Lutero ainda não estava de todo convertido dos erros do romanismo. Enquanto, porém, comparava as Santas Escrituras com os decretos e constituições papais, enchia-se de espanto.
'Estou lendo', escreveu ele, os decretos dos pontífices e... não sei se o Papa é o próprio anticristo ou seu apóstolo, em tão grande maneira Cristo é neles representado falsamente e crucificado." D'Aubigné, livro 5 cap.1.
Num apelo ao imperador e à nobreza da Alemanha em favor da Reforma do Cristianismo, Lutero escreveu relativamente ao Papa:
"É horrível contemplar o homem que se intitula vigário de Cristo, a ostentar uma magnificência que nenhum imperador pode igualar. É isso ser semelhante ao pobre Jesus, ou ao humilde S. Pedro? Ele é, dizem, o senhor do mundo! Mas Cristo, cujo vigário ele se declara de ser, disse: "Meu reino não é deste mundo." Podem os domínios de um vigário estender-se, além dos de seu superior?" D'Aubigné livro 6, cap. 3.
Esse apelo circulou rapidamente por toda a Alemanha e exerceu poderosa influência sobre o povo. Os oponentes de Lutero, ardentes no desejo de vingança, insistiam em que o Papa tomasse medidas decisivas contra ele. Decretou-se que suas doutrinas fossem imediatamente condenadas. Sessenta dias foram concedidos ao reformador e a seus adeptos, findos os quais, se não é abjurassem, deveriam todos ser excomungados.
Foi uma crise terrível para a Reforma. Durante séculos, a sentença de excomunhão de Roma ferira de terror a poderosos monarcas, enchera fortes impérios de desgraça e desolação. Aqueles sobre quem caía sua condenação, eram universalmente considerados com espanto e horror; cortavam-se-lhes as relações com seus semelhantes e eram tratados como proscritos que se deveriam perseguir até a exterminação. Lutero não tinha os olhos fechados à tempestade prestes a irromper sobre ele. Escreveu: "O que está para acontecer, não sei nem cuido em sabê-lo... Caia onde cair o golpe, não tenho receio. Nem ao menos uma folha tomba ao solo sem a vontade de nosso Pai. Quanto mais não cuidará Ele de nós! Coisa fácil é morrer pela Palavra, visto que a própria Palavra ou Verbo que Se fez carne, morreu. Se morrermos com Ele. com Ele viveremos; e passando por aquilo por que Ele passou antes de nós, estaremos onde Ele está e com Ele habitaremos para sempre." D'Aubigné. 3d London ed., Walther, 1840, livro 6, cap. 9.
Quando a bula papal chegou a Lutero. disse ele:
"Desprezo-a e ataco-a como ímpia e falsa... É o próprio Cristo que nela é condenado... Regozijo-me por ter de suportar tais males pela melhor das causas, Sinto já maior liberdade em meu coração pois finalmente sei que o Papa é o anticristo e que o seu trono é o do próprio Satanás." D'Aubigné, livro 6, cap. 9.
Na presença de uma multidão de estudantes, doutores e cidadãos de todas as classes; Lutero queimou a bula papal com as leis canônicas, decretais e certos escritos que sustentavam o poder papal. Disse ele: "Meus inimigos, queimando meus livros, foram capazes de prejudicar a causa da verdade no espírito do povo comum e destruir-lhes a alma. Por esse motivo, consumo seus livros, em retribuição. Uma luta séria acaba de começar. Até aqui tenho estado apenas a brincar com o Papa. Iniciei esta obra no nome de Deus. Ela se concluirá sem mim e pelo Seu poder." D'Aubigné, livro 6, cap. 10.
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