido ordem do Papa para queimar todos os hereges que pretendessem opor-se às suas santíssimas indulgências. D'Aubigné, livro 3, cap. 4.
A voz de Lutero era ouvida do púlpito em advertências ardorosas e solenes. Expôs ao povo o caráter ofensivo do pecado. ensinando-lhe ser impossível ao homem, por suas próprias obras, diminuir as culpas ou fugir do castigo.
Nada a não ser o arrependimento para com Deus e a fé em Cristo, pode salvar o pecador. A graça de Cristo não pode ser comprada; é dom gratuito. Aconselhava o povo a não comprar as indulgências, mas a olhar com fé para um Redentor crucificado. Relatou sua própria e penosa experiência ao procurar debalde, pela humilhação e penitência, conseguir a salvação, e afirmou a seus ouvintes que foi olhando fora de si mesmo e crendo em Cristo que encontrara paz e alegria.
Pelo preço do crime deveria construir-se um templo para o culto de Deus - a pedra fundamental assentada com o salário da iniqüidade.
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