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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

O Arrependimento dos Crentes



John Wesley

Londonderry,  24 de Abril 1767

'O tempo está cumprido, e o Reino de Deus está próximo.
Arrependei-vos e crede no Evangelho'.  (Marcos 1:15)

I. Em que sentido nós devemos nos arrepender?

II. Supondo que nos arrependamos, então, seremos chamados a 'crer no Evangelho?'

III. Nós somos totalmente santificados, quando somos justificados, e nossos corações são limpos de todo o pecado?

1. Supõe-se geralmente, que o arrependimento e fé são apenas o portal da religião; que eles são necessários, apenas no começo de nossa trajetória cristã, quando nós estamos de fora do caminho para o reino. E isto pode ser confirmado pelo grande Apóstolo, quando, exortando aos cristãos hebreus a 'buscarem a perfeição',  ele os ensina a deixar esses primeiros 'princípios da doutrina de Cristo; não colocando novamente o fundamento do arrependimento das obras mortas, e da fé, em direção a Deus'; o que pode significar, por fim, que eles deveriam deixar, comparativamente, esses, que, a principio, tomaram todos os seus pensamentos, com o objetivo de seguir adiante, em direção à recompensa do grande chamado de Deus em Jesus Cristo.

2. E é indubitavelmente verdade que existe um arrependimento e uma fé que são, mais especialmente, necessárias, no início: o arrependimento que é a convicção de nossa mais extrema pecaminosidade, culpabilidade, e impotência; e que precede nosso recebimento do reino de Deus que, nosso Senhor, observa, está 'dentro de nós'; e uma fé, por meio da qual recebemos aquele reino; até mesmo, retidão, paz e alegria no Espírito Santo.
   
3. Não obstante isso, existe também um arrependimento e uma fé (tomando as palavras em outro sentido; um sentido não completamente o mesmo; nem ainda, inteiramente, diferente) que são requisitados depois de termos 'acreditado no Evangelho'; e, em cada estágio subseqüente de nossa trajetória cristã, ou nós não poderemos 'correr a corrida que se coloca diante de nós'.  E esse arrependimento e fé são tão necessários, com o objetivo de nossa continuidade e crescimento na graça, como a fé e o arrependimento anteriores foram, com o objetivo de nossa entrada no Reino de Deus.

Mas, em que sentido nós devemos nos arrepender e acreditar, depois de sermos justificados? Esta é uma importante questão. E vale a pena ser considerada com a mais extrema atenção.

I

E, primeiro, em que sentidos nós devemos nos arrepender?

(1) Arrependimento freqüentemente significa uma mudança interior de mente, do pecado, para a santidade. Mas nós agora falamos em um sentido completamente diferente, como se fosse uma espécie de autoconhecimento: o conhecer a nós mesmos pecadores; pecadores culpados, e impotentes, ainda que saibamos que somos filhos de Deus.

(2) De fato, quando nós, primeiro, sabemos disso; quando nós primeiro encontramos redenção no sangue de Cristo; quando o amor de Deus é primeiro derramado em nossos corações, e seu reino colocado neles; é natural supor que nós não seremos mais pecadores, que todos os nossos pecados, não apenas foram cobertos, mas foram destruídos. Como se nós, então, não sentíssemos qualquer mal em nossos corações; nós rapidamente imaginamos que não existe coisa alguma neles. Mais ainda; alguns homens bem-intencionados têm imaginado que isto não é apenas, naquele momento, mas o será para sempre; tendo persuadido a si mesmos, que, quando eles foram justificados, eles foram inteiramente santificados: sim; que eles tinham colocado como uma regra geral, a despeito das Escrituras, razão e experiência.  Esses sinceramente acreditam; e, honestamente, afirmam que todo o pecado foi destruído, quando nós fomos justificados; e que não existe pecado, no coração do crente; mas que ele está completamente limpo, dali em diante. Mas, embora, nós rapidamente reconheçamos  'que aquele que crê é nascido de Deus' , e 'que aquele que é nascido de Deus não comete pecado';  ainda assim, nós não podemos permitir que ele não o sinta dentro de si: ele pode não reinar, mas ainda permanece. E a convicção do pecado que permanece em nosso coração, é o grande motivo do arrependimento do qual nós estamos falando a respeito. 

(3) Já que, dificilmente, muito tempo antes que ele imaginasse que todo pecado tinha desaparecido, ele sentiu que ainda havia orgulho em seu coração. Ele está tão convencido, que, em muitos aspectos, pensa, sobre si mesmo, mais altamente do que deveria, e tem dado, a si mesmo, mérito por alguma coisa que tenha recebido, e se gloriado, naquilo que ainda não recebeu; e ainda assim, ele sabe que está no favor de Deus. Ele não pode, e não deve 'atirar fora sua confiança'. 'O Espírito' ainda 'testemunha com' seu 'espírito, que ele é um filho de Deus'.

(4) Nem foi muito tempo antes que ele sentisse vontade própria, em seu coração; mesmo uma vontade contrária à vontade de Deus. Uma vontade que todo homem deve inevitavelmente ter, por tanto tempo quanto ele tiver entendimento. Esta é uma parte essencial da natureza humana; realmente, da natureza de toda existência inteligente. Nosso abençoado Senhor, por si mesmo, tinha vontade própria como qualquer homem; do contrário ele não teria sido um homem. Mas sua vontade humana estava invariavelmente sujeita à vontade de seu Pai. Em todos os momentos, e em todas as ocasiões, mesmo na mais profunda aflição, ele pode dizer: 'Não como eu quero, mas como Tu queres'. Mas este não é o caso, todo o momento, mesmo com respeito ao crente verdadeiro em Cristo. Ele freqüentemente certifica-se que sua vontade, mais ou menos, exalta a si mesmo contra a vontade de Deus. Ele deseja alguma coisa, porque isto é agradável à sua natureza, mas que não é agradável a Deus, e ele é avesso a alguma, que seja dolorosa à sua natureza, mas que é da vontade de Deus com respeito a ele. De fato, supondo-se que ele continue na fé, ele luta contra ela com toda sua força; mas essa mesma coisa implica que ela realmente existe, e que ele está consciente dela.

(5) Agora, a vontade própria, assim como o orgulho, é uma espécie de idolatria, e ambos estão diretamente contrários ao amor de Deus. A mesma observação pode ser feita com respeito ao amor do mundo. Mas isso, igualmente, mesmo os verdadeiros crentes são capazes de sentir em si mesmos; e cada um deles sente isso, mais ou menos, cedo ou tarde, de um modo ou de outro. É verdade que, quando ele primeiro 'passa da morte para a vida',  ele deseja nada mais do que Deus. Ele pode verdadeiramente dizer: 'Todo meu desejo está junto a Ti, e junto à memória de Teu nome: quem eu tenho nos céus, a não ser a Ti? E não existe nenhum nome sobre a terra, que eu deseje, além de Ti'. Mas isto não acontece sempre assim. No decurso do tempo, ele irá sentir novamente, embora, talvez apenas por alguns poucos momentos, tanto 'o desejo da carne',  ou 'o desejo dos olhos', ou 'o orgulho da vida'. Mais ainda. Se ele não vigiar e orar continuamente, ele poderá encontrar a luxúria reavivando-se; sim, e levando-lhe aflição, para que ele possa cair, até que escassamente tenha alguma força restante em si. Ele pode sentir os assaltos da afeição desordenada; uma forte propensão a 'amar a criatura mais do que o Criador'. Ele pode sentir, de milhares de maneiras diferentes, um desejo das coisas mundanas ou prazerosas. Na mesma proporção, ele irá esquecer-se de Deus; não buscando sua felicidade nele, e, conseqüentemente sendo um 'amante do prazer, mais do que de Deus'.

(6) Se ele não se resguardar, a todo o momento, ele irá sentir novamente o desejo dos olhos; o desejo de gratificar sua imaginação, com alguma coisa grande, bonita, ou incomum. E em quantas maneiras esse desejo assalta a sua alma! Talvez, com respeito a poucas ninharias, tais como vestuário, mobílias; coisas nunca designadas a satisfazer o apetite de um espírito imortal. Ainda assim, quão natural é para nós, mesmo depois de termos 'testado os poderes do mundo a vir', mergulhamos novamente nessas tolices; desejo vil de coisas que perecem ao uso! Quão difícil é, mesmo para aqueles que sabem em quem eles têm crido, vencer um ramo do desejo do olho, a curiosidade; constantemente, para esmagá-la debaixo de seus pés; para desejar nada, meramente porque é novo!

(7) E quão difícil é, mesmo para os filhos de Deus, dominar totalmente o orgulho da vida! João parece querer dizer, através disso, aproximadamente o mesmo que a palavra denomina 'o senso de honra'.  Este não é outro que um desejo, e deleita-se 'na honra que vem dos homens';  um desejo e amor da exaltação; e, que vem sempre junto com ela; o temor proporcional da repreensão. Quase aliada a isso é a vergonha diabólica; o estar envergonhado daquilo da qual deveríamos nos gloriar. E isto é raramente separado do medo do homem que traz milhares de armadilhas à alma. Agora, onde está aquele que, mesmo em meio aos que parecem fortes na fé, não encontra, em si mesmo, um grau de todos esses temperamentos diabólicos? Assim sendo, mesmo esses não estão — a não ser em parte —'crucificados para o mundo'; já que as raízes do mal permanecem em seus corações.

(8) E nós não sentimos outros temperamentos que são tão contrários ao amor de nosso próximo,assim como são para o amor de Deus? O amor de nosso próximo 'não pensa o mal'. Nós não encontramos coisa alguma desse tipo? Nós nunca encontramos algum ciúme; alguma conjectura diabólica; alguma suspeita infundada ou irracional? Ele que é claro nesses aspectos, que atire a primeira pedra, em seu próximo. Quem, algumas vezes, não sente outros temperamentos ou movimentos interiores, que ele sabe são contrários ao amor fraterno? Se nada de malícia, ódio, ou amargura; se não existe toque algum de maldade; particularmente, em direção àqueles que desfrutam de um bem real ou suposto, que nós desejamos, mas não podemos obter? Nós nunca encontramos algum grau de ressentimento, quando nós estamos injuriados ou somos afrontados; especialmente por aqueles a quem, particularmente, amamos, e a quem nós temos mais trabalhado para ajudar ou obsequiado? A injustiça ou ingratidão nunca despertou em nós algum desejo de vingança?Algum desejo de pagar o mal com o mal; em vez de 'dominar o mal com bem?'  Isto também mostra o quanto há de tranqüilidade em nossos corações, o que é ao contrário ao amor de nosso próximo.  

(9)  A cobiça, em qualquer grau, é certamente tão contrária a isto, quanto é para o amor de Deus; se o amor ao dinheiro, que é tão freqüentemente 'a raiz de todo o mal'; ou redundância, literalmente, o desejo de ter mais, ou aumentar em substância. E quão poucos, mesmo os reais filhos de Deus, estão inteiramente livres de ambos! De fato, um grande homem, Martinho Lutero, costumava dizer, que ele 'nunca teve qualquer cobiça nele' (não apenas em seu estado de convertido, mas) 'desde que ele nasceu'.  Mas, se for assim, eu não tenho escrúpulos em dizer que ele era apenas um homem nascido de uma mulher (exceto aquele que era Deus, tanto quanto homem), que não tinha, que nasceu sem isto. Mais ainda, eu acredito, que nunca houve alguém nascido de Deis, que viveu algum tempo consideravelmente depôs, que não sentiu, mais ou menos, disso, muitas vezes; especialmente, no último sentido. Nós podemos, por conseguinte, colocar, como uma verdade indiscutível, que a cobiça, junto com o orgulho, e vontade-própria, ou ira, permanecem nos corações, mesmo daqueles que estão justificados.

(10) Está em experimentar isto, que tantas pessoas sérias têm se inclinado entender a última parte do sétimo capítulo para os Romanos; não aqueles que estão 'debaixo da lei', e que foram convencidos do pecado, que é indubitavelmente o significado do Apóstolo, mas aqueles que estão 'debaixo da graça'; daqueles que são 'justificados livremente, através da redenção que está em Cristo'. E é mais certo, que eles estão assim agindo corretamente, — que ainda resta, mesmo nestes que estão justificados, a mente que é, em alguma medida, carnal (assim diz o Apóstolo; até mesmo, aos crentes em Corinto: 'vocês são carnais'); um coração propenso à apostasia; ainda sempre pronto a 'se afastar do Deus vivo'; uma propensão ao orgulho, vontade própria, ira, vingança, amor do mundo; sim, e todo o mal: a raiz da amargura, que, se o impedimento fosse tirado fora, por um momento, iria instantaneamente brotar; sim, tal a profundidade da corrupção; o que,  sem a luz clara de Deus, nós não podemos possivelmente conceber. E uma convicção de todo esse pecado, permanecendo em seus corações, é o arrependimento que pertence a eles que estão justificados.

(11) Mas nós podemos igualmente ser convencidos, que como o pecado permanece, em nossos corações, então ele se adere a todas as nossas palavras e ações. De fato, deve ser temido que muitas de nossas palavras estejam mais do que misturadas com o pecado; que elas sejam um pecado completamente; já que tal é indubitavelmente toda conversa não generosa; toda aquela que não brota do amor fraternal; toda que não concorda com a regra dourada: 'o que você gostaria que os outros fizessem a você. O mesmo, então, faça aos outros'. Desse tipo são todas as apostasias; todo o mexerico; todo boato; toda maledicência; ou seja, repetindo as faltas de pessoas ausentes; já que ninguém teria ouros repetindo suas faltas, quando ele está ausente. Agora, quão poucos existem, mesmo entre os crentes, que não são, em algum grau, culpados disso; que prontamente observam a boa e velha regra: 'do morto, e do ausente, nada, a não ser o bem!'. E suponham que eles façam; eles igualmente se abstêm da conversa improdutiva? Isto ainda é um pecado inquestionável, e 'aflige o Espírito Santos de Deus':  Sim, e  'para cada palavra inútil que os homens possam falar, eles deverão fazer um relato no dia do julgamento'.    

(12) Mas, vamos supor, que eles continuamente 'vigiam e oram', e então, 'não caem' nessa 'tentação'; que eles constantemente colocam um vigia, diante de suas bocas, e mantêm a porta de seus lábios, fechada; suponha que eles exercitam, em si mesmos, que toda 'conversa deve ser na graça, temperada com sal, e contentando-se em ministrar graça aos ouvintes'; ainda assim, eles não escorregam diariamente no discurso inútil; não obstante toda sua precaução? E mesmo quando eles se esforçam para falar por Deus, as suas palavras são puras; livres de misturas profanas? Eles não encontram nada errado em suas intenções? Eles falam meramente para agradar a Deus, e não parcialmente para satisfazer a si mesmos? Eles fazem totalmente a vontade de Deus, e não suas próprias vontades também? Ou, se eles começam com o olho único, eles continuam, em frente, 'olhando junto a Jesus', e falando com ele, todo o tempo, que eles estão falando com seu próximo? Quando eles estão reprovando o pecado, eles não sentem ira, ou temperamento indelicado para com o pecador? Quando eles estão instruindo o ignorante, eles não encontram algum orgulho; não priorizam a si mesmos? Quando eles estão confortando o aflito, ou induzindo um outro a amar e fazer as boas obras, eles nunca percebem qualquer auto-aprovação interior: 'Agora, você falou bem?'. Ou alguma vaidade — um desejo que outros possam pensar assim, e estimá-los, por este motivo? Em alguns desses, ou em todos esses aspectos, quantos pecados se aderem às melhores conversas. Até mesmo dos crentes! A convicção disso é outro motivo do arrependimento que pertence àqueles que estão justificados.  

(13) E quanto pecado, se a consciência deles está totalmente desperta, eles podem encontrar, aderido às suas ações também! Mais ainda; não existem muitas dessas, que, embora sejam tais, que o mundo não poderia condenar, ainda assim não podem ser confiadas; não, nem desculpadas, se nós julgamos pela Palavra de Deus? Não existem muitas dessas ações que, eles mesmos sabem, não são para a glória de Deus? Muitas, nas quais, mesmo eles não tendo intenção disso; não foram empreendidas com um olho para Deus? E dessas que foram, não existem muitas, nas quais o olho único deles não está somente fixado em Deus — na qual eles estão fazendo a sua própria vontade; pelo menos, tanto quanto a do Senhor; e buscando agradar a si mesmos, tanto quanto, se não, mais do que agradam a Deus?  — E, enquanto eles estão se esforçando para fazer o bem a seu próximo, eles não sentem esses temperamentos errados de várias espécies? Assim sendo, suas boas ações, assim chamadas, estão longe de serem estritamente tais; estando poluídas com tal mistura de mal: tais são as obras da misericórdia. E não existe a mesma mistura nelas? Enquanto eles estão ouvindo a palavra que é capaz de salvar suas almas, eles não encontram freqüentemente tais pensamentos que os tornam temerosos, com receio de que elas os conduzam à condenação, em vez de sua salvação? Este não é sempre o mesmo caso; enquanto eles estão se esforçando para oferecer suas orações a Deus, se em público ou privado? Mais ainda, enquanto eles estão engajados no serviço mais solene; mesmo enquanto eles estão na mesa do Senhor, quantas maneiras de pensamentos surgem neles! Não estão seus corações, algumas vezes, vagueando nas extremidades da terra; algumas vezes, cheios de tais imaginações, que os tornam receosos de que todo o sacrifício deles seja uma abominação para o Senhor? Assim sendo, eles estão agora mais envergonhados de suas melhores obrigações. Do que eles estiveram, uma vez, de seus piores pecados.

(14) Novamente: de quantos pecados de omissão estão eles encarregados! Nós conhecemos as palavras do Apóstolo: 'Para aquele que conhece o bem, e não o pratica, isto se constitui em pecado'. Mas eles conhecem os milhares de exemplos, em que eles poderiam ter feito o bem aos inimigos, aos estranhos, para seus irmãos, tanto com respeito aos seus corpos, ou almas, e eles não o fizeram? De quantas omissões eles têm sido culpados, em suas obrigações em direção a Deus! Quantas oportunidades de comunicação, de ouvir Sua palavra, de orar em público ou privativamente, eles têm negligenciado! Tão grande motivo teve, mesmo aquele homem santo, Arcebispo Usher, depois de todo seu trabalho para Deus, clamar em alta voz, em seu último suspiro: 'Senhor, perdoe meus pecados de omissão!'.

(15) Mas, além dessas omissões exteriores, eles não podem encontrar, em si mesmos, um sem número de defeitos interiores? De todos os tipos? Eles não têm o amor, o medo, a confiança que eles deveriam ter, em direção a Deus. Eles não têm amor para com seu próximo; eles não amam o filho do homem; não, nem mesmo têm o amor que é devido aos seus irmãos; não amam cada filho de Deus: os que estão distantes deles, ou com os quais estão imediatamente conectados. Eles não têm temperamento santo, no grau que deveriam. Eles são defeituosos em tudo — em uma consciência profunda de que eles estão prontos a gritar, com M. De Renty: 'eu sou uma terra coberta com espinhos';  ou, com Jó, clamar: 'Eu sou vil; eu abomino a mim mesmo, e me arrependo, e me reduzo a cinzas'.

(16) A convicção de suas culpas é um outro ramo daquele arrependimento que pertence aos filhos de Deus. Mas isto deve ser cuidadosamente entendido, e em um sentido peculiar. Já que é certo que 'não existe condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo'; que acreditam nele, e no poder daquela fé que 'caminha não segundo a carne, mas segundo o Espírito'. Contudo, eles não podem mais suportar a estrita justiça de Deus agora, do que suportavam, antes de acreditarem. Isto declara que eles ainda são merecedores da morte, sobre todos os relatos precedentes. E isto absolutamente os condenaria por isso, não fosse pelo sangue redentor. Por conseguinte, eles são totalmente convencidos que eles ainda merecem punição, embora ela seja colocada, por isso, aparte deles. Mas aqui existem extremos, de um lado e de outro, e poucos se desviam claramente deles. A maioria dos homens lança-se para um, ou para o outro extremo; tanto pensando que estão condenados, quando eles não estão; quanto pensando que eles merecem ser inocentados. Mais do que isto. A verdade fica no meio termo: eles ainda merecerem, estritamente falando apenas na condenação do inferno. Mas o que eles merecerem não cai sobre eles, porque eles 'têm um advogado com o Pai'.  Sua vida, morte e intercessão ainda se interpõem entre eles e a condenação.

(17) A convicção da mais extrema impotência é ainda outro ramo desse arrependimento. Eu quero dizer, com isso, duas coisas: primeiro, que eles não estão mais capazes de pensarem alguma coisa boa, de formar um bom desejo, de falar alguma boa palavra, ou de realizar uma boa obra, do que antes de terem sido justificados; de que eles não têm ainda espécie ou grau algum de força, em si mesmos; ou poder algum, tanto para fazer o bem, quanto para resistir ao mal; habilidade alguma para conquistar, ou mesmo opor-se ao mundo, ao mal, e à sua própria natureza diabólica. Eles podem, é certo, fazer essas coisas; mas não pelas suas próprias forças. Eles têm poder de dominar todos esses inimigos; uma vez que 'o pecado não mais domina sobre ele';  mas isto não é da sua natureza, tanto no todo, quanto na parte; este é meramente o dom de Deus; nem é dado todo, imediatamente, como se eles tivessem um suprimento disposto, durante muitos anos; mas a cada momento.

(18) Mas, por esta impotência, eu quero dizer, em segundo lugar, uma inabilidade absoluta para livrar a nós mesmos da culpa ou do deserto da punição, da qual nós ainda estamos conscientes; uma inabilidade para remover, através de toda a graça que temos (para não dizer coisa alguma de nossos poderes naturais), tanto o orgulho, a vontade-própria, o amor do mundo, a ira, e a predisposição geral a se separar de Deus, o que nós experimentalmente sabemos permanece, em nossos corações; mesmo daqueles do qual estamos regenerados; ou do mal que, a despeito de todos os nossos esforços, adere-se a todas as nossas palavras e ações. Acrescente a isto, uma inabilidade extrema e total, para evitar  a não generosidade, e, muito mais, a conversa inútil; uma inabilidade para evitar os pecados de omissão, ou suprir os inúmeros defeitos dos quais estamos convencidos; especialmente, da necessidade de amor, e outros temperamentos certos, ambos para Deus e homem.    

(19) Se algum homem não está satisfeito com isso; se alguém acredita que quem quer que esteja justificado é capaz de remover esses pecados para fora de seu coração e vida, deixe-o fazer o experimento. Deixe-o tentar se, pela graça que ele já tem recebido, ele pode expulsar o orgulho, a vontade-própria, ou o pecado inato, em geral. Deixe-o tentar, se ele pode limpar suas palavras e ações, de toda mistura do mal; se ele pode evitar toda falta de generosidade e conversa sem proveito, com todos os pecados de omissão; e, por fim, se ele pode substituir os inúmeros defeitos que ele encontra em si mesmo. Deixe-o não ser desencorajado, por um ou dois experimentos, mas repita a tentativa novamente e novamente; e, quanto tempo mais ele tentar, mais profundamente ele será convencido de sua total impotência em todos esses aspectos.  

(20) De fato, isto é uma verdade tão evidente, que quase todo filho de Deus,  espalhado, por todos os cantos, embora difiram em outros pontos, ainda assim, eles geralmente concordam nesse: — que, embora nós possamos, 'pelo Espírito, mortificar as ações do corpo'; resistir e dominar sobre o pecado exterior e interior; embora possamos enfraquecer nossos inimigos dia a dia; — ainda assim, não podemos extirpá-los. Mesmo que vigiemos e oremos sempre muito, não podemos limpar totalmente, tanto nossos corações, quanto nossas mãos. Mais certo de que não podemos, até que agrade nosso Senhor falar para nossos corações novamente; falar pela segunda vez: 'Sejam limpos': e, então, nossa sujidade será limpa. Somente assim, a raiz má, a mente carnal, será destruída; e o pecado inato não subsistirá mais. Mas, se não houver uma segunda chance; se não houver um livramento instantâneo, depois da justificação; se não houver, a não ser uma obra gradual de Deus (já que existe um trabalho gradual que ninguém pode negar), então, nós devemos ficar satisfeitos, tanto quanto for possível, de permanecermos cheios do pecado, até a morte; e, assim sendo, devemos permanecer culpados, até a morte, e continuamente merecendo punição. Já que é impossível que a culpa ou o deserto da punição sejam removidos de nós, por quanto tempo todos esses pecados permanecerem em nossos corações, e se aderirem às nossas palavras e ações. Mais do que isto, na justiça rigorosa, todos nós pensamos, falamos, e agimos, aumentando todos eles continuamente .

II

(1) Neste sentido, nós devemos nos arrepender, depois de sermos justificados. E até que façamos isto, nós não poderemos seguir adiante. Já que, até que estejamos sensíveis de nossa enfermidade, não poderá haver cura. Mas, supondo-se que nos arrependamos; então, nós seremos chamados 'a crer no Evangelho'.

(2) E isto também deve ser entendido, em um sentido peculiar, diferentemente daquilo, no qual nós acreditamos, com o objetivo da justificação. Acreditar nas boas novas da grande salvação, a qual Deus tem preparado para todas as pessoas. Acreditar que ele que é 'a luz da glória de seu Pai, e expressa a imagem de sua pessoa', é 'capaz de salvar, ao extremo, todos que vêm junto a Deus, através dele'. Ele é capaz de salvar você de todo o pecado que ainda permanece em seu coração. Ele é capaz de salvar você de todo o pecado que adere a todas as suas palavras e ações. Ele é capaz de salvar você de todo o pecado de omissão, e substituir o que quer que seja necessário em você. É verdade que isto é impossível com o homem; mas com o grande Deus, todas as coisas são possíveis. O que pode ser mais difícil para ele que tem 'todo o poder dos céus e terra?'.

De fato, o mero poder do homem para fazer isto não é um poder suficiente, a menos que Ele tivesse prometido isto. Mas ele não o fez: ele tem prometido isto, sempre e sempre, em condições mais fortes. Ele nos tem dado essas 'promessas excedentes, grandes e preciosas', tanto no Velho, quanto no Novo Testamento. De modo que lemos na lei, na parte mais antiga da Palavra de Deus: 'E o Senhor, seu Deus, circuncidará o teu coração, e o coração de tua semente, para amares ao Senhor teu Deus, com todo teu coração, e com toda a tua alma, para que vivas'. (Deut. 30:6). Assim como nos Salmos: 'Ele irá redimir Israel',  a Israel de Deus, 'de todo pecado'.  Como nas palavras do profeta: 'Então, espalharei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E vos darei um coração novo, e porei dentro de vós, um espírito novo; e tirarei o coração de pedra da vossa carne, e vos darei um coração de carne.  Porei dentro de vós o me Espírito, e fareis com que andeis em meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis... E vos livrarei de todas as suas imundícias'. (Ezequiel 36:25-29). Assim, igualmente, o Novo Testamento, em (Lucas 1:68-75) 'Bendito o Senhor Deus de Israel; porque ele tem redimido seu povo, e tem erguido uma salvação poderosa na casa de Davi, seu servo, para nos livrar dos nossos inimigos, e das mãos de todos aqueles que nos aborrecem; e para manifestar misericórdia a nossos pais, e para lembrar-se do seu santo concerto, e do juramento que jurou a nosso pai Abraão, de que ele iria garantir a nós que seríamos libertos das mãos de nossos inimigos, se o servíssemos, sem temor, na santidade e retidão, diante dele, todos os dias de nossas vidas'.

(3) Você tem, entretanto, bons motivos para acreditar que ele não apenas é capaz, mas, de boa-vontade, fará isto; para limpar você de toda sujidade da carne e espírito; para 'salvar você de toda imundícia'.  Está é a coisa que você agora espera; esta é a fé que, particularmente, precisa, ou seja, que o Grande Médico, o grande Amor de sua alma, esteja disposto a tornar você, limpo. Mas ele de bom-grado fará isto, amanhã, ou hoje? Deixe que ele mesmo responda: 'Hoje, se você ouvir' minha 'voz, não endureça seu coração'. Se você deixar isto de fora, até amanhã, você endurecerá seu coração; você se recusará a ouvir sua voz. Acredite, entretanto, que ele quer salvar você, hoje. Ele de boa vontade quer salvá-lo agora. 'Observe, agora, que o tempo chegou'.  Ele diz: 'Seja limpo!'.  Apenas acredite, e você irá se certificar também 'que todas as coisas são possíveis para aquele que crê'.

(4) Continue a acreditar nele que o amou, e deu a si mesmo por você; que carregou todos seus pecados, em seu próprio corpo, no madeiro; salvou você de toda condenação, através de seu sangue continuamente consagrado. Assim é que nós continuamos em um estado justificado. E, quando nós seguimos 'de fé em fé', quando nós temos fé para sermos limpos do pecado que habita em nós; para sermos salvos de toda nossa imundícia, nós estamos igualmente salvos daquela culpa; daquele deserto de punição, que sentimos antes. De modo que, então, podemos dizer, não apenas: 'Todo o momento, Senhor, eu quero o mérito de tua morte; mas igualmente, na certeza plena da fé, todo o momento, Senhor, eu tenho o mérito de sua morte!

Porque, através dessa fé, na vida, morte e intercessão Dele por nós, renovadas a todo o momento, nós estamos limpos, e, não apenas, não existe condenação alguma para nós, mas também, o tal deserto de punição, como havia antes, já que o Senhor limpou nossos corações e nossas vidas.

(5) Através da mesma fé nós sentimos o poder de Cristo, a todo o momento, descansando sobre nós; pelo que, sozinhos, somos o que nós somos; pelo que somos capacitados a continuar na vida espiritual, e sem o que, não obstante toda nossa santidade presente, nós devemos ser demônios, no momento seguinte. Mas, por quanto tempo retemos nossa fé nele, nós'estamos puxando água para fora dos poços da salvação'.  Inclinando-nos sobre nosso Amado; igualmente Cristo, em nós, a esperança da glória; que habita em nossos corações pela fé; que, do mesmo modo, está sempre intercedendo por nós, do lado direito de Deus; nós recebemos sua ajuda para pensar, falar e agir; o que é aceitável a seus olhos. Assim, ele 'impede' aqueles que crêem, em todos os seus 'feitos e os favorece com sua ajuda contínua'; de maneira que todos os seus desígnios, conversas, e ações são 'começadas, continuadas e terminadas nele'.  Assim sendo, ele 'limpa os pensamentos de seus corações, através da inspiração do seu Santo Espírito, para que eles podem amá-lo perfeitamente, e merecidamente magnificar seu santo nome'.   

(6) É assim que, nos filhos de Deus, arrependimento e fé respondem exatamente um ao outro. Pelo arrependimento, nós sentimos o pecado, permanecendo, em nossos corações, e aderido às nossas palavras e ações; pela fé, nós recebemos o poder de Deus em Cristo, purificando nossos corações, e limpando nossas mãos. Pelo arrependimento, nós ainda estamos sensíveis de que nós merecemos punição, por todos os nossos temperamentos, palavras e ações; pela fé, nós estamos cônscios que nosso Advogado está pleiteando, junto ao Pai, continuamente por nós, e, dali em diante, continuamente, colocando de lado toda condenação e punição sobre nós. Pelo arrependimento, nós temos uma convicção permanente de que não existe socorro em nós; pela fé, nós recebemos, não apenas, misericórdia, 'mas a graça para ajudar', em todo o tempo de necessidade. O arrependimento desaprova a mesma possibilidade alguma outra ajuda; a fé aceita toda a ajuda que necessitamos dele, que tem todo o poder nos céus e terra. O arrependimento diz: 'Sem ele, eu não posso fazer coisa alguma':  A fé diz: 'Eu posso todas as coisas, através de Cristo que me fortalece'.  Através dele, eu posso não apenas dominar, mas eliminar todos os inimigos de minha alma. Através dele, eu posso 'amar o Senhor meu Deus, com todo meu coração, mente, alma e forças';  sim, e 'caminhar na santidade e retidão, diante dele, todos os dias de minha vida'.

III
  
(1)  Do que tem sido dito, nós podemos facilmente conhecer a maldade daquela opinião: a de que nós estamos totalmente santificados, quando somos justificados; de que nossos corações estão limpos, então, de todo o pecado. É verdade que nós somos, assim, libertos, como foi observado antes, do domínio do pecado exterior; e, ao mesmo tempo, o poder do pecado interior é tão afligido, que nós não precisamos mais seguir, ou sermos conduzidos por ele: mas não é, de maneira alguma, verdade, que o pecado interior foi, então, totalmente destruído; que as raízes do orgulho; da vontade própria, da ira, e do amor do mundo foram, assim, arrancadas do coração; ou que a mente carnal e o coração, inclinado à apostasia, foram inteiramente  extirpados. E, supor o contrário, não é, como alguns podem pensar, um erro inocente e inofensivo. Não: ele causa muito dano: ele bloqueia inteiramente o caminho para alguma mudança posterior; já que manifesta que, 'nem todos precisam de um médico, a não ser os que estão doentes'. Se, entretanto, nós pensamos que estamos completamente saudáveis, não existe espaço para buscar alguma cura posterior. Sobre essa suposição é absurdo esperar algum livramento do pecado, mais tarde, se gradual ou instantâneo.

(2) Do contrário, uma convicção profunda de que não estamos ainda  inteiros; de que nossos corações não estão completamente purificados; de que existe ainda em nós uma 'mente carnal', que é ainda, em sua natureza, 'inimiga contra Deus'; de que todo o corpo do pecado permanece em nossos corações; enfraquecido, de fato, mas não destruído;  mostra, além de qualquer possibilidade de dúvida, que, no momento exato da justificação, nós nascemos novamente: naquele momento, nós experimentamos aquela mudança interior da 'escuridão, para a luz maravilhosa'; da imagem do bruto e diabólico, para a imagem de Deus; da mente mundana, sensual e diabólica, para a mente que estava em Jesus Cristo. Mas nós estamos, então, inteiramente mudados? Nós estamos totalmente transformados na imagem daquele que nos criou? Longe disso: nós ainda retemos a profundidade do pecado; e é a consciência disso que nos constrange a murmurar por um completo livramento, a ele que é poderoso para salvar.

Assim é que todos aqueles crentes que não estão convencidos da profunda corrupção de seus corações, a não ser, levemente, e, dessa forma, imaginariamente convencidos, têm algum entendimento com respeito à santificação completa. Eles podem possivelmente ter a opinião de que tal santificação deve acontecer, tanto no momento da morte, ou algum tempo, em que eles não sabem quando, antes dela. Mas eles não têm grande preocupação quanto à necessidade disso; e não estão famintos e sedentos em busca dela. Eles nem poderiam, até que conhecessem a si mesmos melhor; até que se arrependessem, no sentido acima descrito; até que Deus desvendasse a face do monstro inato, e mostrasse a eles o estado real de suas almas. Então, apenas quando eles sentissem o peso, eles iriam murmurar por livramento dele.

Então naquele momento, e não antes, eles clamaram, na agonia de suas almas: 'Interrompe o jugo do pecado inato, e liberta meu espírito completamente! Eu não posso descansar até que me sinta puro; até que eu esteja completamente perdido em Ti'.

(3) Nós podemos aprender disso, em segundo lugar, que uma profunda convicção de nosso demérito, depois de nós termos sido aceitos (o que, em um sentido, pode ser denominada culpa), é absolutamente necessária, com o objetivo de buscarmos o verdadeiro valor do sangue redentor; com o objetivo de sentirmos que precisamos disso — tanto, antes de sermos justificados, quanto depois disso. Sem essa convicção, nós podemos considerar o sangue da aliança, a não ser como uma coisa comum; alguma coisa da qual nós não temos agora a mínima necessidade; vendo que todos os nossos pecados passados foram apagados. Sim; mas se tanto nossos corações, quanto nossas vidas, estão assim impuros, existe uma espécie de culpa que nós estamos contraindo a todo o momento; e, em conseqüência disso, estamos a todo o momento nos expondo à condenação; mas 'aquele que vive nas alturas, interce por nós. E, através de seu amor redentor; seu sangue precioso advoga por nós'.

Este é o arrependimento, a e fé que estão intimamente conectados, e que podem ser expressos nessas fortes linhas: 'Eu peco, a cada fôlego que tomo; não faço Tua vontade; nem mantenho Tua lei, na terra, assim como os anjos o fazem nos céus: Mas, a fonte ainda permanece aberta, lavando meus pés, meu coração e minhas  mãos, até que eu seja perfeito no amor'.

(4) Nós podemos observar, em terceiro lugar, que uma profunda convicção de nossa extrema impotência, de nossa total inabilidade de reter alguma coisa que temos recebido; muito mais para nos livrar do mundo da iniqüidade, permanecendo tanto em nossos corações, quanto em nossas vidas, nos ensina verdadeiramente a viver em Cristo, pela fé; não apenas, como nosso Sacerdote, mas como nosso Rei. Por meio disto, nós somos trazidos para 'gloriarmos a Ele', de fato: para 'darmos a Ele toda a glória de sua graça'; para 'o tornarmos nosso Salvador, por completo; e verdadeiramente colocarmos a coroa sobre Sua cabeça'.

Como essas palavras excelentes têm sido freqüentemente usadas, elas têm tido um pequeno, ou nenhum significado; mas, preenchidas do forte e profundo senso; quando nós, assim como antes, abandonamos a nós mesmos, a fim de sermos tragados Nele; quando nós mergulhamos no nada, para que Ele pudesse ser tudo em tudo; com Sua graça poderosa, abolindo 'toda grande coisa que exaltava a si mesma contra Ele'; todo temperamento, pensamento, palavra e obra são 'trazidos para a obediência de Cristo'.


APAIXONE-SE EM QUALQUER IDADE




AMOR À DISTÂNCIA, É POSSÍVEL?
Marcelo Augusto de Carvalho

I JOÃO 4.19 e 5.3.

 - Entendi que se quero ter salvação, preciso TER JESUS. E isto significa que a partir do momento que o aceitar como meu amigo, andarei com Ele igual um casal de namorados- VIVEREMOS JUNTOS. Terei que LER A BÍBLIA todos os dias, ORAR à Ele, apresentando-lhe todos os meus planos, sonhos, projetos, bem como os problemas, e terei que ANDAR COM ELE, isto é, aonde eu for terei de levá-lo, e aonde Ele quiser ir terei de acompanhá-lo.
É AÍ QUE MORA O PROBLEMA. Prá ser bem sincero, ainda não senti em minha vida um grande amor por Jesus. Não me sinto atraído por Ele. Eu o acho meio desinteressante. Se for para conversarmos, não vou agüentar ficar conversando sobre Céu, anjos, Milênio, Nova Terra, Milagres e outros baratos... Ele também têm um visual que não me agrada. Têm idéias muito diferentes das minhas, que aliás, são bem mais modernas. Por isto, sinceramente, NÃO ME SINTO MUITO ATRAÍDO POR JESUS.
- Agora, pior ainda é fazer o que Ele deseja. Pior ainda é andar com Ele. Destesto ler a Bíblia, ficar fazendo oração de joelhos, andar pensando a todo instante em Deus creio que me deixará louco, e IR aos lugares que Ele vai, me desculpe, mas tô fora- Igreja, Escola Sabatina dos jovens (agüentar aquele magrelo falar), Revive, Dar estudos bíblicos- ISTO NÃO É O QUE PLANEJEI PARA MINHA VIDA.
MAS VOCÊ DIZ AINDA: PORÉM O QUE ME PREOCUPA É SABER QUE SE NÃO O TIVER ESTAREI PERDIDO. QUE FAÇO?
- Se você reconhece isto, parabéns! Já andou 80% do caminho para o Céu. Há muitos hipócritas que não o fazem.
- Realmente todos somos assim. A Bíblia afirma lá em Romanos ( ROM 3.11) que NINGUÉM, POR MAIS SANTO QUE SEJA, AMA A DEUS, ENTENDE-O OU O BUSQUE.
- E por que? SOMOS PECADORES. E COMO TAIS ODIAMOS A DEUS POIS NISTO CONSISTE SER PECADOR. PECAMOS NÃO PORQUE O PECADO É TÃO GOSTOSO MAS POR REBELDIA A DEUS, POR O ODIARMOS.
EX- EVA- comeu do fruto pois duvidou de Deus. ADÃO- comeu do fruto não por desejá-lo, mas por amar mais a Eva do que a Deus.
- E quando Deus pede algo de nós, aí fica tudo mais difícil ainda. QUALQUER COISA, QUALQUER FATO OU MOTIVO NOS LEVA A NÃO MAIS BUSCÁ-LO, AMÁ-LO OU ANDAR COM ELE.
v  EX- Uma moça de 17 anos conheceu um senhor solteiro, mas bem mais velho que ela. Apesar de ser muito feio, de toda a diferença de idade, decidiu-se casar com ele. E rápido. 6 meses de namoro os levaram ao altar. A mãe lhe encheu de conselhos, advertências dizendo-lhe que ele era realmente um excelente homem, e seria um ótimo esposo, e que apesar da diferença de idade, poderiam ser felizes juntos. Mas tinha dúvida no que a filha queria para sua vida pois conhecia muito pouco tal homem. Poderia se frustrar por não conhecê-lo muito bem. Mas a filha disse: EU O AMO, E NÓS NOS CASAREMOS E SEREMOS FELIZES. E JAMAIS HAVERÁ UMA SEPARAÇÃO ENTRE NÓS.
Casaram-se. A cerimônia foi maravilhosa. Houve a festa- melhor ainda! Depois da festa, se despediram dos familiares e foram para um hotel para terem sua primeira noite juntos. Chegaram, se trocaram, se vestiram e foram para o leito conjugal. Era a primeira vez. Se abraçaram. Porém, neste momento, ocorreu algo inesperado. Ele pediu-lhe licença e (  ), tirou uma enorme dentadura e a colocou dentro de um copo, que ficava em cima da cabeceira da cama. Ela não aguentou aquilo. Deu um salto na cama. QUE NOJO. Perguntou- Como pode fazer isto? Sempre faz assim? - TODOS OS DIAS DEIXO-A DENTRO DESTE COPO para, se levantar e precisar, a usar nas eventualidades.
A moça não agüentou. Aquela noite havia acabado para ela. ERA TODA MIMADINHA. E não podia ou não conseguia dormir pensando naquele copo e a dentadura sorrindo para ela!
Não demorou muito, PEDIU O DIVÓRCIO.
- Todos nós somos como ela- NÃO GOSTAMOS DA PESSOA DE JESUS, E MUITO MENOS DE SUAS LEIS, SEUS MANDOS, SUAS ORDENS. PREFERIMOS VIVER PERDIDOS DO QUE TER QUE CONVIVER COM ELE.   ISTO ACONTECE COM TODO MUNDO.
- Jesus já sabia que seríamos assim, por isto, Ele INVENTOU UM MEIO PELO QUAL SERIA QUASE IMPOSSÍVEL NÃO O AMARMOS.    JOÃO 3.14
“NA CRUZ ATRAIREI TODOS A MIM”.
- QUEM QUISER AMAR A JESUS, BASTA OLHAR PARA CRUZ E VER A JESUS AGONIZANDO ALÍ. AO VER O QUE FEZ POR CADA UM DE NÓS SERÁ QUASE IMPOSSÍVEL NÃO AMÁ-LO.

FOI O QUE OCORREU COM 1 DOS DOIS LADRÕES QUE ACOMPANHARAM A JESUS NA CRUZ.
- Não sabemos qual era seu nome. Muitos acreditam que fosse Dimas. Em todo caso vamos usar tal nome para ficar mais fácil de entender a história.
- Dimas conheceu Jesus em sua juventude. Ouviu seus sermões, viu seus milagres, aceitou-o como o Messias e decidiu seguí-lo.
- Porém, influenciado pelos escribas, fariseu e sacerdotes, que lhe falaram muito mal de Jesus, Dimas se desencantou pelo Mestre e decidiu abandoná-lo. (sai dessa, Ele não é tudo o que diz ser. Além do mais isto é cafona, é chato. Seguir um rabizinho desse. Vá curtir sua vida.)
- Mas nunca conseguiu apagar de sua mente as impressões que recebera de Jesus. Para esquecê-lo então, caiu no mundo do pecado, depois do crime organizado. Entrou para o exército revolucionário e foi até o fim. Matou e por isto foi preso, julgado e condenado.
- Chegando o terrível dia da execução, e sabendo o que vinha à sua frente- a triste morte de cruz, tentou lutar até o fim para sofrer o menos possível.
- Porém, ao chegar na sala de julgamento de Pilatos, seu coração quase parou. Não podia acreditar: JESUS ESTAVA ALÍ, E SERIA MORTO COM ELE. Não entendeu isto. Mas começou a observar Jesus, e analisá-lo.
- Viu todos o baterem, mas não abriu sua boca. Viu o que passou da sala de julgamento até o Calvário, como sofreu, mas aceitou isto passivamente. Observou como os fariseus o xingavam, seu amigo blasfemava, mas Ele olhava para todos com o mais terno amor.
- Na cruz, reparou o terrível sofrimento que Jesus passava, tanto pela dor física como pela dor espiritual. Ouviu também os relatos que todos os seus seguidores davam de suas obras.
- LEMBROU-SE QUE CRISTO HAVIA DITO QUE 1 DIA MORRERIA, PASSANDO POR TUDO AQUILO POR AMOR PELOS HOMENS, PRINCIPALMENTE POR ELE.   ISTO FOI DEMAIS PARA ELE.
- Com profundo arrependimento disse: Senhor, eu errei. Tive a chance de andar contigo, mas não quis. Perdi por isto minha vida. Sei que vou morrer agora. Mas eu te peço: JÁ QUE NÃO DÁ PARA VOLTAR ATRÁS PARA VIVER CONTIGO, ME DÁ A OPORTUNIDADE DE VIVER CONTIGO NO CÉU. QUANDO TU VOLTARES, NÃO SE ESQUEÇA DE MIM. QUERO IR PARA O CÉU E PASSAR A ETERNIDADE DO TEU LADO.
JESUS DISSE-LHE: “NÃO ME ESQUECEREI DIMAS. ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO”. ASSIM SERÁ COM VOCÊ SE VOCÊ PASSAR PELO CALVÁRIO. SERÁ IMPOSSÍVEL NÃO AMÁ-LO.

O calvário nos ensina 3 lições:

1- DEUS NOS AMA TANTO QUE NÃO NOS ABORTOU!
v  Cientistas estão desenvolvendo uma técnica que permitirá no futuro os pais escolherem as características físicas e até de personalidade dos filhos. Para que? Para terem só o filho que desejariam, e não um intruso, uma pedra no sapato!
v  Na ex-União Soviética os pais faziam exames de ultrassonografia. Se viam que o bebê nasceria com problemas, ABORTAVAM.
DEUS SABIA COMO SERÍAMOS? (SALMO 139)- teimosos, arrogantes, hipócritas, pecadores ao extremo, cheios de manias, complicados, obstinados etc...  VENDO ISTO NOS ABORTOU?  Ele podia, mas mesmo sabendo como seríamos, NOS FEZ E ASSUMIU NOSSOS DELITOS MORRENDO NA CRUZ POR NÓS!

2- ELE LEVOU SOBRE SÍ TODO O FARDO DE CULPAS.
- pense um pouquinho em TODAS AS AFLIÇÕES QUE VOCÊ PASSA EM SUA VIDA AGORA- problemas em casa, miséria talvez, desespero, tristeza pela doença ou perda de alguém, medo pelo futuro etc...
- agora ajunte TODA A TRISTEZA QUE VOCÊ JÁ SENTIU EM TODA A SUA VIDA- é bastante, não é?
- adicione mais O SENTIMENTO QUE VOCÊ TEVE QUANDO UM DIA ESTEVE LONGE DE DEUS- creio que foram os momentos mais difíceis de sua vida, sentindo REMORÇO E DESEPERO COM ADÃO NO JARDIM.
- Pronto? Ainda não. Coloque tudo o que irá sofrer ainda em seu futuro. Depois coloque tudo os que as pessoas de hoje sofrem. Depois coloque todos estes sentimentos que todas as pessoas, de todas as épocas tiveram. 
VOCÊ ME PERGUNTARÁ - ONDE CABERÁ TANTO SOFRIMENTO ASSIM? Te respondo- EM JESUS. Levou tudo isto sobre ele, desde o Getsêmani até o Calvário. FOI POR ISTO QUE SUOU GOTAS DE SANGUE. FOI POR ISTO QUE MORREU EM MENOS DE 6 HORAS, MESMO SENDO TÃO FORTE E ROBUSTO FÍSICAMENTE.

3- MORREU NUMA CRUZ
- Os romanos eram cruéis. Inventaram tal morte para fazer o preso sofrer muito, e morrer lentamente sofrendo.
- JESUS- açoitado 2 vezes, isto é, 78 açoites. Era usada uma bola com lâminas na ponta que rasgavam as costas do criminoso.
- Carregou a cruz- pesava 45 kg.
- Tinha uma coroa de espinhos na cabeça- doía, sangrava.
- Apanhou muito. A turba estava tão enfurecida com Ele que se não fosse levado logo, o teriam despedaçado (EGW).
- NA CRUZ- pregavam para depois colocarem no buraco- causava imensa dor.
- Cravos- pregados nos ligamentos, responsáveis pelos movimentos do pé. Para que ficassem mancos.
- Nas mãos- não era nas mãos, mas no pulso- senão rasgava a mão e ele saía. No pulso para que não fosse sangue para as mãos matando as mãos.
- Tábua embaixo- para que não morresse logo asfixiado.
- Com os dias os corvos vinham e comiam pedaços do rosto. JESUS NÃO.
TUDO FOI TÃO FORTE QUE ELE MORREU HORAS DEPOIS.
FEZ ISTO POR QUE? AMA VOCÊ.
TEM CORAGEM DE NÃO AMÁ-LO? TEM CORAGEM DE NÃO QUERER TÊ-LO COMO SEU AMIGO? TÊM CORAGEM DE NÃO GOSTAR DAS COISAS QUE ELE GOSTA- LER BÍBLIA, ORAR, IR AOS LUGARES QUE ELE GOSTA? TEM CORAGEM DE FALAR QUE NÃO GOSTA DA PESSOA DELE?
Se você passar pelo Calvário será impossível não amá-lo.
MAS QUERO FAZER UMA RESSALVA: é muito fácil você amá-lo hoje, depois de assistir o filme e ouvir estas coisas. Sai daqui dizendo: EU O AMO E JAMAIS O DEIXAREI!
Porém tenho certeza que fará igual a Pedro; quando vier o dia a dia, tudo volta ao normal, e volta a achá-lo desinteressante.
É o que nos acontece no casamento. No dia do casamento prometemos tudo. Mas depois que passamos a conviver juntos vem a separação de ALMA E CORPOS.
- Sabe; colocamos coisas tão pequenas que nos separam de Deus que é impossível acreditarmos.
- JÁ OUVIU FALAR QUE CASAIS SE SEPARARAM PORQUE 1 USAVA UMA COR DE ESCOVA DE DENTES QUE O OUTRO NÃO GOSTAVA?
JÁ OUVIU FALAR... PORQUE UM BATIA MUITO FORTE A COLHER NO COPO,  E ISTO IRRITAVA O OUTRO?
v  Um casal muito simpático havia acabado de se casar. Estavam ainda nos romances de então. Numa sexta foram fazer o culto de Pôr do sol. Sentados no sofá, um grudado no outro (no começo é assim, depois um no banheiro cantando Bem Junto a Cristo eu quero estar, e o outro no quarto cantando- Deus, ajuda-me a suportar!), abraçadinhos. Cantando. Daqui à pouco a esposa deu um grito e quase pendurou-se no lustre da sala- O que foi? Um rato! O esposo foi atrás. Ela disse- foi para o quarto. Ele disse- foi para a cozinha. Não foi para o quarto. Não foi para a cozinha. Aí começou o impasse. E foi aumentando. E chegou a tal ponto que foram dormir sozinhos. A esposa chorando no quarto, e ele resmungando no sofá da sala. Passaram o sábado sem conversar, domingo, a semana toda- um bicudo para o outro. Chegou a outra sexta. Pôr do sol. Pensaram- mas que besteira. BRIGAMOS, NOS XINGAMOS, FICAMOS SEPARADOS UMA SEMANA POR CAUSA DE UM RAATO, UM CAMUNDONGUINHO? Fizeram as pazes ( ele passando o pé no chão, cabeça bem baixa). De novo no sofá, juntinhos, cantando. Desta vez conseguiram terminar. Oraram. Terminaram a oração abraçados, se beijaram. Mas neste momento o esposo virou para a esposa, e com um ar bem safado disse: MAS QUE ELE FOI PARA A COZINHA ELE FOI. AÍ TUDO COMEÇOU DE NOVO.
NA VIDA CRISTÃ ESTAMOS PERMITINDO QUE UM PEQUENÍSSIMO CAMUNDONGUINHO ATRAPALHE NOSSA VIDA COM JESUS.
ISTO MOSTRA QUE REALMENTE NÃO O AMAMOS.
v  Há muitas maneiras, hábitos e formas de se dormir. Mas os homens ganham das mulheres em criatividade. Alberto ganhava de todos, meia vermelha na metade do pé- calção esgarçado que usa há 8 anos para jogar futebol, com 3 listrinhas- camisa branca Hering que já lavou tanto que encolheu pela metade, dando para ver o lindo umbigo de fora- e prá fechar a griffe com chave de ouro uma touca daquelas de bandido com um pomponzinho na ponta. Um dia arrumou namorada. Namoraram, noivaram e se casaram. Agora imagine a noite da lua de mel. Ela foi para o quarto e colocou aquela camisola. Imagine quando ele apareceu!
Você pediria o divórcio. Mas ela não permitiu que tal MOSTRUÁRIO acabasse com seu amor por ele. Continua dormindo assim. Sozinho? Não. Ao lado dela. casados e felizes até hoje!

FONTE - Fé que opera 1981- Morris Venden CPB

- Via Dolorosa Sonete.

APELO: NÃO PERMITA QUE PEQUENAS COISAS ATRAPALHE SUA VIDA COM JESUS. SE TODOS OS DIAS VOCÊ FOR AO CALVÁRIO ATRAVÉS DA LEITURA DA BÍBLIA, VERÁ AS MÃOS DE JESUS CRAVADAS POR VOCÊ. SERÁ IMPOSSÍVEL NÃO AMÁ-LO.


Pr. MARCELO AUGUSTO DE CARVALHO. ABRIL 1997. SP

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Sobre o Pecado nos Crentes



John Wesley
           
'Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo'. (II Corintios 5:17)



I. O pecado permanece em alguém que crê em Cristo?

II. Qual as diferenças entre o pecado interior e o pecado exterior?

III.  A carne - a natureza má – opõe-se ao Espírito, até mesmo nos crentes.

IV. Um homem não pode ser limpo, consagrado, santo, ao mesmo tempo em que é impuro, não consagrado e não santo. 

V. Existe em cada pessoa dois princípios contraries: natureza e graça.

I

1. Existe, então, pecado naquele que está em Cristo? O pecado permanece naqueles que crêem Nele? Existe algum pecado naqueles que são nascidos de Deus, ou eles estão totalmente livres dele? Que ninguém imagine que esta seja uma questão de mera curiosidade; ou que seja de pequena importância, se for determinado um caminho ou o outro. Antes, é um ponto de extrema relevância para todos os cristãos sérios; decidirem o que mais proximamente concerne à sua felicidade presente e eterna.

2. E, ainda assim, eu não sei se isto foi, alguma vez, discutido na igreja primitiva. Decerto, não existiu espaço para disputas concernentes a ela, já que todos os cristãos estavam de acordo. E, até onde eu tenho observado, todo o corpo de cristãos do passado, que nos deixaram algo escrito, declararam a uma só voz, que, mesmo os crentes em Cristo, até que eles estejam 'fortalecidos no Senhor, e no poder de sua força', têm necessidade de 'lutar com a carne e sangue', com uma natureza pecaminosa, assim como, 'com principados e potestades'.
           
3. E neste contexto, nossa Igreja (como realmente na maioria dos termos) copia exatamente segundo a igreja primitiva; declarando em seu Nono Artigo: 'O pecado original é a corrupção da natureza de todo homem, de forma que ele está inclinado ao mal, pela sua própria natureza; assim sendo, a carne cobiça, contrariamente ao Espírito. E esta influência da natureza permanece; sim, naqueles que estão regenerados; de maneira que, a luxúria da carne não é objeto da lei de Deus. E, embora não exista condenação para aqueles que crêem, ainda assim, esta luxúria tem em si mesma a natureza do pecado'.

4. O mesmo testemunho é dado, através de todas as outras igrejas; não apenas, através da igreja grega e romana, mas através de toda igreja reformada na Europa, de qualquer que seja a denominação. De fato, alguns desses parecem levar a coisa muito longe; descrevendo a corrupção do coração do crente, como que dificilmente admitindo que ele tem domínio sobre ela, mas que, antes, é seu escravo; e, por esses meios, eles fazem uma pequena distinção entre um crente e um descrente.

5. Para evitarem este extremo, os muitos homens bem intencionados, particularmente esses, debaixo da direção do recente Conde Zinzendorf [líder Morávio (denominação Protestante, surgida no século XVIII, pela renovação do antigo movimento dos Irmãos Boêmios, que dá ênfase à vida cristã pura e simples e à fraternidade dos homens. Mais comumente conhecida como Irmãos Morávios)], foram para o outro lado, afirmando que 'todos os crentes verdadeiros não são apenas salvos do domínio do pecado, mas da existência do pecado interior, assim como exterior; de maneira que ele não mais permanece neles':E desses, por volta de vinte anos atrás, muitos de nossos compatriotas absorveram a mesma opinião de que, até mesmo a corrupção da natureza, não está mais, naqueles que crêem em Cristo.

6. É verdade que, quando os alemães foram pressionados, eles logo admitiram (muitos deles, pelo menos) que 'o pecado ainda permanece na carne, mas não no coração de um crente'; e, depois de um tempo, quando o absurdo disto foi mostrado, eles razoavelmente desistiram do ponto; admitindo que o pecado ainda permanecia, embora não reinasse, naquele que é nascido de Deus.

7. Mas o inglês que recebeu isto deles (alguns diretamente, alguns de segunda e terceira mão) não foi tão facilmente convencido a se desfazer de uma opinião favorita. E, até mesmo quando a generalidade deles se convenceu de que ela era extremamente indefensável, alguns poucos não puderam ser persuadidos a desistir, mas mantiveram-na até hoje.

II

1. Por causa desses que realmente temem a Deus, e desejam conhecer 'a verdade que está em Jesus'; não pode ser impróprio considerar o ponto com calma e imparcialidade. Ao fazer isto, eu uso indiferentemente as palavras, regenerado, justificado, ou crentes; desde que, embora eles não tenham precisamente o mesmo significado (o Primeiro, implicando uma mudança interior, verdadeira; o Segundo, uma mudança relativa; e o Terceiro, os meios pelos quais, tanto uma quanto a outra é forjada); ainda assim, elas convergem para a mesma coisa; já que todos os que crêem são ambos, justificados e nascidos de Deus.

2. Por pecado, eu entendo aqui pecado interior; qualquer temperamento pecaminoso, paixão ou afeição, como orgulho, vontade própria, amor ao mundo, de algum tipo, ou em algum grau; tal como cobiça, ira, impertinência; qualquer disposição contrária à mente que estava em Cristo. 

3. A questão não é concernente ao pecado exterior; quer um filho de Deus cometa pecado ou não. Nós todos concordamos e sinceramente mantemos 'que ele que comete pecado é do diabo'. Nós concordamos, 'que quem é nascido de Deus não comete pecado'. Nem agora inquirimos, se o pecado interior irá permanecer sempre nos filhos de Deus; se ele irá continuar na alma, por quanto tempo ela continue no corpo: Nem, ainda assim, inquirimos, se uma pessoa justificada possa reincidir em um pecado interior ou exterior; mas, simplesmente isto: um homem justificado ou regenerado está liberto de todo pecado, tão logo ele seja justificado? Não existe, então, pecado algum em seu coração? – nem mesmo depois, a não ser, se ele cair da graça?

4. Nós admitimos que o estado de uma pessoa justificada é inexprimivelmente grande e glorioso. Ele é nascido novamente, 'não do sangue; nem da carne; nem da vontade do homem, mas de Deus'. Ele é filho de Deus, um membro de Cristo, um herdeiro do trono dos céus. 'A paz de Deus, que ultrapassa todo entendimento, mantém seu coração e mente em Jesus Cristo'. Mesmo seu corpo é um 'templo do Espírito Santo',  e uma 'morada de Deus, através do Espírito'. Ele é 'feito novo em Jesus Cristo': Ele é lavado; ele é santificado. Seu coração é purificado pela fé; ele é limpo 'de toda corrupção que está no mundo'; 'o amor de Deus espalha-se em seu coração, pelo Espírito Santo que é dado a ele'. E, por quanto tempo ele 'caminha no amor' (o que ele pode sempre fazer), ele adora a Deus em espírito e em verdade. Ele mantém Seus mandamentos, e faz todos as coisas que são agradáveis aos olhos de Deus; assim, exercitando a si mesmo, como para 'ter a consciência que evita a ofensa, em direção a Deus, e em direção ao homem': E ele tem poder, tanto sobre o pecado exterior quanto interior, até mesmo, do momento em que ele é justificado.

III

1. 'Mas ele não está, então, liberto de todo pecado, de modo que não exista pecado em seu coração?'.Eu não posso dizer isto; eu não posso acreditar nisso; porque Paulo diz o contrário. Ele está falando para crentes e descrevendo o estados dos crentes em geral, quando ele diz: (Gálatas 5:17) 'Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis'. Nada pode ser mais explícito. O Apóstolo afirma aqui diretamente que a carne - a natureza pecaminosa, se opõe ao Espírito, mesmos nos crentes; que, mesmo no regenerado, existem dois princípios, 'contrários um ao outro'.

2. Novamente: Quando ele escreve para os crentes em Corinto; para aqueles que foram santificados em Jesus Cristo, (I Corintios 1:2) 'À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso', ele diz: (I Corintios 3:1) 'E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com carne, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis, Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens?'. Agora aqui o Apóstolo fala junto àqueles que eram inquestionavelmente crentes; a quem,  no mesmo fôlego,  ele denominou seus irmãos em Cristo, -- como sendo ainda, em uma medida - carnais. Ele afirma que existia inveja (um temperamento pecaminoso), ocasionando contenda entre eles, e ainda assim, ele não fez a menor insinuação de que eles tivessem perdido sua fé. Mais do que isto, ele manifestadamente declara que eles não haviam perdido; porque, então, eles não seriam bebês em Cristo. E (o que é mais notável de tudo), ele fala de serem carnais, e bebês em Cristo, como uma e a mesma coisa; mostrando plenamente que todo crente que todo crente é (em um grau) carnal, enquanto ele é apenas um bebê em Cristo.  

3. De fato, este grande ponto, o de que existem dois princípios contrários nos crentes, -- natureza e graça; a carne e o Espírito, mencionados, através de todas as Epistolas de Paulo; sim, através de todas as Escrituras; quase todas as direções e exortações, neste contexto, estão alicerçadas nesta suposição; apontando para os temperamentos e práticas errôneos naqueles que eram, não obstante, reconhecidos pelos escritores inspirados, serem crentes. E eles eram continuamente exortados a combater e conquistar estes, pelo poder da fé que estava neles.  

4. E quem pode duvidar, a não ser que existia fé no anjo da igreja de Efésios, quando nosso Senhor disse a ele: (Apocalipse 2:2-4) 'Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e eles não são, e tu os achaste mentirosos. E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste'. Mas existia, nesse meio tempo, nenhum pecado em seu coração? Existia, ou Cristo não teria acrescentado: 'Não obstante, tenho contra ti que deixaste o teu primeiro amor'. Este foi um pecado real que Deus viu em seu coração; do qual, adequadamente, ele é exortado a se arrepender. E ainda assim, nós não temos autoridade para dizer, que, mesmo então, ele não tem fé.

5. Mais do que isso, o anjo da igreja de Pérgamo, também é exortado a se arrepender, o que sugere pecado, embora nosso Senhor expressamente diga: (Apocalipse 2:13, 16) 'Conheço as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. (...) Arrepende-te, pois, quando não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da minha boca'. E ao anjo na igreja de Sardes, ele diz: (Apocalipse 3:2) 'Sê vigilante, e confirma os restantes, que estavam para morrer; porque eu não achei tuas obras perfeitas diante de Deus'. O bem que ainda restava estava pronto para morrer; mas estava verdadeiramente morto. De modo que ainda havia uma faísca de fé, mesmo nele; o que está de acordo ordenando para segurar firme: (Apocalipse 3:3) 'Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei'.  

6. Uma vez mais: Quando o Apóstolo exorta os crentes em (2 Coríntios 7:1) 'Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito; aperfeiçoando a santificação no temor de Deus', ele plenamente ensina que esses crentes não estavam ainda limpos disso.

Você irá perguntar: 'Mas ele que se abstêm de toda a aparência do mal, ipso facto, limpa a si mesmo de toda imundícia?'. Não, de maneira alguma. Por exemplo: um homem me insulta: eu sinto ressentimento, o que é imundícia do espírito; ainda assim, eu não digo uma palavra. Aqui, eu 'me abstenho de toda a aparência do mal';  mas isto não me limpa da imundícia do espírito, como eu experimento para minha tristeza.

7. E, como esta posição: 'Não existe pecado em um crente; nenhuma mente carnal; nenhuma inclinação à apostasia', é, então, contrária à palavra de Deus, assim, é para a experiência de seus filhos. Esses continuamente sentem um coração inclinado à apostasia; uma tendência natural para o mal; uma predisposição a separar-se de Deus, e se aderirem às coisas da terra. Eles estão diariamente conscientes do pecado permanecendo em seus corações, -- orgulho, vontade própria, descrença; e do pecado, aderindo a tudo o que eles falam ou fazem, até mesmo, às suas melhores ações, e as mais santas obrigações. Ainda assim, ao mesmo tempo em que eles 'sabem que são de Deus'; eles não duvidam disto, por um momento. Eles sentem seu Espírito, claramente, 'testemunhando com o espírito deles, que eles são filhos de Deus'. Eles 'se regozijam em Deus, através de Jesus Cristo, por meio de quem, eles têm agora recebido a redenção'. De modo que eles igualmente garantiram que o pecado está neles, e que 'Cristo é neles, a esperança da glória'.

8. 'Mas Cristo pode estar no mesmo coração, em que o pecado está?'. Sem dúvida que pode; do contrário ele nunca poderia ser salvo disto. Onde está a doença, lá está o médico, exercendo seu trabalho; lutando, até que lance fora o pecado. Decerto que Cristo não pode reinar, onde o pecado reina; nem Ele irá habitar onde algum pecado é permitido. Mas Jesus está e habita no coração de todo crente que esteja lutando contra todo o pecado; embora não seja ainda purificado, de acordo com a purificação do santuário.

9. Foi observado antes, que a doutrina oposta, -- a de que não existe pecado nos crentes, -- é completamente nova na igreja de Cristo; já que nunca foi ouvida, durante cento e dezessete anos; nunca, até que foi descoberta pelo conde Zinzendorf. Eu não me lembro de ter visto a menor insinuação dela, tanto nos escritores antigos, quanto modernos; exceto, talvez, em alguns dos selvagens e entusiastas antinomianos [os que acreditavam que, pela fé e a graça de Deus anunciadas no Evangelho, os cristãos são libertados, não só da lei de Moisés, mas de todo o legalismo e padrões morais de qualquer cultura]. E esses, igualmente, dizem e desdizem, admitindo que existe pecado na sua carne, embora nenhum pecado em seus corações. Mas, apesar da doutrina ser nova, ela está errada; porque a religião antiga é a única verdadeira; e nenhuma doutrina pode ser correta, a menos que seja exatamente a mesma 'que fora desde o início'.

10. Um argumento a mais contra essa doutrina nova e não bíblica, pode ser esboçada das conseqüências terríveis dela. Se alguém diz: 'Eu sinto ira hoje'. Eu devo replicar: 'Então, você não tem fé?'. Um outro diz: 'Eu sei que o que você aconselha é bom, mas minha vontade é completamente contrária a isto'. Eu devo dizer a ele: 'Então, você é um descrente, debaixo da ira e maldição de Deus?'. Qual será a conseqüência natural disto? Porque, se ele acredita no que eu digo, sua alma não apenas será afligida e magoada, mas, talvez, seja totalmente destruída, visto que, como ele 'irá lançar fora' aquela 'confiança que tem na grande recompensa de galardão': E, tendo lançado fora sua proteção, como ele irá 'extinguir os dados certeiros do iníquo?'. Como ele irá superar o mundo? – vendo que 'essa é a vitória que domina o mundo, até mesmo nossa fé?'.

Ele se encontra desarmado, em meio aos seus inimigos; exposto a todos os assaltos deles. Qual a surpresa então, se ele for totalmente dominado; se eles o tornarem escravos da vontade deles; sim, se ele cair, de uma maldade para outra, e nunca mais ver o bem? Por conseguinte, eu não posso, por nenhum meio, receber essa afirmação, de que não existe pecado no crente, do momento em que ele é justificado.

Em Primeiro Lugar, porque é contrário a todo o teor das Escrituras; -- Em Segundo Lugar, porque é contrário à experiência dos filhos de Deus, -- Em terceiro lugar, porque é absolutamente novo, nunca ouvido no mundo, até ontem; -- e, em Último Lugar, porque é naturalmente atendido com as mais fatais conseqüências; não apenas afligindo aqueles a quem Deus não tem afligido, mas, talvez, arrastando-os para a perdição eterna.

IV

1. Contudo, permita-nos ouvir atentamente aos principais argumentos desses que se esforçam para sustentar isto. Primeiro, é das Escrituras que eles tentam provar que não existe pecado no crente. Eles argumentam assim: 'As Escrituras dizem que todo crente é nascido de Deus, é limpo, santo e consagrado; é puro no coração; tem um novo coração; e é um templo do Espírito Santo. Agora, como 'aquele que é nascido da carne, é carne', é completamente mal, assim, 'aquele que é nascido do Espírito é espiritual', e completamente bom. Novamente: Um homem não pode ser limpo, consagrado, santo, e, ao mesmo tempo, impuro, não consagrado, não santo. Ele não pode ser puro e impuro; ou ter um coração novo e velho, juntos. Nem pode sua alma ser não santa, enquanto ele é o templo do Espírito Santo.

Eu tenho colocado essa objeção, tão fortemente quanto possível, para que todo seu peso possa aparecer. Permita-nos examiná-la, parte por parte.

(1) 'Que aquele que é nascido do Espírito é espiritual, é completamente bom'. Eu admito o texto, mas não a observação. Porque o texto afirma isto, e não mais, -- que todo homem que 'é nascido do Espírito', é um homem espiritual. Ele o é: Mas embora ele seja, ainda assim, não será completamente espiritual. Os cristãos de Corinto eram homens espirituais; ou eles não teriam sido cristãos, afinal; e, ainda assim, eles não eram completamente espirituais: eles eram, em parte, ainda carnais. -- 'Mas eles eram caídos da graça'. Paulo diz que não. Eles eram até mesmo, bebês em Cristo.

(2) 'Mas um homem não pode ser limpo, consagrado, santo, e ao mesmo tempo, impuro, não consagrado, não santo'.  Decerto que ele pode. Assim eram os Coríntios: 'Vocês estão lavados', diz o Apóstolo, 'vocês estão consagrados'; ou seja, limpos da 'fornicação, idolatria, bebedeira', e todos os outros pecados exteriores.

(I Corintios 6:9) 'Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido consagrados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus';  e, ainda assim, ao mesmo tempo, em outro sentido da palavra, eles eram não consagrados; eles não estavam lavados; não interiormente limpos de toda inveja, conjecturas diabólicas, parcialidade, -- 'Mas certo, eles não tinham um novo coração e um velho coração, juntos'. Na verdade, eles tinham, porque, naquele mesmo momento, seus corações eram verdadeiramente, embora que não inteiramente, renovados. A mente carnal deles foi pregada na cruz; ainda assim, não estava totalmente destruída. -- (I Corintios 6:19) 'Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?'; e é igualmente certo, que eles eram, em algum grau, carnais, ou seja, não santos.


2. 'Entretanto, existe uma Escritura a mais que irá colocar esse assunto fora de questão': (II Corintios 5:17) 'Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo'. 'Agora certamente um homem não pode ser uma nova criatura, e uma velha criatura de uma só vez'. Sim, ele pode: Ele pode ser parcialmente renovado, o que foi o mesmo caso com aqueles em Corinto. Eles foram, inegavelmente, 'renovados no espírito de suas mentes', ou eles não poderiam ter sido 'bebês em Cristo'. Ainda assim, eles não tinham a mente total que estava em Cristo, porque eles invejavam um ao outro. "Mas é dito expressamente: 'as velhas coisas se passaram: todas as coisas se fizeram novas'". Mas nós não devemos interpretar as palavras do Apóstolo, de maneira a que ele contradiga a si mesmo.  E se nós o tornarmos consistente consigo mesmo, o significado claro das palavras é este: Seu velho julgamento, concernente à justificação, santidade, felicidade, de fato, concernentes a todas as coisas de Deus, em geral, são agora passadas; assim como seus velhos desejos, objetivos, afeições, temperamentos e conversa. Todos esses se tornaram inegavelmente novos; grandemente mudados do que eles eram; e, ainda assim, embora eles sejam novos, eles não estão totalmente novos. Ainda, ele sente, para sua tristeza e vergonha, restos do velho homem, também a decadência manifesta de seus temperamentos e afeições, anteriores, posto que eles não podem obter vantagem alguma sobre ele, por quanto tempo ele vigia junto à oração. 

3. Todo este argumento: 'Se ele está limpo, ele é limpo'; 'Se ele está, ele é santo'; (e vinte expressões mais desse mesmo tipo podem ser facilmente empilhadas). É realmente nada melhor, do que brincar com palavras. É uma falácia argumentar do particular para o geral; inferir uma conclusão geral, de premissas particulares. Proponha a sentença inteira, e ela ficará assim: 'Se ele é santo, afinal, ele é santo completamente'. Isto não procede: todo bebê em Cristo é santo, e ainda assim, não completamente. Ele está salvo do pecado; ainda assim, não inteiramente: O pecado permanece, embora não reine. Se você pensar que ele não reina (nos bebês, pelo menos, quer seja este o caso com homens jovens ou adultos), você certamente não tem considerado a altura, a profundidade, a largura, e comprimento da lei de Deus; (mesmo a lei do amor, escrita por Paulo, no décimo-terceiro capítulo de Corintios); e que toda anomia, desconformidade, ou desvio, para com esta lei, é pecado. Agora, não existe desconformidade a ela, no coração ou vida de um crente? O que pode ser em um cristão adulto, é outra questão; mas que estranho deve ser para a natureza humana, aquele que pode possivelmente imaginar que este é o caso com todo bebê em Cristo! 

4. 'Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito'. (Romanos 8:1).

[O que se segue, por algumas páginas, é uma resposta a um documento, publicado na Cristian Magazine, p. 577-592. Eu estou surpreso que o Sr. Dodd tenha dado a tal documento um lugar em sua revista, o que é diretamente contrário ao Nono Artigo – Editor]
           
[Esta é a carta escrita por John Wesley ao Sr. Dodd – acréscimo da tradutora]

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05 de Março, 1767

Ao Editor de Lloyd´s Evening Post
           
"Senhor",

"Muitas vezes, o redator da Christian Magazine tem me atacado sem medo ou finura; e, por este meio, ele tem convencido seus leitores imparciais de uma coisa, pelo menos — que (como, vulgarmente, se diz) seus dedos comicham, para estar diante de mim; que ele tem o desejo passional de medir espadas comigo. Mas eu tenho um outro trabalho em minhas mãos: eu posso aplicar o pouco que resta da minha vida em propósitos melhores!"

"Os fatos de seu último ataque são esses: Trinta e cinco, ou, trinta e seis anos atrás, eu admirava muito o caráter do cristão perfeito desenhado por Clemens Alexandrinus. Há vinte e cinco, ou, vinte e seis anos, um pensamento me veio à mente: esboçar tal caráter, por mim mesmo; apenas, que de uma maneira mais bíblica e, principalmente, nas próprias palavras da Escrituras: isto eu intitulei: ‘O Caráter de um Metodista, acreditando que, curiosamente, poderia incitar mais pessoas a ler isso, e, também, que alguns preconceitos pudessem, desse modo, ser removidos do homem sincero".

"Mas, para que ninguém imaginasse que eu pretendia um elogio a mim, ou aos meus amigos, eu me resguardei contra isso, no próprio título da página, dizendo tanto em meu nome como no deles:'Não como se eu já tivesse atingindo, tampouco como se já fosse perfeito'".

“Para o mesmo efeito, eu falo na conclusão: ‘Esses são os mesmos princípios e práticas de nossa religião; sãos as marcas de um verdadeiro Metodista’; que é, um verdadeiro cristão; como eu, imediatamente, depois, expliquei: ‘por esses princípios apenas fazer com que aqueles que estão no ridículo, assim chamados, desejem ser distinguidos de outros homens’. ‘Por essas marcas fazer com que nós trabalhemos, para distinguir a nós mesmos daqueles, cujas mente e vida, não estão de acordo com o Evangelho de Cristo’”.

“Este inferior, ou Dr. Dodd, diz, ‘Um metodista é, de acordo com o Sr. Wesley, um que é perfeito, e não peca em pensamento, palavra, ou ação’. Senhor, queira me desculpar! Isso não é ‘de acordo com o Sr. Wesley’. Eu tenho dito com todas as palavras que eu não sou perfeito; e, ainda você me permite ser um Metodista! Eu disse a você, categoricamente, que eu não consegui o caráter que eu esbocei. Você irá fixar isso em mim, apesar dos meus dentes? ‘Mas o Sr. Wesley diz que outros Metodistas têm’, Eu não digo tal coisa! O que eu digo, depois de ter dado um relato bíblico de um perfeito cristão, é isso: ‘Por essas marcas o Metodista deseja ser distinguido de outros homens; por essas marcas nós trabalhamos para distinguir a nós mesmos’. E você não deseja e trabalha para o mesmo propósito?”.

"Mas você insiste: 'O Sr. Wesley afirma que o Metodista (isto é, todos os Metodistas) é, perfeitamente, santo e íntegro'. Onde eu afirmei isso? Não, em alguma propaganda religiosa! Diante disso, eu afirmo justo o contrário; e que eu afirmo isso, seja lá onde for, é mais do que eu sei.  Fique à vontade, senhor, de assinalar o local: até que isso seja feito, tudo o que você acrescentou (amargo, o suficiente) é mera 'trovoada'; e os Metodistas (assim chamados) podem ainda declarar (sem qualquer punição de sua sinceridade) que eles não vêm à mesa santa 'confiando em sua própria retidão, mas nas múltiplas e grandiosas misericórdias de Deus'".
Eu sou, senhor,
Seu,
John Wesley
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®             Esses são reunidos, como se eles fossem a mesma coisa. Mas eles não o são. A culpa é uma coisa, o poder outra, e a existência outra, ainda. Que os crentes estão livres da culpa e poder do pecado nós admitimos; que eles estão livres da existência dele, nós negamos. Nem isto, de alguma maneira, se conclui desses textos. Um homem pode ter o Espírito de Deus habitando nele, e pode 'caminhar, segundo o Espírito',  embora ele sinta ainda 'a carne entregando-se à luxúria, contra o Espírito'.

5. "Mas a 'igreja é o corpo de Cristo' - (Colossenses 1:24) 'Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja'; isto implica que seus membros são lavados de todas as suas sujidades; do contrário irá se seguir que Cristo e Belial estão incorporados um com o outro". 

®             Não. Pelo fato de 'aqueles que são o corpo místico de Cristo, ainda sentirem a carne cobiçando contra o Espírito', isto não quer dizer que Cristo tem alguma camaradagem com o diabo; ou com aquele pecado que ele os capacita a resistir e dominar!

6. "Mas os cristãos 'chegaram ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial', onde 'nada corrompido entra?".' (Hebreus 12:22): Ou seja, céu e terra, todos concordam, todos são uma grande família.

®             E são igualmente santos e corrompidos, enquanto eles 'caminham segundo o Espírito'; embora conscientes que existe um outro princípio neles, e que 'estes são contrários um ao outro'.

7. 'Mas os cristãos estão reconciliados para Deus. Agora isto não poderia ser, se alguma mente carnal restasse; porque esta é inimiga contra Deus: Conseqüentemente, nenhuma reconciliação pode ser efetiva, a não ser através de sua total destruição'.

®             Nós estamos 'reconciliados para Deus, através do sangue na cruz': E, naquele momento, a corrupção da natureza, que é inimiga de Deus, foi colocada debaixo de nossos pés; a carne não teve mais domínio sobre nós. Mas ela ainda existe; e ela ainda é, em sua  natureza, inimiga com Deus, cobiçando contra seu Espírito. 

8. "Mas em (Gálatas 5:24) 'E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências'". "Mais do que isto', (Colossenses 3:9) 'eles já despiram o velho homem com seus feitos'".

®             Eles o fizeram; e, no sentido acima descrito, 'as coisas velhas são passadas, e todas as coisas se tornaram novas'. Existe ema centena de textos, e eles  podem ser citados, para o mesmo efeito; e todos irão admitir a mesma resposta "Mas, para dizer tudo em uma só palavra': (Efésios 5:25) 'Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra; para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível'". E, assim, será no final: Mas não foi, ainda, desde o começo.

9. 'Mas que a experiência fala: Todos os que são justificados encontram, naquele momento, uma liberdade absoluta de todos os pecados'.

®             Isto eu duvido; mas se eles encontram, isto acontece, mesmo depois? Caso não alcancem coisa alguma. – 'Se eles não encontram, é culpa deles'. Isto necessita ser provado.  

10. 'Mas, na própria natureza das coisas, um homem pode ter orgulho nele, e não ser orgulhoso; ter ira, e ainda assim, não estar irado?'

®             Um homem pode ter orgulho nele; pode pensar, em algumas particularidades, acima do que deveria pensar, (e, assim, ser orgulhoso, naquele particular), mas, no entanto, não ser um homem orgulhoso, em seu caráter geral. Ele pode ter raiva nele; sim, e uma forte inclinação para uma raiva furiosa, sem dar oportunidade a ela. – 'Mas a ira e o orgulho podem estar naquele coração, onde apenas a mansidão e humildade são sentidos?'. Não. Mas algum orgulho e ira podem estar no coração, onde existe humildade e mansidão.

'É não é proveitoso dizer que esses temperamentos estão lá, mas que eles não reinam:porque o pecado não pode, em alguma espécie ou grau, existir onde ele não reina; porque a culpa e o poder são propriedades essenciais do pecado. Portanto, onde um deles está, todos deverão estar'.

®             De fato, estranho! 'O pecado não pode, em alguma espécie ou grau, existir, onde ele não reina?'. Absolutamente contrário, a toda experiência, a todas as Escrituras, a todo bom-senso. Ressentimento de uma afronta é pecado; é anomia, desconformidade para com a lei do amor. Isto tem existido em mim milhares de vezes. Ainda assim, ele não reinou, e não reina. --

'Mas a culpa e poder são propriedades essenciais do pecado; portanto, onde um está, todos deverão estar'.  

®             Não. No exemplo, diante de nós, se o ressentimento que eu sinto não prolifera, mesmo por um momento, não existe culpa, afinal; nenhuma condenação de Deus sobre esse assunto. E, neste caso, ele não tem poder: embora ele 'cobice contra o Espírito',  ele não pode prevalecer. Aqui, portanto, como, em milhares de exemplos, existe pecado, sem tanto culpa ou poder.

11. 'Mas a suposição de haver pecado em um crente, é significativo com todas as ciosas assustadoras e desanimadoras. Isto sugere a contenda com o poder que tem a possessão de nossa força; mantêm usurpação dele de nossos corações; e lá promove a guerra contra nosso Redentor'.

®             Não assim: A supondo-se que o pecado esteja em nós, isto não implica que ele tem a possessão de nossas forças; não mais do que um homem crucificado tem a posse daqueles que o crucificaram. Como implica pouco que 'o pecado mantenha sua usurpação de nossos corações'. O usurpador é destronado. Ele permanece, de fato, onde ele uma vez reinou; mas permanece algemado. De maneira que se, em algum sentido, ele 'efetua a guerra', ainda assim, ele vai se tornando mais e mais fraco, enquanto o crente segue de força e força, em vitória, em vitória.

12. 'Eu ainda não estou satisfeito: Ele que tem pecado nele, é um escravo do pecado. Portanto, você supõe que um homem seja santificado, enquanto ele é escravo do pecado. Agora, se você admite que os homens possam ser justificados, enquanto eles têm orgulho, ira, ou descrença neles; mais ainda, se você afirma que esses estão (pelo menos por um tempo), em todo aquele que é justificado; qual a surpresa de termos tantos crentes orgulhosos, irados, descrentes?!

®             Eu não suponho que algum homem que seja justificado, seja um escravo do pecado. Ainda assim, eu suponho que o pecado permaneça (pelo menos por um tempo), em todo aquele que está justificado.

'Mas, se o pecado permanece em um crente, ele é um homem pecador: Se o orgulho, por exemplo, ele é orgulhoso; se obstinação, então, ele é obstinado; se descrença, então, ele é um descrente; conseqüentemente, não é um crente, afinal. Como, então, ele se difere dos descrentes, dos homens degenerados?'.

®             Isto ainda é brincar com as palavras. Significa não mais do que, se existe pecado, orgulho, obstinação nele, então – existe pecado, orgulho, obstinação. E isto, ninguém pode negar. Neste sentido, então, ele é orgulho, ou obstinado. Mas ele não é orgulhoso ou obstinado, no mesmo sentido que os descrentes são; ou seja, governados pelo orgulho e vontade própria. Neste contexto, ele difere dos homens degenerados. Estes obedecem ao pecado. Ele não. A carne está em ambos. Mas eles caminham 'segundo a carne'; e ele 'caminha segundo o Espírito'.

'Mas como um descrente pode ser um crente?'.

®             Estas ´palavras têm dois significados. Elas significam tanto nenhuma fé, quanto pouca fé; tanto a ausência da fé, ou a fraqueza dela. No primeiro sentido,  o descrente não é um crente; no segundo, eles são todos bebês. A fé deles está comumente misturada com dúvida e temor; ou seja, no segundo sentido, com descrença. 'Por que temeis', diz o Senhor, 'ó homens de pouca fé?' (Mateus 8:26). Novamente: 'Ó tu, homem de pouca fé, porque motivo duvidais?'. Vocês vêem aqui, que havia descrença nos crentes; pouca fé e muita fé.

13. 'Mas esta doutrina de que o pecado permanece no crente; de que um homem pode estar no favor de Deus, enquanto ele tem pecado em seu coração; certamente, tende a encorajar os homens ao pecado'.

®             Entenda a proposição corretamente, e tal conseqüência não irá se seguir. Um homem pode estar no favor de Deus, embora ele sinta pecado; mas não se ele se entrega a ele. Ter pecado não significa perder o favor de Deus; mas dar oportunidade a ele, sim. Embora a carne em vocês 'cobicem contra o Espírito', vocês podem ainda ser filhos de Deus; mas, se vocês 'caminham segundo a carne', vocês são filhos do diabo. Agora, esta doutrina não encoraja a obedecer ao pecado, mas a resistir a ele, com todas as nossas forças.

V

1. A somatória de tudo é esta: Existem, em cada pessoa, mesmo depois que ela é justificada, dois princípios contrários: natureza e graça, denominada por Paulo, de carne e Espírito. Por isso, embora os bebês em Cristo estejam santificados, ainda assim, será apenas em parte. Em um grau, de acordo com a medida da sua fé, eles são espirituais; mas, em outro, são carnais. Desta forma, os crentes são continuamente exortados a vigiar contra a carne, tanto quanto contra o mundo e o diabo. E isto concorda com a experiência constante dos filhos de Deus. Enquanto eles sentem esse testemunho, em si mesmos, eles sentem sua vontade, não totalmente resignada à vontade de Deus. Eles sabem que eles estão Nele; mas ainda, encontram um coração pronto para se separar de Dele; uma propensão para o mal, em muitas instâncias, e uma relutância para o que é bom. A doutrina contrária é totalmente nova; nunca ouvida na Igreja de Cristo, desde o tempo de sua vinda para o mundo, até o tempo do Conde Zinzendorf; e ela é atendida com as mais fatais conseqüências. Ela remove a vigilância contra nossa natureza pecaminosa; contra a Dalila que nos disseram que tinha ido, embora ela ainda esteja em nosso seio. Ela faz em pedaços a proteção dos crentes fracos, despojados de sua fé, e, assim, deixando-os expostos a todos os assaltos do mundo, da carne e do diabo.

2. Que possamos, portanto, segurar firme a doutrina perfeita, 'uma vez entregue para os santos', e concedida aos oráculos de Deus na terra, para todas as gerações que se seguiram: A de que, embora estejamos renovados, limpos, purificados, santificados, e verdadeiramente crermos em Cristo, no momento; ainda assim, nós não estamos renovados, limpos, purificados, completamente; já que a carne; a natureza pecaminosa, ainda permanece (embora dominada), e guerreia contra o Espírito. Quanto mais usamos de toda diligência para 'lutar a boa luta da fé'. Quanto mais sinceramente 'vigiamos e oramos' contra o inimigo nela. Quanto mais cuidadosamente permitimos nos 'colocar no amor total de Deus'; embora, 'contendamos com a carne, e sangue e principados, e com poderes, e espíritos pecaminosos, nos altos lugares', mais seremos capazes de resistir, no dia de tentação; e, tendo feito tudo, permanecermos.


[Editado por Angel Miller, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]