Pesquisar este blog

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

A MENINA DOS OLHOS DE DEUS




Pr. Marcelo Augusto de Carvalho


- A Igreja de Deus neste mundo nada mais é do que seus fiéis seguidores- aqueles que vivem Suas leis, andam com Ele todos os dias, e estão dispostos a morrerem a não perderem esta santa comunhão por causa de algum pecado.
- A Igreja sempre esteve presente em todos os momentos da história da Terra, em todos os tempos.
- No princípio em Abel, Sete, Enos e todos aqueles patriarcas de Gênesis 5.
- Mesmo na mais escura época de trevas espirituais do mundo antigo, Deus encontrou homens que não se mancharam com o pecado: Enoque, Matusalém e Noé.
- Mesmo Cão e seu filho, e sua descendência terem uma vida de erros, Sem e sua descendência escolheram perseverar no Senhor.
- Após a queda de Babel, Deus escolheu um homem, fiel e justo, para fazer de seus descendentes a nação santa, o povo que levaria o Evangelho a todo o mundo: Abrão.
- Mesmo na família de Abrão, houve fiéis e infiéis, e Deus continuou sendo louvado pelos primeiros: Isaque, Jacó, José e seus irmãos.
- No Egito, houve aqueles que, apesar de escravos, não perderam a visão celestial, à semelhança de Anrão e Joquebede.
- Deus continuou sendo servido por Moisés, Arão, Josué, Calebe, e tantos outros que não adoraram a Baal,  e nem murmuraram à entrada de Canaã.
- No tempo dos juízes, havia uma anarquia geral entre o povo de Deus, mas havia também pessoas que jamais perderam os valores espirituais: Rute, Noemi, Boaz, Manoá, os tantos juízes, e demais nunca mencionados.
- De Samuel até a monarquia, quando os filhos de Eli semearam idolatria e imoralidade entre o povo, sempre houve fiéis como Jessé, que guiou bem sua casa.
- No tempo dos reis, que durou mais de 500 anos, de Saul até o cativeiro babilônico, houve muitos reis maus, tanto em Israel, como em Judá. Tão maus que seus pecados levaram o país à derrocada final. Mesmo neste tempo onde ocorriam tantos assassinatos no poder, sedições e enganos, houve fiéis como os 7 mil no tempo de Elias, a serva de Naamã, os professores das escolas dos profetas, o bom rei Josafá, Ezequias, Josias, e os tantos profetas que deixaram seus livros nas Escrituras.
- Nos dias de Jesus, mesmo a religião judaica tendo caído num emaranhado de leis frias e sem significado, havia homens que tinham o coração fervendo pela verdade, e que cumpriram a vontade do Senhor: Zacarias, Maria, Simeão, Ana, Nicodemos, Simão Cirineu, Jairo, Zaqueu, Bartimeu, Dimas, e tantos outros.
- A Igreja apostólica também teve seu grande papel na história bíblica. No primeiro século, venceu todos os seus inimigos, políticos, doutrinários, distância para pregar o evangelho, e cumpriu sua missão alcançando a todos em sua geração.
- Do século VI ao século XVI, as trevas espirituais imperaram por todo o mundo romano. As pessoas não tinham acesso à Bíblia, e por isto criam em muitas tolices, e a moral era mera formalidade hipócrita. Mas sempre houve homens puros de coração: Wicleff, Huss, Lutero,  e os amados valdenses e huguenotes.
- No pós reforma, Deus continuou tendo sua Igreja, pelos metodistas, pelos tantos missionários que forraram o mundo com seu sangue de mátires no séculos XVIII e XIX.

O que a Bíblia especifica quanto à Igreja de Deus, e sua base como organização e funcionamento?

1-   A Igreja é como um corpo. Efé. 2.16.
- esta idéia salienta a unidade e a função que cada membro exerce nesta sociedade.
- sendo um corpo, a Igreja é o organismo através do qual Ele compartilha de Sua plenitude.
- por este meio, a Igreja, Ele concede vida espiritual, e graça poder a cada crente genuíno.
- como todos os órgãos do corpo tem sua função e capacidade para exercitá-la, Deus fez a cada crente, dando-lhe função na Igreja e capacidade para realizá-la.
2-   A Igreja é como uma família. Efé. 3.15.
- somos uma família por adoção e pelo novo nascimento. Rom. 8.14, Jo. 3.8.
- Deus é nosso Pai- Gál. 4.6, e nos relacionamos como irmãos- Tia. 2.15.
- Devemos praticar o companheirismo- socialização, comunhão com Deus, e a procura do bem dos outros irmãos.
- A Igreja é uma família interessada pelas pessoas, onde estas são amadas, respeitadas e reconhecidas como alguém.
- Lugar onde se reconhece que todos dependem de todos.
- Onde os talentos são desenvolvidos, e as pessoas crescem.
- Onde cada um é suprido, e vela-se um ao outro.
- A unidade é buscada respeitando-se a individualidade.
3-   A Igreja é o pilar e alicerce da verdade. I Tim. 3.15.
- A Igreja vela e protege, com a própria vida, as verdades reveladas por Deus.
- Mas nunca se esquece que a REVELAÇÃO da verdade é progressiva, podendo aparecer novas nuâncias de muitas verdades a medida que os crentes estudam a palavra de Deus.
- Estas novas verdades devem ser examinadas Segundo as Escrituras, e aí então aceitas ou rejeitadas.
4-   A Igreja é um exército- militante e triunfante. Efé. 6.12.
- somos chamados a combater por Cristo contra o inimigo da verdade.
- mas a Igreja é feita de pecadores, pessoas falhas e débeis como quaisquer outras.
- sempre houve e sempre haverá joio no meio do trigo- infiéis no meio de fiéis.
- a Igreja terá de lutar até o fim do mundo, e principalmente no fim, contra as mentiras de Satanás. Apoc. 12.12-17. Por isto ela é militante, mas será triunfante quando Cristo voltar.
5-   Há a Igreja visível e a invisível.
- a visível é a organizada para o serviço, mensurável, que todos podem enxergar plenamente.
- a invisível é composta por filhos de Deus em todo o mundo, mas que possuem um pouco apenas de Sua verdade. Porém, são extremamente fiéis àquilo que conhecem. Rom. 2.14.

A Igreja como organização tem:
1-   Membros- devem refletir claramente o caráter de Jesus, e terem passado pelo novo nascimento. Devem aceitar os ensinos das Escrituras, e o chamado de pregarem o Evangelho a todo o mundo.
2-   Obediência a Deus e ao Estado. Rom. 13.4-7. Mat. 22.21. Devemos obedecer a constituição de nosso país, pagar os tributos devidos, como também se assim fazemos, merecemos as garantias que a lei, como cidadãos, nos oferece. Porém, todas as leis civis estão abaixo da expressa vontade divina, a qual devemos obedecer em todo momento.
3-   Momento de reunião e adoração.  Heb. 10.25. Este hábito mantém aceso o amor fraternal como a fé em momentos difíceis.
4-   O dever de instruir seus membros no conhecimento das Escrituras. Mat. 28.20. Por isto temos as Lições da Escola Sabatina, as Meditações Matinais, as aulas de Ensino Religioso, e os Estudos Bíblicos para não membros.
5-   Administração das ordenanças divinas. A Igreja é o instrumento de Deus para administrar o batismo, a Ceia do Senhor e o lava-pés. Também, realizamos o casamento religioso, mas ele não é bíblico, o que não deixa de ser uma boa prática.
6-   O governo da Igreja na Terra fica a cargo de:
-      O ES é o supremo dirigente da Igreja.
-      Os anciãos: são os líderes espirituais, os que pastoreiam a igreja local, sustenta os membros mais fracos na fé, admoesta os desobedientes, alerta contra ensinamentos que causam divisão ou heresias na Igreja, e é um exemplo de vida para todos.
-      Os diáconos: instituídos para permitir que os apóstolos tivessem mais tempo para seu ministério, eles servem para os assuntos temporais da Igreja, como também para pregarem o Evangelho. Atos 6.
7-   A disciplina da Igreja.
a)    No tratamento de ofensas particulares. Mat. 18.15-18.
b)   No tratamento de ofensas públicas. Ofensas flagrantes e rebeldes, que trazem vergonha para a Igreja, devem ser imediatamente tratadas com o desligamento do ofensor do corpo de membros. Depois de Ter sido informado, esta disciplina remove o mal como ajuda o pecador a pelo menos estabelecer um critério moral para sua ação. I Cor. 5.4-7.
c)    A pessoas que causam divisões na Igreja. Rom. 16.17, II Tess. 3. 6,14-15- deve ser evitado. Se continuar neste caminho, deve ser excluído. Tito 3.10-11.
d)   Devemos amar a todos os membros, com todos os seus erros e defeitos, mesmo que não os suportemos pessoalmente. Imitemos o exemplo de Cristo.

A HISTÓRIA DA IGREJA ADVENTISTA.
- Surgiu em cumprimento das profecias de Apocalipse 10-11.
- Desde 1792 houve um grande despertamento religioso por todo o mundo devido a onda dos Movimentos Missionários protestantes. Isto foi iniciado por William Carey- missionário na China. Ele traduziu a Bíblia, integralmente ou em partes para 40 línguas diferentes.
- Dezenas de Sociedades Bíblicas foram fundadas nos países mais avançados de então, esparramando as Escrituras pela Terra.
Guilherme Miller (1782-1849)- nasceu em Pittsfield, Massachussets, EUA.
- Dedicou-se á leitura e ao estudo desde pequeno.
- Em 1803, casou-se com Lucy Smith, mudou-se para Poultney, trabalhando ali como fazendeiro.
- Em 1812 participou como voluntário da Guerra deste ano, entre britânicos e americanos.
- Por influência de amigos, tornou-se deísta- filosofia que crê em Deus apenas como criador, mas que se afastou de sua criação deixando-a à sua sorte.
- Após a morte de seu pai, mudou-se para junto de sua mãe em Low Hampton, e freqüentava a igreja local, Batista, apenas por cortesia para com seu tio pastor ali.
- Como era muito letrado, quando seu tio viajava, era ele quem lia os sermões.
- Um dia, em 1816, no meio de um sermão que lia, Miller foi profundamente tocado, sentindo a necessidade de um Salvador pessoal. Converteu-se.
- Por 2 anos, dedicou-se intensamente ao estudo e a meditação das Escrituras, usando para entendê-la apenas a concordância de Cruden.
- Deste estudo, ele formulou seus 20 artigos de fé, verdades que ele sozinho encontrara na Bíblia.
- Em 1831, no Sábado de 13 de agosto, achava-se profundamente impressionado com a convicção de que deveria pregar aos outros suas conclusões bíblicas. Mas não queria ir.
- Não conseguindo silenciar sua consciência, fez um acordo com Deus: Se Deus me abrir o caminho, se me chamar, eu irei a qualquer lugar e pregarei.
- 30 minutos depois, seu sobrinho Irving, chegou á sua casa, depois de percorrer 25 km, com o convite de seu cunhado dizendo: venha pregar para nós em Dresden amanhã.
- Miller relutou com Deus, mas finalmente foi. Assim em 14 de agosto de 1831, numa cozinha, aos 50 anos de idade, Miller prega seu primeiro sermão, sendo baseado em Daniel 7 e 8, dando início ao movimento adventista.
- E não parou mais. Miller pregou milhares de vezes a mensagem que encontrara, por quase todo os EUA, até 1838, quando a ele, se uniram outros pastores, como: Josias Litch, Carlos Fitch, José Bates, Josué Himes.
- De 1840- 1842 houve o período das grandes assembléias gerais, que marcaram a expansão do movimento, a definição e propagação de sua mensagem.
- 1842-1843 houve as grandes reuniões campais, realizadas em tendas e em grandes pavilhões, com o objetivo de consolidar ainda mais a fé no advento de Cristo.
- 22 de outubro de 1844 (uma Terça –feira). Mais de 50 mil pessoas esperaram Jesus voltar nesta data. Como ele não veio, houve um terrível desapontamento para estes fiéis adventistas.
- Ao estudarem de novo a Bíblia com muita oração e sinceridade, perceberam seus equívocos. A data estava correta: neste dia, no décimo dia do sétimo mês do ano judeu- que corresponde a 22 de outubro de nosso calendário, depois de 2.300 anos após o decreto de Artaxerxes de 457 AC- chegando a 1844, o santuário seria purificado. O erro foi que não a Terra, como pensavam, mas o santuário celestial seria purificado.
- Muitos abandonaram a fé. Outros tornaram-se fanáticos, continuando a marcar datas para a volta de Jesus. Porém um pequeno grupo manteve-se fiel.
- A maioria dos adventistas foram expulsos de suas igrejas. Agora estavam unidos por sua fé, mas ainda não tinham um templo, ou igreja aonde se unirem juntos. Mesmo assim não queriam formar outra igreja.
- Porém, algumas coisas pesaram a se organizarem como igreja:
a)    o grande desapontamento mostrou-lhes que, se estivessem melhor organizados, teriam tido menos apostasias naquela ocasião.
b)   Não sabiam nem quantos eram.
c)    Às vezes uma igreja estava com 4 pastores, enquanto outra não tinha nenhum.
d)   O povo oferecia-lhes dinheiro, e alguns recebiam muito, outros, poucos.
- Em 1853 foram outorgadas as primeiras credenciais.
- Em 1859 iniciaram-se as Assembléias Regionais Anuais, e o plano financeiro de doação sistemática.
- Em 1861 organizou-se a Associação de Michigan.
- Em 20-23 de maio de 1863, em Batlle Creek, Michigan, organizou-se definitivamente a IASD e as Associações.

No Brasil.
- Por volta de 1890 chegaram algumas publicações adventistas nos portos de Santa Catarina. Não eram aproveitadas por ninguém. Então eram usadas por um comerciante a fim de embrulhar suas mercadorias quando as vendia aos fregueses. Estes leram estas “embalagens” e começaram a guardar a nossa fé.
- Em 1895, em Piracicaba, SP, houve o primeiro batismo- Guilherme Stein Jr.
- Em 1896, em Curitiba, PR, fundou-se a primeira escola adventista.
- Em 1900 iniciou-se no RG a Casa Publicadora Brasileira, depois transferindo-se para Santo André, SP, hoje situada em Tatuí, mesmo Estado.
- Em 1915, em SP, fundou-se nosso mais importante colégio- o IAE, formando pastores e obreiros para dirigirem a obra neste país.
- Em 1943, a 23 de setembro, iniciou-se o maior meio de propagação de nossa fé já realizado em nosso país- a Voz da Profecia, sob a direção de Roberto Mendes Rabello.
- Em 1973 iniciaram-se as demais faculdades que hoje temos no IAE

Deus continua ao leme desta obra e a conduzirá assim até seu fim.

MARCELO CARVALHO 1998



História da Igreja Adventista
Igreja Adventista do Sétimo Dia (o nome adventista é uma referência à sua crença no advento, segunda vinda de Jesus), surgiu entre as décadas de 1850 e 1860 concomitantemente nos Estados Unidos e na Europa.
O padre Jesuíta chileno Manuel Lacunza que nasceu em 1731, escreveu um livro singular – La Venida Del Mesias em Gloria y Majestad. Conhecido desde 1785, o livro do padre Jesuíta foi impresso em 1812. Esta publicação agitou os meios religiosos, e foi precursora do movimento Adventista dos que crêem na segunda vinda de Jesus.
No início do século passado, no seio das igrejas evangélicas, o movimento alastrou-se, tendo como foco o advento, ou o retorno pessoal de Jesus.
Daí surgiu a palavra Adventista, caracterizando uma das crenças fundamentais da Igreja.
Dentro deste movimento, uma atenção especial foi dada ao estudo da Bíblia, tanto do Novo como do Velho Testamento.
Surgiu também a compreensão do dia do repouso Bíblico de acordo com Êxodo 20, bem o relato do Velho Testamento e confirmado por nosso Senhor Jesus Cristo no Novo Testamento. A observância do quarto mandamento da Lei de Deus como uma homenagem semanal ao Criador e ao Salvador que vai voltar a terra, caracterizou também a nova igreja que surgia na metade do século passado tomando forma legal em 1863, nos Estados Unidos.
No Brasil, a mensagem Adventista chegou através de impressos que ingressaram nas colônias de imigrantes alemães e austríacos, nos estados de Santa Catarina, São Paulo e Espírito Santo.
Um livro bem conhecido, “Der Grosse Kampt”(O grande Conflito), em alemão, chegou às mãos do jovem Guillerme Stein Jr, na época noivo de Maria Krahembuhl.
Este livro descreve a história universal sob o enfoque religioso e bíblico, dando, além do vislumbre do passado, uma projeção quanto ao futuro, em termos proféticos, tendo como base especialmente os livros de Daniel e Apocalipse.
Após sua leitura, este jovem resolveu unir-se à Igreja Adventista do Sétimo Dia, e foi batizado no Brasil, em 1895, nas proximidades de Piracicaba, estado de S. Paulo.
Nesta ocasião outros batismos também ocorreram em Santa Catarina entre as pessoas batizadas estava Guillerme Belz .
Guilherme Belz nasceu na Pomerânia, Alemanha, em 1835. Veio para o Brasil e estabeleceu-se na região de Braunchweig (hoje Gaspar Alto), a cerca de 18 quilômetros de Brusque. Certa ocasião, ao voltar das compras na Vila de Brusque, notou algo de especial nos papéis envolvidos nas mercadorias. O papel de embrulho trazia um texto escrito em alemão. A leitura do impresso deixou Belz pensativo por várias semanas, até que, ao visitar o irmão Carl, descobriu que este havia comprado um livro do alcoólatra Frederich Dressler - livro que "coincidentemente" tratava, dentre outras coisas, do mesmo assunto do folheto. O livro era o Comentário Sobre o Livro de Daniel, de Urias Smith e também estava escrito em alemão.
Nascido em família cristã Guilherme tinha o hábito de ler a Bíblia. Depois de pesquisar profundamente a Palavra de Deus aos cinqüenta e quatro anos Guilherme decide-se pela fé Adventista e se torna uns dos primeiros a ser batizado no Brasil. Belz e sua família tornaram-se missionários voluntários na região onde moravam, no interior de Santa Catarina. Pouco tempo depois, algumas famílias já se reuniam para estudar a Bíblia.
Em maio de 1893, por designação da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia, o missionário Albert B. Stauffer chegou ao Brasil. Juntamente com outros missionários, Stauffer espalhou a literatura adventista em Indaiatuba, Rio Claro, Piracicaba e outras localidades. Assim, os primeiros interessados na mensagem Adventista, em São Paulo, foram surgindo, o mesmo crescimento aconteceu no Estado do Espírito Santo, onde Stauffer espalhou vários exemplares do livro O Grande Conflito, da escritora Ellen White.
Os adventistas que viviam em São Paulo e no Espírito Santo, estavam totalmente alheios a existência dos irmãos de Santa Catarina que há alguns anos professavam a mesma fé.
Em agosto de 1894, chegou ao Brasil outro missionário adventista: Willian Henry Thurston. Willian, acompanhado da esposa Florence, veio dos Estados Unidos com a missão de estabelecer um entreposto de livros denominacionais no Rio de Janeiro, para atender aos missionários no Brasil. Thurston trouxe duas grandes caixas de livros e revistas impressos em inglês, alemão e pouca coisa em espanhol. Na época, não havia nada publicado em português, pois a Casa Publicadora Brasileira só iniciaria suas atividades a partir de 1900.
Para chegar ao seu destino, muitos impressos eram despachados nos navios, outros nos barcos fluviais a vapor (ou mesmo a remo), outros ainda em carros de boi, em lombo de burro e, às vezes, em alguns lugares, nas costas dos missionários.
Em 1896 o casal Stein começa a trabalhar no Colégio Internacional de Curitiba, Paraná, a primeira instituição educacional Adventista do Brasil.

Desenvolvimento Cronológico Resumido da Igreja Adventista no Brasil:
1884 - O pacote contendo dez revistas Arauto da Verdade, em alemão, chega a Brusque, SC.
1890 - Surgem os primeiros seguidores da fé Adventista no Brasil.
1893 - Albert B. Stauffer, primeiro missionário enviado ao Brasil pela Liderança Mundial da Igreja Adventista, chega em São Paulo.
1894 - (1) Albert Bachmeier encontra Adventistas em Brusque e em Gaspar Alto;
(2) W. H. Thurston chega ao Rio de janeiro com dois caixotes de livros, estabelecendo naquela cidade um depósito de livros.
1895 - (1) Pastor Frank H. Westphal chega ao Rio de janeiro em fevereiro. Acompanhado por Albert Stauffer, inicia uma viagem realizando batismos em São Paulo e terminando com a cerimônia batismal de Gaspar Alto, em junho;
(2) Em oito de junho de 1895, a primeira igreja adventista do Brasil é estabelecida com a inauguração de seu templo na cidade de Gaspar Alto, Santa Catarina;
(3) No mês de julho, os irmãos Berger chegam ao Brasil para colportar;
(4) Pastor H. F. Graf chega ao Brasil em agosto e, em dezembro, realiza o batismo em Santa Maria do Jetibá, no Espírito Santo;
(5) É criada a Missão Brasileira da Igreja Adventista.
1896 - (1) Pastor Spies chega ao Brasil e batiza 19 pessoas em Teófilo Otoni, Minas Gerais; (2) Em julho começa a funcionar o Colégio Internacional de Curitiba, PR, a primeira escola particular adventista.
No ano 2000, a Igreja Adventista do Sétimo Dia é uma comunidade mundial. Ela reúne mais 11 milhões de membros e, outros milhões, que a consideram seu lar espiritual.

HISTÓRIA CRONOLÓGICA DA IASD NO MUNDO
1844: Em março daquele ano, cerca de quarenta pessoas começaram a observar o Sábado em Washington, New Hampshire. Ali alguns pastores adventistas conheceram a verdade do Sábado nesse mesmo ano. Um deles, T. M. Preble, foi o primeiro que comunicou esta verdade, por meio da imprensa, aos adventistas.
1845: Um artigo de Preble sobre o Sábado, escrito em East Weare, New Hampshire, datado de 13 de fevereiro de 1845, em Portland, Maine, atraiu a atenção de José Bates.
1846: O primeiro documento publicado por uma pessoa relacionada com esta denominação foi um folheto datado de 8 de abril de 1846 e se dirigia ao “remanescente disperso”. Foi escrito por Ellen G. Harmon. Foram impressos 250 exemplares custeados por Tiago White e H. S. Gurney. Com a data de 8 de maio de 1846, José Bates publicou o primeiro panfleto intitulado The Opening Heavens (Os Céus se Abrem). Tinha 40 páginas. Em agosto de 1846, José Bates publicou um panfleto de 48 páginas, intitulado The Seventh Day Sabbath, a Perpetual Sign (O Sábado do Sétimo Dia, um Sinal Perpétuo), acerca do qual Tiago White disse na Review and Herald, vol. 2 p. 61: “Confirmou-nos acerca do tema”. “No outono de 1846 começamos a observar o Sábado bíblico, assim como a ensiná-lo e entendê-lo” (Ellen G. White, Testimonies for the Church, vol. 1, p. 75).
1848: Primeira reunião geral dos observadores do Sábado, os dias 20 e 21 de abril, em Rocky Hill, a doze quilômetros de Middletown, Connecticut, com 30 pessoas presentes.
1849: O primeiro periódico The Present Truth (A Verdade Presente) quinzenal, fundado por Tiago White, saiu do prelo em julho, em Middletown, Connecticut. Foram publicados 11 números até o de novembro de 1850. No total, 88 páginas: de 10 x 20 cm. Foi impresso o primeiro hinário, de 48 páginas, com 50 hinos sem música.
1850: Em novembro, iniciou-se como periódico mensal a Second Advent Review and Sabbath Herald, em Paris, Maine; a comissão editora era composta de José Bates, S. W. Rhodes, J. N. Andrews e Tiago White; este último era o redator.
1851: A Review and Herald foi publicada por algum tempo em Saratoga Springs, Nova York.
1852: A 6 de maio, o primeiro número do vol. 3 da Review and Herald foi impresso em Rochester, Nova York, em um prelo manual, com tipo comprado graças às primeiras contribuições gerais dos crentes no “segundo advento”. O custo total do prelo e do material foi de US$ 652,93; a contribuição para este fim de US$ 655,84 dólares.
     Em agosto daquele ano apareceu em Rochester, Nova York, o nº 1 do Youth’s Instructor, especialmente dedicado à Escola Sabatina.
1853: Fixou-se o preço para a assinatura da Review and Herald, que foi publicada semanalmente durante aquele ano. Foram organizadas as primeiras Escolas Sabatinas regulares em Rochester e Buck’s Bridge, Nova York, onde também iniciou-se a primeira escola paroquial da denominação.
1854: O Pr. J. N. Loughborough fez as primeiras vendas de publicações adventistas do sétimo dia em uma reunião de tenda, em Rochester. O conjunto das publicações à venda custava então 35 centavos de dólar.
1855: Em uma reunião realizada em Battle Creek, Michigan, a 23 de setembro, resolveu-se mudar a sede da obra para Battle Creek. O primeiro número da Review publicado ali levava a data de 4 de dezembro.
1859: Foi adotada a “doação sistemática baseada no dízimo”, em uma reunião geral dos observadores do sábado celebrada de 3 a 6 de junho, em Battle Creek, Michigan.
1860: A 1º de outubro foi adotado o nome de “Adventistas do Sétimo Dia”, como nome da denominação. Até então a mensagem e a obra eram distinguidas pelas palavras: “do segundo advento”.
1861: A 3 de maio foi inaugurada The Review and Herald Seventh-day Adventist Editorial Association (Associação Editorial Adventista do Sétimo Dia Review and Herald). Pela primeira vez foram nossas igrejas formalmente organizadas. A Associação de Michigan foi a primeira a ser organizada, a 5 de outubro de 1861.
1862: A Associação de Michigan foi a primeira a estabelecer um sistema regular de pagamento para os pastores, cujos salários eram fixados por uma comissão examinadora de contas.
1863: Organizou-se a Associação Geral do Adventistas do Sétimo Dia, a 21 de maio, com a presença de 20 delegados de seis associações, e foi nomeada uma junta executiva de três membros.
1864: O governo norte-americano reconhece os adventistas do sétimo dia como não combatentes, e os designa aos serviços dos hospitais durante a guerra civil.
1865: Aparece a primeira publicação sobre saúde How to Live (Como Viver), de Ellen G. White.
1866: Em 1º de agosto aparece o primeiro número de Health Reformer (Reformador da Saúde); seu redator foi o Dr. H.S. Lay. A 5 de setembro foi aberto o primeiro sanatório adventista, em Battle Creek, Michigan, sob a direção do Dr. H. S. Lay.
1868: Foi organizada a primeira sociedade missionária de publicações em South Lancaster, Massachusetts. J. N. Loughborough e D. T. Bourdeau iniciam a obra na Califórnia, a 13 de agosto.
1870: A 6 de novembro é organizada a primeira sociedade missionária de publicações de uma associação, a de Nova Inglaterra.
1872: Os adventistas iniciam seu primeiro periódico em outro idioma além de inglês. Era o Advent Tidende (Revista Adventista) em dinamarquês-norueguês, editado pelo Pr. J. G. Matteson, nas dependências da Review and Herald, Battle Creek, a 3 de junho, sob a responsablidade da junta da Associação Geral e dirigida pelo Prof. G. H. Bell. Estabelecida a primeira escola primária adventista, em Battle Creek, MI.
1874: Incorpora-se a 11 de março a Sociedade Educacional Adventista do Sétimo Dia. Nesse ano foi fundado o colégio de Battle Creek, que iniciou sua obra escolar com treze professores e 279 alunos matriculados. O custo total do edifício foi de US$ 53.341,95. O primeiro número de Signs of the Times (Sinais do Tempos) foi editado em Oakland, Califórnia, a 4 de junho. Saiu de Boston para a Europa o primeiro missionário oficial enviado a um campo estrangeiro, Pr. J. N. Andrews.
1875: A 1º de abril foi incorporado em Oakland, Califórnia, a Pacific Seventh-day Adventist Publishing Association, com um capital subscrito de US$ 2.900,00.
1877: É organizada na Califórnia a primeira Associação de Escolas Sabatinas abrangendo um Estado.
1878: É organizada a Associação Geral da Escola Sabatina, e são recebidas as primeiras contribuições da Escola Sabatina.
1879: É aberta a segunda instituição de saúde: a Rural Health Retreat, em Santa Helena, Califórnia.
1880: Celebra-se o primeiro batismo de adventistas na Inglaterra a 8 de fevereiro, quando J. N. Loughborough batizou seis pessoas em South Hampton. O primeiro colportor regular adventista foi Jorge A. King: o primeiro livro de subscrição foi sobre Daniel e Apocalipse; o primeiro comprador, D. W. Reavis. Na Dinamarca é organizada a primeira associação adventista da Europa. É estabelecido um sanatório em Skodsborg, perto de Copenhague, sob a direção do Dr. J. C. Ottosen. Era patrocinado por membros da realeza e outros notáveis europeus. Chegou a ser um dos maiores da denominação.
1882: Outras escolas são abertas: o colégio de Healdsburg na Califórnia, a 11 de abril (inaugurado a 2 de outubro), e a escola da South Lancaster, Massachusets, a 19 de abril (incorporada a 12 de dezembro de 1883).
1883: É publicado o primeiro Yearbook (Anuário) da denominação adventista do sétimo dia.
1884: Inicia-se em Battle Creek, Michigan, o primeiro curso para enfermeiros entre os adventistas.
1885: Inicia-se na Europa a obra dos colportores remunerados por comissão.
1886: L. R. Conradi é enviado à Rússia como o primeiro missionário adventista a um país não protestante.
1887: São enviados os primeiros missionários para a África: D. A. Robinson, C. I. Boyd e outros.
1889: A 21 de julho é organizada a Associação Nacional de Liberdade Religiosa em Battle Creek. O nome é mudado mais tarde para torná-la internacional, e em 1901, chega a ser um departamento da Associação Geral.
1890: O primeiro navio missionário Pitcairn é construído e lançado à água para levar a mensagem às ilhas do Pacífico do Sul. Saiu de S. Francisco a 20 de outubro. Em julho é publicado o periódico Our Little Friend (Nosso Amiguinho).
1894: É organizada a primeira União, a Australasiana. Inicia-se a obra em terras pagãs, em Matabelelândia, África do Sul.
1895: A Srta. Geórgia Burrus chega à Índia em janeiro para iniciar a obra em favor das mulheres. F. H. Westphal vai como primeiro pastor adventista para a América do Sul e se estabelece na Argentina.
1896: Ellen G. White põe a pedra fundamental do primeiro edifício escolar em Cooranbong, Austrália. Ela permaneceu nove anos naquele país. Chegam os primeiros missionários ao Japão, a 19 de novembro.
1899: Começa a funcionar a Christian Braille Foundation em Battle Creek, Michigan, que em janeiro de 1900 edita os primeiros 75 exemplares de publicações para cegos.
1901: Na Assembléia da Associação Geral daquele ano, foram feitos planos para a organização de Uniões em todo mundo. Um plano baseado no sistema de orçamento, ou fusão dos recursos, foi adotado para a expansão das missões e para fortalecer a obra nas associações mais fracas. Em Nashville, Tennessee, estabelece-se a Southern Publishing Association.
1903: A sede da denominação dos adventistas do sétimo dia muda-se para Washington, D.C., a 10 de agosto.
1905: Estabelece-se em Loma Linda um centro de educação médica, o Colégio de Médicos Evangelistas, que recebeu a aprovação inicial em 1909.
1907: Em Mount Vernon, Ohio, é organizado o departamento de jovens da Associação Geral.
1908: É publicado a primeira Devoção Matinal. A Associação Geral adotou o plano da Recolta Anual, com base nas experiências feitas desde 1903 por Jasper Wayne, de Iowa.
1909: É organizada a escola por correspondência para ajudar os estudantes isolados a obterem uma educação cristã.
1910: No fim desse ano foi adotado um fundo geral de jubilação para sustentar os obreiros incapacitados e afastados, bem como as viúvas e filhos necessitados dos obreiros falecidos.
1913: A Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) adota a organização por Divisões.
1916: Organiza-se a Divisão Sul-Americana da IASD.
1917: Funda-se a Divisão do Extremo Oriente (reorganizada em 1931) e a Divisão Sul-Asiática da IASD.
1920: Organiza-se a Divisão Sul-Africana da IASD.
1922: Estabelece-se a Divisão Australasiana e a Inter-americana da IASD.
1928: Funda-se a Divisão Central Européia (reorganizada em 1948), a Divisão Norte Européia (reorganizada em 1951), e a Divisão Sul Européia da IASD.
1934: Estabelece-se nos Estados Unidos o Seminário Teológico Adventista, para estudos superiores.
1942: A Voz da Profecia, programa radiofônico adventista, inaugura uma transmissão que abrange toda a América do Norte.
1948: Começa a publicação da revista Listen, com a finalidade de partilhar instrução científica para evitar o consumo do alcoolismo e o vício de narcóticos.
1950: Inicia-se o Clube de Desbravadores para jovens adventistas, na América do Norte.
1951: Publica-se a primeira edição da revista Life and Health (Vida e Saúde) para cegos. Em outubro acrescenta-se uma escola de odontologia ao Colégio Médico de Loma Linda. Organização da Divisão do Oriente Médio da IASD, com as missões do Levante e do Nilo.
1952: Centenário da Escola Sabatina, departamento da IASD.
1955: É criado o Chapel Records da Pacific Press, para produzir discos e fitas magnéticas especialmente destinados à música religiosa. A Escola Sabatina arrecada 100 milhões de dólares para as missões. O número de adventistas ultrapassa o seu primeiro milhão.
1957: É criada a Universidade Adventista de Potomac, em Takoma Park, MD, mudada parcialmente para Berrien Springs, Michigan, em 1959. Atualmente se chama Universidade Andrews.
1959: Publicações inter-americanas se mudam de Brookfield, Illinois, para Mountain View, Califórnia.
1961: É criada a Universidade de Loma Linda, em Loma Linda, Califórnia, abrangendo o que foi o Colégio de Médicos e os cursos superiores do Colégio de La Sierra.
1970: A IASD alcança 2 milhões de membros.
1971: A Rádio Adventista Mundial inicia sua operação em Portugal.
1972: É inaugurado o Centro de Assistência Social Adventista em Viena na Áustria, onde centenas de casas são atendidas diariamente, com o objetivo de cuidar de pacientes recém-saídos do hospital, ou mães incapacitadas com crianças pequenas.
1978: Número de membros da IASD ultrapassa os 3 milhões.
1982-1985: É lançado o programa “Mil Dias de Colheita”, campanha evangelística da IASD no mundo, no período de junho de 1982 a junho de 1985, com o objetivo de pregar a Palavra de Deus a um milhão de pessoas: mil pessoas em cada dia dos mil dias de colheita.
1985: Australianos celebram 100 anos na igreja de Avondale enquanto a de Cabo Verde comemora 50 anos. Grande igreja é dedicada em Praga, Tchecoslováquia. A ADRA dá assistência no terremoto do México.
1986: Número de membros da IASD ultrapassa os 5 milhões.
1987: A Rádio Adventista Mundial alcança metade do planeta, e o Hospital Ile Ile ,da Nigéria, retorna às mãos dos adventistas. Em Mali, na tribo de Bambara, a ADRA constrói um Centro Evangelístico de palha e taipa por US$ 2,50, e a Divisão Inter-Americana ultrapassa a marca de um milhão de membros.
1988: Hospital das Guianas difunde pelo rádio mensagens sobre saúde, e a França é anfitriã da Convenção de Comunicação de locutores das rádios adventistas da Europa. Congresso na Dinamarca atrai jovens de 20 países, e o Centro Ecumênico do Canadá recebe livros adventistas.
1989: A Associação Geral muda-se para Silver Springs, Maryland. Austrália hospeda representantes de 19 países para o II Seminário da Associação Internacional de Alimentos Saudáveis em New South Wales.
1990: Organizada a Divisão Euro-Asiática da IASD. O projeto da Missão Global foi votado a ser implantado pela igreja mundial por ocasião da Associação da Conferência Geral reunida em Indianápolis, nos Estados Unidos. Esse projeto tem como objetivo atingir áreas geográficas sem presença adventista até o ano 2000.
1991: Os crentes da Albânia encontram a fé após 50 anos de isolamento e a igreja estabelece presença oficial na antiga Cambodia. A presença da IASD nas ilhas de Barbados e a faculdade adventista de enfermagem da Califórnia celebram 100 anos de existência. Na União Soviética a igreja imprime 100 mil Bíblias, e uma série de conferências atrai mais de mil pessoas por noite na Romênia. 10 igrejas inauguram escolas em Nova York. Número de membros da IASD ultrapassa os 7 milhões.
1992: Adventistas estabelecem presença em Zanzibar, Tanzânia, e é fundada na Polônia a Associação de Liberdade Religiosa. Em Malawi, os adventistas iniciam um Programa de Emergência de Alimentação, e a Inglaterra celebra o bicentenário das missões.
1993: Número de membros da IASD ultrapassa os 8 milhões. Acontece o primeiro batismo na Mongólia. O colégio de Heldeberg, na África do Sul, faz 100 anos. O evangelismo na Ucrânia resulta em 297 batismos, e em Moscou (Rússia) mais de 10 mil visitantes assistiram o final da série de conferência com Mark Finley.
1994: É dedicada a primeira igreja na Albânia, e o Paradise Valley Hospital, na Califórnia, completa 90 anos de ministério. Museu adventista é inaugurado em Fridensau, Alemanha. A igreja adventista de Laos na União Sudeste Asiática reabre após 33 anos de forte perseguição política. ADRA inicia um Hospital Distrital para os Refugiados da Ruanda.
1995: A IASD se estabelece em Sri Lanka. Os escritos da Sra. White ficam à disposição na Internet pela primeira vez. Um novo Centro de Saúde é aberto na Colômbia, e a construção do novo Centro de Câncer na Flórida é iniciada. É organizada a primeira igreja de fala inglesa no Egito. O número de membros da IASD ultrapassa os 9 milhões.
1996: Centenário da Igreja Adventista de Crespo, Argentina, considerada a primeira Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul.
1997: Fundada a primeira igreja adventista na Mongólia, onde a conversão ao cristianismo implica no abandono da nacionalidade. Número de membros da IASD ultrapassa os 10 milhões. Na Divisão Sul-Americana 131.151 pessoas uniram-se à IASD, divididas assim: Brasil - 80.651; Peru – 28.245; Bolívia – 7.668; Chile – 5.071; Argentina – 4.788; Equador – 3.238; Paraguai – 1.097 e Uruguai – 393. Igreja comemora 100 anos na Islândia. Quase 7 mil pessoas foram batizadas na Coréia, aumentando o número de adventistas para aproximadamente 150 mil. Inaugurado o primeiro templo adventista na cidade de S. Petesburgo, Rússia, embora houvesse presença adventista desde 1880.
1998: Adventistas ampliam presença na Internet, através de viagens missionárias virtuais, programas evangelísticos, recursos de treinamento e informação. A Rádio Mundial Adventista começa a transmitir suas mensagens em ondas médias para a China, gerando uma igreja no Vietnã. A IASD comemora 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, e os Adventistas nas Ilhas Fiji atingem o número de 17 mil. Comemora-se o Centenário do Ministério da Mulher e o primeiro encontro do Ministério da Mulher na Tailândia, com a participação de duas divisões e 13 países. A revista Message, cujo nome original era Gospel Herald, direcionada para os negros da América do Norte, comemora 100 anos. No Batismo da Primavera 26.720 juvenis e jovens uniram-se à IASD na América do Sul. Inaugurada, na Universidade Andrews, a escultura em homenagem a seu patrono, John N. Andrews.
1999: Centenário de Fridensau, Alemanha, primeiro colégio fundado na Europa. 150 anos do Ministério de Publicações (1849-1999). 40 mil pessoas se uniram à IASD como resultado da Net 98. A Aviação Mundial Adventista prepara aeronave para atuar em Roraima (fronteira entre Brasil, Guiana e Venezuela). Pastor adventista na Inglaterra é escolhido como pregador do ano.
2000: Centenário da Casa Publicadora Brasileira.


MARCELO CARVALHO 1998


quinta-feira, 4 de outubro de 2018

O Grande Privilégio dos que são Nascidos de Deus



John Wesley


'Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus'. (I João 3:9)


1. Tem sido freqüentemente suposto que o nascer de Deus é o mesmo que ser justificado; que o novo nascimento e a justificação são apenas expressões diferentes que denotam a mesma coisa: É certo, por um lado, que quem quer que seja justificado é também nascido de Deus; e, por outro lado, que, quem quer que seja nascido de Deus está também justificado; sim, que ambos esses dons de Deus são dados a todo crente, em um e no mesmo momento. Em um determinado tempo, seus pecados são apagados, e ele é nascido de Deus novamente.

2. Mas, embora seja permitido que a justificação e o novo nascimento sejam inseparáveis entre si, em um determinado momento do tempo; ainda assim, eles são facilmente distinguidos, como sendo, não a mesma coisa, mas coisas de naturezas amplamente diferentes. Justificação implica apenas uma mudança relativa; o novo nascimento, uma mudança real. Deus, ao nos justificar, faz alguma coisa por nós; em nos criar novamente, Ele faz a obra em nós. O primeiro transforma nossa relação exterior para com Deus, de modo que, de inimigos, nos tornamos filhos; através do último, a transformação acontece no mais profundo de nossa alma, de maneira que os pecadores se tornam santos. Um nos restaura para o favor, e, o outro, para a imagem de Deus. Um tira fora a culpa; o outro, o poder do pecado: Assim sendo, embora eles estejam juntos, num determinado momento da vida, ainda assim, eles são de natureza completamente distintas. 

3. O não discernir isto; o não observar a ampla diferença que existe entre ser justificado e nascer novamente, tem ocasionado grande confusão em muitos que têm tratado desse assunto; particularmente, quando eles tentam explicar esse grande privilégio dos filhos de Deus; mostrar como 'quem quer que seja nascido de Deus não comete pecado'.

4. Com o objetivo de apreender isto claramente, pode ser necessário:

I.              Em Primeiro Lugar, para considerar qual o significado apropriado para a expressão: 'Quem quer que seja nascido de Deus'; e,
II.           Em Segundo Lugar, inquirir, em que sentido ele 'não comete pecado'.

I


1. Primeiro, nós vamos considerar qual é o significado apropriado daquela expressão: 'Quem quer que seja nascido de Deus'. Em geral, nós podemos aprender, de todas as passagens dos santos escritos, onde esta expressão, 'ser nascido de Deus', ocorre, que ela implica, não meramente o ser batizado, ou qualquer mudança exterior que seja; mas uma vasta mudança interior; uma mudança forjada na alma, através da operação do Espírito Santo; uma mudança, na maneira total de nossa existência; porque, do momento em que nascemos de Deus, nós passamos a viver de uma maneira completamente outra, do que nós vivíamos antes; é como se estivéssemos, por assim dizer, em outro mundo.

2. O fundamento e razão da expressão são fáceis de serem entendidos. Quando nós somos submetidos a esta grande mudança, nós podemos dizer, com muita propriedade, que nascemos de novo, porque existe uma semelhança próxima, entre as circunstâncias do nascimento natural e do nascimento espiritual; de maneira que considerar as circunstâncias do nascimento natural é a maneira mais fácil de entender a espiritual.

3. A criança que ainda não nasceu sustenta-se, de fato, através do ar, como todas as coisas que têm vida; mas não o sente; nem qualquer outra coisa, a menos de uma maneira muito vaga e imperfeita. Ele ouve pouco, se ouve, afinal; os órgãos da audição estando como que ainda fechados. Ele nada vê; tendo seus olhos bem cerrados, e estando cercados com extrema escuridão. Existe, se possível, alguns princípios tênues de vida, quando o tempo de seu nascimento se aproxima, e algum movimento em conseqüência disto, por meio do qual ele é distinguido de uma mera massa de matéria; mas ele não tem sentidos; todas essas vias de acesso da alma estão, até aqui, completamente fechadas. Em conseqüência do que, ele escassamente tem algum intercurso com esse mundo visível; nem qualquer conhecimento, concepção ou idéia das coisas que ocorrem nele.

4. A razão porque ele, que ainda não nasceu, é um estranho completo para o mundo visível, não é porque o mundo está distante dele; (ele está muito perto; e o cerca de todos os lados); mas é, em parte, porque ele não tem esses sentidos; eles ainda não estão abertos em sua alma, e é, tão somente por meio deles, que é possível manter intercâmbio com o mundo material; e, em parte, porque um véu espesso está colocado entre eles, de maneira que ele não pode discernir coisa alguma.

5. Mas, tão logo a criança nasce para o mundo, ela passa a existir de uma maneira completamente diferente. Ela agora sente o ar com o qual está circundada, e que se precipita dentro dela de todos os lados, tão rápido quanto ela alternativamente o respira de volta, para sustentar a chama da vida: E, disto, brota um aumento contínuo de forças, de movimento, e de sensação; todos os seus sentidos corpóreos estando agora despertos, e supridos com seus objetos apropriados.

            Seus olhos agora estão abertos para perceber a luz que, silenciosamente, fluindo sobre eles, revela não apenas a si mesmo, mas uma variedade infinita de coisas, as quais lhe eram completamente estranhas. Seus ouvidos estão abertos, e os sons precipitam-se com diversidade infindável. Cada sentido está empregado sobre tais objetos, como que peculiarmente adequado a eles; e, por meio destas entradas da alma, tendo um intercurso aberto com o mundo visível, adquire mais e mais conhecimento das coisas sensíveis, de todas as coisas que estão debaixo do sol.

6. Assim, é com aquele que é nascido de Deus. Antes que aquela grande mudança seja forjada, embora que ele subsista através Dele, em quem, tudo o que tem vida 'vive, e se move, e tem sua existência'; ainda assim, ele não está consciente de Deus; ele não o sente; ele não tem consciência interior da presença Dele. Ele não percebe aquele sopro divino de vida, sem o que, ele não pode subsistir um momento: Nem ele está consciente de quaisquer das coisas de Deus; elas causam nenhuma impressão sobre sua alma. Deus está continuamente o chamando do alto, mas ele não ouve; seus ouvidos estão tapados, de modo que a 'voz daquele que chama' está perdida para ele, 'mesmo que o chame tão sabiamente'. Ele não vê as coisas do Espírito de Deus; os olhos de seu entendimento estão fechados, e a completa escuridão cobre toda sua alma, e o cerca de todos os lados. É verdade que ele pode ter alguns esboços tênues de vida; alguns pequenos começos de movimento espiritual; mas, como ele ainda não tem sentidos espirituais capazes de discernirem os objetos espirituais, conseqüentemente. ele 'não discerne as coisas do Espírito de Deus; não pode conhecê-las, porque elas são espiritualmente discernidas'.

7. Disto, ele tem escassamente qualquer conhecimento do mundo invisível, já que ele escassamente tem algum intercurso com ele. Não que ele esteja distante. Não: Ele está no meio dele; ele o circunda. O outro mundo, como nós usualmente o denominamos, não está tão longe de qualquer um de nós: Ele está acima, e embaixo, e em todos os lados. Apenas o homem natural não o discerne; parcialmente, porque ele não tem sentidos espirituais, por meio dos quais, tão somente, podemos discernir as coisas de Deus; parcialmente, porque um véu espesso interpõe-se, já que ele não sabe como penetrá-lo.

8. Mas, quando ele é nascido de Deus; nascido do Espírito, como a maneira de sua existência está mudada! Toda sua alma está agora consciente de Deus, e ele pode dizer, através de experiência segura: 'Tu estás em volta de minha cama, e em meu caminho'; eu sinto a ti em todos os meus cursos: 'Tu me envolves, e colocas tua mão sobre mim'. O Espírito ou a respiração de Deus é imediatamente insuflado, com força divina, e soprado dentro da nova alma recém-nascida; e o mesmo fôlego que vem de Deus retorna para Ele: Como este fôlego é continuamente recebido, através da fé, então ele está continuamente retribuindo, através do amor, oração, louvor e ação de graça; amor e louvor, e oração sendo a respiração de toda a alma que é verdadeiramente nascida de Deus. E, através desse novo tipo de respiração espiritual, a vida espiritual não é apenas abastecida, mas cresce, dia a dia, junto com a força, movimento e sensação espirituais; todos os sentidos da alma estando agora despertos e capazes de discernirem o bem e o mal.

9. 'Os olhos do entendimento' estão agora 'abertos', e ele 'vê a Ele que é invisível'. Ele vê qual é 'a grandeza excelente de seu poder', e seu amor em direção a ele que crê. Ele vê que Deus é misericordioso para com ele, um pecador, para que ele seja reconciliado, através do Filho de seu amor. Ele percebe claramente tanto o amor redentor de Deus, quanto todas as suas 'excessivamente grandes e preciosas promessas'. 'Deus, que ordena que a luz brilhe na escuridão, tem brilhado', e brilha, 'em seu coração', para iluminá-lo com 'o conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo'. Toda a escuridão foi embora, e ele habita na luz do semblante de Deus.

10. Seus ouvidos estão agora abertos, e a voz de Deus não mais o chama em vão. Ele ouve e obedece ao chamado celestial: Ele conhece a voz de seu Pastor. Todos os seus sentidos espirituais, estando agora despertos, ele tem um intercurso claro com o mundo invisível; e, conseqüentemente, ele conhece mais e mais das coisas que antes 'não entraria em seu coração conceber'. Ele agora conhece o que a paz de Deus é; qual é a alegria no Espírito Santo; o que é o amor de Deus que está espalhado, no coração daqueles que crêem Nele, através de Jesus Cristo. Assim, o véu, que antes interrompia a luz e a voz; o conhecimento e o amor de Deus, é removido, e ele que é nascido do Espírito, habita no amor, 'habita em Deus, e Deus nele'.

II

1. Tendo considerado o significado daquela expressão, 'quem quer que seja nascido de Deus', permanece, em Segundo Lugar, inquirir em que sentido ele 'não comete pecado'.  

Agora alguém que é assim nascido de Deus, como tem sido acima descrito, que continuamente recebe em sua alma o fôlego da vida, vindo de Deus, a influência graciosa de seu Espírito, e continuamente retribui de volta; alguém que assim crê e ama; que, pela fé, percebe as ações contínuas de Deus sobre seu espírito, e, através de uma espécie de reação espiritual, retorna a graça que recebe, em incessante amor, louvor e oração; não apenas não comete pecado, ele assim mantém a si mesmo, mas, por quanto tempo essa 'semente permanece nele, ele não pode pecar, porque ele é nascido de Deus'.

2. Pelo pecado, eu aqui entendo o pecado exterior, de acordo com a aceitação clara e comum da palavra; uma transgressão real e voluntária da lei; da lei revelada e escrita de Deus; de qualquer mandamento de Deus, reconhecendo ser tal o tempo que ele é transgredido. Mas 'quem quer que seja nascido de Deus', enquanto ele habita na fé e amor; e no espírito da oração e ação de graças, ele não apenas não comete, como não pode cometer pecado. Por quanto tempo ele assim crê em Deus, através de Cristo, e o ama, e despeja seu coração diante Dele, ele não pode voluntariamente transgredir qualquer mandamento de Deus, tanto falando, quanto agindo, no que ele sabe que Deus tem proibido: Assim, por quanto tempo a semente que permanece nele, aquele amor, oração, fé agradecida o compele a refrear o que quer que ele saiba seja uma abominação aos olhos de Deus.

3. Mas aqui uma dificuldade irá imediatamente ocorrer, e uma que para muitos tem parecido insuperável, e os induz a negar a afirmação clara do Apóstolo, e a desistir do privilégio de filhos de Deus. 

Entretanto, é evidente, que aqueles a quem nós não podemos negar que verdadeiramente nasceram de Deus, (o Espírito de Deus nos tem dado, em sua palavra, esse testemunho infalível, concernente a eles) não apenas puderam, mas cometeram o pecado; mesmo o grosseiro pecado exterior. Eles transgrediram as leis claras de conhecidas de Deus, falando ou agindo, no que eles sabiam que Deus tinha proibido.

4. Assim, Davi foi inquestionavelmente nascido de Deus, ou sempre foi o rei ungido sobre Israel. Ele sabia em quem ele tinha crido; 'O Senhor', diz ele, 'é o meu pastor, nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas. Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome. Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam'. (Salmos 23:1-4). Ele foi preenchido com amor; tal que freqüentemente o constrangeu a clamar: 'A Ti clamarei, ó Senhor, Rocha minha; não emudeças para comigo; não aconteça, calando-te tu para comigo, que eu fique semelhante aos que descem ao abismo'. (Salmos 28:1). Ele era um homem de oração; despejando sua alma diante de Deus, em todas as circunstâncias da vida; e abundante em louvores e ações de graça. 'Louvarei ao Senhor, em todo o tempo; o seu louvor estará continuamente na minha boca'. (Salmos 34:1).'Tu és o meu Deus, e eu te louvarei; tu és o meu Deus, e eu te exaltarei'. (Salmos 118:28). E, ainda assim, tal filho de Deus pode, e cometeu pecado; sim, os pecados horríveis de adultério e assassinato.

5. E, mesmo depois que o Espírito Santo foi mais largamente dado; depois da 'vida e imortalidade serem trazidas à luz, através do Evangelho', nós não necessitamos do mesmo tipo melancólico de exemplos, que foram também, sem dúvida, escritos para nossa instrução. Assim, ele que, (provavelmente, da venda de tudo o que tinha, e por trazer o valor para o alívio de seus pobres irmãos)  foi, através dos próprios Apóstolos, apelidado de Barnabé, ou seja, o filho da consolação:

(Atos 4:36-37) - 'Então José, cognominado pelos apóstolos, Barnabé (que, traduzido, é Filho da consolação), levita, natural de Chipre, possuindo uma herdade, vendeu-a, e trouxe o preço, e o depositou aos pés dos apóstolos'; que foi tão honrado em Etiópia, de tal modo a ser escolhido com Saulo, de todos os discípulos, para levar alívio aos irmãos na Judéia: --

(Atos 11:29-30) – 'E os discípulos determinaram mandar, cada um conforme o que pudesse, socorro aos irmãos que habitavam na Judéia. O que eles com efeito fizeram, enviando-o aos anciãos por mão de Barnabé e de Saulo'; este Barnabé, que, em seu retorno da Judéia, foi, por uma direção peculiar do Espírito Santo, solenemente 'separado dos outros Profetas e Professores, para a obra a que Deus o havia chamado': --

 (Atos 13:1-4) - 'E na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão chamado Níger, e Lúcio, Cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram. E, assim, estes, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia, e dali navegaram para Chipre'; sempre para acompanhar o grande Apóstolo, em meio aos gentios, e para ser seu colaborador em todos os lugares; -- não obstante, foi, mais tarde, tão afiado em sua contenda com Paulo (porque este 'achou que não seria bom levar, consigo, aquele que partiu deles de Panfília, e não seguiu com eles para a obra', em sua segunda visita aos irmãos): --

(Atos 15:35-38) - 'E Paulo e Barnabé ficaram em Antioquia, ensinando e pregando, com muitos outros, a palavra do Senhor. E alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar nossos irmãos por todas as cidades em que já anunciamos a palavra do Senhor, para ver como estão. E Barnabé aconselhava que tomassem consigo a João, chamado Marcos. Mas a Paulo parecia razoável que não tomassem consigo aquele que desde a Panfília se tinha apartado deles e não os acompanhou naquela obra'; que ele mesmo também se apartou da obra: --

(Atos 15:39) - 'E tal contenda houve entre eles, que se apartaram um do outro. Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre'; abandonando a quem ele tinha sido, de uma maneira tão imediata, unido através do Espírito Santo. 
6. Uma instância, mais espantosa do que esta, é a que é dada por Paulo em sua Epístola aos Gálatas: Quando Pedro, idoso, o zeloso, o primeiro dos Apóstolos, um dos três mais altamente favorecidos pelo seu Senhor, 'veio para Antioquia, eu me opus a ele, porque ele deveria ser repreendido. Porque, antes que ele certamente viesse de Tiago, ele comeu com os gentios' – os pagãos convertidos à fé cristã, e como tendo sido particularmente ensinados por Deus, que ele 'não deveria chamar homem algum de comum e impuro':

(Atos 10:28) – 'E disse-lhes: Vós bem sabeis que não é lícito a um homem judeu ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem chame comum ou imundo'. – 'Mas, quando eles vieram, ele se separou, temendo a eles que eram da circuncisão'. E os outros judeus dissimularam do mesmo modo que ele; de tal maneira, que Barnabé também foi levado pela dissimulação deles. Mas, quando eu vi que eles não caminhavam honestamente, de acordo com a verdade do Evangelho, eu disse a Pedro, diante de todos, 'se tu, sendo um judeu, vives segundo a maneira dos gentios', --  não com respeito à lei de Moisés, -- 'por que constranges os gentios a viverem como os judeus?':

(Gálatas 2:11-14) 'E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. Mas, quando vi que não andavam bem e honestamente, conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?'.

Aqui está também um pecado claro e inegável, cometido por alguém que era indubitavelmente nascido de Deus. Mas como pode isto ser reconciliado com a afirmação de João, se tomada no sentido literal óbvio de que 'quem quer que seja nascido de Deus, não comete pecado?'.

7. Eu respondo, que o que tem sido longamente observado é isto: por quanto tempo 'aquele que é nascido de Deus se mantém' (o que ele é capaz de fazer, pela graça de Deus), 'o diabo não o toca': Mas, se ele não se mantém; se ele não habita na fé, ele pode cometer pecado, assim como qualquer outro homem.

É fácil, portanto, entender como algum desses filhos de Deus poderia ser movido de sua própria firmeza, ainda que a grande verdade de Deus, declarada pelo Apóstolo, permanecesse firme e inabalável. Ele não 'se guardou', através daquela graça de Deus que fora suficiente para ele. Ele sentiu, passo a passo, Primeiro, no pecado interior, não evidente, não 'estimulando o dom de Deus que estava nele'; não 'vigiando junto à oração'; não 'pressionado para a marca do prêmio de seu chamado sublime': Então, no pecado interior evidente; inclinando-se à maldade, com seu coração, dando lugar a alguns desejos ou temperamentos pecaminosos: A seguir, ele perde sua fé; seu sinal do perdão de Deus, e, conseqüentemente, seu amor de Deus; e, estando, então, fraco e igual a qualquer outro homem, ele é capaz de cometer, até mesmo, o pecado exterior.

8. Para explicar isto, através de um exemplo particular: Davi foi nascido de Deus, e viu Deus pela fé. Ele amou a Deus na sinceridade. Ele pôde verdadeiramente dizer: 'Quem eu tenho no céu, se não a Ti? Existe nada sobre a face da terra', nem pessoa, nem coisa, 'que eu deseje em comparação a ti'. Mas ainda permaneceu em seu coração aquela corrupção da natureza que é a semente de todo o mal.

'E aconteceu que numa tarde Davi se levantou do seu leito, e andava passeando no terraço da casa real', provavelmente orando a Deus, a quem sua alma amava, quando ele olhou para baixo, 'e viu do terraço a uma mulher que se estava lavando', Bate-Seba, 'e era esta mulher mui formosa à vista' (II Samuel 11:2). Ele sentiu uma tentação; um pensamento que tendeu para o mal. O Espírito de Deus não falhou em convencê-lo disto. Ele, sem dúvida, ouviu e conheceu a voz que o advertia; mas ele consentiu, em alguma medida, que o pensamento e a tentação começassem a prevalecer sobre ele. Por meio disto, seu espírito foi manchado; ele viu Deus ainda; mas foi mais indistinto do que antes. Ele amou a Deus ainda; mas não no mesmo grau; não com a mesma força e ardor de afeição. Ainda assim, Deus o reprimiu novamente, e, embora seu espírito estivesse aflito; e sua voz, mais e mais fraca, ele ainda sussurrava: 'O pecado está à porta; olha para mim, e serás salvo'. Mas ele não poderia ouvir: Ele olhou novamente, não para Deus, mas para o objeto proibido, até que a natureza foi superior à graça, e incitou luxúria em sua alma.   

O olho da sua mente estava agora fechado novamente, e Deus desapareceu de sua vista. A fé, o intercurso divino e sobrenatural com Deus, e o amor de Deus, cessaram: Ele, então, apressou-se como um cavalo na batalha, e, sabidamente cometeu o pecado exterior.

9. Você vê a evolução inquestionável da graça para o pecado: Assim, ele segue em frente, passo a passo:

(1)           A divina semente do amor, dominando a fé, permanece nele que é nascido de Deus. 'Ele se guarda', pela graça de Deus, e 'não pode cometer pecado'.
(2)           A tentação surge; quer do mundo, da carne, do diabo. Não importa.
(3)           O Espírito de Deus o adverte que o pecado está perto, e o ordena  a vigiar mais abundantemente.
(4)           Ele cede, em algum grau, à tentação, que agora começa a se tornar agradável para ele.
(5)           O Espírito Santo está aflito; sua fé está enfraquecida; e seu amor a Deus torna-se gelado.
(6)           O Espírito o reprova mais categoricamente e diz: 'Este é o caminho, caminha tu nele'.
(7)           Ele foge da voz dolorosa de Deus, e ouve à voz prazerosa do tentador.
(8)           O desejo pecaminoso começa e se espalha em sua alma, até que a fé e o amor desaparecem: Ele é, então, capaz de cometer pecado exterior; o poder do Senhor tendo se apartado dele.

10. Para explicar isto por outro exemplo: O Apóstolo Pedro estava cheio de fé e de Espírito Santo; e, por meio disto, guardando a si mesmo, ele tinha uma consciência isenta de ofender em direção a Deus e ao homem. 

Caminhando assim, na simplicidade e sinceridade santa, 'antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios' (Gálatas 2:12); sabendo que aquilo que Deus limpou não era comum ou impuro.

Mas 'quando eles chegaram', a tentação surgiu em seu coração, 'para temer aqueles da circuncisão', (os judeus convertidos, que eram zelosos pela circuncisão e outros ritos da lei Mosaica), e com respeito ao favor e louvor desses homens, mais do que o louvor de Deus.

            Ele foi advertido pelo Espírito que o pecado estava próximo: Não obstante, ele o permitiu, em algum grau, mesmo o pecado de temor do homem; e sua fé e amor foram proporcionalmente enfraquecidos.

Deus o reprovou novamente por dar lugar ao diabo. Ainda assim, ele não iria escutar atentamente a voz de seu Pastor; mas entregar-se àquele medo escravo, e por meio disto, suprimir o Espírito.

            Então, Deus desapareceu, e, a fé e o amor, estando extintos, ele cometeu o pecado exterior. Não caminhou corretamente, não, 'de acordo com a verdade do Evangelho'; ele 'se separou' dos seus irmãos cristãos, e por seu exemplo pecaminoso, se não conselho também, 'compeliu até mesmo os gentios a viverem segundo a maneira dos judeus'; e a se envolverem novamente com aquele 'jugo da escravidão',  do qual 'Cristo os tinha livrado'.

Assim, é uma verdade inquestionável que ele que é nascido de Deus, guardando a si mesmo, não pode cometer pecado; e, ainda assim, se ele não guardar a si mesmo, ele pode cometer todas as maneiras de pecado com avidez.

III
1. Das considerações precedentes, nós podemos apreender: Primeiro, a dar uma clara e incontestável resposta para a questão que tem freqüentemente aturdido muitos que foram sinceros de coração. 'O pecado precede ou segue a perda da fé?'. Um filho de Deus, primeiro comete o pecado, e por meio disto, perde a sua fé? Ou ele perde sua fé, antes que possa cometer pecado?

Eu respondo que alguns pecados de omissão, pelo menos, devem necessariamente preceder a perda da fé; alguns pecados interiores. Mas a perda da fé deve preceder o cometer o pecado exterior.

            Quanto mais algum crente examina seu próprio coração, mais ele irá estar convencido disto: A fé que é operada pelo amor exclui ambos o pecado interior e exterior da alma vigilante junto à oração; que, não obstante, estejamos, mesmo então, sujeitos à tentação, particularmente, ao pecado que facilmente nos ataca; se o olho amoroso da alma estiver firmemente fixado em Deus, a tentação logo desaparece: Mas se não, se nós nos afastamos de Deus, através de nosso próprio desejo (Tiago 1:14) 'Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência'; pegos pela tentação do prazer atual e prometido; então, aquele desejo, concebido em nos, produz o pecado; e, tendo, por meio daquele pecado interior destruído nossa fé, ele nos atira de cabeça na armadilha do diabo, de modo que nós podemos cometer qualquer pecado exterior que seja.

2. Em Segundo Lugar, podemos aprender o que é a vida de Deus na alma de um crente; no que ela propriamente consiste; e o que está imediatamente e necessariamente implícito nisto. Ela imediatamente e necessariamente implica na contínua inspiração do Espírito de Deus; a respiração de Deus na alma, e a alma respirando de volta o que ela primeiro recebeu de Deus; uma ação continua de Deus sobre a alma, e uma reação da alma sobre Deus; uma presença incessante de Deus; o amor, e perdão de Deus, manifestados para o coração, e percebidos pela fé; e um retorno incessante do amor, louvor, e oração, oferecendo ao alto todos os pensamentos de nossos corações, todas as palavras de nossas línguas, e todas as obras de nossas mãos, todo nosso corpo, alma, e espírito, para serem um sacrifício vivo, e aceitável junto a Deus em Jesus Cristo.

3. Em Terceiro Lugar, nós podemos inferir disto, uma absoluta necessidade de "re-ação" da alma (como quer que isto seja chamado), com o objetivo da continuidade da vida divina nela. Porque plenamente parece que Deus não continua a atuar sobre a alma, a menos que a alma atue sobre Deus. Ele não nos concede, de fato, as bênçãos de sua bondade. Ele primeiro nos amou, e manifesta a si mesmo junto a nós. Enquanto nós estamos, ainda distantes, Ele nos chama para Si mesmo, e brilha sobre nossos corações. Mas, se nós, então, não amamos a Ele que primeiro nos amou; se nós não ouvimos atentamente a Sua voz; se nós tiramos nossos olhos Dele, e não atentamos para a luz que ele despeja sobre nós; seu Espírito não irá sempre se empenhar: Ele irá gradualmente retirar-se, e nos deixar na escuridão de nossos próprios corações. Ele não irá continuar a respirar dentro de nossa alma, a menos que nossa alma respire em direção Dele novamente; a menos que nosso amor e oração, e ação de graças retornem para Ele; um sacrifício do qual Ele se agrada bem.

4. Por fim, vamos aprender a seguir aquela direção do grande Apóstolo, a 'não sermos condescendentes, mas temerosos'. A temer o pecado, mais do que a morte ou o inferno. A ter um medo cuidadoso (embora que não doloroso), a fim de que não possamos ceder ao nosso próprio coração enganoso. 'Que ele preste atenção, para que não caia'. Mesmo ele que agora está firme na graça de Deus; na fé que supera o mundo, pode, não obstante, cair no pecado interior, e por meio disto, 'naufragar na sua fé'. E quão facilmente, então, o pecado exterior irá readquirir seu domínio sobre ele! Tu, entretanto, Ó homem de Deus! Vigia sempre, para que tu possas ouvir sempre a voz de Deus! Vigia, para que tu possas orar sem cessar, todos os momentos, em todos os lugares, derramando teu coração diante Dele! Assim, tu deverás sempre crer, e sempre amar, e nunca cometer pecado.


[Editado por Kevin Farrow, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]