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sexta-feira, 23 de março de 2018

SALVAÇÃO PELA FÉ




John Wesley


Pregação feita na St. Mary´s Oxford – Diante da Universidade – em 18 de Junho de 1738
 
“Pela graça, estão todos salvos pela fé”. Eph. 2:8.
 
  1. Todas as bênçãos as quais Deus tem concedido ao homem são da mera graça dele: generosidade, ou favor; seu livre e, completamente, imerecido favor; homem que não tem nenhuma reivindicação para a menos importante das suas clemências.

Foi pela livre graça que “formou o homem do pó do chão, e soprou nele uma alma vivente”, e estampou naquela alma a imagem de Deus, e “colocou todas as coisas debaixo dos seus pés”.

A mesma livre graça continua em nós, até nossos dias: vida, respiração, e todas as coisas. Porque não há nada do que somos, ou temos, ou fazemos, que pode merecer a menor coisa das mãos de Deus. "Todos nossas obras, Tu, Ó Deus, tem forjado em nós". Esses são muito mais exemplos da sua livre clemência: e, mesmo que qualquer retidão possa ser encontrada no homem, esse é também um dom de Deus.   
 
  1. Que recursos, então, deve um homem pecador expiar para qualquer dos seus menores pecados? Com as próprias obras? Não. Sejam elas tantas ou santas, elas não são dele, mas de Deus. Mas, de fato, os homens são todos profanos e pecadores, por eles mesmos, então, cada um deles precisa de uma nova expiação. 

Apenas frutos corruptos crescem em uma árvore corrupta. E seu coração é completamente corrupto e abominável; criatura “para alcançar a glória de Deus”, a gloriosa justiça, primeiramente impressa na sua alma, depois da imagem de seu grande Criador. Dessa forma, tendo nada, nem retidão, nem obras, a pleitear, sua boca é totalmente calada diante de Deus.
 
  1. Se mesmo pecadores encontram favor com Deus, isto é “graça pela graça!” Se Deus concede ainda verter novas bênçãos em nós, ou seja, a maior de todas as bênçãos, salvação, o que podemos dizer dessas coisas, a não ser “Graças seja para com Deus por seu inexprimível dom!”.

E, portanto, assim é... “Deus confiou seu amor para conosco, por isso, enquanto éramos ainda pecadores, Cristo morreu”, para nos salvar “pela Graça”. Dessa forma, “somos salvos através da fé”. Graça é a fonte, fé a condição de nossa salvação.

      Agora, que não alcançamos a graça de Deus, cabe-nos cuidadosamente inquirir. –

                            I.      Que fé é essa, pela qual somos salvos.
                         II.      Que salvação é essa pela fé.
                      III.      Como podemos responder algumas objeções.

            I.      Que fé é essa, pela qual somos salvos.


1.    Não é apenas a fé do pagão.  

Agora, Deus exigiu do pagão que acreditasse. “Que Deus é quem recompensa os que diligentemente O busca”; e que Ele será buscado glorificando-O como Deus, e dando a Ele graças por todas as coisas, e pela cuidadosa prática da virtude da moral, da justiça, misericórdia, e verdade, para com as suas criaturas. O Grego ou Romano, por conseguinte, sim, a Scythian ou Indian; não teriam desculpas, se não acreditassem tanto: na criatura e atributos de Deus, um estado futuro de recompensa e castigo, a natureza obrigatória da virtude moral. Porque isso é apenas a fé do pagão.

2.    Nem essa é a fé do diabo.

Mesmo porque, a fé do diabo vai muito além da do pagão, uma vez que ele acredita que há um Deus sábio e poderoso, gracioso para recompensar e justo para punir; mas que também Jesus é filho de Deus, o Cristo, o Salvador do mundo. E, assim, encontrarmos ele declarando, em termos expressos, “Eu conheço, Tu, que sois, o Santo Deus”.

(Lucas 4:34) “Ah! Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste a destruir-nos? Bem sei quem és: O Santo de Deus”.

Tampouco podemos duvidar de que esse espírito infeliz acredita em todas essas palavras que vêm da boca do Santo Deus, e, que tudo quanto foi escrito pelos santos homens antigos, sendo que dois deles foi compelido a dar aquele testemunho glorioso:

"Esses homens são os servos do mais alto Deus, que mostra a você o caminho da salvação". Assim, o grande inimigo de Deus e do homem acredita, e treme acreditando: - Que Deus foi feito manifesto na carne; que ele “porá todos os inimigos debaixo dos seus pés"; e que "toda a Escritura foi dada pela inspiração de Deus". Assim tão longe, vai a fé do diabo.

3.    A fé pela qual somos salvos, no significado da palavra que será explicada daqui por diante, nem chega perto daquela que os Apóstolos tiveram, enquanto Cristo ainda estava na terra.

Porque eles acreditaram tanto nele, a ponto de “deixarem tudo e segui-lo”; embora tivessem poder para realizar milagres, “curar toda a forma de enfermidades, e todas as formas de doenças”; sim, eles tinham “poder e autoridade sobre todos os males”, e, além de tudo isso, foram enviados pelo seu Mestre para “pregar a palavra em todo o reino de Deus”.

4.    Que fé é essa, então, pelo qual somos salvos?

Em geral, pode ser respondido, primeiro, como sendo a fé em Cristo: Cristo, e Deus através de Cristo; estes são os objetos próprios dela. Assim, sendo suficientemente e absolutamente distinguida da fé, tanto do ancião, quanto do pagão moderno. E sendo completamente distinta da fé do diabo, que é puramente especulativa, racional, fria, consentimento inanimado, uma seqüência de idéias da mente; mas também uma disposição do coração. Como dizem as escrituras:

“Com o coração o homem acreditou na justiça”, e, “E se confessares com a tua boca o Senhor Jesus, e acreditares no teu coração que Deus o levantou da morte, então serás salvo”.  

5.    E, nisso, ela difere da fé o qual os Apóstolos tiveram, enquanto nosso Senhor estava na terra, e reconhece a necessidade e mérito de sua morte, e o poder de sua ressurreição. Reconhece a sua morte, como sendo o único meio de redimir o homem da morte eterna, e sua ressurreição, como nossa restauração para a vida e imortalidade; já que ele "foi entregue pelos nossos pecados, e subiu novamente aos céus para nossa justificação".

A fé cristã é, então, não só um reconhecimento de todo o evangelho de Cristo, mas também a completa confiança no sangue de Cristo; a confiança nos méritos da sua vida, morte, e ressurreição; e inclinação a ele como nossa expiação e nossa vida, que foi dada por nós, e vivendo em nós, e, em conseqüência a isto, o fim com ele, e mantendo-se fiel a ele, como nossa “sabedoria, retidão, santificação e redenção”, ou, em uma palavra, nossa salvação.  

         II.      Que salvação é essa, pela fé.


1.    O que quer que isso implique, é a presente salvação. É algo atingível. Atualmente atingida, na terra, por aqueles que são participantes dessa fé. Sobre isso falou o apostolo aos crentes em Efésios, e neles aos crentes em todos os tempos: não, podemos ser (se bem que isso também é verdadeiro), mas “somos salvos pela fé”.

2.    Somos salvos pela fé (para incluir tudo em uma palavra): do pecado.  Essa é a salvação que é pela fé. Esta é aquela grande salvação predita pelo anjo, antes que Deus trouxesse seu Primogênito ao mundo: “Chamarás a ele pelo nome de Jesus, porque ele deverá salvar seu povo de seus pecados”. E nem aqui, ou em qualquer outra parte dos escritos santos, há qualquer limitação ou restrição. A todo seu povo, ou como é expresso em todo lugar, “todo aquele que acredita nele”, ele salvará dos seus pecados; desde o original até o atual, passado e presente pecado, “da carne e do espírito”. Pela fé nele, eles estão salvos tanto da culpa quanto do poder dela.
 
3.    Primeiro: Da culpa de todo o pecado passado, considerando que todo mundo é culpado diante de Deus;

Ø  a tal ponto, que Ele deveria "ser rigoroso para colocar um sinal naquele que se extraviou; não há ninguém que poderia suportar isso”;

Ø  e, considerando que, “pela lei está apenas o conhecimento do pecado, mas nenhuma libertação dele, cumprindo as ações da lei, nenhuma carne poderia ser justificada nesse sinal”;

Ø  agora, “a justiça de Deus, o qual é pela fé em Jesus Cristo, é manifestada a todo aquele que crê”. 

Ø  Assim sendo, “todos estão livremente justificados pela sua graça, através da redenção que está em Jesus Cristo”.

Ø  “Ele, Deus, estabeleceu ser uma propiciação através da fé em seu sangue, para declarar sua retidão para (ou pela) remissão dos pecados que são passados".

Ø  Agora, Cristo lançou fora “a maldição da lei, tendo sido feito maldito por nós”.

Ø  Ele “destruiu a escrita da lei que estava contra nós, lançou-a fora do caminho, pregando-a em sua cruz”.

Ø  “Assim, não há condenação alguma àqueles que crêem em Cristo Jesus”.

4.      E, sendo salvo da culpa, eles são salvos do medo. Não realmente de um medo de filho, de ofender; mas medo de servo; todo aquele medo servil que maquina tormento; medo do castigo; medo da ira de Deus, mas a quem eles agora já não consideram como um Mestre severo, e, sim, um Pai complacente.

"Eles não receberam o espírito de escravidão novamente, mas o Espírito de adoção, por meio de qual eles clamam, Abba, Pai: o próprio Espírito que é também paciente testemunha de seus espíritos, porque eles são as crianças de Deus".

Eles são também salvos do medo, entretanto, não da possibilidade da queda longe da graça de Deus, e de alcançar as grandes e preciosas promessas. Assim, tenham eles "paz com Deus, através de nosso Senhor Jesus Cristo. Eles se regozijam na esperança da glória de Deus. E o amor de Deus é derramado em seus corações, pelo Espírito Santo que é dado a eles".

E, por meio disso, eles são persuadidos (entretanto, talvez, não todo o tempo, nem com a mesma abundância de persuasão), que “nem morte, nem vida, nem coisas presentes, nem coisas para vir, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura, poderá ser capaz de separa-los do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor".  
 
5.      Novamente: por esta fé eles são salvos do poder de pecado, como também da culpa dele. Assim o Apóstolo declara, "Sabemos que ele foi manifesto, para lançar fora nossos pecados; e, Nele, não está o pecado. Assim, todo aquele que habita Nele não terá pecado”.

(1 John 3:5) “Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus”.

 Novamente: "Pequenas crianças, não deixem homem algum enganá-los. Aquele que comete pecado é do diabo. Todo aquele que crê é nascido em Deus. E todo aquele que é nascido em Deus não comete pecado; e sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque ele é nascido em Deus”.

Mais uma vez: "Nós sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não tem pecado; mas ele que é procriado de Deus defende a si mesmo, e aquele que é pecaminoso não tocará Nele”.

(1 John 5:18) “Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam mata-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus”.  
 
6.      Aquele, que é pela fé, nascido de Deus, não peca.

(1)     por qualquer pecado habitual; porque todo pecado habitual é pecado reinando: Mas pecado nenhum reina naquele que crê.

(2)     Por qualquer pecado intencional; porque sua vontade, enquanto habita na fé, é completamente colocada contra o pecado, e tem aversão a ele como a um veneno mortal.

(3)     Por qualquer desejo pecador; porque ele continuamente desejou a santa e perfeita vontade de Deus, e qualquer tendência a um desejo profano, ele, pela graça de Deus, persistiu no princípio.

(4)     Nem pecou por fraqueza, tanto em ações, palavras, ou pensamento; porque suas fraquezas não coincidem com sua vontade; e, sem isso, eles não são propriamente pecados. Assim, “ele, que é nascido em Deus, não comete pecado”; e, embora ele não possa dizer que não tem pecado, até agora, “ele não pecou”. 

7.    Esta é, então, a salvação que é através da fé, até mesmo, no mundo presente: a salvação do pecado, e as conseqüências do pecado, ambos freqüentemente expressos na palavra justificação; que, levada num sentido mais amplo, implica na libertação da culpa e castigo, pela expiação de Cristo; de fato, aplicada à alma do pecador, que, agora, acredita nele; e a libertação do poder de pecado, através de Cristo, moldado em seu coração. De forma que ele está assim justificado, ou salvo pela fé, e é, deveras, nascido novamente - nascido novamente pelo Espírito - a uma nova vida, o qual  “é encoberto com Cristo em Deus”.

E, como um bebê recém-nascido, ele recebe o “verdadeiro leite da palavra, e, desse modo, cresce”; seguindo adiante no poder do Senhor seu Deus, de fé em fé, de graça em graça, até o fim, para que se torne “um homem perfeito, na medida da estatura da abundância de Cristo”.  

     III.      A primeira objeção habitual para isto é...


1.    Que pregar salvação ou justificação, pela fé apenas, é pregar contra a santidade e boas obras. Para a qual uma pequena resposta poderia ser dada: “Assim, seria, se nós falássemos, como alguns fazem, de uma fé que estava separada disso; mas nós falamos de uma fé que não é assim, mas produto de todas as boas obras, e toda a santidade”.

2.    Mas pode ser de uso considerar isto um pouco mais; especialmente, desde que isso não seja alguma objeção nova, mas, tão velha, quanto no tempo de Paulo. Quando, então, foi perguntado: “Não fazemos nula a lei, através da fé?”. Ao que respondemos:

1o. Aquele que não prega a fé, obviamente, torna a lei nula; tanto diretamente como grosseiramente, pelas limitações e comentários que corroem todo o espírito do texto; ou indiretamente, não mostrando os únicos significados, por meio dos quais, é possível executá-la.

2o. Considerando que, “nós estabelecemos a lei”, tanto mostrando toda sua extensão, como significado espiritual; e chamando a todos para esse modo de vida, por meio do qual “a justiça da lei possa ser cumprida neles”. Estes, enquanto eles confiam somente no sangue de Cristo, cumprem todas as leis que ele designou, fazem todas as “boas obras, as quais ele preparou anteriormente, para que pudessem caminhar nelas”, e desfrutam  e manifestam todo temperamento santo e divino, com a mesma franqueza que havia Cristo Jesus.

3.    Mas não pregar essa fé, conduz os homens ao orgulho? Acidentalmente, é possível: Por isso, todo crente deve ser fervorosamente acautelado, nas palavras do grande Apóstolo:

"Por causa da incredulidade”, os primeiros galhos “foram quebrados: tu permaneceste pela fé”. Não seja magnânimo, mas tema. “Se Deus não tivesse poupado os galhos naturais, tomado cuidado, temo que ele não teria poupado a árvore”.

Vejam, então, a bondade e severidade de Deus! Naqueles que caíram, severidade; mas, em relação à árvore, misericórdia; “se continuares em sua misericórdia; caso contrário, tu também poderás ser cortado”.

E enquanto ele continua, desse ponto, ele lembrará daquelas palavras de Paulo, prevendo e respondendo a esta mesma objeção...
(Ro 3:27) “Onde está, logo, a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não! Mas pela lei da fé”.

Se o homem é justificado pelas suas obras, ele teria do que se gloriar? Mas não há glória para ele “que não trabalhou, mas acreditou Nele que justificou ao ímpio”
(Ro 4:5) “Mas, àquele que não pratica; porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça”.

Do mesmo efeito são as palavras, ambas precedendo e seguindo o texto:
(Efe 2:4ff) “Mas Deus, que é rico em clemência, pelo muito amor com que nos amou, até mesmo quando estávamos mortos em pecado, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus”.

De vocês mesmos vieram nem sua fé, nem sua salvação. “Isso é um presente de Deus”, o livre, imerecido presente; a fé, através do qual vocês são salvos, tanto quanto a salvação pela qual ele, de seu próprio prazer, seu mero favor, anexa, além disso.

Que acreditemos, é uma instância de Sua graça; que acreditando seremos salvos.“Não pelas obras, para que não qualquer homem possa se vangloriar”. Todas as nossas obras, e nossa retidão, antes da nossa crença, tinham mérito nenhum, perante Deus, mas condenação. Tão longe estávamos de merecermos fé, que, quando dada, não era pelas obras. Nem é salvação das obras o que fazemos, quando acreditamos, uma vez que é Deus que trabalha em nós; dessa forma, ele nos deu uma recompensa por aquilo que ele mesmo realizou, não só, confiando as riquezas de sua misericórdia, mas não nos deixando do que nos gloriarmos.

4.    “Porém, falando dessa forma da clemência de Deus, salvando e justificando livremente o homem pela fé, pode encorajar os homens ao pecado? Realmente, pode, e vai”:

Muitos continuarão em pecado para que a graça possa abundar ": Mas o sangue deles está sobre suas próprias cabeças. A bondade de Deus deve conduzi-los ao arrependimento; e, assim, todos aqueles que são sinceros de coração. Quando eles souberem que ainda há perdão com Ele, eles clamarão em voz alta, para que ele destrua também seus pecados, pela fé que está em Jesus. E, se eles fervorosamente clamarem, e não desfalecerem, se o buscarem em todos os significados que ele designou; se, se recusarem a ser confortados, até que ele venha;  ele virá, e não irá demorar-se”.  

E ele pode fazer muitas obras, em muito pouco tempo. Muitos são os exemplos, nos Atos dos Apóstolos, de que Deus está trabalhando a fé, nos corações dos homens, até mesmo como um raio que cai do céu. Assim, na mesma hora que o Paulo e Silas começaram a orar, o carcereiro se arrependeu, acreditou, e foi batizado; como foram três mil, através de Pedro, no dia de Pentecostes, e todos se arrependeram e acreditaram, na sua primeira pregação. E, abençoado seja Deus, há, agora, muitas provas vivas de que ele ainda "é poderoso para salvar".  

5.    Ainda para a mesma verdade, colocada de uma outra maneira, uma objeção bastante contrária é feita: "Se, o homem não pode ser salvo por tudo aquilo que ele pode fazer, isto levará os homens a se desesperarem”.

Verdade. A se desesperarem, por terem sido salvos por suas próprias obras, seus próprios méritos, ou retidão. E assim deve; porque ninguém pode confiar nos méritos de Cristo, já que ele renunciou totalmente aos dele. Aquele que  ocorreu de firmar a sua própria retidão”, não pode receber a retidão de Deus. A retidão a qual é pela fé não pode ser dada a ele, enquanto confiar no que é da lei.

6.    Mas isso, alguns dizem, é uma doutrina incômoda.

O diabo falou como ele mesmo, isso é, sem verdade ou vergonha, quando ele ousou sugerir isso aos homens que é desse jeito. Isso é a única coisa confortável, é “muito cheia de consolo”, a todo autodestruídos, autocondenados pecadores. Que, “quem quer que acredite Nele não será envergonhado, e que o mesmo Senhor sobre todos é rico a todos aqueles que O clamarem”: aqui está o consolo, alto como o céu, mais forte que a morte! O que! Misericórdia a todos? Para Zacchaeus, o ladrão público? Para Maria Madalena, uma rameira comum?

Impessoal, eu ouço um dizer “Então eu, até mesmo eu, posso esperar por clemência!".  E, também, tu podes, tu que és aflito, que ninguém tem confortado! Deus não lançara fora tua oração.  Não. Talvez ele possa dizer na próxima hora – “Tenha boa disposição de ânimo, teus pecados te foram perdoados”; tão perdoados, que eles não reinarão mais obre ti; sim, e que “o Espírito Santo prestará testemunho com teu espírito, porque tu és a criança de Deus”.    

Ó, gratas notícias! Notícias de grande alegria que é enviada a todas as pessoas! Oh! A todas aquelas que estão sedentas, venham até as águas: Venham, sim, e comprem, sem dinheiro e sem preço. Quaisquer que sejam seus pecados, ainda que vermelho como carmesim, ainda que em maior quantidade que os cabelos em sua cabeça, “retorne, sim, ao Senhor, ele terá clemência sobre você, e, para nosso Deus, porque ele perdoará abundantemente”.

7.    Quando não mais objeções ocorrem, então, nos é simplesmente dito que salvação pela fé não deve ser pregada, como primeira doutrina, ou, pelo menos, não ser pregada a todos. Mas, o que disse o Espírito Santo? “Outra fundação nenhum homem pode assentar, senão essa que já está assentada; nem mesmo Jesus Cristo”. Então, que “quem quer que acredite nele deverá ser salvo”, é, e deve ser, a fundação de toda nossa pregação; isto é, precisa ser pregada, como primeira doutrina. “Bem, mas não a todos” (?)

A quem, então, não podemos pregar? Quem excluiremos? 

·         Os pobres? Não! Eles têm o direito peculiar de ter o evangelho pregado até eles.

·         O iletrado? Não! Deus tem revelado essas coisas até iletrados e ignorantes, desde o princípio.

·         O jovem? Por nenhuma razão!  “Que esses padeçam”, de modo algum, “para virem até Cristo, e não proibi-los”.

·         Os pecadores? Menos que todos! “Cristo não veio chamar os íntegros, mas aos pecadores para o arrependimento”.    

Porquê, então, se nenhum, excluirmos o rico, o instruído, o honrado, homens de bem. E, isso é verdade, eles também se excluem muito freqüentemente de ouvir; ainda assim, temos que falar as palavras de nosso Senhor. Porque, desse modo, o teor de nossa incumbência escapa, “Vá e pregue o evangelho a toda criatura”. “Se qualquer homem arranca isso, ou qualquer parte disso, para sua destruição, ele terá que suportar o próprio fardo”. Mas, ainda, “como o Senhor viveu, o que quer que o Senhor tenha nos dito, disto falaremos”.
8.    Neste momento, mais especialmente, falamos que, “pela graça estamos salvos, através da fé”: porque, nunca foi a manutenção dessa doutrina, mais oportuna do que tem sido até esse dia. Nada, mas isto pode eficazmente prevenir o aumento da ilusão dos Romish entre nós. 

É, sem fim, atacar, um por um, todos os erros daquela Igreja. Mas salvação pela fé fulmina na raiz, e tudo cairá imediatamente, onde isto está estabelecido. Foi essa doutrina, a que nossa Igreja chama justamente de rocha forte e fundação da religião cristã, que primeiro dirigiu Popery fora desses reinos; e só isto pode mantê-la de fora. Nada, mas isso pode ser um obstáculo àquela imoralidade, a qual “tem se espalhado na terra como inundação”. Você pode esvaziar as profundezas, gota a gota? Então, você pode nos reformar pela dissuasão das imoralidades individuais.     

Mas deixe a “retidão que é de Deus pela fé, ser trazida para dentro, e, então, seus acenos orgulhosos serão detidos”. Nada, mas isso pode parar as bocas daqueles que “gloriam-se de suas vergonhas, e abertamente, negam o Senhor que os comprou”.

Eles podem falar da lei, de forma elevada, como aquele que a tem escrito por Deus em seu coração. Ouvi-los falar dessa maneira poderia inclinar alguns a pensar que eles não estavam muito longe do reino de Deus: mas, retirá-los da lei de dentro do evangelho; começando com a retidão pela fé; com Cristo “o fim da lei a todo aquele que acredita”, e aqueles que agora mostraram-se quase, se, não completamente, cristãos, mantiveram confessos os filhos da perdição; tão longe da vida e salvação (Deus seja misericordioso para com eles!) das profundezas do inferno até a altura dos céus.
 
9.    Por essa razão, o adversário, então, vocifera, não importa quando “salvação pela fé” é declarada ao mundo: assim, ele incitou terra e inferno a destruir aqueles que primeiro pregaram isso. E pela mesma razão, sabendo que a fé sozinha poderia arruinar as fundações de seu reino, ele fez acontecer todas as suas forças, e empregou todas as suas artes de mentiras e calúnias, para amedrontar Martim Lutero de restaurar isso.

Nem podemos desejar saber, ao mesmo tempo: pois que, como aquele homem de Deus observa, “como isso poderia enfurecer um orgulhoso e forte homem armado, ser impedido e desprezado por uma pequena criança, vindo contra ele, com uma flecha em sua mão!”, especialmente, quando ele soube que aquela pequena criança seguramente o derrotaria, e o poria debaixo de seus pés. Mesmo assim, Senhor Jesus! Assim, tens tu força, sendo sempre “feito perfeito na fraqueza!” Vá em frente, então, tu, pequena criança que acreditas nele, e sua “mão direita poderia ensinar-te coisas espantosas”; Embora sejas impotente e fraco como uma criança de dias, um homem forte não poderá ser capaz de se levantar diante de ti. Tu prevalecerás sobre ele, o subjugarás, o derrotarás e o colocarás debaixo de teus pés. Tu marcharás, sob o grande Capitão da tua salvação, “conquistando e a conquistar”, até que teus inimigos sejam destruídos, e “a morte seja tragada na vitória”.

Agora, graças seja a Deus, que nos deu a vitória, através de nosso Senhor Jesus Cristo; para quem, com o Pai e o Espírito Santo, ser benção, glória, sabedoria, gratidão e bravura, para sempre e sempre. Amém.



sexta-feira, 9 de março de 2018

Conclusoes matematicas sobre o dizimo

Só com o dizimo devo ganhar 11,112% a mais para ter o lucro final do que eu quero ganhar
Com dizimo e oferta em 10% devo ganhar 25% a mais para ter o que eu preciso

Veja se deixo dinheiro em uma conta para comprar um videogame de 1000 reais quando eu ter os 1000 reais se tirar dizimo e oferta de 10% fico com 800 reais,então pra eu ter os 1000 reais liquido preciso de 1250 por que dá 125 reais de dizimo e 125 reais de oferta logo sobrando os 1000 reais que eu preciso.

Então pessoas pactuantes teoricamente sempre estariam em deficit ou com baixo orçamento,porem, o que se vê na prática é uma enxurrada de testemunhos de pessoas que se tornaram pactuantes e parece que o dinheiro está rendendo mais.



segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

COMO GARANTIR SUCESSO SEM SAIR DE CASA

COMO GARANTIR SUCESSO SEM SAIR DE CASA
Marcelo Augusto de Carvalho

Êxodo 20.12: “Honra teu pai e tua mãe”.

§  Este mandamento apela à proteção a velhice.
§  É de suma importância atual, pois hoje em dia, no Brasil, o uso de anticoncepcionais e o aumento da vida média do brasileiro fazem com que haja uma porcentagem cada vez maior de idosos.
§  De 1940 a 1980 a faixa dos idosos (acima de 60 anos) cresceu mais do que a população jovem.
§  Em 1960 os idosos representavam 4,7% da população brasileira. Na virada do milênio esse índice chegará a 15%.
§  Diante desta realidade, o que vemos hoje? O desrespeito para com os idosos, expresso nas:
1.    Filas para atendimento médico, bancário e de qualquer outra espécie que esta classe precise;
2.    Nos trânsito de carros, nas passarelas e calçadas para pedestres;
3.    E acima de tudo nos maus tratos que ainda ocorrem com certa freqüência nos lares; muitos filhos não suportam as deficiências de seus velhos pais, e acabam maltratando a quem lhes deu toda uma vida;
4.    Nos asilos. Simplesmente 200 mil brasileiros, acima de 65 anos vivem em 4 mil asilos por todo o país. Desses,  10% não têm família e 20% entraram por conta própria. As razões para este confinamento são a falta de espaço na casa dos filhos e falta de tempo. Muitos se queixam de solidão e falta de visitas dos familiares.
O QUE ESTAMOS FAZENDO COM OS NOSSOS IDOSOS?

ABRANGÊNCIA
Deus pede reverência, obediência e reconhecimento a todos os nossos pais:
1.            Pais naturais;
2.            Pais de criação;
3.            Pais educacionais (professores, preceptores, aqueles que militaram por nossa educação)
4.            Pais espirituais (pastores, anciãos de nossa igreja, e todos aqueles que lutaram por conservar nossa vida espiritual. EX- o dia do pastor).
5.            Pais anciãos (os idosos em geral. Por serem mais velhos que nós, já contribuíram, me muito, mesmo de forma indireta para a sociedade onde vivemos. EX- os impostos que pagaram, as leis pelas quais lutaram que fazem nossa vida bem melhor hoje, etc.)
6.            Pais políticos (os magistrados- juízes, prefeitos, deputados, senadores, presidentes etc).

A QUEM SE DIRIGE O MANDAMENTO?
- A todos os filhos, naturais, espirituais ou de que forma o sejam.
- Muitas vezes pensamos que este mandamento se aplica apenas às crianças, e que nós adultos já passamos por sua validade. Mas ele se dirige especialmente aos filhos adultos. Leia Êxo. 21. 15, Lev. 20.9; 27.7; Prov. 19.26; 20.20 e Mal. 1.6; 4.4-6.

COMO OBSERVAR ESTE MANDAMENTO?

Aos Pais Naturais.
1)    Os filhos devem obedecer seus pais nos sábios e amorosos conselhos que recebem deles. Isto não significa que Deus pede-lhes que sigam cegamente as instruções dos pais, ou que percam sua individualidade ou direito de escolha. Não. Deus apenas espera que confiemos no amor que nossos pais possuem por nós, e o demonstrarão através de seu cuidado para com nossa vida. E que apenas escutemos seus conselhos, pesemos se são realmente sábios, e escolhamos então o caminho a seguir. ( Deus já sabia que os filhos teriam tanta aversão aos conselhos dos pais que nem parariam para escutá-los).
2)    Reverenciar os pais significa tratá-los com amor, carinho, compreensão e jamais com leviandade, desprezo, ou da forma como tratamos nossos amigos. Eles merecem lugar de honra máxima em nosso conceito e trato. Nossas melhores palavras devem ser dirigidas a eles, e não à infames colegas. Reverenciar é respeitar, em todos os sentidos. É tratá-los bem apesar de seus defeitos, perdoá-los quando são tão equivocados em nossa educação, é conduzir-se de maneira digna para com eles na frente de outras pessoas, é ajudá-los a vencerem seus defeitos pela compreensão e pela espera de que um dia eles reconhecerão seus erros e se converterão. No AT Deus mostra claramente que não devemos desprezar os pais (Pro. 23.22; 30.17; Miq. 7.6) nem zombar deles (Prov. 30.17) e nem sequer feri-los ou amaldiçoá-los (Êxo. 21.15,17). Se alguém assim procedesse poderia ser condenado à morte.
3)    Reconhecimento é agradecer por tudo o que fizeram por nós. Talvez tenham falhado em muitos pontos. Há muita mágoa e tristeza em nosso coração quando analisamos o que nossos pais fizeram de mau ou deixaram de fazer para nosso bem. Mas apesar de tudo, enxergamos que fizeram seu melhor por nós. Aí cabe uma carta de agradecimento, palavras neste tom num aniversário ou no dia dos pais, uma ajuda financeira quando precisam, um presente pessoal ou doméstico (máquina de lavar, barbeador, jogo de pratos). Você alguma vez agradeceu a seus pais por tudo que fizeram?
4)    Os filhos adultos têm a responsabilidade de sustentar seus pais quando necessário.
5)    Dar atenção, comunhão, conforto, orientação e cuidado em momentos de necessidade (doenças, problemas de velhice, cansaço, preocupações, depressões). Muitos pais são explorados, humilhados colocados de lado ou até deixados no isolamento dos asilos e penssionatos pelos filhos. E há também muitos casos de filhos que internam os pais, leva-os a assinarem para que recebam a aposentadoria, e somem, deixando os pais morrendo às minguas.

Aos Pais Espirituais.
1.    Os cristão fazem parte da família de Deus. Estão unidos espiritualmente. Por isto chamam-se de irmãos e irmãs.
2.    Jesus ordenou que assim o fosse em virtude de muitos deixarem tudo por amor à Ele- casa, irmãos, irmãs, pais ou filhos, ou campos. Mas Ele prometeu a essses fiéis que receberiam muitas vezes mais, aqui e no Céu. Mat. 19.29. Marcos diz que receberá já no presente o cêntuplo de tudo o que deixou para seguir o mestre. Marc. 10.30.
3.    Precisamos dar todo apoio aos novos conversos.
4.    Precisamos respeitar, obedecer e amar também todos aqueles que labutaram por nossa conversão, como também continuam cuidando de nossa fé (pastores, anciãos, irmãos da comunidade cristã, etc).
5.    Paulo mostrou que a igreja deve cuidar e proteger as viúvas. I Tim. 5.4-8.

À Igreja.
1.    Muitos afirmam que não podem obedecer às orientações de sua igreja local pois seus líderes estão totalmente corrompidos. São políticos, ou mesmo contemporizam com o pecado.
2.    Precisamos nos conscientizar que não existe uma igreja pura e perfeita neste mundo. A igreja humana será sempre um corpo heterogêneo, até Deus julgar os desígnios dos homens e separar os justos dos ímpios. Isto não nos dá o direito de subversão à autoridade atual de nossa comunidade cristã. Devemos, pelo menos, respeitá-la.

Aos Patrões.
1.        O empresário deve colocar sua confiança em Deus, e não em suas posses; precisa deixar o orgulho, praticar o bem, fazer boas obras, ser generoso, estar pronto para repartir os bens materiais e, assim, aumentar seu tesouro espiritual. Deve encarar sua vida abastada como um privilégio, uma oportunidade para expandir o bem entre os mais necessitados. Deve perceber que é mordomo do que Deus lhe confiou, e deve usar seus bens para o bem do próximo.
2.        Efé. 6.5-9: devemos servir nossos patrões com temor e tremos, sinceridade de coração como a Cristo.
3.        Jamais se justificam nem a violência sindical ou a exploração empresarial e multinacional.

Ao Estado (governos).
a.       Devemos respeitar, obedecer e até orar por nossos governantes e governos, pois sua autoridade foi dada por nosso Deus, cumprem Seus propósitos eternos, e que se opõe a eles está desobedecendo ao próprio Deus. Rom. 13.1-2, Atos 17.25-26.
b.       Mas jamais podemos aceitar uma glorificação religiosa do Estado ou de seu governante. Os reis e reinos deste mundo são apenas temporários. Esperam para que um dia o Rei dos Reis estabeleça seu Reino em definitivo neste planeta. Dan. 3.
c.        O cristão deve obedecer às autoridades, até o momento em que sua ideologia, forma de governo e intenções não estejam em desacordo com os princípios divinos. Primeiro precisamos obedecer a Deus, depois aos homens, se isto for possível.
d.       Como podemos obedecer a uma autoridade que não respeita a dignidade humana e explora o próximo? EX- obedecer o regime nazista de Hitler que pregava a destruição das “raças inferiores”? 
e.       Amós 2.6-8, 5.11. Apesar disto, Amós não lançou uma campanha de subversão ao governo. Ele falou diretamente com os responsáveis.
f.         Numa guerra injusta contra outro país, que posição o jovem soldado cristão deve tomar: desistir por covardia ou convicção própria; ir à luta injusta; servir sem armas, na enfermagem ou em outra atividade civil? É muito complicada sua situação. Só a pessoa pode analisar, escolher e decidir fazer algo neste caso. É uma questão de consciência.
g.        Em um regime totalitário existem poucas oportunidade para a livre expressão de pensamentos. Qualquer crítica ao regime é esmagada pela violência. Não nos resta outro caminho senão o da dor, e da perseguição por causa de Cristo e Seu evangelho. EX- os valdenses, os russos na era comunista.
h.       Em uma guerra civil a que governo o cristão deve submeter-se? Ao governo reconhecido internacionalmente, ao governo de sua região ou à liderança que zela pelo sistema democrático? Algumas perguntas que podem ajudar a avaliar a legitimidade de tais governos são: Esse governo deseja estabelecer um regime democrático, livre e pluralista? Foi eleito por voto livre e direto? Deseja o desenvolvimento da nação sob um regime de paz e justiça? Tem o apoio do mundo livre? Permite vários partidos livres? É a favor da livre expressão de pensamentos?

FONTE: A ética dos 10 mandamentos, pp. 97-111. Ed. Vida Nova.

APELO: Você não precisa sair pelo mundo, se envolver nas maiores aventuras da Terra para ter sucesso e ser feliz. Pode simplesmente começar pela sua casa, amando seus pais e parentes. Que tal alcançar o “topo” já. Ame-os agora.

Pr. MARCELO AUGUSTO DE CARVALHO 1997 SP

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

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