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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Os Meios da Graça



John Wesley

"Desde os dias de vossos pais, vos desviastes dos meus estatutos, e não os guardastes; tornai vós para mim; e eu tornarei para vós , diz o Senhor dos Exércitos; mas vós dizeis:em que havemos de tornar?". (Malaquias 3:7)

I. Existem agora quaisquer ordenanças, desde que a vida e a imortalidade foram trazidas à luz do Evangelho?

II. Existem alguns meios da graça?

III. Todos os que desejam a graça de Deus deverão esperar por ela, nos meios que Ele tem ordenado?

IV. Tão claramente quanto Deus tem apontado os meios, os homens têm se colocado contra eles.

I

(1) Mas existem algumas ordenanças agora, desde que a vida e a imortalidade foram trazidas à luz pelo Evangelho? Existem, debaixo dos desígnios cristãos, alguns meios ordenados de Deus, como canais usuais de sua graça? Esta questão nunca pôde ser proposta, em uma igreja apostólica, a menos, por alguém que, abertamente, se declarou ser um pagão; todo o corpo cristão está de acordo que Cristo tem ordenado alguns meios exteriores, para transmitir sua graça às almas dos homens. A constante prática deles coloca isto além de toda disputa; já que, por quanto tempo, 'todos que criam estavam juntos, e tinham todas as coisas em comum'. (Atos 2:44), 'eles perseveraram  na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações'. (Atos 2:42)

(2) Mas, no processo do tempo, quando 'o amor de muitos se tornou frio'; alguns começaram a confundir os meios pelos fins; e a colocar a religião, antes, fazendo aquelas obras exteriores, do que um coração renovado, na busca da imagem de Deus. Eles esqueceram que 'a finalidade' de todo 'mandamento é o amor, com um coração puro', com 'uma fé genuína'; o amor deles para com o Senhor, seu Deus, com todos os seus corações e ao próximo, como a si mesmos; e sendo purificados do orgulho, raiva, e desejo diabólico, pela 'fé da ação de Deus'. Outros pareceram imaginar que, embora a religião não consistisse praticamente desses meios exteriores, ainda assim, havia alguma coisa neles, da qual Deus tinha se agradado: alguma coisa que ainda os faria aceitáveis à sua vista, embora eles não fossem na exata medida da lei, justiça, misericórdia e amor de Deus.

(3) É evidente que, naqueles que abusaram deles desse modo, não se conduziram para a finalidade, para o qual tinham sido ordenados: antes, as coisas que teriam sido para a saúde deles, foram para eles ocasião de queda. Eles estavam tão distantes de receber qualquer benção, nesse sentido, que eles apenas lançaram uma maldição sobre suas cabeças; tão longe de se desenvolverem mais puros, no coração e vida, que eles duplicaram mais os filhos do inferno, do que antes. Outros, percebendo claramente que esses meios não conduziriam a graça divina, para esses filhos do diabo, começaram, desse caso particular, a esboçar uma conclusão geral: a de que eles não eram os meios de transmitir a graça de Deus.

(4) Ainda assim, o número daqueles que abusaram das ordenanças de Deus foi muito maior do que aqueles que as desprezaram; até que certos homens se levantaram, não apenas de grande entendimento (algumas vezes, junto com aprendizagem considerável), mas que igualmente pareceram ser homens de amor; experimentalmente familiarizados com a religião interior verdadeira. Alguns desses eram luzes flamejantes e brilhantes; pessoas famosas, em suas gerações, e como tais, tinham merecido o bem da igreja de Cristo, por se levantarem, na lacuna, contra o transbordamento da iniqüidade.

Não  se pode supor que esses homens santos e veneráveis pretenderam alguma coisa a mais, a princípio, do que mostrar que aquela religião exterior não valia a pena, sem a religião do coração; que 'Deus é um Espírito, e eles que o adoram devem adorá-Lo, em espírito e verdade': que, por conseguinte, a adoração externa é trabalho perdido, sem um coração devotado a Deus; que as ordenanças exteriores de Deus, então, é muito benéfica, quando eles progridem, na santidade interior; mas, quando eles não progridem, são inaproveitáveis e vazias; são mais levianas do que a vaidade: que, quando elas são usadas, como se estivessem no lugar disso, elas são total abominação ao Senhor.

(5)  Mesmo assim, não seria estranho, se alguns desses, estando fortemente convencidos daquela profanação horrenda das ordenanças de Deus, a qual tinha se espalhado sobre toda a igreja, e quase dirigido a religião verdadeira, para fora do mundo, — no zelo ardoroso deles, para a glória de Deus, e a recuperação de almas dessa ilusão fatal, — falassem, como se a religião exterior fosse absolutamente nada; como se não tivesse lugar na religião de Cristo. Não seria surpresa, afinal, se eles não pudessem sempre ter se expressado com suficiente precaução; de modo que os ouvintes imprudentes poderiam acreditar que eles condenaram todos os meios exteriores, como completamente improdutivos, e como não designados de Deus para serem o canal comum da transmissão da sua graça nas almas dos homens.

Além do mais, não é impossível que alguns desses homens santos, tivessem, por fim, se deixado cair nessa opinião; em particular aqueles que, não pela escolhas, mas pela providência de Deus, foram cortados de todas essas ordenanças; talvez vagueando, para cima e para baixo, tendo nenhuma habitação certa, ou habitando em tocas e cavernas da terra. Esses, experimentando a graça de Deus, em si mesmos, embora eles estivessem privados de todos os meios exteriores, poderiam deduzir que a mesma graça poderia ser dada a eles que, por firme intenção, se privaram deles.

(6) A experiência mostra como facilmente essa noção se espalha, e insinua-se dentro das mentes dos homens; especialmente, daqueles que estão totalmente acordados e fora do sono da morte, e começam a sentir o peso de seus pecados; um fardo muito pesado para ser suportado. Esses são usualmente impacientes, em seu estado presente; e, tentando toda maneira de escapar dele, eles estão sempre prontos a captar alguma coisa nova, e qualquer novo propósito de bem-estar e felicidade. Eles têm provavelmente tentado a maioria dos meios exteriores, e não encontraram nenhuma facilidade neles; pode ser mais e mais remorso, medo, tristeza e condenação. É fácil, por conseguinte, persuadir esses que é melhor para eles absterem-se desses; que é melhor para eles privarem-se de todos esses meios. Eles estão cansados de se esforçarem (como parece), em vão; de labutarem no fogo; e estão, entretanto, satisfeitos de alguma pretensão de colocar de lado, aquilo no qual suas almas não se agradam; para parar a luta dolorosa, e mergulhar na inatividade indolente.

II

(1) No discurso seguinte, eu proponho examinar mais amplamente, se existem alguns meios da graça.  Por 'meios da graça', eu entendo sinais exteriores, palavras ou ações ordenadas de Deus, e designadas para essa finalidade, para serem os canais comuns, por onde Ele poderia transmitir para os homens a graça preventiva, justificada ou santificada. Eu uso essa expressão, meios da graça, porque eu não conheço outra melhor; e porque ela tem sido geralmente usada na igreja cristã, há muitos anos: em particular, por nossa própria igreja, que nos direciona a glorificar a Deus, tanto pelos meios da graça, e esperança de glória; e nos ensina que o sacramento é 'um sinal exterior da graça interior, e os meios por onde nós recebemos o mesmo'.

Os principais desses meios são as orações, se em secreto, ou com uma grande congregação; pesquisando as Escrituras (o que implica ler, ouvir, e meditar nisso); e receber a Ceia do Senhor, comer o pão e beber o vinho na lembrança Dele: E esses eu acredito são ordenado de Deus, como os canais comuns da transmissão de sua graça para as almas dos homens.

(2) Mas nós permitimos que todo o valor dos meios esteja subordinado à atual subserviência deles à finalidade da religião; para que, conseqüentemente, todos esses meios, quando separados da finalidade, sejam menos do que nada e presunção; uma vez que, se eles não conduzem verdadeiramente ao conhecimento e ao amor de Deus, não são aceitáveis à sua vista; antes, eles são uma abominação diante dele; um fedor em suas narinas; Ele está exausto de suportá-los. Acima de tudo, se eles são usados, como uma espécie de substituição para a religião, eles foram designados para servir; não é fácil encontrar as palavras para a enorme tolice e perversidade de assim virar os braços de Deus contra si mesmo; de manter o Cristianismo fora do coração daqueles mesmos meios que foram ordenados para produzi-lo.

(3) Nós permitimos, igualmente, que todos os meios exteriores, quaisquer que sejam eles, se separados do Espírito de Deus, não podem favorecer, afinal; não pode conduzir, em algum grau, tanto o conhecimento, quanto o amor de Deus. Sem controvérsia, a ajuda que é feita sobre a terra, Ele mesmo o faz. É Ele sozinho que, através de seu próprio poder onipotente, opera em nós o que é agradável às suas vistas; e todas as coisas exteriores, a menos que ele opere nelas, e, através delas, sejam meramente elementos fracos e desprezíveis. Quem quer que, por conseguinte, imagine que haja algum poder intrínseco, em alguns meios, quaisquer que sejam, erra grandemente, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus. Nós sabemos que não existe poder inerente algum nas palavras que são faladas na oração; nas cartas das Escrituras lidas; no som que disso é ouvido; ou no pão e no vinho, recebidos na Ceia do Senhor; mas que é Deus, tão somente, o Doador de todos os bons dons; o Autor de toda a graça; que todo o poder é Dele, por meio do qual, através de algum desses, existe alguma bênção transmitida para a nossa alma. Nós sabemos, igualmente, que ele é capaz de dar a mesma graça, embora não haja meios na face da terra. Nesse sentido, nós podemos afirmar que, com respeito a Deus, não existem tais coisas como meios; vendo que ele é igualmente capaz de operar o que quer que o agrade; através de algo, ou através de nenhum, afinal.

(4) Nós permitimos posteriormente, que o uso de todos os meios que sejam nunca resgatará um só pecado; que é tão somente o sangue de Cristo, por meio do qual, qualquer pecador pode ser reconciliado com Deus; não havendo outro sacrifício expiatório para nossos pecados; nenhuma outra fonte para o pecado e impureza. Todo crente em Cristo está profundamente convencido de que não existe mérito, a não ser Nele; que não existe mérito, em algumas de suas próprias obras; nem proferindo a oração; ou pesquisando as Escrituras; ou ouvindo a palavra de Deus; ou comendo do pão e bebendo daquela taça. De modo que ninguém mais é pretendido, pela expressão que alguns têm usado, 'Cristo é o único meio da graça', do que isto, — que Ele é a única causa meritória dela; ela não pode ser contradita, por alguém que conheça a graça de Deus.

(5) Ainda uma vez mais: Nós permitimos, embora seja uma verdade melancólica, que uma larga proporção daqueles que são chamados cristãos, até esse dia, abuse dos meios da graça para a destruição de suas almas. Isto é, sem dúvida, o caso com todos aqueles que descansam satisfeitos, na forma da religiosidade, sem o poder. Tanto eles, afetuosamente presumem que eles já são cristãos, porque eles fazem assim e assim, — embora Cristo nunca tenha sido ainda revelado em seus corações, nem o amor de Deus esparramado por todos os lados; quanto eles supõem que possam infalivelmente ser assim, tão somente, porque eles usam esses meios; sonhando impulsivamente, (embora talvez, dificilmente consciente disso), que exista alguma espécie de poder nisso, por meio do qual, mais cedo ou mais tarde (eles não sabem quando), eles irão certamente se tornar santos; ou que exista uma sorte de méritos no uso deles, que irá certamente mover Deus a dar a eles santidade, ou aceitá-los sem ela.

(6) Tão pouco eles entendem do grande fundamento de toda construção cristã: 'Pela graça sois salvos":  Você é salvo de todos os pecados; de toda culpa e poder nele; você é restaurado para o favor e imagem de Deus, não por algumas obras, méritos, ou merecimentos seus, mas pela graça livre; a mera misericórdia de Deus, através dos méritos de seu bem-amado Filho: você é assim salvo, não por qualquer poder, sabedoria, ou força, que estejam em você, ou em qualquer outra criatura; mas meramente através da graça e poder do Espírito Santo que opera tudo em todos. 

(7) Mas a principal questão permanece: 'Nós sabemos que essa salvação é dom e obra de Deus: mas como (alguém pode dizer que está convencido que ele não a tem) eu posso alcançar isto?'. Se você disser: 'Acredite, e você será salvo!'. Ele responde: 'Verdade; mas como eu devo acreditar?'. Você dá a resposta: 'Espere em Deus'.  'Bom; mas como eu devo esperar? Nos meios da graça, ou fora deles? Eu devo esperar pela graça de Deus que traz salvação, usando esses meios, ou deixando esses meios de lado?'.

(8) Possivelmente não pode ser concebido que a palavra de Deus possa dar nenhuma direção em tão importante ponto; ou, que o Filho de Deus, que veio dos céus por nós homens, e por nossa salvação, tenha nos deixado indecisos, com respeito às questões, nas quais nossa salvação é afligida tão de perto. E, de fato, ele não nos deixou incertos; ele nos tem mostrado o caminho no qual podemos ir. Nós temos apenas que consultar a Palavra de Deus; para inquirir o que está escrito lá; e, se nós simplesmente permanecermos, através da decisão dela, nenhuma dúvida possivelmente restará.

III

(1) De acordo com isto; de acordo com a decisão do santo escrito, todos os que desejam a graça de Deus devem esperar por ela, nos meios que ele tem ordenado; usando-os, e não os deixando de lado. Em primeiro Lugar: Todos os que desejam a graça de Deus devem esperar por ela, no caminho da oração. Essa é a direção expressa do próprio nosso Senhor. Em seu Sermão da Montanha, depois de explicar, largamente, no que a religião consiste, e descrever os principais ramos dela, ele acrescenta: 'Peça, e lhe será dado; busque, e encontrarás; bata à porta, e ela lhe será aberta: já que todos que pedem receberão; e todos que buscam encontrarão; e todos que batem à porta a terão aberta', (Mt. 7:7,8)

Aqui nós vamos, da maneira mais clara, perguntar diretamente, com o objetivo de receber, ou os meios para isso; buscar, com o objetivo de encontrar a graça de Deus; a pérola de grande valor; e bater, para continuar pedindo e buscando, se podemos entrar no seu reino.

(2) Para que nenhuma dúvida permaneça, nosso Senhor trabalha nesse ponto, de uma maneira mais peculiar. Ele apela a cada coração do homem: 'Que homem há, entre vocês, em que o filho pede pão, e ele lhe dá uma pedra? Ou, se ele pedir um peixe, lhe dá uma serpente? Se, então,  vocês, sendo maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos, quanto dera seu Pai que está nos céus';  o Pai dos anjos e homens; o Pai dos espíritos de toda carne 'dá boas coisas a eles que o pede?'. (Mt. 7:9-11). Ou, como ele mesmo afirma, em outra ocasião, incluindo todas as boas coisas em uma: 'Quanto mais o seu Pai celeste dá o Espírito Santo aos que lhe pedem?' (Lucas 11:13).  Deve ser particularmente observado aqui, que as pessoas direcionadas a perguntar não tinham, então, recebido o Espírito Santo: Não obstante nosso Senhor os dirija a usar esses meios, e prometa que eles serão eficazes; que ao pedirem, eles deverão receber o Espírito Santo dele, cuja misericórdia está acima de todas as suas obras. 

(3) A necessidade absoluta de usar esses meios, se nós podemos receber algum dom de Deus, mesmo que apareça posteriormente naquela passagem notável que imediatamente precede essas palavras: "E disse a eles" — para os que tinham sido justamente ensinados a como orar —, "qual de vocês terá um amigo e, se for procurá-lo, à meia-noite,pedir-lhe-á para emprestar-lhe três pães: e ele nisso responder: 'não me perturbe; eu não posso me levantar a dá-los a você'. Eu respondo que, embora ele não se levante e dê os pães, por ser seu amigo; ainda assim, por causa de sua importunidade, ele irá se levantar e irá dar a ele quantos pães ele necessitar. Por isso eu lhes digo: peça, e ser-lhe-á dado; busque, e acharás; bata, e abrir-se-lhe-á". (Lucas 11:5-9). Como pode nosso amado Senhor mais claramente declarar que nós podemos receber de Deus, por esses meios, por importunamente perguntar, o que, do contrário, não poderíamos receber, afinal?

(4) 'Ele conta também outra parábola, com essa finalidade, para que os homens devam sempre orar, e não fraquejar',  até que, por esses meios, eles possam receber de Deus qualquer que seja o pedido que tenham feito:

"Havia na cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava o homem. E havia uma viúva, que foi ter com ele, dizendo: 'Faça-me justiça contra meus adversários'; e ele não o faria, por um tempo; mas, depois disse a si mesmo, 'embora eu não tema a Deus, nem respeite o homem, ainda assim para que essa viúva não me perturbe, eu irei fazer-lhe justiça, para que, pelo menos, ele não continue vindo, e me aborreça".  (Lucas 18:1-5).

A aplicação disso, o próprio nosso Senhor tem feito: Ouça o que o juiz injusto disse: 'Porque ela continua a pedir; porque ela não aceitará negativa, por conseguinte, eu irei fazer justiça a ela'. E Deus não fará justiça aos seus próprios eleitos, que clamam dia e noite junto a ele? Eu digo a você que ele lhes fará justiça rapidamente, se eles orarem e não fraquejarem.

(5) A direção igualmente completa e expressa, é esperar pelas bênçãos de Deus, em orações privadas, junto com a promessa positiva de que, por esses meios, nós devemos obter o que pedimos; o que ele nos tem demonstrado em suas bem conhecidas palavras: 'Mas tu, quando orares, entra em teu quarto, e fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê em segredo, te recompensará abertamente'. (Mt. 6:6).

(6) Se for possível, em alguma direção, ser mais claro, é no que Deus nos tem dado, através do Apóstolo, com respeito às orações de todo tipo: públicas, ou privadas, e as bênçãos anexadas a ela: 'E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e não o lança em seu rosto; e ser-lhe-á dada' (Tiago 1:5), se eles pedirem; do contrário, 'não tereis, porque não pedis'. (Tiago 4:2).

            Se, for objetado: "Mas isto não é direção para descrentes; para os que não conhecem a graça de Deus: por isso o Apóstolo acrescenta: 'Mas que ele peça na fé'; do contrário, 'que ele não pense que deva receber alguma coisa do Senhor'": Eu respondo: o significado da palavra , nesse lugar, é fixado pelo próprio Apóstolo, como se fosse com o propósito de prevenir essa objeção, no que se segue: 'Que ele peça na fé, em nada inconstante', em nada duvidando. Pelo contrário, acreditando que Deus ouviu suas orações, e irá realizar o desejo de seu coração.

A absurdidade mais grosseira e profana de se supor a fé, nesse lugar, a ser tomada do completo significado cristão, aparece disso: É suposto que o Espírito Santo dirija o homem, que ele sabe que  não tem fé (o que aqui é denominado sabedoria), para pedi-la a Deus, com a promessa positiva de que 'ela lhe será dada', e, então, imediatamente anexada a ele; o que não acontecerá, a menos que ele tenha antes pedido por ela! Mas quem pode testemunhar tal suposição? Dessa Escritura, por conseguinte, tanto quanto das palavras citadas acima, nós podemos inferir que, todo aquele que deseja a graça de Deus deve esperar por ela, no caminho da oração.
(7) Em Segundo lugar: Todos os que desejam a graça de Deus devem esperar por ela, buscando as Escrituras. A direção de nosso Senhor, com respeito ao uso desse meio, é igualmente simples e claro. 'busquem as Escrituras', disse ele aos judeus descrentes, 'porque são elas que dão testemunho de mim'. (João 5:39). E para esta mesma finalidade, ele os dirige a buscar as Escrituras, para que eles possam acreditar nele.

            A objeção de que 'este não é um mandamento, mas apenas uma afirmação, para que eles busquem as Escrituras',  é a vergonhosamente fala. Eu quero que todos que estimulam isso, nos digam como um mandamento pode ser mais claramente expressado, do que nesses termos. Ele é tão categórico, quanto muitas palavras poderiam torná-lo. E que bênção de Deus atende o uso desses meios, aparece do que é registrado concernente aos Beréios; 'Estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dias nas Escrituras, se estas coisas eram assim; de sorte que creram muitos deles, e também mulheres gregas da classe nobre, e não poucos varões' — encontrando a graça de Deus, no caminho que ele tinha ordenado (Atos  17:11-12).

            É provável que, para alguns desses que tinham 'recebido a palavra com toda prontidão de mente, a fé tenha vindo',  como o mesmo Apóstolo fala: 'pelo ouvir', e foi apenas confirmado, através da leitura das Escrituras: Mas foi observado, acima de tudo, que debaixo do termo geral de buscar as Escrituras, ouvir, ler, e meditar estejam contidos.

(8) E que esse é o meio, através do qual, Deus, não apenas dá, mas também confirma e aumenta a fé verdadeira, nós podemos saber das palavras de Paulo aos Timóteos, em (2 Tim. 3:15) 'E que, desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação pela f, que há em Cristo Jesus'. A mesma verdade (isto é, que esse é o grande meio que Deus tem ordenado para transmitir suas múltiplas graças ao homem) é entregue, da maneira mais completa que pode ser concebida, nas palavras que imediatamente se seguem em (Tim. 3:16,17) 'Toda Escritura divinamente inspirada e proveitosa para ensinar; para redargüir; para corrigir; para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra'.          

(9)  Deve-se observar que isto é falado, primeiramente e diretamente, das Escrituras, as quais Timóteo tinha conhecido desde a meninice; que deveria ter sido aquelas do Velho Testamento, já que o Novo ainda não tinha sido escrito. Quão longe, então, estava Paulo (embora ele 'não fosse insignificante diante dos principais Apóstolos', nem, por conseguinte, eu presumo, diante de qualquer homem agora na face da terra), de trazer luz ao Velho Testamento! Observe isto, a fim de que você, um dia, 'não se surpreenda e pereça'; você que dá tão pequena importância à metade das Palavras de Deus! Sim. E que metade do que o Espírito Santo expressamente declara, que é 'adequado', como um meio ordenado de Deus, para essa mesma coisa, 'para doutrinar; para reprovar; para corrigir; para ensinar na retidão'; para que 'o homem de Deus seja perfeito, totalmente instruído para toda boa obra'.       

(10)  Nem é adequado apenas para os homens de Deus; aqueles que já caminham na luz de seu semblante; mas também para aqueles que ainda estão na escuridão, buscando por ele, que eles não conhecem. Assim como Pedro, em (2 Pedro 1:19) 'E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumina em lugar escuro, até que o dia surja, e a estrela da manhã apareça em vosso coração'. Literalmente,  'e nós temos a palavra profética mais firme', confirmada por sermos 'testemunhas oculares de sua Majestade',  e 'por ouvir a voz que vem da glória excelente', junto a qual — a palavra profética; assim ele intitula as Escrituras Sagradas — 'bem fazeis em estar atentos, como a luz que ilumina a escuridão, até que o dia chegue, e a estrela da manhã surja em seus corações'. Que todos, por conseguinte, que desejem que esse dia chegue em seus corações esperem por ele, buscando as Escrituras.

(11) Em terceiro Lugar: Todos os que desejam um aumento da graça de Deus devem esperar por ele, em partilhar da Ceia do Senhor. Já que isso também é uma direção que ele mesmo tem dado, em (I Cor. 11:23-26) "Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus , na noite em que foi traído, tomou o pão; e tendo dado graças, o partiu e disse: 'Tomai,  e comei; isto é o meu corpo que é partido por voz; fazei isto em memória de mim'".  Igualmente, "ele tomou o cálice, dizendo: 'este cálice é o Novo Testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim'. Porque todas as vezes que comerdes este pão, e beberdes este cálice, vós anunciais a morte do Senhor, até que ele venha". Você abertamente existe o mesmo, através desses sinais visíveis, diante de Deus e anjos, e homens; você manifesta sua lembrança solene de sua morte, até que ele venha nas nuvens do céu.

Apenas  'que o homem', primeiro, 'examine a si mesmo',  se ele entendeu a natureza e o desígnio dessa santa instituição, e se ele realmente deseja fazer-se confortável para a morte de Cristo; e, assim, em nada duvidando, 'que coma do pão, e beba do cálice' (I Cor. 11:28). 
           
            Aqui, então, a primeira direção dada por nosso Senhor é expressamente repetida pelo Apóstolo: 'que ele coma; que ele beba';  ambos de forma imperativa; palavra que em nada implicam uma simples permissão apenas, mas um mandamento claro e explícito; um mandamento para todos aqueles que, tanto já estão preenchidos com a paz e a alegria, por acreditarem; ou aqueles que verdadeiramente podem dizer, 'A lembrança de nossos pecados é aflição para nós; o fardo deles é intolerável'. 

(12) E que isto é também um meio comum e firme de receber a graça de Deus, fica evidente das palavras do Apóstolo que ocorrem no capítulo precedente: (I Cor. 10:16)  'Por acaso, o cálice de bênção que abençoamos não é a comunhão [ou comunicação] do sangue de Cristo?'. Não é o comer do pão, e beber do cálice, os meios exteriores, visíveis, por onde Deus transmite para nossas almas aquela graça espiritual; aquela retidão; e paz; e alegria, no Espírito Santo, que foram resgatadas pelo corpo de Cristo, uma vez partido, e pelo sangue de Cristo, uma vez derramado por nós? Que todos, por conseguinte, que verdadeiramente desejem a graça de Deus, comam do pão e bebam do cálice.  

IV

(1) Mas, tão plenamente, quanto Deus tem apontado o caminho, por meio do qual, ele deverá ser buscado; inumeráveis são as objeções, com as quais os homens, sábios, aos seus próprios olhos, têm erguido, de tempos em tempos, contra isso. Pode ser necessário considerar algumas delas; não porque são mais importantes, em si mesmos, mas porque têm sido freqüentemente usadas, especialmente, nos últimos anos, para tirar o fraco fora do caminho; sim; para perturbar e subverter aqueles que estão indo bem, até que Satanás apareceu como um anjo de luz. A primeira e principal delas é:

'Você não pode usar desses meios (como eles os chamam), sem confiar neles'.  

Eu imploro que me mostrem, onde isto está escrito? Eu espero que você possa me mostrar uma clara Escritura para sua afirmação; do contrário, eu me atrevo a não recebê-la; porque eu não estou convencido de quer você seja mais sábio do que Deus. Se isto tem sido realmente como você afirma, é certo que Cristo deve ter conhecido isto. E se ele conheceu, ele certamente nos alertou; ele teria nos revelado isto, há muito tempo. Por conseguinte, porque ele não o fez; porque não existe a menor partícula disso, em toda a revelação de Jesus Cristo, eu estou tão completamente seguro que sua afirmação é falsa, quanto de que essa revelação é de Deus.  

'Entretanto, deixe-as fora, por algum tempo, para ver se você confia nelas ou não'.  

Assim, eu desobedecerei a Deus, com o objetivo de saber, se eu devo obedecer a ele! E você reconhece esse conselho? Você, deliberadamente, ensina  'a fazer o mal, para que o bem venha?'. Ó, estremeça-se diante da sentença de Deus contra tais professores! 'A condenação deles é justa'.

            'Além do mais, se você fica preocupado, quando você as deixa fora, é claro que você confiou nelas'.

De maneira alguma. Se eu fico preocupado, quando eu, teimosamente, desobedeço a Deus, é claro que seu Espírito está ainda  operando comigo; mas, se eu não me preocupo com o pecado obstinado, é claro que eu  estou entregue a uma mente perversa.

Mas o que você quer dizer por 'confiar nelas?' — buscando pela bênção de Deus nela? Acreditando que, se eu espero nesse caminho, eu devo obter o que do contrário eu não poderia? Então eu confio. E assim, eu irei confiar que Deus é meu ajudador, até o fim da minha vida. Pela graça de Deus eu irei assim, confiar neles, até o dia de minha morte. Ou seja, eu irei acreditar que, se Deus tem prometido, ele é fiel também para executá-la. E vendo que ele tem prometido me abençoar, nesse caminho, eu confio que seja de acordo com sua palavra. 

(2) Tem sido, em segundo lugar, objetado:

            'Isto é buscar salvação pelas obras'.

            Você conhece o significado da expressão que você usa? O que é buscar salvação pelas obras? Nos escritos de Paulo, significa, tanto buscar ser salvo, por observar as obras rituais da Lei de Moisés; ou expressar salvação pela fé em nossas próprias obras, através do mérito de nossa própria retidão. Mas como é que isto implica em esperar no caminho que Deus tem ordenado, e esperar que ele irá me satisfazer, porque ele tem prometido assim fazer? Eu espero que ele cumpra sua palavra; que ele irá me satisfazer e me abençoar nesse caminho. Ainda que não por causa de algumas obras que eu tenha feito, mas pelo mérito de minha retidão; meramente através dos méritos, sofrimentos, e amor a seu Filho, em quem ele está sempre bem agradado.

(3) Tem sido veementemente objetado, em terceiro lugar:

            'Que Cristo é o único meio da graça'

            Eu respondo: Isto é meramente brincar com palavras. Explique seu termo, e a objeção desaparecerá. Quando você diz: 'orar é o meio da graça',  nós entendemos um canal, através do qual a graça de Deus é transmitida. Quando você diz: 'Cristo é o meio da graça', você entende o único preço e resgate para ela; ou que 'nenhum homem vem ao Pai, a não ser através dele'.  E quem nega isto?  Mas isto é  uma questão totalmente ampla.

(4) Tem sido objetado, em quarto lugar:

"Mas as Escrituras não nos direciona a esperar pela salvação? Davi não disse, 'Minha alma espera em Deus, por meio dele vem minha salvação?'. E não é Isaias quem diz, em (Isaias 26:8) 'Até no caminho dos teus juízos, Senhor, te esperamos; no teu nome, e na tua memória está o desejo da nossa alma'".

Tudo isto não pode ser negado. Vendo que é o dom de Deus, nós estamos indubitavelmente esperando nele para a salvação. Mas como devemos esperar? Se o próprio Deus tem indicado o caminho, pode você encontrar um modo melhor de esperar por ele? Mas aquele que tem apontado o caminho, tem sido mostrado largamente, e também qual é aquele caminho. As próprias palavras do Profeta, que você cita, coloca isto fora de questão. Já que toda a sentença, em (Isaías 26:8) é esta: 'Até no caminho dos teus juízos, Senhor, te esperamos; no teu nome, e na tua memória está o desejo da nossa alma'. E, no mesmo caminho Davi esperou, como suas próprias palavras testificam abundantemente: 'Eu tenho esperado por tua cura salvadora, Ó Senhor, e tenho mantido tua lei. Ensina-me, Ó Senhor, o caminho de teus estatutos, e eu os manterei até o fim'.

(5)  "Sim",  alguns dizem, "mas Deus tem indicado um outro caminho — 'fique quieto, e veja a salvação de Deus'".

            Vamos examinar as Escrituras, às quais você se refere. A primeira delas, com o contexto, diz assim:
           
(Êxodo 14:10-16) 'E, chegando o Faraó, os filhos de Israel levantaram seus olhos, e eis que os egípcios vinham atrás deles, e temeram muito; então, os filhos de Israel clamaram ao Senhor. E disseram a Moisés: Não havia sepulcros no Egito, para nos tirares de lá, para que morramos neste deserto? Por que nos fizeste isto,  que nos tens tirado do Egito? Não é esta a palavra que te temos falado no Egito, dizendo: Deixa-nos, que sirvamos aos egípcios: Pois que melhor nos fora servir aos egípcios, do que morrermos no deserto.  E Moisés, porém, disse ao povo: Não temais; estai quietos e vede o livramento do Senhor, que hoje vos fará; porque aos egípcios, que hoje vistes, nunca mais vereis para sempre. O Senhor pelejará por vós, e vos calareis. Então, disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem. E levanta a tua vara, estende a tua mão sobre o mar, e fende-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar em seco'. Essa foi a salvação, que eles permanecessem quietos para ver, marchando em frente, com toda a força deles! 

A outra passagem onde essa expressão ocorre fica assim:

(2 Crônicas 20:2) ”Então, vieram alguns que deram aviso a Josafá, dizendo: vem contra ti uma grande multidão, dalém mar e da Síria; e eis que estão em Hazazom-Tamar, que é En-Gedi. Então, temeu, e pôs-se a buscar o Senhor; e apregoou jejum em todo o Judá. E Judá se ajuntou, para pedir socorro ao Senhor; também de todas as cidades de Judá vieram para buscarem o Senhor; e pôs-se Josafá em pé, na congregação de Judá, e de Jerusalém, na Casa do Senhor, diante do pátio novo... Então, veio o Espírito do Senhor, no meio da congregação, sobre Jaaziel. E ele disse: Não te entristeças por causa dessa grande multidão. Amanhã, descereis contra eles: tu não precisas lutar nessa batalha. Fiquem quietos, e vejam a salvação do Senhor. E eles se levantaram cedo de manhã, e seguiram em frente. E quando eles começaram a louvar e a orar, o Senhor colocou emboscadas contra os filhos de Moabe, Amon, e os dos montes Seir: — e cada um ajudou a destruir o outro".
           
Tal foi a salvação que os filhos de Judá viram. Mas como tudo isto prova que nós não devemos esperar pela graça de Deus, nos meios que ele tem ordenado? 

(6) Eu devo mencionar, a não ser uma objeção mais, que, de fato, não propriamente pertence a esse assunto: não obstante, porque ela tem sido freqüentemente sugerida, eu não posso passar totalmente por ela.

            'Se, pois, estais mortos em Cristo, quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo?' (Col. 2:20)

            Assim, você diz: 'Se eu sou um cristão, eu não estou sujeito às ordenanças de Cristo!'. Certamente, através desse absurdo, você deve ver, em princípio, dar uma olhada, que as ordenanças aqui mencionadas, não podem ser as ordenanças de Cristo: que se tratam de ordenanças judaicas, para as quais é certo que os cristãos não estão mais sujeitos. E o mesmo aparece inegavelmente das palavras imediatamente seguinte: 'não toques; não proves; não manuseies';  tudo evidentemente referindo-se às antigas ordenanças da lei judaica. Assim, essa objeção é a mais fraca de todas. E, apesar de tudo, aquela grande verdade deve permanecer inabalável: que todo aquele que deseja a graça de Deus deve esperar por ele, nos meios que ele tem ordenado. 

V

(1)  Mas sendo permitido que todo aquele que deseje a graça de Deus espere por ela, nos meios que ele tem ordenado; pode ser ainda inquirido, como esses meios devem ser usados, ambos quanto à ordem e maneira de usá-los. Com respeito ao primeiro, nós podemos observar que existe uma espécie de ordem, em que o próprio Deus geralmente se agrada como meio de trazer o pecador à salvação. O infeliz estúpido e insensível  segue em seu próprio caminho, não tendo Deus em todos os seus pensamentos, quando Deus vem sobre ele inesperadamente, talvez, através de um sermão de avivamento ou conversa; talvez, por alguma providência terrível, ou, pode ser, um golpe imediato de seu Espírito convincente, sem qualquer meio exterior, afinal. Tendo agora um desejo de fugir da ira que há de vir, ele propositadamente vem ouvir como isto pode ser feito. Se ele encontra um pregador que fala para o coração, ele fica maravilhado, e começa a buscar as Escrituras, para se certificar que essas coisas são desse jeito. Quanto mais ele ouve e lê, quanto mais convencido ele é; e mais ele medita nisso dia e noite. Talvez, ele encontre algum outro livro que explique e reforce o que ele tem ouvido e lido nas Escrituras. E através de todos esses meios, as flechas da convicção mergulham mais profundamente em sua alma. Ele começa também a falar das coisas de Deus, que são sempre mais importantes em seus pensamentos; e fala com Deus; ora a ele; embora tema e se envergonhe, ele raramente sabe o que dizer.

Mas, se ele pode falar ou não; ele não pode deixar de orar, seja isto apenas em 'murmúrios que não podem ser proferidos'. Ainda assim, estando em dúvida, se  'o todo poderoso que habita a eternidade' irá considerar tal pecador como ele, ele deseja orar com todos os que conhecem Deus, com o crente, na grande congregação. Mas aqui ele observa outros indo para a mesa do Senhor. Ele considera: "Cristo tem dito: 'Faça isto!'. Como eu não faço? Eu sou tão grande pecador, que eu não estou adequado; que eu não sou merecedor". Depois de lutar com esses receios, por um tempo, ele abre caminho. E assim continua no caminho de Deus, ouvindo, lendo, meditando, orando, e partilhando da Ceia do Senhor, até que Deus, da maneira como lhe agrada, fala ao seu coração: 'Tua fé o salvou. Vai, em paz!'.     

(2) Observando essa ordem de Deus, nós podemos conhecer quais os meios recomendados para alguma alma em particular. Se algum desses alcançar um pecador estúpido e descuidado, será provavelmente ouvindo, ou conversando. Para tal, entretanto, nós deveríamos recomendar isto, se ele teve, alguma vez, algum pensamento sobre salvação. Para alguém que começa a sentir o peso de seus pecados, não apenas ouvindo a Palavra de Deus, mas lendo-a também, talvez, outros livros sérios, pode ser um meio de convicção mais profunda.

Você não pode aconselhá-lo também a meditar sobre o que ele lê, para que isto seja uma força completa sobre seu coração? Sim. E a falar nisso, e não ficar envergonhado; principalmente, entre aqueles que caminham nos mesmos passos. Quando a preocupação e o peso caírem sobre ele, você não poderia, então, exortá-lo a derramar sua alma diante de Deus; sempre a orar e não fraquejar'; e quando ele deixar cair a inutilidade de suas orações, você não irá trabalhar junto com Deus, e lembrá-lo de ir até a casa do Senhor, e orar com todos que o temem? Mas, se ele faz isso, a palavra agonizante de seu Senhor logo irá ser trazida para sua lembrança; uma intimação clara de que este é o tempo em que devemos apoiar os movimentos do Espírito abençoado. E assim, podemos conduzi-lo, passo a passo, através de todos os meios que Deus tem ordenado; não de acordo com sua própria vontade, mas justamente como a Providência e o Espírito de Deus que segue adiante e abre o caminho.

(3) Ainda assim, como nós encontramos nenhum comando nos escritos santos, para alguma ordem particular a ser observada neles, então, nem a providência e o Espírito de Deus adere a algo, sem variação. Mas os meios, nos quais os diferentes homens são conduzidos, e nos quais eles encontram as bênçãos de Deus, são variados, e combinados, de milhares de maneiras diferentes. Ainda assim, nossa sabedoria deve seguir as conduções de sua providência e seu Espírito; para ser guiado nele (mais especialmente nos meios em que nós mesmos buscamos a graça de Deus); em parte, através de sua providência exterior; dando-nos a oportunidade de usar algumas vezes, um meio, outras vezes, outro; parcialmente, através de nossa experiência, por meio da qual, seu Espírito livre se agrada mais de operar em nosso coração. E, nesse meio tempo, a regra certa e geral para todos que murmuram pela salvação de Deus é esta: — onde quer que a oportunidade sirva, use de todos os meios que Deus tem ordenado; quem sabe no que Deus irá satisfazer a ti, com a graça que traz salvação?     

(4) Quanto à maneira de usar os meios, naquilo em que realmente depende a transmissão de alguma graça; cabe, primeiro, retermos sempre o senso claro, de que Deus está acima de todos eles. Ter o cuidado, por conseguinte, de não restringir o Onipotente. Ele faz o que quer, e quando quer que lhe agrade. Ele pode transmitir sua graça, tanto através dos meios que ele tem apontado, quanto fora deles. Talvez, ele o faça. 'Quem conhece a mente do Senhor? Ou quem tem sido seu conselheiro?'.  Esteja atento, então, todo o momento, para sua aparição! Seja isto no momento em que você está empregado em suas ordenanças; ou antes, ou depois dessa hora; ou quando você está impedido disso. Ele não está impedido. Ele está sempre pronto; sempre capaz; sempre de boa-vontade para salvar. 'É o Senhor: Deixe-o fazer o que lhe parece bom!'.   

Em segundo lugar: Antes que você use algum meio, deixe que fique profundamente impresso em sua alma: não existe poder nisso. Ele é, em si mesmo, uma coisa pobre, morta, vazia. Separado de Deus, é uma folha seca, uma sombra. Nem existe algum mérito, em usá-lo; nada intrinsecamente agrada a Deus; nada, por meio do qual, eu mereça algum favor de suas mãos; não, nem uma gota de água para resfriar minha língua. Mas, porque Deus ordena, por conseguinte, eu faço; porque ele me dirige a esperar nesse caminho; assim sendo eu espero aqui pela sua misericórdia livre, por meio da qual vem minha salvação. Estabeleça isto em seu coração, que o mero trabalho feito não tem proveito algum; que não existe poder para salvar; a não ser, no Espírito de Deus; nenhum mérito, a não ser no sangue de Cristo; que, conseqüentemente, mesmo o que Deus ordena, transmite nenhuma graça para sua alma, se você não confia somente Nele. Por outro lado, aquele que verdadeiramente confia Nele, não pode ficar frustrado da graça de Deus, mesmo que ele seja cortado fora de toda ordenança exterior; mesmo que ele seja encarcerado, no centro da terra.

Em terceiro lugar: Ao usar todos os meios, busque apenas a Deus. Em, e através de todas as coisas exteriores, busque simplesmente o poder de seu Espírito; e os méritos de seu Filho. Cuide de não ceder na própria obra; se você assim fizer, será trabalho perdido. Nenhuma restrição de Deus pode satisfazer sua alma. Por conseguinte, o veja, em tudo; através de tudo; e acima de tudo.

Lembre-se também: use todos os meios,m como meios; como ordenados. Não por sua causa, mas com o objetivo de renovar sua alma, na retidão e santidade verdadeira. Se, entretanto, eles atualmente tendem a isto, muito bem/ mas, se não, eles são esterco e refugo.

Por último: Depois de ter usado algum desses, cuide em como você valoriza a si mesmo, nele? Como você se congratula de ter feito alguma coisa grande. Está é transformar tudo em veneno. Pense: 'Se Deus não estivesse lá, no que isto teria proveito? Eu não tenho acrescentado pecado ao pecado? Por quanto tempo? Ó Senhor! Salve-me, ou perecerei! Não deite mais pecado sob minha responsabilidade!' Se Deus esteve lá; se seu amor emanou, em seu coração, e você se esqueceu de como ele era, a obra exterior. Você vê; você sabe; você sente que Deus está em tudo. Humilhe-se. Mergulhe, diante dele. Dê a ele todo o louvor. 'Deixe Deus, em todas as coisas, ser glorificado, através de Jesus Cristo'.  Permita que seus ossos clamem: 'Minha canção seja sempre da bondade do Senhor: com minha boca eu irei sempre dizer da tua verdade, de uma geração a outra!'.


VISITANDO A BIBLIOTECA DE DEUS


 


Pr. Marcelo Augusto de Carvalho


A Bíblia é o livro central do Cristianismo. É a regra de fé, contém a história do povo de Deus, fala sobre os grandes patriarcas do passado, mas de forma especial, apresenta a revelação divina ao mundo. É simplesmente, o livro mais lido, mais vendido, mais amado, mais odiado, e mais digno de nossa confiança e aceitação.
Por isto, grandes perguntas acerca deste livro merecem algumas explicações:
- Por quê surgiu a Bíblia? Quando a Bíblia foi escrita? Quem determinou quais os livros eram sagrados e a comporiam? Como surgiram livros apócrifos e as Bíblias diferentes?

Em primeiro lugar, nunca devemos nos esquecer de que o nosso Deus é um Deus que fala. Ele não se esconde. Por isto, os grandes propósitos que Ele sempre teve para o homem desde sua criação, só poderiam e podem ser alcançados e experimentados pelo homem por meio de Sua revelação. Ele começou falando no Éden, diretamente ao homem, Gên. 3.8-9, por meio de uma consciência humana santa e perfeita, Rom. 2.14-15, e por meio da própria criação, Sal. 19.1-4.
Mas o pecado tornou todos estes meios de revelação insuficientes- a consciência foi afetada, a criação degradou-se deixando de refletir claramente a glória do Criador, e Deus não pode mais falar face a face com o homem- e de certa forma impotentes- pelas limitações que agora passaram a existir tanto da parte do homem como de cada meio usado. Rom. 1.21. Gên. 3.8, I Tim. 4.2.
Deus então providenciou outro meio- uma revelação especial ao longo da história. Deut. 14.2, Rom. 3.1-2. E por meio de homens escolhidos, esta história foi registrada, a fim de que esta revelação permanecesse para todas as gerações futuras. II Ped. 1.21, I Ped. 1.23. Esta coletânea de livros reunidos chama-se Bíblia, do modo como conhecemos hoje.
Lembre-se: muitas coisas Deus falou e fez, mas não mandou escrever. Apenas o essencial para o ensino em todas as demais gerações foi preservado. Jo. 20.31 e 21.35.

- A Bíblia possui 66 livros, sendo 39 no AT e 27 no NT.
- Foi escrita por 40 autores. Todos tiveram seu estilo próprio, cultura e temperamento preservados, o que marca seus estilos e os identifica muito bem. Assim, vemos claramente que os autores bíblicos foram inspirados por Deus, isto é, conduzidos por Deus para produzirem seus livros. Muitas mensagens foram dadas diretamente por Deus. Outras foram compiladas de livro genealógicos ou pré-escritos. Algumas profecias foram escritas 20 ou 30 anos depois de serem recebidas pelo profeta. E alguns livros foram relatos (Evangelhos), pesquisas (Lucas), ou mesmo fruto da meditação de um servo de Deus (Eclesiastes). Portanto, vemos que os livros bíblicos não foram psicografados, ou sequer ditados, mas dirigidos pela mente maior, Deus.
- O primeiro autor sagrado foi Moisés, e o último foi João.
- O primeiro livro a ser escrito foi Jó, por Moisés, quando estava cuidando das ovelhas de seu sogro, por volta de 1450 A.C. O último livro foi o evangelho de S. João, escrito depois deste santo apóstolo Ter voltado de Patmos, com o livro de Apocalipse pronto. Ao ver os tamanhos erros e heresias que haviam na igreja sobre a divindade de Jesus, ele se propôs e realizou com êxito sua última empreitada aqui na Terra: mostrou por meio de seu livro a perfeita união entre a divindade e a humanidade de Jesus entre os homens. Isto por volta do ano 95 D.C.
- Como pode Ter chegado a Moisés as revelações de Gênesis se ele não viveu naqueles tempos?  Não temos dúvidas de que Deus pode Ter dado algumas visões para ele. Mas o mais certo é que Moisés ouviu a tradição oral (a história da criação e dos patriarcas passada de geração em geração que chegou até ele), e deve Ter usado também alguns livros já redigidos em seu tempo como as genealogias, para compor então o fantástico livro de Gênesis.

Como foi escrita a Bíblia?
a)    O material:
-      Nos primórdios, usava-se cerâmica, pedra, argila e cera.
-      Depois veio o papiro- feito de planta, uma espécie de cana que crescia em lagos e rios do Egito e Síria. As lâminas de sua entrecasca eram retiradas, prensadas, secas e polidas. Depois coladas como tiras uma após a outra, e escrito sobre elas.
-      O pergaminho- pele curtida de ovelhas, cabras, antílopes e outros animais. As peles eram limas e retirados os pelos. E depois escrita por cima com tintas especiais.
b)   Os instrumentos:
-      cinzel de ferro para entalhar pedras e cerâmica.
-      Estilete para argila e cera.
-      A pena para o pergaminho e o papiro.
c)    Tinta:
-      era uma mistura de carvão, goma e água.
d)   Forma:
-      em rolos. Tanto os pairos como os pergaminhos eram enrolados em volta de uma madeira arredondada. Tinham os média o comprimento de 12 m, mas alguns chegavam até 48 m.
-      em geral eram escritos de um lado só. Foram usados por séculos. Posteriormente surgiram os livros.
e)   Língua:
-      a Bíblia foi escrita em Hebraico (a maior parte do VT) , aramaico (Esd. 4.8-6.18 e 7.12-26; Jer. 10.11; e Dan. 2.4-7.28), e grego (todo o NT).
-      O Hebraico foi falado pelos israelitas até os cativeiros- 722 AC (tribos do norte) e 586 AC (tribos do sul). Depois do cativeiro até os dias de Jesus sua língua materna passou a ser o aramaico. Mas neste tempo, a língua da literatura era o grego.

De onde vieram os títulos dos livros bíblicos?
-      São nomes que não aparecem nos originais escritos, mas foram dados pela versão Septuaginta, grega. São títulos em grego que sumarizam o assunto do livro, ou os nomes dos profetas que escreveram estes livros, ou seu principal personagem.

Como foram escolhidos estes livros para formarem o cânon sagrado?
-      Muita literatura religiosa existia no tempo em que os livros bíblicos foram escritos.
-      Porém, estes livros escolhidos passaram por uma bateria de testes para que fossem finalmente aceitos como a regra de fé do judaísmo, e posteriormente do cristianismo.
1-   O tempo ajudou os judeus a reconhecerem a autoridade divina, presente nestes livros escolhidos. Esta escolha não foi arbitrária, da parte de 1 pessoa ou um grupo seleto, mas de muitas gerações de fiéis servos de Deus que passaram pela história, e deram seu veredito a estes livros.
2-   A igreja cristã fazia as seguintes perguntas: estes livros tem autoridade divina? É um “assim diz o Senhor?” Foi escrito por um homem de Deus? Tem poder para transformar vidas? Foi aceito pelo povo de Deus, lido e usado como regra de vida e fé? Seus ensinos são apenas locais e temporais, ou servem também para as futuras gerações de cristãos e fiéis?
3-   Porém, vejamos que a canonicidade não era uma qualidade “atribuída” aos livros por testes humanos, mas apenas confirmava uma qualidade própria do livro, imutável.
4-   Os primeiros livros reconhecidos como sagrados foram os 5 livros de Moisés, a Lei, ou a Torá. A seguir, muitas das profecias registradas foram aceitas devido ao seu fiel cumprimento, sendo incorporadas ao cânon- os livros proféticos. O terceiro grupo de livros aceitos como sagrados foram os escritos- os livros históricos, os salmos, provérbios e cantares. Os 39 livros ao todo que conhecemos como AT.

O que são os livros apócrifos?
-      Após a época de Malaquias, veio o “silêncio profético”, quando parecia que Deus não mais falava aos israelitas por meio de profetas (400 AC). Mesmo assim, circulavam  entre os judeus muitos livros históricos e poéticos. Muitos destes eram reconhecidamente sagrados, outros espúrios, e uns poucos duvidosos quanto à sua natureza.
-      Para definir se eram sagrados ou não, os judeus, além dos critérios já citados, usaram mais estes: O conteúdo deste livro está em conformidade doutrinária com a Lei de Deus? É fiel históricamente? Foi escrito até o tempo do profeta Malaquias?
-      Por volta do ano 250 AC, um grupo de 70 sábios judeus, da cidade de Alexandria, Egito, traduziu o cânon hebraico para a língua grega, pois os judeus, esparramados pelo mundo já não falavam mais o hebraico. Nesta tradução, foram adicionados alguns livros ao cânon, dos quais ainda não se havia chegado a uma definitiva conclusão sobre sua divina inspiração. Esta tradução chamou-se Septuaginta. Mais tarde, no concílio de Jâmnia, no ano 90 DC, os judeus definiram seu cânon, na base dos 39 livros para o VT (os quais usamos hoje) e rejeitaram os livros apócrifos.
Alguns dos livros apócrifos e suas heresias:
-      São por volta de 14 livros, não aceitos pelos judeus e protestantes como sagrados, mas aceitos pela tradução da Septuaginta e pela Igreja Católica como tais.
1-TOBIAS (200): história novelística sobre a bondade de Tobiel e alguns milhares preparados pelo anjo Rafael.
- Erros: justificação pelas obras, mediação dos santos, superstições, um anjo engana Tobias e o ajuda a mentir.
2- JUDITE (150): história de uma heroína viúva e formosa que salva sua cidade enganando um general  inimigo e decapitando-o.
- Erro: sua história ensina que os fins justificam os meios.
3- BARUQUE (100): possivelmente escrito pelo cronista do profeta Jeremias. Exorta os judeus quando Jerusalém está sendo destruída.
- Erro: é um livro de data muito posterior, quando da Segunda destruição de Jerusalém, após o tempo de Jesus. É portanto, uma fraude histórica.
4- ECLESIÁSTICO (180): muito semelhante ao livro de Provérbios.
- Erros: justificação pelas obras, trato cruel de escravos, incentiva o ódio aos Samaritanos.
5- SABEDORIA DE SALOMÃO (40): luta contra a incredulidade e a idolatria da filosofia grega na era cristã.
- Erros: o corpo como prisão da alma, doutrina estranha sobre a origem e o destino da lama, e salvação pela sabedoria.
6- I MACABEUS (100): 3 irmãos que lutam contra os inimigos dos judeus visando a preservação do seu povo e sua terra.
7- II MACABEUS (100): um relato cheio de lendas e prodígios de Judas Macabeus.
- Erros: oração- culto- e missa pelos mortos, o próprio autor não se julga inspirado, intercessão pelos santos.
8- ADIÇÕES A DANIEL: capítulo 13- Daniel salva Suzana num julgamento fictício baseado em falsos testemunhos.
OUTRAS HERESIAS: dar esmolas purifica do pecado, ensino de crueldade e do egoísmo, pecado perdoados pela oração, ensino do purgatório, ensino da vingança, aceita o suicídio, ensino de arte mágicas, apóia as mentiras, etc.
- Por que a Igreja Católica aceita os apócrifos? Ao traduzir a Bíblia para o alemão, atitude contrária às normas da Igreja, ele não aceitou os apócrifos. Como atitude contra-reforma, a Igreja os colocou em seu cânon. Isto em 8 de abril de 1546.

Como foi formado o cânon do Novo Testamento?
-      Primeiro apareceram os livros e as cartas escritas isoladamente em diferentes localidades. Eles foram guardados cuidadosamente pelas igrejas, sendo lidos nas assembléias cristãs.
-      Com o passar do tempo foram sendo canonizados devido sua autenticidade sagrada.
-      Nos fins do primeiro século, praticamente toda a coleção dos 27 livros que temos hoje era aceita como sagrada, e foi assim estabelecido no fim do IV século no Sínodo de Hipona- 397 DC.
Houve apócrifos do NT? Alguns deles são: Epístolas de Barnabé, Pastor de Hermas, Didaqué, e Apocalipse de Pedro.

Todos estes livros foram copiados à mão por muitos séculos pelos escribas. Eram colocados em rolos de vários tamanhos, de 7 a 12 metros, o que dificultava a consulta às Escrituras.
Porém muitos avanços foram feitos para uma melhor pesquisa da Bíblia:
- Nos primeiros séculos da era cristã foram inventados os códices, livros com folhas sobrepostas e amarrados na borda, semelhante ao que temos hoje.
- No ano de 1250 o cardeal Caro dividiu a Bíblia em capítulos, e em 1550, Robert Stevens a dividiu em versículos.
- Com a invenção da imprensa por Guttemberg no século XV, a Bíblia, primeiro livro impresso no mundo, foi melhor lida e esparramada pelo planeta.
- A primeira tradução das Escrituras foi a Septuaginta- do hebraico para o grego. Depois veio a Vulgata- versão para o latim, língua da Igreja Católica. Em 1380 Wicleff traduziu a Bíblia para o inglês. Em 1536 Martinho Lutero entregou ao povo a Bíblia em alemão. Em 1752 o VT foi traduzido para o português pelo padre João Ferreira de Almeida, e o NT apareceu em 1819.
- Hoje a Bíblia está traduzida para mais de 1500 línguas diferentes.
No século XVIII, devido a muitos movimentos filosóficos e a recente queda de influência e prestígio da Igreja Católica, a Bíblia foi seriamente questiona, deixada de lado, e severamente criticada pelos estudiosos como falsa em suas afirmações históricas, em seus milagre e em sua credibilidade. Algumas asseverações eram:
1- A Bíblia contém muitos erros de narrativa. Por exemplo, a Bíblia afirma que saíram do Egito por volta de 2 milhões de judeus, no tempo do Êxodo. Isto é impossível historicamente, pois nem o Egito tinha tanta gente, e não há nenhuma planície no percurso que Israel fez até Canaã onde possa caber esse número de pessoas reunidas, como a Bíblia afirma Ter ocorrido! Também é impossível que Salomão tenha tido mil mulheres,  pois a cidade de Jerusalém deveria Ter em sua época por volta de umas 5 mil pessoas, e nenhum outro rei, como Xerxes ou Nabucodonosor, muito mais poderosos do que Salomão tiveram esse número de mulheres.
- Realmente aceitamos que houve erros na transcrição da Bíblia. Algum copista, em algum tempo, acrescentou alguma letra ou número a mais na narrativa, exagerando os dados. Mas esses erros em nada interferem no rela propósito das Escrituras que, não é apresentar curiosidades mas a salvação em Cristo Jesus.
2- Os especialistas afirmam que qualquer transcrição apresenta muito erros e mudanças de palavras em qualquer trabalho feito. Ex- qualquer um de nós, se formos transcrever 1 única página, faremos em média, 20 erros, sejam de ortografia, de concordância, ou mesmo mudando palavras como sinônimos e de real significado ao texto.
3- A Bíblia pode Ter sido inventada por alguns homens. Esses livros podem Ter sido escritos bem depois do que afirmam as Escrituras, mostrando que são estórias inventadas. Quem pode provar que estes livros existiram realmente na época de Cristo, dos profetas, e que eram pelo menos semelhantes aos originais escritos por seus autores?
Os cristão ficaram por muito tempo sem obterem respostas para estas inquietantes perguntas. Mas muitas ciências foram desenvolvidas para comprovar os relatos bíblicos, e todas com sucesso, como é o caso por exemplo da arqueologia.
- Em 1948, um humilde jovem, pastor de cabras, chamado Ahmed, apascentava seu rebanho perto do Mar Morto, na Palestina. Algumas cabras sumiram. Como há muitas cavernas nesta região, ele pensou que elas poderiam esta escondidas em algumas delas. Jogou pedras para dentro das cavernas mais próximas. Mas o interessante é que ele ouviu então jarros de barro se quebrando lá dentro. Ali então ele achou vasos de barro, contendo rolos escritos. Ele os vendeu como raridade. Mal sabia ele, porém, que aqueles rolos eram pedaços de livros do VT escritos no tempo dos essênios- povo que vivia naquela região antes dos dias de Jesus. Este povo copiava as escrituras para preservá-las. Talvez por causa de alguma destruição, os essênios guardaram esses rolos naquelas cavernas, em jarros de barro, para que fossem usados no futuro por alguém que por ali passasse. Eles escritos foram preservados devido o clima seco do deserto.
- Os estudiosos então analisaram e compararam o VT achado e o VT que temos, e pouca diferença havia. Apenas algumas palavras foram trocadas por seus sinônimos (ex- casa por lar), mas a mensagem Bíblica continuava intacta apesar de tantos anos de separação.
- Hoje temos em nossas mãos um livro comprovadamente inspirado por Deus!
4- Quanto aos milagres, lembre-se: milagre ocorre por um poder sobrenatural, inexplicável. Se um milagre puder ser explicado, ele deixa de ser milagre. Os milagre bíblicos são questão de fé: você os aceita ou não aceita. Alguns anos atrás, estudiosos tentaram mostrar que os milagres bíblicos foram de origem divina, mas explicáveis. Por exemplo: foi Deus que fez o povo passar a seco pelo rio Jordão, mas isso aconteceu porque passaram quando era tempo de seca na região, o rio estava baixo e assim o povo pôde passar. O milagre foi que Deus sabia disso e o povo não; assim Ele os conduziu. Esta tentativa de explicar a Bíblia não é cristã. Deus já se mostrou digno de confiança e devemos crer nEle porque Ele afirma que assim o foi.

A seguir, para seu melhor entendimento, estudo e compreensão da Bíblia, apresentaremos uma seqüência cronológica de como os livros bíblicos foram ou escritos, ou de como a história bíblica aconteceu, com objetivo do livro e seus destinatários.
- Não sabemos quanto tempo Adão e Eva passaram no Éden.
- Adão viveu 130 anos e gerou a Sete. Viveu ao todo 930 anos. Semelhantemente ocorreu com todos os patriarcas antediluvianos.
- Pela cronologia de Gênesis 5, temos: Adão viu nascer seu octoneto (oitava geração); Lameque foi o primeiro homem a morrer antes de seu pai; Lameque ajudou Noé na construção da arca, morrendo 5 anos antes do dilúvio; Matusalém fez o mesmo, morrendo no ano do dilúvio.
- Por poucos anos de vida Noé deixou de ver nascer Abrão, seu sucessor na história sagrada.
- Com 75 anos, Abrão sai de Harã, aos 86 tem Ismael, aos 100 Isaque, aos 120 oferece o filho, aos 137 Sara morre, aos 147 Sem morre, aos 160 nascem Jacó e Esaú, aos 175 ele morre.
- Isaque é oferecido aos 20 anos, aos 37 Sara morre, aos 40 casa-se, aos 60 tem Esaú e Jacó, aos 137 abençoa Jacó.
- Jacó enganou seu irmão com 77 anos, aos 84 casa-se, aos 91 nasce José, aos 97 volta a Canaã, aos 108 perde José, aos 130 vai para o Egito, morre aos 147.
- José é levado para o Egito com 17 anos, talvez aos 25 anos é preso, aos 30 torna-se governador do Egito, aos 39 revê seu pai, morre aos 110.
- É bem provável que o povo de Israel tenha ficado 215 anos no Egito.
- Devem Ter saído de lá por volta do ano 1450 AC. Talvez tenham entrado em Canaã por volta do ano 1406 AC. Durante essa peregrinação, foram escritos os 5 primeiros livros da Bíblia, mais Jó e Salmo 90.
- Josué cobre desde a morte de Moisés até a morte de Josué, 24 anos.
- Juízes cobre desde a morte de Josué até Samuel- uns 350 anos. De 1380-1060 AC.
- No tempo dos juízes, até o tempo de Jefté, ocorreu a história de Rute. Entre 1300-1100 AC.
- I Samuel cobre a história de Samuel, Saul e Davi. Do nascimento de Samuel 1100-1011 AC- morte de Saul. Davi tinha 15 anos quando foi ungido rei, matou Golias com 17 anos, mas só tornou-se rei aos 33 anos. Por volta dos 40-45 pecou com Bate-Seba, morreu aos 70 anos.
- II Samuel cobre o reinado de Davi. De 1011-971 AC, 40 anos.
- I Reis cobre da morte de Davi- 964-848 AC- o fim do reinado de Josafá. A glória e o declínio de Israel. O templo ficou pronto em 959 AC. O reino foi dividido em 931 AC. Salomão, Jeroboão, Acabe, Jezabel, Elias e Eliseu são os grandes personagens desta época.  Neste tempo foram escritos os livros de Salomão.
- II Reis cobre da morte de Acazias- 840-586- cativeiro babilônico. Trata dos últimos reis e os cativeiros de Israel e Judá. O cativeiro do norte foi em 722 AC, para a Assíria, e o do sul em 586 AC para a Babilônia.
- Os profetas que escreveram os livros proféticos da Bíblia viveram seu ministério de 840-400 AC.  Daniel e Ezequiel pregaram no cativeiro babilônico, que durou 70 anos. Obadias pregou neste tempo, lá em Judá.
- Em 457 AC o povo volta para Jerusalém. Reconstroem os muros e o templo.
- Neemias e Esdras, Ageu, Zacarias e Malaquias exortam o povo até o ano 400 AC.
- Esdras ainda escreve I e II Crônicas, fazendo um breve relato ao povo de sua antiga história, mostrando-lhes os motivos de seu cativeiro.
- 6 AC Gabriel fala com Zacarias, no ano 5 AC JB nasce.
- 4 AC Jesus nasce.
- 8 DC Jesus vai a Jerusalém com 12 anos.
- 27 DC é batizado e começa seu ministério.
- 31 DC Jesus é morto, ressuscita e vai ao Céu.
- 34 DC Estevão é assassinado e a Igreja é esparramada pelo mundo.
FONTE: Panorama do Velho Testamento, Ed. Vinde, e Nisto Cremos.
Os críticos da Bíblia no início do século dezenove passaram um bom período ridicularizando algumas das leis de saúde ordenadas pelo código mosaico - entre elas, a prática de remover o reboco das casas de pacientes leprosos. Embora não tenhamos todas as respostas para o por quê desses regulamentos, hoje não mais ouvimos esse tipo específico de zombaria, e com uma razão. Há cerca de 100 anos, antes que a teoria de Pasteur sobre os germes fosse claramente entendida, os cientistas observaram que os cirurgiões que realizavam amputações no Hospital Bellevue, no Estado de Nova Iorque, estavam perdendo um número alarmante de pacientes para as infecções. Observaram também que os mesmos cirurgiões, que realizavam o mesmo tipo de cirurgia no recém-construído Hospital Roosevelt, no mesmo Estado, obtinham uma elevada taxa de convalescenças bem-sucedidas. A partir das estatísticas, os cientistas concluíram que, embora se tomasse muito cuidado com a esterilização dos instrumentos cirúrgicos e com a própria sala de cirurgia, de algum modo o reboco e o assoalho do velho prédio do hospital deviam estar abrigando germes. Estes faziam caminho até às feridas dos amputados, causando o desenvolvimento de sepsia. Como conseqüência, o Dr. H. B. Sands introduziu uma resolução segundo a qual dali em diante nenhuma cirurgia grande fosse realizada no Hospital Bellevue. A ciência posteriormente confirmou a lei levítica de Moisés. Hoje, alguns dos germes que se tornaram resistentes aos antibióticos, como o staphylococcus aureus, continuam a ser uma ameaça aos pacientes porque eles se instalam no reboco e no piso dos hospitais. Que podemos aprender de tudo isso? Que, embora não saibamos dar uma explicação racional para tudo o que a Bíblia diz, não devemos procurar ser mais sábios do que aquilo que está escrito (ver II Cor. 4:6). O futuro ainda pode trazer descobertas adicionais que comprovem a autenticidade da Bíblia.

APELO: LEIA SUA BÍBLIA. ELA TEM MUITO A DAR À VOCÊ.

Pr. MARCELO AUGUSTO DE CARVALHO SP 1998