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quinta-feira, 29 de novembro de 2018
Sobre o Sermão do Monte – Parte VI
John Wesley
Guarda-te de fazer a tua oferta,
diante de homens, para que sejas visto por eles: Do contrário, não terás
recompensa junto a teu Pai que está nos céus. Por conseguinte, quando deres tua
oferta, não faças alarde diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas,
e nas ruas, a fim de que possam ter a glória de homens. Verdadeiramente eu vos
digo, que eles já tiveram a recompensa deles. Quando, portanto, tu deres a tua
oferta, não permite que tua mão esquerda saiba o que tua mão direita faz: tua
oferta deve ser feita em secreto: E teu Pai, que vê em secreto, Ele mesmo irá
recompensar a ti abertamente.
E, quando tu orares, não usa de
repetições vãs, como os ateus o fazem: Já que eles pensam que serão ouvidos, por
muito falarem. Não sejas, por conseguinte, como eles: Porque teu Pai sabe
daquilo que tu precisas, antes de peças a Ele.
Em vez disto, ora, assim:
'Pai nosso, que estás no céu.
Santificado seja teu nome. Venha o teu reino. Seja feita a tua vontade, na
terra, como ela é feita nos céus. Dá-nos, este dia, o nosso pão. E perdoa os
nossos débitos, como perdoamos os nossos devedores. E não nos permita a
tentação, mas livra-nos do mal. Porque teu é o reino, e o poder, e a glória,
para sempre. Amém'.
Porque se perdoares as
transgressões dos homens, o teu Pai celeste irá perdoar a ti: Mas se tu não
perdoares as transgressões de homens; nem o teu Pai irá perdoar as tuas (Mateus 6:1-15).
I.
Cuide para que sua oferta não vise a sua própria glória.
II.
A insinceridade, nas orações e obras de misericórdia, é a primeira coisa do
qual devemos nos guardar.
III.
A oração do Senhor é um modelo e padrão para todas as nossas orações.
1. No capítulo precedente,
nosso Senhor tem descrito a religião interior em suas várias ramificações. Ele
tem colocado diante de nós essas disposições da alma, que constituem no
Cristianismo verdadeiro; os temperamentos interiores contidos naquela 'santidade,
sem a qual nenhum homem verá ao Senhor'; as afeições que, quando fluindo de
suas fontes apropriadas; de uma fé viva em Deus, através de Jesus Cristo, são
intrinsecamente e essencialmente boas e aceitáveis para Deus. Ele prossegue
mostrando, nesse capítulo, como nossas ações, igualmente, mesmo aquelas que são
indiferentes à nossa própria natureza, podem se tornar santas, boas e
aceitáveis para Deus, através de uma intenção pura e santa. O que for feito,
sem isto, ele declara largamente, que não terá valor diante de Deus.
Considerando que, quaisquer que sejam as obras exteriores, se elas forem assim
consagradas a Deus, elas serão, aos Seus olhos, de grande valor.
2. A
necessidade dessa pureza de intenção, ele mostra, primeiro, com respeito
àquelas que são usualmente consideradas ações religiosas, e de fato, o são,
quando executadas com a intenção correta. Algumas dessas são comumente
denominadas de obras de devoção; a restante, obras de caridade ou misericórdia.
As obras desse segundo tipo, ele particularmente chama de assistência aos
pobres; as obras do primeiro tipo, de oração e jejum. Mas as direções dadas
para essas são igualmente para serem aplicadas a todas as obras, se de amor ou
misericórdia.
I
1.
Primeiro, com respeito às obras de misericórdia: 'Cuidem', diz o senhor,
'que vocês não façam donativos, diante de homens, para que não sejam vistos
por eles: Do contrário não terão recompensa junto a seu Pai que está no céu'.
'Que vocês não façam doações': -- Embora se referindo especificamente a
isto; ainda assim, em toda a obra de caridade está incluída tudo o que você dá,
ou fala, ou faz, e, por meio do qual, nosso próximo possa ter proveito; por
meio do qual, outro homem possa receber alguma vantagem, tanto em seu corpo,
quanto em sua alma. O alimentar o faminto, o vestir o nu, o entreter ou
assistir ao estranho, o visitar aqueles que estão doentes, ou na prisão, o
confortar o aflito, o instruir o ignorante, o reprovar o pecaminoso, o exortar
e encorajar o benfeitor; e se houver alguma outra obra de misericórdia, ela
estará igualmente incluída nessa direção.
2.
'Cuidem que vocês não façam donativos diante de homens, para que não sejam
vistos por eles'. – A coisa que está aqui proibida, não é meramente o fazer
o bem às vistas dos homens; essa circunstância apenas, a que outros vejam o que
nós fazemos, não torna a ação nem pior, nem melhor; mas o fazer isto diante de
homens, 'para que sejam vistos por eles', visando essa intenção apenas.
Eu digo, essa intenção apenas; já que isto pode, em alguns casos, ser
uma parte de nossa intenção; nós podemos objetivar que algumas de nossas ações
possam ser vistas, e ainda assim, elas possam ser aceitáveis para Deus. Nós
podemos pretender que nossa luz brilhe, diante de homens, quando nossa
consciência é testemunha com o Espírito Santo, que nossa finalidade maior, em
desejar que eles possam ver nossas boas obras, é 'que eles possam glorificar
nosso Pai que está no céu'. Mas cuidem que vocês não façam a menor coisa,
visando a própria glória de vocês. Guardem que o cuidado para com a oração de
homens não tenha lugar, afinal, em suas obras de misericórdia. Se vocês buscam
a sua própria glória; se vocês têm como objetivo ganhar a honra que vem dos
homens, o que quer que seja feito com essa visão de nada valerá; se não for
feito junto ao Senhor; Ele não aceitará. 'Vocês não terão galardão', por
isto, 'do seu Pai que está no céu'.
3. 'Portanto,
quando vocês derem o seu donativo, não façam alarde, como os hipócritas o
fazem, nas sinagogas e nas ruas, para que possam ter louvor de homens'. -- A palavra sinagoga não significa aqui um lugar
de adoração, mas algum lugar público muito freqüentado, tal como um mercado, ou
casa de câmbio. Era uma coisa comum, em meio aos judeus, que eram homens de
grandes fortunas, particularmente entre os fariseus, fazerem alarde diante
deles, na maioria das partes públicas da cidade, quando eles estavam prestes a
dar alguma doação considerável. A razão pretendida para isto era reunir os
pobres para recebê-la; mas o real objetivo era que eles tivessem louvor de
homens. Mas que vocês não sejam como eles. Não deixem que uma trombeta seja
ouvida diante de vocês. Não usem de ostentação ao fazerem o bem. A honra do
donativo vem de Deus apenas. Aqueles que buscam o louvor de homens já têm sua
recompensa: Eles não terão o louvor de Deus.
4.
'Mas, quando vocês doarem, que a mão esquerda não saiba o que a direita
faz' – Está é uma expressão proverbial, e o significado dela é – Façam-no
em secreto, da maneira que for possível; tão secreto quanto seja consistente
com o fazê-la afinal, (já que ela não poderá deixar de ser feita; não omitam
oportunidade alguma de fazerem o bem; se secretamente ou abertamente), e ao
fazerem isto, da maneira mais efetiva. Porque aqui também existe uma exceção a
ser feita: quando vocês estão completamente persuadidos, em suas mentes que,
por não ocultarem o bem que é feito, isto tanto irá capacitá-los, quanto
instigará outros a fazerem mais o bem, então, vocês não podem esconder o que
estão fazendo. Deixem que a luz de vocês apareça, e 'brilhe para todos que
estão na casa'. Mas, a menos onde a glória de Deus, e o bem da humanidade
os obriguem ao contrário, ajam da maneira tão privada e desapercebida, quanto a
natureza das coisas admitir; -- 'para que os donativos possam ser em
secreto; e o Pai que vê em secreto irá recompensar a vocês abertamente'; talvez, no mundo presente, -- muitos exemplos
disto mantém-se registrado em todas as épocas; mas infalivelmente, no mundo que
há de vir, diante da assembléia geral de homens e anjos.
II
1. Das
obras de caridade ou misericórdia, nosso Senhor prossegue naquelas que são
denominadas obras de devoção. 'E quando orarem', diz Ele, 'não sejam como os hipócritas;
porque eles amam orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para que
eles possam ser vistos pelos homens'. – 'Não sejam como os hipócritas'. Hipocrisia, então, ou insinceridade, é a
primeira coisa do qual devemos nos guardar nas orações. Precavenham-se de não
falarem o que vocês não pretendem. Orar é erguer o coração a Deus: todas as
palavras da oração, sem isto, são mera hipocrisia. Portanto, quando forem empreender orar, vejam
que seja objetivo de vocês, conversarem intimamente com Deus, elevarem seus
corações a ele, derramarem suas almas diante Dele; não como os hipócritas que
amam, ou estão habituados, 'a orar de pé nas sinagogas', casas de
câmbio, ou mercados, 'e nas esquinas das ruas', onde quer que a maioria
das pessoas esteja, 'para que eles possam ser vistos pelos homens': Este
é o único objetivo, o motivo e finalidade das orações que eles repetiram. 'Verdadeiramente,
eu digo a vocês que eles não terão suas recompensas'. – Eles não poderão
esperar coisa alguma do Pai que está no céu.
2.
Mas não se trata apenas de ter um olho para o louvor de homens, que elimina
qualquer recompensa no céu: que não nos deixa espaço para esperar a bênção de
Deus sobre as nossas obras, se de devoção ou misericórdia. Pureza de intenção e
igualmente destruída, visando-se alguma recompensa temporal qualquer que seja.
Se nós repetimos nossas orações; se nós atendemos à oração pública de Deus; se
nós aliviamos o pobre, com vista a algum ganho ou interesse, não será, nem um
pouco, mais aceitável para Deus, do que se estivéssemos fazendo com o objetivo
do louvor próprio. Qualquer visão temporal; qualquer motivo desse lado da
eternidade; qualquer objetivo, a não ser aquele de promover a glória de Deus, e
a felicidade de homens, por amor a Deus, tornam toda a ação, não obstante, quão justa ela possa
parecer aos homens, uma abominação junto ao Senhor.
3.
'Mas, quando vocês orarem, entrem em seus aposentos, e, quando vocês fecharem
a porta, orem ao seu Pai que está em secreto'. – Existe um momento em que
vocês devem glorificar a Deus, abertamente; orarem e louvarem a ele, na grande
congregação. Mas, quando vocês desejam mais largamente, e mais particularmente
fazerem seus pedidos conhecidos junto a Deus, quer seja à tarde, ou de manhã,
ou ao meio-dia, 'entrem em seus aposentos, e fechem a porta'. Usem de
toda privacidade que puderem. (Apenas não a deixem sem ser feita, quer tenham
algum quarto, alguma privacidade, ou não. Orem a Deus, se for possível, quando
ninguém está vendo, a não ser Ele; caso contrário, orem a Deus) assim, 'orem
ao Pai que está em secreto'; derramem seus corações diante dele, 'e o
Pai que está em secreto, irá recompensá–los abertamente'.
4. 'Mas quando vocês
orarem', mesmo em secreto, 'não usem de repetições vãs, como os pagãos o
fazem'. Não usem de abundância de palavras, sem qualquer significado. Não
diga a mesma coisa, repetidas vezes; não pensem que o fruto de suas orações
depende da extensão delas, como os pagãos; que 'pensam que eles serão
ouvidos, por muito falarem'.
A
coisa aqui reprovada não é simplesmente a extensão, mais do que a brevidade de
nossas orações; -- mas, Primeiro, extensão, sem significado; falando muito, e
significando pouco ou nada; o uso (não todas as repetições; porque o próprio
nosso Senhor orou três vezes, repetindo as mesmas palavras, mas) vãs
repetições, como os pagãos fazem; recitando os nomes de seus deuses, repetidas
vezes, como eles fazem, em meio aos cristãos, (vulgarmente assim chamados), e
não entre os papistas apenas, que dizem repetidas vezes a mesma seqüência de
orações, sem nunca sentirem o que estão falando: -- Em Segundo lugar, pensarmos
que seremos ouvidos, por nosso muito falar; imaginarmos Deus medindo as orações,
por sua extensão, e mais satisfeito com aquelas que contém a maioria das
palavras, que soam mais longas aos seus ouvidos. Estes são os tais exemplos da
supertição e insensatez, como todos os que são chamados pelo nome de Cristo
deixariam aos pagãos; a eles em quem a luz gloriosa do Evangelho nunca brilhou.
5. 'Não
sejam, portanto, como eles'. –Vocês que testaram da graça de Deus, em Jesus
Cristo, estão totalmente convencidos de que 'seu Pai sabe quais as coisas de
que precisam, antes que peçam'. De maneira que a finalidade de suas orações
não é informar a Deus, como se ele já não soubesse de suas necessidades; mas,
antes, informar a vocês; fixar o sentido daquelas necessidades mais
profundamente, em seus corações; e o sentido de sua contínua dependência Dele,
único capaz de suprir tudo que precisam. Não é mais importante sensibilizar a
Deus, que está sempre mais pronto a dar do que a pedir, quanto sensibilizar
vocês mesmos de que vocês podem estar desejosos e prontos para receber as boas
coisas que Ele tem preparado para vocês.
III
1.
Depois de ter ensinado a verdadeira natureza e finalidade da oração, nosso
Senhor junta um exemplo disso; até mesmo aquela forma divina de oração que
parece, aqui, ser proposta, por via padrão principalmente; como um modelo e
norma de todas as nossas orações: 'Antes disto, contudo, vocês orem --'. Não obstante, em outra parte ele ordene o uso
dessas mesmas palavras: 'Ele diz junto a eles: Quando orarem, digam ---' (Lucas
11:2).
2. Em geral, concernente a
essa oração divina, nós podemos observar:
1o. Que ela contém tudo o que nós podemos razoavelmente e
inocentemente pedir. Não há o que necessitamos de Deus; nada que podemos pedir,
sem causar ofenda a Ele, que não esteja incluído, tanto diretamente, quanto
indiretamente, nessa forma abrangente .
2o. Que ela contém tudo que nós razoavelmente ou
inocentemente desejamos; se para a glória de Deus, se necessário e proveitoso,
não apenas a nós mesmos, mas para cada criatura no céu e terra. E, de fato,
nossas orações são o teste adequado de nossos desejos; nada sendo ajustado para
ter um lugar em nossos desejos, que não seja ajustado para ter um lugar em
nossas orações. O que nós não podemos pedir, nós também não podemos desejar.
3o. Que ela contém todas as nossas obrigações, para com
Deus e homem; quer as coisas sejam puras ou santas; o que quer que Deus
requeira dos filhos dos homens; o que quer que seja aceitável aos seus olhos; o
que quer que ela seja, por meio da qual nós podemos favorecer nosso próximo,
estando expresso e subtendido nela.
3. Ela consiste em três
partes: -- o prefácio, as súplicas, e a doxologia, ou conclusão. O prefácio, 'Nosso
pai que estás nos céus', estabelece uma fundação geral para a oração,
incluindo o que nós devemos primeiro saber de Deus, antes de podermos orar, na
confiança de estarmos sendo ouvidos. Ela igualmente nos indica todos os nossos
temperamentos, com os quais nós devemos nos aproximar de Deus; e que são mais
essencialmente requisitados, se nós desejamos que tanto nossas orações quanto
nossas vidas encontrem aceitação com Ele.
4.
'Nosso Pai': Se ele é o Pai, então, Ele é bom; então, Ele é amoroso para
com seus filhos. E aqui está a primeira e grande razão para a oração. Deus está
desejoso de abençoar; vamos pedir por uma benção.
'Nosso Pai',
-- nosso Criador; o Autor de nossa existência; Ele que nos ergueu do pó da
terra; que soprou em nós o fôlego da vida, e nos tornamos almas viventes. Mas,
se ele nos fez, permita-nos pedir, e ele não irá reter coisa alguma boa das
obras de suas próprias mãos.
'Nosso Pai';
-- nosso Preservador; aquele que, dia a dia, mantém a vida que ele deu; de cujo
amor contínuo, nós agora e todo o momento, recebemos vida e fôlego, e todas as
coisas.
Tanto mais
evidentemente, permita-nos ir até ele, e nós 'obteremos misericórdia, e
graça para ajudar em tempo de necessidade'. Acima de tudo, o Pai de nosso
Senhor Jesus Cristo, e de todo que nele crê; quem nos justifica 'livremente
pela sua graça, através da redenção que está em Jesus'; quem 'apagou
todos os nossos pecados, e curou todas as nossas enfermidades'; quem nos
recebeu como seus próprios filhos, por adoção e graça; e, 'porque' nós 'somos
filhos, enviou o Espírito de Seu Filho até'
nossos 'corações, clamando, Abba, Pai'; quem 'nos recriou da
semente incorruptível', e ' nos
fez novas criaturas em Jesus Cristo'. Por
conseguinte, nós sabemos que ele nos ouve sempre; portanto, nós oramos a ele,
sem cessar. E oramos, porque nós o amamos; e 'nós o amamos, porque ele primeiro amou a
nós'.
5. 'Nosso Pai', -- Não apenas meu, quem agora clama
junto a ele; mas nosso, no sentido mais extensivo. O Deus e 'Pai dos
espíritos de toda carne'; o Pai dos anjos e homens. Assim, mesmos os pagãos
reconhecem que ele é o Pai do universo, de todas as famílias; tanto no céu,
quanto na terra. Portanto, com ele não
existe relação de pessoas. Ele ama a todos que ele fez. 'Ele é amoroso, para
com cada homem, e sua misericórdia está sobre todas as suas obras'. E o
deleite do Senhor é neles que o temem, e colocam sua confiança em Sua
misericórdia; nos que confiam nele, através do Filho de Seu amor, sabendo que
eles são 'aceitos no Amado'. Mas,
'se Deus nos amou assim, nós devemos amar também uns aos outros; sim,
toda a humanidade; vendo que 'Deus amou de tal maneira o mundo, que deu seu
Filho Primogênito', até mesmo, para morrer, para que eles 'não
perecessem, mas tivessem a vida eterna'.
6. 'Que estás nos céus'.
– Nas alturas e suspenso; Deus sobre todos, abençoado para sempre: Quem,
sentando no círculo dos céus, observa todas as coisas, ambas dos céus e terra;
cujos olhos penetra toda a esfera do ser criado; sim, e da noite não criada;
junto a quem 'são conhecidas todas as suas obras', e todas as obras de
cada criatura; não apenas 'do começo do mundo', (uma tradução pobre, vulgar
e fraca), mas desde toda a eternidade; do eterno para o eterno; que constrange
a multidão dos céus, tanto quanto os filhos dos homens, a clamarem com
admiração e espanto: Ó, profundeza!'. 'A profundeza dos ricos, ambos da
sabedoria e conhecimento de Deus'.
'Que estás nos céus': -- O Senhor e Soberano de tudo; administrando e
dispondo de todas as coisas; tu és o Rei dos reis; Senhor dos senhores; o
abençoado e único Potentado; és forte e estás envolto com poder; fazendo o que
quer que te agrade; o Altíssimo; que, quando quer que tu desejes, o fazer está
presente contigo. 'Nos céus': -- Eminentemente lá. O céu é teu trono, 'o
lugar onde está a tua honra'; onde, particularmente, 'habitas'. Mas
não sozinho. Porque tu preencheste céu e terra e toda extensão do espaço, 'Os
céus e terra estão cheio de tua glória.
Glória seja dada a ti. Ó Senhor, Supremo Deus'. Portanto, nós devemos 'servir
ao Senhor com temor, e nos regozijarmos junto a Ele, com reverência'. Nós
devemos pensar, falar e agir, como continuamente debaixo dos olhos, e presença
imediata do Senhor, o Rei.
7. 'Santificado seja teu nome'. – Esta é a primeira das seis
petições, de onde a própria oração é formada. O
nome de Deus é o próprio Deus; a natureza de Deus, tanto quanto possa
ser revelado ao homem. Quer dizer, portanto, junto com sua existência, todos
seus atributos e perfeições; Sua Eternidade, particularmente significada por
seu grande e incomunicável nome, Jeová, como o Apóstolo João o interpreta: 'O
Alfa, o Omega; o Começo e o Fim; Ele que é, e que foi, e que será'; -- Sua
Plenitude de Ser, denotada pelo seu outro grande nome: Eu Sou o que Sou! –
Sua
Onipresença; -- Sua Onipotência, que é
realmente o único Agente no mundo material; toda a matéria, sendo
essencialmente inerte e inativa; e movendo-se apenas quando movida pelo dedo de
Deus; e Ele é a fonte da ação, em cada criatura, visível e invisível, que não
poderia agir, nem existir, sem o influxo e ação de seu poder Onipotente; -- Sua
sabedoria, claramente deduzida das coisas que são vistas, da ordem considerável
do universo; -- Sua Trindade, e Unidade
em Tríade, revelada a nós, na mesma primeira linha de sua palavra escrita;
literalmente, os Deuses criou, um nome plural, junto com um verbo
na terceira pessoa do singular; tanto quanto, em cada parte das suas revelações
subseqüentes – feitas, através da boca de todos os seus Profetas e Apóstolos
santos; -- Sua pureza e santidade essenciais; -- e, acima de tudo, seu amor,
que é o próprio esplendor de sua glória.
Orando para Deus, ou para seu nome,
para que possa 'ser santificado', ou glorificado, nós oramos para que
ele possa ser conhecido, tal como ele é, através de todos que sejam capazes
disto; através de todos os seres inteligentes, e com afeições adequadas àquele
conhecimento; para que ele possa ser devidamente honrado, e temido, e amado,
por todos no céu, e na terra; através de todos os anjos e homens, aos quais
para esta finalidade ele tem tornado capazes de conhecer e amá-lo para a
eternidade.
8.
'Venha o teu reino'. – Isto tem uma conexão intima com aquela
petição precedente. Com o objetivo de que o nome de Deus possa ser santificado,
nós oramos para que seu reino, o reino de Cristo, possa vir. Esse reino, então,
vem para uma pessoa em particular, quando ele 'se arrepende e crê no
Evangelho'; quando ele é ensinado de Deus, não apenas para conhecer a si
mesmo, mas para conhecer Jesus Cristo, e nele crucificado. Que 'esta é a
vida eterna; conhecer o único Deus verdadeiro, e Jesus Cristo a quem Ele
enviou'; assim, é o reino de Deus, trazido para baixo, estabelecendo-se no
coração do crente; o Senhor Deus Onipotente', então, 'reina';
quando ele é conhecido, através de Jesus Cristo. Ele toma, junto a si, seu
poder imenso, para que possa subjugar todas as coisas em si mesmo. Ele segue na
alma, conquistando, e para conquistar, até que tenha colocado todas as coisas
debaixo de seus pés; até que 'todo pensamento seja trazido cativo para a
obediência de Cristo'.
Quando,
portanto, Deus 'dará a seu Filho os pagãos, para sua herança, e as partes
mais extremas da terra para sua possessão'; quando 'todos os reinos se
curvarão diante dele, e todos as nações o obedecerão; quando 'a montanha
da casa do Senhor', a Igreja de Cristo, 'for estabelecida no topo das
montanhas'; quando 'a plenitude dos gentios vierem, e toda a Israel for
salva'; então, será visto que 'o Senhor é Rei, e colocou sua vestimenta
gloriosa', aparecendo a toda a alma humana, como Rei dos reis, e Senhor dos
senhores. E certificando-se que todos os que amam sua vinda; oram para que ele
possa apressar o tempo; para que este seu reino, o reino da graça, venha
rapidamente, e absorva todos os reinos da terra; para que toda a humanidade,
recebendo-o como seu Rei, verdadeiramente crendo em seu nome, possa ser
preenchida, com retidão, paz, alegria; com a santidade e felicidade -- Até que
seja removida para seu reino celeste; e lá, reine com ele, para sempre e
sempre.
Para
isto, também, nós oramos nessas palavras: 'Venha o teu reino': Nós
oramos para que a vinda de seu reino eterno; o reino da glória no céu; que é a
continuação e a perfeição do reino da graça na terra. Conseqüentemente esta,
tanto quanto a petição precedente, é oferecida ao alto, por toda a criação
inteligente; por aqueles que estão interessados neste grande evento: a renovação
final de todas as coisas; Deus colocando um fim na miséria e pecado, na
enfermidade e morte; tomando todas as coisas em suas próprias mãos, e
estabelecendo o reino que permanece através de todos os tempos.
Precisamente respondível a isto são
aquelas terríveis palavras na oração fúnebre:
'Suplicando-te que possa agradar a ti e à tua santidade graciosa,
para concluir, em breve, o número de teus eleitos, e apressar o teu reino: para
que nós, com todos aqueles que estão mortos, na fé verdade de teu santo nome,
possamos ter nossa consumação e felicidade, perfeitas, ambos no corpo e alma,
em tua glória eterna'.
9. 'Tua vontade seja feita na
terra, como no céu'. – Esta é a conseqüência necessária e
imediata, onde quer que o reino de Deus venha; onde quer que Deus habite na
alma, pela fé, e Cristo reine no coração, pelo amor.
É provável que muitos, talvez, a
generalidade dos homens, à primeira vista dessas palavras, estejam aptos a
imaginar que elas sejam apenas uma expressão, ou petição, ou resignação para o
reino; uma prontidão para subjugar-se à vontade de Deus, qualquer que seja ela,
concernente a nós. E este é um temperamento inquestionavelmente divino e
excelente; o mais precioso dom de Deus. Mas isto não é o que nós oramos nessa
petição; pelo menos, não no sentido principal e primário dele. Nós oramos, não
tanto, para uma passiva, quanto ativa conformidade à vontade de Deus ao
dizermos: 'Seja feita a tua vontade na terra, como ela é feita no céu'.
Como a vontade de Deus é feita,
através dos anjos no céu, -- por aqueles que agora circundam Seu trono,
regozijando-se? Eles o fazem, de boa vontade; eles amam Seus mandamentos, e agradavelmente
escutam com atenção Suas palavras. É o comer e beber deles fazer a vontade de
Deus; é a mais alta glória e alegria. Eles a praticam continuamente; não existe
interrupção em seus serviços de boa vontade. Eles não descansam de dia, nem de
noite; mas empregam cada hora (humanamente falando; uma vez que, nossas medidas
de duração – dias, noites e horas - não têm lugar na eternidade), em cumprir
Seus mandamentos; em executar seus desígnios; em desempenhar o conselho de Sua
vontade. E eles a fazem, perfeitamente. Nenhum pecado, nenhum defeito pertence
a essas mentes angelicais. É verdade, 'as estrelas não são puras aos Seus
olhos', mesmo as estrelas da manhã
que cantam diante Dele.
'Aos seus olhos', ou seja, em comparação a Ele, os próprios anjos não
são puros. Mas isto não implica que eles não sejam puros, em si mesmos. Sem
dúvida, eles são; eles são sem mácula e culpa. Eles são completamente devotados
à sua vontade, e perfeitamente obedientes a todas as coisas. Se nós virmos
isto, sob uma outra luz, podemos observar que os anjos de Deus no céu fazem
todas as vontades Dele. Nada mais, a não ser o que eles absolutamente asseguram
seja Sua vontade. E novamente: Eles fazem a vontade de Deus, como Ele a deseja;
da maneira que agrada a Ele, e não a outro. Sim. E eles fazem isto, apenas
porque é a vontade Dele; para esta finalidade, e nenhuma.
10. Quando,
portanto, oramos, para que a vontade de Deus possa 'ser feita na terra, como
ela é feita no céu', o significado é que todos os habitantes da terra,
mesmo toda a raça humana, possa fazer a vontade de seu Pai que está no céu, de
tão boa vontade quanto os anjos santos; que possam fazê-la continuamente; assim
como eles, sem qualquer interrupção de seu serviço de prontidão; sim, e fazê-la
perfeitamente, -- que o Deus da paz, através do sangue de sua aliança eterna,
possa torná-los perfeitos, em cada boa obra; para realizar Sua vontade, e
operar neles tudo 'o que for prazeroso aos seus olhos'.
Em outras palavras, nós oramos para que nós e
toda a humanidade possamos fazer a completa vontade de Deus, em todas as
coisas; e nada mais; nem a menor coisa, a não ser o que é a santa e aceitável vontade de Deus. Nós oramos
para que possamos fazer a vontade de Deus, como ele deseja; da maneira que
agrada a Ele: E, por fim, que nós possamos fazê-la, porque é a Sua vontade;
para que esta possa ser a única razão e alicerce; o motivo total e único do que
quer que pensemos, falemos ou façamos.
11. 'Dê-nos hoje o pão nosso de cada dia' – Nas três primeiras petições nós
temos orado por toda a humanidade. Viemos agora, mais particularmente, desejar
um suprimento para nossas próprias necessidades. Não que estejamos
direcionados, mesmo aqui, a confinar nossas orações completamente a nós mesmos;
esta, e cada uma das petições seguintes, podem ser usadas para toda a Igreja de
Cristo na terra.
Por 'pão', nós podemos
entender todas as coisas necessárias; se para nossas almas ou corpos; -- as
coisas concernentes à vida e santidade: Nós entendemos não meramente o pão
exterior, que nosso Senhor denomina 'o alimento que perece'; mas muito
mais o pão espiritual, a graça de Deus, o alimento 'que dura a vida eterna'.
Foi o julgamento de muitos de nossos antepassados, que nós devemos entender
aqui o pão sacramental também; recebido diariamente, no início, por toda a
Igreja de Cristo, e altamente estimado, até que o amor de muitos se tornou
frio, assim como o grande canal, por meio do qual a graça de seu Espírito era
transportada para as almas de todos os filhos de Deus.
'Nosso pão diário'. -- A palavra, diário, tem sido diferentemente
explicada por diferentes estudiosos. Mas o sentido mais simples e natural dela
parece ser este, que é mantido, na maioria das traduções, tanto antigas, quanto
modernas; -- o que seja suficiente para este dia; e assim, para cada dia,
quando ele sucede.
12. 'Dá-nos': -- Porque reivindicamos nada por direito, mas
apenas pela misericórdia gratuita. Nós não merecemos o ar que respiramos, a
terra que nos carrega, ou o sol que brilha sobre nós. Todo nosso deserto, o
nosso próprio, é o inferno: Mas Deus nos amou livremente; portanto, nós pedimos
a ele para dar, o que não podemos obter
por nós mesmos, não mais do podemos merecer de suas mãos.
Nem a benevolência ou o poder de
Deus é motivo para ficarmos à toa. É Sua vontade que possamos usar de toda
diligência, em todas as coisas; que possamos empregar nossos esforços extremos,
como se nosso sucesso fosse um efeito natural de nossa sabedoria ou força: E,
então, como se não tivéssemos feito nada, devemos depender Dele, o doador de
todos os dons bons e perfeitos.
'Este dia': -- Porque não
devemos nos preocupar com o amanhã. Para esta mesma finalidade nosso sábio
Criador dividiu a vida nessas pequenas porções de tempo, tão claramente
separadas umas das outras, que nós podemos observar cada dia, como um dom
renovado de Deus, uma outra vida, que nós podemos devotar para Sua glória; e
que cada anoitecer possa ser como o encerrar da vida, além do que, nós podemos
ver mais nada, a não ser a eternidade.
13.
'E perdoa as nossas transgressões, assim como perdoamos os que nos tem
ofendido'. – Como nada, a não ser o pecado pode impedir a
generosidade de Deus de fluir adiante sobre cada criatura, então esta petição
naturalmente segue a anterior; para que todos os obstáculos sejam removidos,
para que possamos mais claramente confinar no Deus de amor, para cada coisa que seja boa.
'Nossas transgressões': -- A palavra significa
propriamente nossos débitos. Assim, nossos pecados estão freqüentemente
representados nas Escrituras; cada pecado, deitando-se sobre nós, debaixo de um
novo débito a Deus, a quem nós já devemos, como se fossem dez mil talentos. O
que, então podemos responder, quando Ele diz: 'Paga-me o que tu deves?
Que nós estamos completamente falidos; nós não temos com o que pagar; nós
destruímos todo nosso capital. Portanto, se ele negociar conosco, de acordo com
o rigor da lei; se ele cobrar o que Ele justamente pode, ele deverá ordenar que
tenhamos as mãos e pés amarrados, e sejamos entregues aos atormentadores'.
De
fato, nós já estamos com as mãos e pés amarrados, através das correntes de
nossos próprios pecados. Estes, considerados com respeito a nós mesmos, são
correntes de ferro, e algemas de bronze.
Eles são os ferimentos, por meio dos quais, o mundo, a carne, e o diabo, têm
nos atacado profundamente, e nos destroçado, por todos os lados. Esses são as
enfermidades que esvaziam nosso sangue e espíritos, que nos trazem para as
sepulturas. Mas considerados, como eles são aqui, com respeito a Deus, são
débitos imensos e incontáveis. No entanto, embora vendo que não temos com o que
pagar, que possamos clamar junto a Ele. para que Ele possa 'francamente
perdoar' a todos nós!
A
palavra traduzida, perdoar, implica tanto em perdoar um débito, quanto
em soltar a corrente. E, se nós alcançamos a primeira, a última evidentemente
se segue: se nossos débitos são perdoados, as correntes soltam-se de nossas
mãos. Tão logo quanto, através da graça de Deus em Cristo, nós 'recebemos
perdão dos pecados', nós recebemos igualmente 'muitos, entre esses que
são santificados, através da fé que está Nele'. O pecado perde seu poder.
Ele não tem domínio sobre aqueles que 'estão debaixo da graça', ou seja, no favor com Deus. Como 'não
existe condenação para aqueles que estão em Cristo', assim eles estão
livres do pecado, tanto quanto da culpa. 'A retidão da lei é cumprida' neles, e eles 'caminham, não segundo a
carne, mas segundo o Espírito'.
14. 'Como
perdoamos os que nos tem ofendido'. –
Nessas palavras, nosso Senhor claramente declara, em que condição, e em que
grau ou maneira, nós podemos buscar sermos perdoados por Deus. Todas as nossas
transgressões e pecados são perdoados, se nós perdoarmos, e como nós perdoamos,
aos outros.
[Primeiro,
que Deus nos perdoa, se nós perdoamos outros]. Este é um ponto da maior
importância. E nosso abençoado Senhor é tão zeloso, para que, a qualquer tempo,
não possamos divagar em nossos pensamentos, que ele não apenas a insere no
contexto de Sua oração, mas presentemente depois, a repete mais duas vezes. 'Se',
diz Ele, 'perdoarem aos homens suas transgressões, seu Pai celeste irá
perdoar a vocês' (Mateus 6:14-15).
Em Segundo
Lugar, Deus nos perdoa, assim como perdoamos aos outros. Assim sendo, se
nenhuma malícia ou amargura; se nenhuma mancha de indelicadeza, ou ira,
permanecerem; se nós não claramente e completamente, do nosso coração,
perdoamos as transgressões de todos os homens, seremos impedidos de termos o
perdão para os nossos: Deus não pode claramente e completamente perdoar a nós:
Ele pode nos mostrar alguns graus de misericórdia, mas nós não experimentaremos
dele o apagar nossos pecados, e perdoar todas as nossas iniqüidades.
Nesse
meio tempo, enquanto nós não perdoamos, do fundo de nosso coração, as ofendas
de nosso próximo, que tipo de oração estamos oferecendo a Deus quando
exprimimos essas palavras? Nós, de fato, estamos colocando Deus em um desafio
declarado: nós estamos desafiando a Deus que faça o seu pior. 'Perdoe a nós,
nossas transgressões, tanto quanto perdoamos as transgressões deles contra
nós!'. Que significa, em termos claros: 'Tu não nos deve perdoar,
afinal; nós desejamos nenhum favor de tuas mãos. Nós oramos para que tu
mantenhas nossos pecados na memória, e para que tua ira habite sobre nós'. Mas,
você pode seriamente oferecer tal oração a Deus: E ele já não o terá lançado
rapidamente no inferno? Ó não o tente mais! Agora, mesmo agora, pela sua graça,
perdoa, assim como você seria perdoado!Tenha
compaixão agora do seu próximo, assim como Deus teve e terá piedade de
você'!
15. 'E não nos deixa cair em tentação, mas
livra-nos do mal',
-- '[E] não nos conduza a tentação'. A palavra traduzida, tentação,
significa experimentação de algum tipo. A palavra inglesa para tentação
foi tomada antigamente, em um sentido indiferente, embora agora, ela seja
usualmente entendida da solicitação para pecar. Tiago usa a palavra, em ambos
esses sentidos; primeiro, em sua generalidade; então, em sua restrita
aceitação. Ele a toma no primeiro sentido, quando diz: 'Meus irmãos, tende
grande gozo, quando cairdes em várias tentações... Bem aventurado o varão que
sofre a tentação, porque quando for tentado', ou aprovado de Deus, 'receberá a coroa da
vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam. (Tiago 1:12-13).
Ele imediatamente acrescenta, tomando a palavra em seu segundo sentido: 'Que
nenhum homem, quando tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode
ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada homem é tentado, quando
traído e engodado pela sua própria concupiscência', ou desejo, saindo de
Deus, em quem apenas ele está salvo, -- 'e seduzido'; pego, como um
peixe com a isca. E assim é, quando ele se aparta e é seduzido, que ele
propriamente 'entra em tentação'. Então, a tentação o cobre como uma nuvem; ela
cobre toda sua alma. E quão dificilmente ele escapará da armadilha!
Entretanto,
nós suplicamos a Deus 'não nos conduzir à tentação', ou seja (vendo que
Deus não tenta o homem), não consinta que sejamos conduzidos a ela. 'Mas
livrai-nos do mal': Antes, 'do próprio mal'; é, inquestionavelmente,
do diabo, enfaticamente assim chamado, o príncipe e deus desse mundo, quem
opera com considerável poder nos filhos da desobediência. Mas todos que são
filhos de Deus, pela fé, estão livres de suas mãos. Ele pode lutar contra eles;
e assim fará. Mas ele não poderá conquistar, a menos que eles traiam suas
próprias almas. Ele pode atormentar, por algum tempo, mas ele não poderá
destruir; porque Deus está do lado deles, quem não irá falhar, no final, 'em
vingar seu próprio eleito, que clama junto a Ele, dia e noite'. Senhor, quando formos tentados, não permita
que caiamos em tentação! Crie um caminho para que escapemos; para que o diabo
não nos toque!
16. A
conclusão dessa oração divina, comumente chamada de Doxologia, é uma ação de
graças solene; um reconhecimento conciso dos atributos e obras de Deus. 'Porque
teu é o reino' -- O soberano direito de todas as coisas que são,
ou sempre foram criadas; sim, teu reino
é um reino eterno, e teu domínio persiste, através de todos os tempos. 'O
poder' -- o poder
executivo, por meio do qual, governas todas as coisas em teu reino eterno; por
meio do qual fazes o que agrada a ti, em todos os lugares de teu domínio. 'E
a glória' – o louvor devido de cada criatura, pelo teu poder, e
a grandeza de teu reino, e por todas as tuas obras maravilhosas, que tu operas
desde a eternidade, e deverá operar, do mundo sem fim, 'para todo o sempre.
Amém'. Que assim seja!
[Editado por Vince Bos, estudante na Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com
correções de George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.] Web Server http://gbgm-umc.org/
JAMES, ÀS SUAS ORDENS
Pr. Marcelo Augusto
de Carvalho
- Qual é o plano de Deus para a
provisão de fundos para Sua obra? Mal.
3.10.
- O dízimo sempre foi usado com o
objetivo de sustentar o sacerdócio. Núm. 18.21 e 24.
- Exemplos de fidelidade: Abraão
e Jacó. Gên. 14 e 28.
- Devemos devolver o dízimo
por grandes razões:
1-
Dele são todas as coisas. Sal. 24.1.
2-
Dele é o dízimo. Lev. 27. 30-32.
3-
É Ele quem nos dá a capacidade de ganharmos
nosso pão. Deut. 8.18.
4-
É um sistema que coibe a cobiça natural do
coração humano. Mat. 6.19-21.
- Que disse Jesus da fidelidade
dos judeus quanto ao dar o dízimo? Mat. 23.23.
- Paulo afirmou estar em pleno
funcionamento este sistema na era cristã também. I Cor. 9.13-14.
- Quem não devolve o dízimo, é
considerado ladrão, não pelos homens mas por Deus. Mal. 3.8-9.
PERGUNTAS
SOBRE O DÍZIMO
Para onde vão os dízimos e como é
usado na IASD?
- Todos os dízimos, de todas as
igrejas, são recolhidos às associações ou missões a que pertencem as
respectivas igrejas. Esses dízimos são usados apenas e somente para pagar os
pastores, evangelistas e obreiros bíblicos, bem como na compra de materiais
diretamente ligados ao evangelismo.
- O dízimo jamais pode ser usado
para compra de terrenos, construção de igrejas, ajuda aos pobres etc. Somente
para pagar os que vivem diretamente para o evangelismo.
Como se calcula o dízimo: sobre o
valor líquido ou bruto de nossas entradas?
- Sempre do valor bruto. Os
encargos que pagamos em folha são contas que pagaríamos a parte se não fossem
descontadas diretamente na folha de pagamento. Portanto Deus nos abençoou para
pagá-las. Por isto merecem também nosso reconhecimento ao Criador por sua
provisão.
Devo dizimar o 13 salário e
outros lucros?
- Tudo que seja renda ou que
aumenta nossa renda deve ser dizimado. Gên. 28.22. Jacó dizimou ao Senhor tudo
o que adquirira em 20 anos trabalhando para seu tio.
Devo dizimar heranças, presentes
e dinheiro achado?
- Tudo que aumente nossa renda
deve ser dizimado, inclusive herança e presentes. Se tais são em dinheiro, a décima parte é do
Senhor. Se são objetos, estime-se seu valor e seja devolvido o dízimo
correspondente em dinheiro.
- Presentes não úteis ao
beneficiário ficam a critério de sua consciência a devolução deste dízimo.
- No caso do dinheiro encontrado,
e impossível de ser devolvido ao seu legítimo dono, deve ser dado seu dízimo ao
Senhor também.
Devo dizimar minhas bonificações
ou ajudas que recebo de minha firma?
- Em geral estas ajudas aumentam
nosso salário. Podem até não entrar na folha de pagamento mas auxiliam a mais
nas despesas. Portanto merecem ser dizimadas.
Um filho que depende
financeiramente dos pais, deveria dizimar?
- Seria saudável para sua vida
espiritual, mesmo que este dinheiro já tenha sido dizimado pelos pais.
Estou muito atrasado em meus dízimos
e por mais que me esforce nunca poderei devolvê-los. Que posso fazer?
- Deve-se fazer todo possível
para restituir todo o atrasado. Caso não consiga, deve ficar bem claro que,
apesar de seus esforços e de sua fé, realmente nunca poderá devolver a quantia
retida, seja total ou parcialmente.
- Deve-se fazer planos para daqui
em diante nunca mais ocorrer isto.
O dízimo não apela a motivos
egoístas?
- Não, porque ao dizimar o homem
está colocando a Deus em primeiro lugar, e relacionando-se corretamente com Ele
ao reconhecê-lo como proprietário e aceitando para si a condição de mordomo.
- Porém ao reter o dízimo o homem
assume o primeiro lugar, assume a condição de dono do que possui. Também é
condenável dizimar com a finalidade de fazer negócios com Deus.
Devo dizimar aluguéis que recebo?
- Sim, deduzindo para o cômputo o
custo de manutenção do mesmo, como o seguro sobre a propriedade e a
depreciação.
É correto devolver meu dízimo de
uma só vez no final do ano?
- Não seria o melhor, porque: A
Associação tem obrigações periódicas, as quais não podem esperar até o fim do
ano para serem saldadas. Você necessita das benção e fortaleza que vêm de
devolver o dízimo 12 vezes ao ano ou mais. Você pode se complicar
financeiramente e aí não conseguir devolver a Deus o que pertence a Ele.
Se estou em desacordo com a
maneira em que a igreja usa os dízimos, poderia reter os meus?
- Jamais, pois ele não te
pertence. “Apresentai vossa queixa franca e abertamente, no devido espírito, e
às pessoas competentes. Solicitai em vossas petições que se ajustem as coisas e
ponham em ordem; mas não vos retireis da obra de Deus, nem vos demonstreis
infiéis porque outros não estejam fazendo o que é direito”. EGW em CM 93-94.
O que ganho é muito pouco e não é
suficiente para minhas necessidades.
Devo devolver o dízimo?
- Mat. 12. 41-44/ a viúva de
Sarepta.
Se entrego à igreja, meus
talentos e meus serviços, não poderia deixar de devolver o dízimo?
- Prov. 3.7. Nossa
responsabilidade diante de Deus não se esgota sendo fiéis em uma ou mais áreas
da vida. Devemos sê-lo em todas.
Minhas orações ou minhas ofertas
não podem substituir meus dízimos?
- EGW: “Por mais freqüentes e
fervorosas que sejam as orações feitas, jamais serão aceitas por deus em lugar
de nosso dízimo”. CM 99.
- A liberalidade não começa até
que seja pago o que se deve. Os dizimistas nunca são doadores liberais enquanto
não ultrapassam o dízimo.
Dizimar é um requisito para se
pertencer à Igreja Adventista?
- Através do voto batismal, o
membro que vai ser batizado manifesta diante da congregação o propósito de
sustentar a Igreja com seus dízimos, o que já deverá estar praticando antes do
batismo. Veja, ele promete!
Pode alguém ser eliminado dos
livros da igreja por não dizimar?
- Não, porque: dizimar não é
prova de discipulado; este ato, embora errado, não é uma violação aberta da Lei
de Deus que traga opróbrio público à causa de Deus ou da igreja, e em
conseqüência não é motivo de disciplina eclesiástica; não é missão da igreja
fiscalizar se seus membros são fiéis ou não na devolução dos dízimos; excluir
quem não dizima daria a impressão de imposição financeira aos membros da
igreja.
Pode ser oficial da igreja alguém
que não é fiel nos dízimos?
- Não, pois deixa de ser um
exemplo na fidelidade total ao Senhor. I Cor. 9.27.
Qual é a responsabilidade do
membro ao devolver o dízimo?
- Prepará-lo em casa; devolvê-lo
dentro do envelope de dízimos; anotar no recibo a quantia dada; assinar e
colocar seu nome e endereço; depositar o envelope na salva de ofertas, evitando
entregá-lo pessoalmente ao tesoureiro da igreja.
Deveria a igreja receber o dízimo
de dinheiro obtido ilicitamente como o produto de fraudes, assaltos, roubo,
logros etc.?
- A igreja não é um departamento
de investigações. Se o dizimista contar a origem ilícita do dinheiro, deverá
ser ajudado a ver que tanto o dízimo como o montante que pegou precisa ser
restituído a seu legítimo dono. Portanto, tal dízimo não deve ser recebido.
Deveria a igreja receber dízimos
de atividades que estão em aberta transgressão às leis de Deus?
- Não há dinheiro limpo ou sujo.
O dinheiro, em si mesmo é neutro. São indignos os meios para conseguí-lo.
Portanto, qualquer dinheiro dedicado a Deus deve ser recebido, salvo se sua
origem foi dada a conhecer. Lembre-se: a conduta da igreja é sempre a de
orientar o ato correto no dizimar e não intrometer-se no destino do dízimo.
Deve a igreja receber dízimos de
culturas de tabaco, café, erva mate, coca, uvas para vinificar, etc.?
- A igreja deve orientar o
agricultor a mudar de ramo pois estas culturas trarão males para a sociedade.
Porém a igreja não pode impedir o doador de dizimar se este desejar. Fazê-lo
seria o mesmo que proibir a entrada no templo de algum proprietário dessas
culturas que desejasse guardar o Sábado e freqüentar a igreja nesse dia.
Estímulo: O pastor Oliveiros, ao
chegar para trabalhar na Albânia, o país mais pobre da Europa, encontrou uma
irmã já bem idosa, que guardou seu dízimo durante 50 anos, para um dia
devolvê-lo a um pastor adventista. Ele se converteu lá pelos anos 30, mas logo
houve muitas revoluções e guerras no país, que fechou-se ao evangelismo. Apesar
de tudo, esta irmã, casada com um infiel, guardava seus dízimos dentro de uma
pequena arca de madeira. Ela recebia do marido o correspondente a talvez uns 4
dólares. Toda esta quantia para manter sua casa! Mas em meio à tanta pobreza e
miséria, ela foi fiel. Ao entregar seus dízimos guardados a tantas décadas, ela
chorava copiosamente, feliz por poder ser fiel ao seu Criador.
- A fidelidade não é coisa de
quantidade, oportunidade ou pressão. É coisa do coração. É um motivo de viver.
É uma decisão de amor.
FONTE: Perguntas sobre o dízimo,
Roberto Roncarolo. DSA .
MARCELO CARVALHO 1998
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
Sobre o Sermão do Monte – Parte V
John
Wesley
'Não cuideis que vim destruir a lei
ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque, em verdade vos digo: até
que o céu e a terra passem, nem um jota ou til se omitirá da lei, até que ela
seja cumprida. Qualquer, pois, que violar um desses menores mandamentos, e
assim ensinar aos homens, será chamado o menor no Reino dos céus: aquele,
porém, que os cumprir e os ensinar, será chamado grande no Reino dos céus' (Mateus 5:17-20).
1. Em meio à imensidade de
reprovações que caíram sobre Ele, que 'era o menosprezado e rejeitado dos
homens', não seria de se surpreender, que Ele fosse o professor das boas
novas; o introdutor da nova religião. Isto poderia ser afirmado, com
muitas cores, porque muitas das expressões que Ele usou não eram comuns entre
os judeus: ou eles não as usaram, afinal; ou não as usaram no mesmo sentido; ou
no seu significado completo e forte. Acrescente a isto que o adorar a Deus 'em
espírito e verdade' parecia ser uma religião nova àqueles que não
conheceram, até o momento, a não ser a adoração exterior; coisa alguma, a não
ser a 'forma de santidade'.
2. E não é improvável que alguns
poderiam esperar que Ele fosse abolir a velha religião e trazer uma outra, --
uma em que eles tivessem a esperança de ser um caminho mais fácil para os céus.
Mas nosso Senhor refuta isto, nessas palavras, tanto as vãs esperanças de uns,
quanto as calúnias infundadas de outros. Eu devo considerá-las, na mesma ordem,
em que elas se colocam, tomando cada verso do discurso, num título distinto.
I
I. ''Não pensem que vim destruir a
Lei, ou os Profetas: eu não vim destruir, mas cumpri-las'.
A lei ritual ou cerimonial,
entregue por Moisés para os filhos de Israel, contendo todas as injunções e
ordenanças que eram relacionadas aos antigos sacrifícios e serviços do templo, nosso
Senhor, de fato, veio destruir, dissolver e abolir completamente.
Para isto, foram testemunhas todos os Apóstolos; não apenas Barnabé e Paulo,
que veementemente opuseram-se contra todos que ensinaram que os cristãos
deveriam 'manter a lei de Moisés' (Atos 15:5) 'Alguns, porém,
da seita dos fariseus que tinham crido se levantaram, dizendo que era mister
circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem a lei de Moisés'; não apenas
Pedro, que denominou o insistir nisso, na observância da lei ritual, 'por
Deus à prova', e 'colocar um jugo no pescoço dos discípulos, que nem
nossos anciãos', diz ele, 'nem nós, somos capazes de suportar', mas todos os Apóstolos, presbíteros, e irmãos,
estando reunidos em um só acordo (Atos 15:22)¸ declararam que ordenar a
eles que mantenham esta lei, era 'subverter suas almas'; e que 'pareceu
bem ao Espírito Santo' e para eles, não impor tal fardo sobre eles. (Atos
15:28). Essas 'ordenanças escritas' nosso Senhor destruiu, jogou
fora, e pregou em Sua cruz.
2. Mas a lei moral,
contida nos Dez Mandamentos, - e reforçada pelos profetas, Ele não tirou
fora. Não era o objetivo de Sua vinda, ab-rogar alguma parte dela. Esta é
uma lei que nunca poderá ser quebrada; que resiste, como uma testemunha fiel
nos céus.
A
lei moral se situa, em uma fundação completamente diferente da lei cerimonial
ou ritual, que foi apenas designada para uma restrição temporária, em cima da
desobediência e obstinação das pessoas; considerando que isto foi no começo do
mundo, não sendo 'escrita em tábuas', mas nos corações de todos os
filhos dos homens, quando eles vieram das mãos do Criador. E, não obstante, as
letras, uma vez escritas pelo dedo de Deus, estejam agora, em grande parte,
desfiguradas pelo pecado; ainda assim, elas não podem ser apagadas, enquanto
nós tivermos alguma consciência de bem e mal. Cada parte dessa lei deve
permanecer em vigor, sobre toda a humanidade, e em todas as épocas; não
dependendo de tempo ou lugar; ou quaisquer outras circunstâncias, sujeitas a
mudanças; mas sobre a natureza de Deus e a natureza do homem, e a relação
imutável para com um e outro.
3. 'Eu
não vim destruir a lei, mas cumpri-la'.
Alguns têm imaginado que nosso Senhor quis dizer, -- Eu vim para cumpri-la,
através de minha inteira e perfeita obediência a ela. Mas isto não parece ser o
que Ele pretende aqui, sendo estranho à extensão de seu presente discurso. Sem
dúvida, seu significado neste lugar é, (consistentemente com tudo o que vem
antes e segue depois) – Eu vim estabelecê-la, em sua plenitude, a despeito de
todo a aparência enganosa dos homens: Eu vim situá-la, em seu entendimento
completo e claro, por mais difícil de entender e obscura que seja: eu vim
declarar a verdade, e o completo significado de cada parte dela; para mostrar o
comprimento e largura; a inteira extensão de todo mandamento contido nela; e a
altura e profundidade, a sua pureza e espiritualidade inimagináveis, em todas
as suas ramificações.
4. E isto nosso Senhor tem
abundantemente demonstrado nas partes precedentes e subseqüentes do discurso,
diante de nós, nas quais ele introduziu uma nova religião no mundo. Mas a
mesma,desde o início: -- a religião, cuja essência é sem dúvida, tão antiga
quanto a criação, sendo contemporânea do homem, e tendo procedido de Deus, no
momento em que 'o homem tornou-se uma alma vivente'; (a essência,
eu digo; porque algumas circunstâncias dela, relaciona-se agora ao homem como
uma criatura caída); -- a religião testemunhada, tanto pela lei, quanto pelos
profetas, em todas as gerações que se seguiram. Ainda assim, ela nunca foi tão
completamente explicada, nem tão inteiramente entendida, até que o próprio grande Autor condescendeu
em dar à humanidade esse comentário autêntico sobre todas as ramificações
essenciais dela; ao mesmo tempo, declarando que ela nunca deverá ser mudada,
mas deverá permanecer em vigor até o fim do mundo.
II
1.
'Em verdade eu digo a vocês', (um prefácio solene, que denota a
importância e a certeza do que estava sendo falado) 'até que o céu e
terra passem, nem um jota ou um til, deverá, de forma alguma, serem tirado da
lei, até que ela seja cumprida'.
'Um jota':-- Literalmente,
nem um iota [letra grega]; nem a mais insignificante vogal: 'Nem um
til', -- um ângulo, ou ponto
de uma consoante. Esta é uma expressão proverbial que significa que nenhum
mandamento contido na lei moral; nem a menor parte de algum dele, por mais
insignificante que seja, deverá ser anulado.
'Não deverá, de maneira nenhuma,
deixar de cumprir a lei'. A negativa dupla, aqui usada, fortalece o
sentido, de modo a admitir nenhuma contradição: E pode ser observado, que não
se trata apenas do futuro, declarando o que será; mas tem igualmente a
força de um imperativo, ordenando que deverá ser. Esta é uma palavra
de autoridade, expressando a soberana vontade e poder Dele que fala; Dele, cuja
palavra é a lei do céu e terra, e se mantém para sempre e sempre.
'Um jota ou um til deverá, de
maneira alguma, passar, até que o céu e terra passem'; ou como está expresso
imediatamente depois, até que tudo (ou melhor, todas as coisas) sejam
cumpridas; até a consumação de todas as coisas. Aqui não existe, por
conseguinte, lugar para aquela pobre evasão (com a qual alguns têm livrado a si
mesmos grandemente) de que 'nenhuma parte da lei deveria para passar, até
que toda a lei fosse cumprida: Mas ela já foi cumprida por Cristo;
portanto, agora, deverá passar, para que o Evangelho possa ser estabelecido'. Não
é assim; a palavra todo não significa toda a lei, mas todas as coisas no
universo; nem o termo 'cumprida', faz qualquer referência à lei, mas a
todas as coisas no céu e terra.
2. De
tudo isto nós podemos aprender que não existe contradição entre a lei e o
Evangelho; que não existe necessidade da lei ser extinta, para que o Evangelho
possa ser estabelecido. De fato, nem um deles substitui o outro, mas concordam
perfeitamente bem juntos. Sim, as mesmas palavras, consideradas em diferentes
aspectos, são partes, tanto da lei, quanto do Evangelho. Se eles são
considerados como mandamentos, eles são parte da lei; se, como promessas, do
Evangelho. Assim, 'Tu deves amar ao Senhor teu Deus com todo teu coração',
quando considerado como um mandamento, é uma ramificação da lei; quando levado
em conta de promessa, é uma parte essencial do Evangelho; -- o Evangelho, sendo
nada mais do que os mandamentos da lei, dispostos, através do caminho das
promessas. Assim sendo, pobreza de espírito; pureza de coração e qualquer outro
que esteja anexa na santa lei de Deus, não é outra coisa, quando vista sob a
luz do Evangelho, do que as tão grandes e preciosas promessas.
3. Existe, por conseguinte,
uma conexão intima que pode ser concebida, entre a lei e o Evangelho. De um
lado, a lei continuamente cria o caminho para o Evangelho, e nos aponta até
ele; do outro, o Evangelho continuamente nos conduz a um cumprimento mais exato
da lei. A lei, por exemplo, requer que amemos a Deus, que amemos nosso próximo,
que sejamos humildes, mansos e santos. Nós sentimos que não somos suficientes
para essas coisas; sim, que 'com o homem isto é impossível': Mas nós
vemos a promessa de Deus, nos dando aquele amor, e nos tornando humildes,
mansos e santos: Nós nos agarramos a esse Evangelho; a essas boas novas; e isto
é feito junto a nós, de acordo com nossa fé; e a 'retidão da lei é cumprida
em nós', através da fé que está em Jesus Cristo.
Nós podemos ainda observar, mais
além, que todo mandamento nas Escrituras Sagradas é apenas uma promessa
encoberta. Porque, através daquela declaração solene: 'Esta é a aliança que
eu farei, diz o Senhor; eu irei colocar as leis em suas mentes, e escrevê-las
em seus corações'. Deus se comprometeu a dar o que quer que ele ordene. Ele
nos ordena, então, que 'oremos, sem cessar?'. Que 'nos regozijemos,
mais e mais?'. 'Que sejamos santos, como Ele é santo?'. É o
suficiente. Ele irá operar em nós essas mesmas coisas. Elas serão em nós, de
acordo com sua palavra.
4. Mas, se essas coisas são
assim, nós não podemos estar perdidos quanto ao que pensar sobre aqueles que,
em todas as épocas da Igreja, têm empreendido mudar ou substituir alguns
mandamentos de Deus, como eles professaram, através da direção peculiar de seu
Espírito. Cristo aqui tem nos dado uma regra infalível, por meio da qual, julga
todas essas pretensões. O Cristianismo, como ele inclui toda a lei moral de
Deus; tanto pelo caminho da injunção, quanto da promessa, se nós entendermos
que ele é designado de Deus para ser a última de todas as suas revelações; não
haverá outra a vir depois disso. Isto deve durar até a consumação de todas as
coisas. Como conseqüência, essas tais novas revelações são de Satanás, e não de
Deus; e todas essas pretensões à outra revelação, por mais perfeitas que sejam,
caem por terra, afinal.'Céus e terra passarão'; mas esta palavra 'não
passará'.
III
1.
'Qualquer, pois, que violar um desses menores mandamentos, e assim
ensinar aos homens, será chamado o menor no Reino dos céus: aquele, porém, que
os cumprir e os ensinar, será chamado grande no Reino dos céus'.
Quem,
ou o que são eles que darão à 'pregação da lei', um caráter de
reprovação? Será que eles não sabem, em quem a reprovação deles irá cair, --
quais cabeças ela deverá golpear, por fim? Qualquer um que, por este motivo,
menosprezar a nós, menosprezará a Ele que nos enviou. Por que homem algum
pregou a lei como Ele; mesmo quando ele veio, não para condenar, mas para
salvar o mundo; quando ele veio propositadamente para 'trazer vida e
imortalidade à luz, através do Evangelho?'. Pode alguém pregar a lei mais
expressamente, mais rigorosamente, do que Cristo faz nessas palavras? E quem é
ele que deve corrigi-la? Quem é ele que deve instruir o Filho de Deus, em como
pregar? Quem irá ensinar a Ele um caminho melhor, para entregar a mensagem que
Ele recebeu do Pai?
2. 'Qualquer,
pois, que violar um desses mandamentos', ou um dos menores desses mandamentos. – Nós
podemos observar, que 'esses mandamentos' é um termo usado por nosso
Senhor, como equivalente com a lei e os Profetas, -- o que é a mesma coisa;
vendo que os Profetas nada acrescentaram à lei; apenas declararam, explicaram
ou reforçaram-na, quando movidos, pelo Espírito Santo.
'Qualquer que violar alguns desses menores
mandamentos';
especialmente, se for feito propositadamente ou presunçosamente: -- Apenas um;
-- porque 'ele que mantém toda a lei, e', mesmo assim, 'viola em um
ponto, é culpado afinal'; a ira de Deus habita nele, tão certo, quanto se
ele tivesse violado cada um. De modo que nenhuma tolerância é feita para uma
única concupiscência predileta; nenhuma ressalva para um ídolo; nenhuma
desculpa por se reprimir de todas as demais; apenas dando caminho para um único
pecado íntimo. O que Deus exige é uma obediência total; como se tivéssemos um
olho único para todos Seus mandamentos; do contrário, nós perderemos todo o
trabalho que tivemos em manter alguns, e as nossas pobres almas para todo o
sempre.
'Algum desses menores', ou um
dos menores desses mandamentos: -- Aqui está uma outra desculpa eliminada, por
meio da qual, muitos que não enganaram a Deus, miseravelmente ludibriaram as
suas próprias almas. 'Este pecado', diz o pecador, 'não é um pecado
pequeno? O Senhor não irá me poupar nisso? Certamente, que ele não será
extremista para marcar este, já que eu não ofendi nas maiores questões da lei'.
Esperança vã! Falando como homens, nós podemos denominar esses, de grandes, e
aqueles, de pequenos mandamentos; mas, na realidade eles não são assim. Se nós
usarmos a propriedade da linguagem, não existe tal coisa como um pequeno
pecado; todo pecado é uma transgressão da lei santa e perfeita; e uma
afronta à grande Majestade dos céus.
3. 'E
ensinarem aos homens dessa maneira'.
De alguma forma, pode ser dito que, qualquer que abertamente viola algum
mandamento, ensina aos outros o mesmo; porque o exemplo fala, e muitas vezes,
mais alto do que a regra. Neste sentido, é aparente que cada bêbado declarado é
um professor de alcoolismo; todo aquele que viola o sábado, constantemente
ensina seu próximo a profanar o dia do Senhor. Mas isto não é tudo: Um violador
habitual da lei, raramente está satisfeito em parar por aqui; ele geralmente
ensina outros homens a fazerem o mesmo, através de palavras, assim como, de
exemplo; especialmente, quando ele se embrutece, e odeia ser reprovado. Tal
pecador, logo se principia, em um advogado para o pecado; ele defende o que ele
está resolvido a não renunciar; ele desculpa o pecado que ele não irá deixar,
e, assim, ensina diretamente todo pecado que ele comete.
'Ele será chamado o menor no reino dos céus'; -- ou seja, não terá parte nele;
Ele é um estranho ao reino dos céus, que está na terra; ele não terá porção
naquela herança; não compartilhará daquela 'retidão, e paz, e alegria no
Espírito Santo'. Nem, em conseqüência, poderá ter alguma parte na glória a
ser revelada.
4. Mas, se até mesmo esses
que assim violam, e ensinam a outros a violarem 'um dos menores desses
mandamentos, serão chamados menores no reino dos céus'; não terão parte no
reino de Cristo e de Deus; se estes deverão ser lançados para dentro da 'escuridão
exterior, onde existe lamentação e ranger de dentes', então, como será para
aqueles que nosso Senhor, principalmente e originalmente, pretende nessas
palavras, -- aqueles que, não obstante, levem o caráter de Professores enviados
de Deus, violam seus mandamentos; sim, e abertamente ensinam a outros a assim
procederem; sendo corruptos tanto na vida quanto na doutrina?
5. Esses são de diversos
tipos. Os do primeiro tipo, vivem em algum pecado terrível habitual. Agora, se
um pecador comum ensina, através do seu exemplo, quanto mais um Ministro
pecaminoso, -- mesmo que ele não pretenda defender, desculpar ou minorar seu
pecado! Se ele faz isto, ele é um assassino, de fato; sim, um assassino geral
de sua congregação! Ele povoa as regiões da morte. Ele é o instrumento
preferido do príncipe das trevas. Quando ele procede assim, 'o inferno
move-se para encontrá-lo em sua vinda'. Nem ele pode afundar no abismo
insondável, sem carregar uma multidão atrás de si.
6. Próximo a estes, estão os
agradáveis; um tipo de homens bons: os que vivem uma vida fácil, e inofensiva;
não se preocupando com pecado exterior, nem com santidade interior; homens
que não são notáveis, nem por um
caminho, nem por outro; nem para a religião, nem para a descrença; que são
bastante regulares, tanto em público, quanto em privado, mas que não pretendem
ser alguém mais perfeito do que seu próximo. Um Ministro deste tipo não apenas
viola um, ou alguns dos menores mandamentos de Deus; mas todas as grandes e
importantes ramificações de sua lei, que se relaciona ao poder da santidade, e
a tudo que requer que 'passemos o tempo de nossa hospedagem em temor';
para 'operarmos nossa salvação com temor e tremor'; ' tendo sempre
nossos quadris amarrados, e nossas luzes queimando'; nos esforçando ou nos
afligindo 'para entrarmos pelo portão estreito'. E ele ensina os
homens assim, através de toda a forma de sua vida, e no teor geral de sua
pregação, que uniformemente tende a confortar aqueles que, em seus sonhos
prazerosos, se imaginam cristãos e não o são; para persuadir a todos que atendem
ao seu ministério, a dormirem e descansarem. Não seria de se maravilhar, por
conseguinte, que ele, e aqueles que o seguem acordassem juntos no fogo eterno'.
7.
Mas, acima de todos estes, no mais alto pódio dos inimigos do Evangelho de
Cristo, estão aqueles que abertamente e explicitamente 'julgam a lei',
por si mesma, e 'falam mal dela'; aqueles que ensinam os homens a
violarem, (a dissolverem, a desprenderem-se, a se desobrigarem dela), não
apenas de um mandamento, quer seja ele o menor, ou o maior, mas de todos, de
uma tacada só; os que ensinam, sem qualquer pretexto, em tantas palavras: 'O
que nosso Senhor fez com a lei? Ele a aboliu. Não existe outra obrigação, a não
ser crer. Todos os mandamentos são inadequados para nossos tempos. Nenhum homem
é obrigado agora a seguir um passo; a gastar um centavo; a retirar ou omitir um
pedaço, de qualquer exigência da lei'. Isto, realmente, é levar os assuntos
com um pulso forte; isto é opor-se a nosso Senhor, e dizer a Ele que Ele não
soube como entregar a mensagem para o qual Ele fora enviado. Ó, Senhor, não
coloque este pecado na responsabilidade deles! Perdoa-lhes, Pai; porque eles
não sabem o que fazem!
8.
A mais surpreendente de todas as circunstâncias que atendem a essa forte
ilusão, é que eles que desistiram dela, realmente acreditam que eles honram a
Cristo, subvertendo sua lei, exaltando seu trabalho, enquanto destroem sua
doutrina! Sim, eles o honram, assim como fez Judas, quando ele disse: 'Saudações,
Mestre', e o beijou. E Jesus pode justamente dizer a cada um deles: 'Traístes
o Filho do Homem com um beijo?'. Isto não é nada diferente, do que traí-lo
com um beijo; falar de seu sangue, e tirar fora sua coroa; estabelecer a luz,
através de alguma parte de sua lei, debaixo da pretensão de melhorar seu
Evangelho. Não, de fato, pode alguém escapar dessa responsabilidade, quem prega
fé, de tal maneira, que tanto direta, quanto indiretamente tende a colocar de
lado algum ramo da obediência. Que prega Cristo, como que a ab-rogar, ou
enfraquecer, de qualquer modo, o menor dos mandamentos de Deus.
9. É
impossível, de fato, ter tão alta estima pela 'fé do eleito de Deus'. E
nós devemos todos declarar: 'Pela graça,você é salvo, através da fé; não da
obras, a fim de que homem algum possa gabar-se'. Devemos clamar alto para
todo pecador penitente: 'Creia no Senhor Jesus Cristo, e você será salvo'.
Mas, ao mesmo tempo, nós devemos cuidar que todos os homens saibam, que nós não
estimamos a fé, a não ser aquela que é operada, através do amor. 'Porque em
Jesus Cristo, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm virtude alguma, mas
sim a fé que opera pelo amor'. (Gálatas 5:6); e que nós não somos
salvos pela fé, a menos que sejamos libertos do poder e da culpa do pecado. E,
quando nós dizemos: 'Creia, e você será salvo'; nós não queremos dizer: 'Creia,
e você dará um passo do pecado para o céu, sem alguma santidade entre eles; a
fé substituindo a santidade'; mas: 'Creia, e você será santo; acredite
em nosso Senhor Jesus, e terá paz e poder juntos. Você terá a paz Dele, em que
você crê, para colocar o pecado debaixo de seus pés; terá poder, para amar o
Senhor teu Deus, com todo o seu coração; e para servi-lo com todas as suas
forças:terá poder 'pela perseverança continua em fazer o bem, em buscar pela
glória, e honra e imortalidade; você deverá tanto cumprir, como ensinar os
mandamentos de Deus - do menor até o maior: Você deverá ensiná-los, através de
sua vida, assim como de suas palavras, e assim sendo, 'ser chamado grande no
reino dos céus'.
1.
Qualquer que seja o outro caminho que ensinemos para o reino dos céus, para a
glória, honra e imortalidade; seja ele chamado de caminho da fé, ou por algum
outro nome, ele será, na verdade, o caminho para a destruição. Ele não irá
trazer paz ao homem, por fim. Para isto, disse o Senhor: '[Verdadeiramente]
digo a vocês, que com exceção à sua retidão que deve exceder a retidão dos
Escribas e fariseus, você, de maneira alguma, entrará no reino dos céus'.
Os Escribas, tão freqüentemente
mencionados no Novo Testamento, como alguns dos mais constantes e veemente
opositores de nosso Senhor, não eram apenas os secretários, ou homens
encarregados das escritas, como este termo nos inclinaria a acreditar. Nem eram
advogados, como em nosso senso comum da palavra; embora ela tenha sido assim
transcrita em nossa tradução. A ocupação deles não tinha afinidade com aquela
de um advogado, entre nós, afinal. Eles eram familiarizados com as leis de
Deus, e não com a lei dos homens. Essas eram a matéria dos estudos deles: Era
ocupação pessoal e peculiar deles, lerem e exporem as leis e os Profetas,
particularmente nas sinagogas. Eles eram os pregadores costumeiros e declarados
entre os judeus. De maneira que, se o sentido da palavra original era para ser
observada assim, nós podemos reproduzi-la como, os Clérigos. Porque esses eram
os homens que fizeram da Teologia sua profissão: e eles eram geralmente (como
os nomes deles literalmente significam), homens de letras; os maiores homens do
saber que existiam, então, na nação judaica.
2. Os fariseus eram uma
facção, ou um corpo de homens, muito antigos, entre os judeus; originalmente
assim chamados da palavra hebraica PRS – que significa separar ou
dividir. Não que eles tivessem feito alguma separação formal, ou divisão
dentro da igreja nacional. Eles eram apenas distinguidos de outros, através da
maior rigor de vida; através de uma conversa mais precisa. Já que eles eram
zelosos da lei, em seus mínimos pontos; pagando o dízimo de hortelã, anis
verde, e cominho: e, por isto eles eram honrados, por todas as pessoas, e
geralmente, estimados como os homens mais santos.
Muitos dos Escribas eram da seita
dos fariseus. Assim o próprio Paulo, que foi educado por um Escriba, primeiro
na Universidade de Tarsus; e, mais tarde, naquela em Jerusalém, sob a responsabilidade
de Gamaliel, (um dos mais ilustrados Escribas ou Doutores da lei que existiam,
então, na nação) declara de si mesmo, perante o Concílio: 'Varões, irmãos,
eu sou um fariseu, filho de fariseu!' (Atos 23:6). E, diante do Rei
Agrippa: 'Sabendo de mim, desde o princípio (se o quiserem testificar), que,
conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu'. (Atos 26:5). E todo o corpo de
Escribas, geralmente, estimava e atuava, em concordância com os fariseus. Por
isto, nós encontramos nosso Senhor, tão freqüentemente, unindo os dois, em
muitos aspectos, debaixo da mesma consideração. Assim sendo, eles parecem ter
sido mencionados juntos, como os mais eminentes professores de religião; os
primeiros deles, considerados os mais sábios, -- os últimos, os mais santos dos
homens.
IV
3. O que 'a retidão dos
Escribas e fariseus' realmente eram, não é difícil determinar. Nosso Senhor
tem preservado um relato autêntico, do que um deles deu de si mesmo: E ele é
claro e completo na descrição de sua própria retidão; e não se pode supor que
tenha omitido alguma parte dele. Ele fora, realmente, 'até o templo para
orar'; mas estava tão concentrado em suas próprias virtudes, que ele se
esqueceu do porquê tinha vindo. Porque é digno de nota, que ele não orou
propriamente, afinal. Ele apenas disse a Deus quão sábio e bom ele era. 'Deus,
eu agradeço a ti, que eu não seja como os outros homens, extorquidores,
injustos, adúlteros; ou mesmo como esse publicano. Eu jejuo duas vezes, na
semana: Eu dou o dízimo de tudo que possuo'. Sua retidão, por conseguinte,
consistiu de três partes:
1o. Disse ele,'eu
não sou como os outros homens'; Eu não sou um extorquidor, um homem
injusto, um adúltero; nem 'mesmo como esse publicano'.
2. 'Eu
jejuo duas vezes na semana':
3o. 'Eu dou o dízimo de tudo que possuo'.
'Eu não sou como outros homens são'. Este não é um ponto pequeno. Não é
todo homem que pode dizer isto. Isto é como se ele tivesse dito: 'Eu não me
deixarei levar embora por esta grande correnteza, o hábito. Eu não vivo,
através do que é de costume, mas, através da razão; não pelos exemplos de
homens, a não ser a Palavra de Deus. Eu não sou um extorquidor, um injusto, um
adúltero; não obstante, o quão comuns esses pecados sejam, mesmo entre esses
que são chamados o povo de Deus; (extorsão, em particular, -- uma espécie de
injustiça legal, não punível, através de alguma lei humana; o obter ganho da
ignorância ou carência de outro, tendo preenchido cada canto da terra): nem
mesmo como esse publicano; nem culpado de algum pecado declarado ou presumido;
nem um pecador exterior; mas um homem justo e honesto, de vida e conversa
irrepreensíveis".
4. 'Eu
jejuo duas vezes na semana'.
Existe mais coisa incluída nisto, do que nós podemos, a princípio estar
sensíveis a respeito. Todos os estritos fariseus observavam os jejuns semanais;
ou seja, toda segunda e quinta-feira. No primeiro dia, eles jejuavam, em
memória de Moisés ter recebido, naquela data, (como a tradição deles ensina),
as duas tábuas de pedra escritas pelo dedo de Deus; no último, em memória da
expulsão deles de suas terras, quando ele viu o povo dançando em volta do
bezerro de ouro. Nesses dias, eles não se alimentavam, afinal, até três horas
da tarde; a hora que começavam a oferecer o sacrifício vespertino no templo.
Até esta hora, era costume deles permanecerem no templo, em alguns cantos,
salas, ou pátio dele; para que eles pudessem estar prontos para assistir todos
os sacrifícios, e reunirem-se em todas as orações públicas. O tempo de espera
eles estavam acostumados a empregar, parcialmente em recomendações pessoais a
Deus; parcialmente no estudo das Escrituras, em ler a Lei e os Profetas, e em
meditação depois disso. Assim, muito está subtendido em 'Eu jejuo duas vezes
na semana'; a segunda ramificação da retidão de um fariseu.
5. 'Eu
dou o dízimo de tudo que possuo'.
Isto os fariseus faziam com a mais extrema exatidão. Eles não faziam exceção da
coisa mais insignificante; não, nem hortelã, anis verde, e cominho. Eles não
trariam de volta a menor parte do que eles acreditavam pertencer propriamente a
Deus; mas davam um décimo inteiro de todo recurso anualmente, e de todo o
ganho, qualquer que ele fosse.
Sim, os estritos fariseus (como tem
sido freqüentemente observado, por aqueles que são versados nos escritos judeus
antigos), não satisfeitos em dar um décimo do que tinham para Deus, nos seus
sacerdotes e Levitas [membro da tribo de Levi, entre os judeus]; dar outro
décimo para Deus, nos pobres; e assim continuamente; eles davam a mesma
proporção de tudo que tinham em donativos, como eles estavam acostumados a dar
em dízimo. Ele isto igualmente eles ajustavam com a mais extrema exatidão; para
que não trouxessem de volta alguma parte, mas devolvendo completamente a Deus
as coisas que eram de Deus, como eles consideravam isto ser. De modo que, sobre
o total, eles tiravam, de ano a ano, um quinto completo de tudo que eles
possuíam.
6. Esta era 'a retidão dos
Escribas e fariseus'; uma retidão que, em muitos aspectos, vai muito além
da concepção que muitos estão acostumados a tomar em consideração, no que
concerne a ela. Mas, talvez, seja dito: 'Era tudo falso e dissimulado;
porque eles eram todos uma companhia de hipócritas'. Alguns deles, sem
dúvida, eram; homens que não tinham religião alguma realmente; nenhum temor a
Deus, ou desejo de agradá-lo; que não tinham preocupação pela honra que vem de
Deus, mas apenas pelo reconhecimento de homens. E esses são aqueles que nosso
Senhor condena severamente; reprova tão categoricamente, em muitas ocasiões.
Nós
não podemos supor, porque muitos fariseus eram hipócritas, que, por
conseguinte, todos eram assim. Nem de fato é a hipocrisia, por meio de algum
significado, os princípios básicos do caráter de um fariseu. Esta não é a marca
característica da seita deles. Ela é, preferivelmente, de acordo com o relato
de nosso Senhor, isto: 'Eles confiavam em si mesmos, que eles eram retos, e
menosprezavam outros'. Este é o distintivo genuíno deles. Mas o fariseu
desse tipo não era um hipócrita. Ele devia ser, em um senso comum, sincero; do
contrário, ele não poderia 'confiar em si mesmo que ele fosse justo'. O
homem que estava aqui recomendando a si mesmo a Deus, inquestionavelmente
acreditava que era reto. Conseqüentemente, ele não era hipócrita; ele mesmo não
era consciente de alguma insinceridade. Ele agora falava para Deus, exatamente
o que ele pensava; ou seja, que ele era abundantemente melhor do que outros
homens.
Mas
o exemplo de Paulo, não existisse algum outro, é suficiente para colocar isto
fora de toda questão. Ele não poderia apenas dizer, quando cristão, 'E, por
isto, procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, em direção a Deus e em
direção a homens' (Atos 24:16); mas mesmo concernente ao tempo em
que era um fariseu, 'Varões e irmãos, eu tenho vivido em boa consciência,
diante de Deus, até esse dia'. (Atos
23:1). Ele era, portanto, sincero, enquanto fariseu, tanto quanto, quando
foi um cristão. Ele não era mais hipócrita, quando ele perseguia a Igreja, do
que quando ele pregou a fé que uma vez ele perseguiu. Que a isto, então, seja
acrescentado: 'a retidão dos Escribas e fariseus', -- uma crença sincera
de que eles eram justos, e, em todas as coisas,
fazendo o serviço de Deus'.
7. E ainda, 'com exceção
de sua retidão', diz nosso Senhor, exceder a retidão dos Escribas e
fariseus; ainda assim, de maneira alguma, entrará no reino dos céus'. Uma
declaração solene e importante, e que coube a todos os que eram chamados pelo
nome de Cristo, considerarem séria e profundamente. Mas, antes que perguntemos
como nossa retidão pode exceder a deles, vamos examinar se, no momento, nós nos
aproximamos dela.
Primeiro, um fariseu não era 'como
outros homens eram'. No exterior ele era singularmente bom. Nós somos
assim? Nós nos atrevemos a sermos singulares, afinal? Nós não preferimos nadar
com a correnteza? Nós não prescindimos da religião e da razão juntas, muitas
vezes, porque não pareceríamos singulares? Nós não estamos mais
temerosos de estarmos fora da moda, do que de estarmos fora do caminho da
salvação? Nós temos coragem de enfrentar a maré? – de andar na contramão do
mundo? – 'de obedecer a Deus, preferivelmente, a homem'. Do contrário, o fariseu nos deixa para trás,
no mesmo primeiro passo. Seria bom, se nós o alcançássemos mais.
Mas, para chegar perto, nós podemos
usar sua primeira justificativa com Deus, que é, em substância: 'Eu não
causo dano: Eu não vivo em pecado exterior. Eu não faço coisa alguma, pela qual
meu coração me condena'. Você não faz? Você está certo disto? Você não
vive, em uma prática, pela qual seu coração o condena? Se você não é um
adúltero, se você não é lascivo, tanto na palavra ou ação, você não é injusto?
A grande medida da justiça, assim como da misericórdia é: 'Não faça aos
outros, o que você não quer que seja feito a você'. Você caminha por esta
regra? Você nunca fez a alguém o que você não gostaria que ele fizesse a você?
Mais ainda: você não é grosseiramente injusto? Você não é um extorquidor? Você
não obtém ganho com a ignorância e carência de alguém; nem comprando, nem
vendendo? Suponha que você esteja envolvido em um comércio: Você demanda; você
recebe não mais do que o valor real do que você vende? Você demanda; você
recebe, não mais do ignorante do que do instruído, -- de uma criança pequena,
do que de um experiente comerciante? Se você faz, porque seu coração não o
condena? Você é um extorquidor descarado! Você não exige de alguém que esteja
em necessidade premente, mais do que o
preço usual das mercadorias, -- a quem você deve, e isto sem demora, as coisas
com as quais você apenas pode prover a ele? Se você procede assim, isto
também é uma extorsão clara. De fato, você não alcança a retidão de um
fariseu.
8. Em
Segundo lugar, um fariseu (para expressar seu sentido em nosso caminho comum)
usou todos os meios da graça. Como ele jejuava freqüentemente e muito, duas
vezes em cada semana, então ele atendia todos os sacrifícios. Ele era constante
nas orações públicas e privadas, e em ler e ouvir as Escrituras. Você chega a
tanto? Você jejua muito e freqüentemente? – duas vezes na semana? Eu temo que
não! Uma vez, pelo menos, 'todas as sextas-feiras do ano?' (assim nossa
igreja, clara e categoricamente ordena a todos os seus membros a fazerem; a
observarem todos esses, tanto quanto as vigílias, e os quarenta dias de
quaresma, como dias de jejum e abstinência). Você jejua duas vezes por semana?
Eu temo que alguns, entre nós, não podem alegar até mesmo isto! Você não
negligencia a oportunidade de atender e participar do sacrifício cristão?
Quantos
são eles que chamam a si mesmos cristãos, e, ainda assim, são extremamente
descuidados disto, -- ainda assim, não comem daquele pão; ou bebem daquela
taça, por meses; talvez, anos, juntos? Você ouve, lê e medita sobre as
Escrituras, todos os dias? Você se reúne em oração com a grande congregação,
diariamente, se você tem oportunidade; se não, quando você pode;
particularmente, naquele dia que você 'lembra de mantê-lo santo?'. Você
se esforça para 'criar oportunidades?'. Você fica feliz, quando eles
dizem a você: 'Vamos à casa do Senhor?'. Você é zeloso e diligente nas
orações privadas? Você não suporta um dia passar sem elas? Antes, alguns de
vocês não estão tão longe de passarem nisto, (como os fariseus) diversas horas,
no dia, de maneira a pensarem que uma hora já é completamente suficiente, se
não, muito? Você passa uma hora de um dia, ou de uma semana, em oração para o
Pai que está em secreto? Sim, uma hora em um mês? Você passa uma hora, reunido
em oração privada, desde que você nasceu? Ah! Pobres cristãos! O fariseu não
deveria se levantar em julgamento contra vocês e condena-los? A retidão dele
está tão acima da sua, quanto os céus estão acima da terra!
9. Em
Terceiro lugar, o fariseu dava os dízimos, e fazia donativos de tudo o que
possuía. E de que maneira profusa! De modo que ele era (como nós expressamos
isto) 'um homem que fazia muito o bem'. Nós o alcançamos aqui? Qual de
nós é assim tão abundante como ele, nas
boas obras? Qual de nós dá a quinta parte de tudo que tem a Deus? Tanto do
essencial, quanto do lucro? Quem de nós, em vez de (supondo-se) cem libras por
ano, dá vinte a Deus e ao pobre; em vez de cinqüenta, dez; e assim em uma
proporção maior ou menos: Quando nossa retidão, usando de todos os meios da
graça; atendendo a todas as ordenanças de Deus; evitando o mal e fazendo o bem,
irá se igualar, por fim, à retidão dos Escribas e fariseus?
10. E, mesmo que apenas se
iguale à deles, de que proveito seria? 'Porque, verdadeiramente, eu digo,
que, exceto, se a retidão de vocês excederem à retidão dos Escribas e fariseus,
vocês, de modo algum, entrarão no reino dos céus'. Mas como ela poderá exceder a deles? Em que a
retidão de um cristão excederia aquela de um Escriba e fariseu? A retidão
cristã excede a deles:
Primeiro,
na extensão dela. A maioria dos fariseus, embora fossem rigorosamente
exatos, em muitas coisas, ainda assim, eram encorajados, pelas tradições dos
presbíteros a prescindirem de outras de igual importância. Assim, eles eram
extremamente pontuais em manter o quarto mandamento, -- eles não roubariam uma
espiga de milho, no sábado judeu; mas, não em manter o terceiro, afinal, --
tendo a menor consideração ao mais leve, ou até mesmo falso juramento. De modo
que a retidão deles era parcial; considerando que a retidão de um cristão real
e universal. Ele não observa uma, ou algumas partes da lei de Deus, e
negligencia o restante; mas mantêm todos os seus mandamentos, amando-os todos,
valorizando-os acima do outro e pedras preciosas.
11. Realmente, pode ser que
alguns dos Escribas e fariseus se esforçaram para manterem todos os
mandamentos; e, conseqüentemente foram, no tocante à retidão da lei, ou seja,
de acordo com a letra dela, irrepreensíveis. Mas, ainda assim, a retidão de um
cristão excede todas essas retidões de um Escriba e fariseu, no cumprimento do
espírito, tanto quanto da letra da lei; através da obediência interior e
exterior. Nisto, na espiritualidade dela, não se admite comparação. Este é o
ponto que nosso Senhor tem tão largamente provado, em todo o teor deste
discurso. A retidão deles era apenas externa: a retidão cristã está no intimo
do homem. O fariseu 'limpava o exterior da taça e da travessa'; o
cristão é limpo por dentro. O fariseu esforçava-se para apresentar a Deus uma
vida boa; o cristão, um coração santo. Um livrava-se das folhas, talvez dos
frutos do pecado; o outro, 'deitava o machado na raiz', não estando
contente com a forma da santidade exterior, por mais exata que ela pudesse ser,
a menos que a vida, o Espírito e o poder de Deus junto à salvação, fossem
sentidos, no mais íntimo da alma.
Assim
sendo, não causar mal, fazer o bem, e atender a todas as ordenanças de Deus (a
retidão de um fariseu) eram todas externas; considerando que, ao contrário, a
pobreza de espírito, o murmurar, a humildade, a fome e sede em busca da
retidão, o amor nosso próximo, e a pureza do coração - (a retidão de um
cristão) - são todas internas. E mesmo a pacificação (ou fazer o bem), e sofrer
por causa da retidão, dão direito às bênçãos anexadas a eles, apenas porque
implicam nessas disposições interiores que brotam deles, são exercitadas e
confirmadas neles. Assim, considerando que a retidão dos Escribas e fariseus
era tão somente externa, pode-se dizer, em algum sentido, que a retidão de um
cristão é apenas interna: todas as suas ações e sofrimentos, como não sendo
nada em si mesmos, e sendo considerados, diante de Deus, apenas, através dos
temperamentos do qual elas brotam.
12. Quem quer que, por
conseguinte, você seja, que carregue o nome santo e honrado de um cristão,
veja, primeiro, que a sua retidão não se resuma na retidão de um Escriba e
fariseu. Não seja você, 'como os outros homens'. Ouse permanecer
sozinho, em ser 'um exemplo contra o singularmente bom'. Se você 'seguir
a multidão', afinal, será como 'praticar o mal'. Não permita que o
costume e a moda sejam seus guias, mas a razão e a religião. A prática de
outros é nada para você: 'Cada homem dará um relato de si mesmo a Deus'.
De fato, se você não pode salvar a alma de outro, tente, pelo menos, salvar a
sua, -- a própria alma. Caminhe, não nos passos do morto, porque é largo, e
muitos caminham nele. Mais ainda, por essa mesma marca, você pode
identificá-lo. É este o caminho, no qual você caminha – um caminho largo, bem
freqüentado, moderno? Então, ele infalivelmente o conduzirá para a destruição. Oh! Não seja 'condenado, apenas por
companhia!'. Cesse o mal; fuja do pecado, como da face de uma serpente! Por
fim, não cause dano. 'ele que comete o pecado é do diabo'. Que você não
seja encontrado neste número! No tocante aos pecados exteriores, certamente a
graça de Deus é, mesmo agora, suficiente para você. 'Nisto', pelo menos, 'exercite-se
para ter uma consciência que evita a ofensa, em direção a Deus, e em direção ao
homem'.
Segundo. Não permita que
sua retidão esteja abaixo da deles, com respeito às ordenanças de Deus. Se a sua força de trabalho ou corpórea não
lhe permite jejuar duas vezes na semana, de qualquer modo, proceda fielmente
com sua alma, e jejue tão freqüentemente quanto suas forças permitam. Não omita
a oportunidade pública ou privada de derramar
a sua alma em oração. Não negligencie a ocasião de comer do pão e beber
daquela taça que é a comunhão do corpo e sangue de Cristo. Seja diligente em
buscar as Escrituras: leia-nas, o quanto pode, e medite nelas dia e noite.
Regozije-se em abraçar cada oportunidade de ouvir 'a palavra da
reconciliação' declarada pelos 'embaixadores de Cristo', os 'administradores
dos mistérios de Deus'. Em usar todos os meios da graça; em um atendimento
constante e cuidadoso a cada ordenança de Deus, esteja à altura (até que você
possa ir além) 'da retidão dos Escribas e fariseus'.
Em Terceiro lugar: Não esteja abaixo de um fariseu, no fazer o bem. Dê donativos de
tudo o que possui. Alguém está faminto? Alimente. Está com sede? Dê-lhe de
beber. Nu? Cubra-o com uma vestimenta. Se você tem esses bens materiais, não
limite sua beneficência a uma proporção
insuficiente. Seja misericordioso, ao extremo do seu poder. Por que não, tanto
quanto esse fariseu? Agora, 'faça amizade com eles', enquanto o tempo é do 'espírito de cobiça
da retidão', para que, quando caíres¸ quando esse tabernáculo terrestre for
dissolvido, 'eles possam receber a ti nas habitações eternas'.
13. Mas não fique por aqui.
Deixe que sua 'retidão exceda a retidão dos Escribas e fariseus'. Não
fique satisfeito 'em manter toda a lei, e ofender em algum ponto'.
Cumpra rapidamente todos os mandamentos Dele, e, todos 'os falsos caminhos,
abomine totalmente'. Faça todas as coisas que Ele tem ordenado, e isto, com
toda a sua força. Você pode fazer todas as coisas, através de Cristo que o
fortalece; embora, sem ele, você nada possa.
Acima de tudo, permita que sua
retidão exceda a deles, na pureza e espiritualidade dela. Qual é a mais
diligente forma de religião para você? A mais perfeita na retidão exterior? Vá
mais além e mais profundamente do que todas essas! Permita que sua religião
seja a religião do coração. Seja pobre em espírito; pequeno, comum, desprezível
e vil aos seus próprios olhos; maravilhado e humilhado, diante do 'amor de
Deus, que está em Jesus Cristo, seu Senhor. Seja sério: Permita que toda a
correnteza de seus pensamentos, palavras e obras sejam tais que fluam da mais
profunda convicção de que você está na beira do grande abismo; você e todos os
filhos dos homens; prontos para caírem, tanto na glória, quanto no fogo eterno!
Seja manso: Deixe que sua alma seja repleta com a brandura, gentileza,
perseverança, longanimidade, em direção a todos os homens; ao mesmo tempo, que
tudo que existe em você, esteja sedento de Deus, do Deus vivo, desejando acordo
em busca de Seu semblante, e estar satisfeito com ele. Seja um amante de Deus,
e de toda a humanidade. Neste espírito, suporte todas as coisas. Assim,
'excedido a retidão dos Escribas e Fariseus', você será 'chamado o maior no reino dos
céus'.
*.*
[Editado por Dekek e Beryl Johnson
(semi-aposentado pastor Metodista e esposa, em Meadpark, UK,) com correções de
George Lyons para a Wesley Center for
Applied Theology of Northwest Nazarene College (Nampa, ID.)]
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