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quinta-feira, 16 de julho de 2020

QUANTO AMA VOCÊ A JESUS? É VOCÊ UM SAMURAI JAPONÊS?


Marcelo Augusto de Carvalho


ü  Eram 7h 40 da manhã do dia 25 de outubro de 1944. No horizonte do Golfo Leyte, nas Filipinas, apareceram 6 caças japoneses rumo ao ataque dos navios americanos. Os marinheiros da 1  Frota Armada americana correram para as armas antiaéreas e dispararam. Mas, algo estava errado: os aviões japoneses mudavam de curso mas não desviavam. Dois deles atingidos caíram no mar. Um passou rasante e veio direto, estatelando-se no porta-aviões Santee. Os outros três subiram até as nuvens, e 10 minutos depois, mergulharam de 2 000 metros de altitude espatifando-se em outro porta-aviões, o Suwanee. Resultado: 31 marinheiros mortos e 82 feridos. Com muito pesar, o mundo conhecia naquele outubro negro aos legendários kamikase ( pronuncia-se kami-kasê).
ü  A guerra já estava perdida para o Japão desde a derrota na batalha de Midway, em junho de 42. A máquina de guerra japonesa, espalhada pela Ásia, estava arrasada. Faltava combustível, milhares de soldados já haviam morrido, e os navios e aviões já eram muito poucos. Mas eles ainda resistiam.
ü  Por este tempo, a América trabalhava no projeto Manhattam para fabricar a bomba atômica, e Hitler lançava mísseis V1 e V2 sobre Londres. Incapaz de produzir qualquer arma bélica, os generais japoneses recorreram a uma estratégia incomum no Ocidente: para vencer, dariam tudo de si, até mesmo a vida, como sacrifício voluntário. Nasceu assim o projeto Kamikase.
ü  No começo, os Kamikase eram escolhidos entre pilotos de elite voluntários. Mais tarde, solicitavam-se vocações, escolhendo jovens , ao redor de 20 anos. Usando a pressão cultural, o exército conseguiu milhares de adeptos para o projeto pois, no Japão, aos 21 anos, os jovens são ainda considerados em dívida com a família e a sociedade, bem como para muitos jovens medíocres, desprovidos de maiores talentos, a oportunidade de morrer como kamikase significava acesso à glória de herói. Mas, no final, muitos universitários e intelectuais preencheram também estas vagas devido a necessidade.
ü  Eram treinados a serem frios e calculistas. Deviam escolher o alvo a ser atingido, voar com toda prudência e, com mente desperta, olhos bem abertos, mirar a presa e, sem ansiedade ou comoção, levar seu suicídio a termo, alcançando assim a perfeição do autodomínio e a glória de seu país. As fotografias os mostram, instantes antes da decolagem fatal, sorrindo e acenando para os colegas.
ü  Incrível é que jamais faltaram homens para ocuparem esta função. A lista de candidatos era sempre maior do que o número de aviões disponíveis. Também foram empregados em tarefas como homens-rãs-suicidas que levavam botes cheios de dinamites para atacar o inimigo.
ü  Esta idéia suicida de ataque trouxe muita dificuldade ao exército americano, pois no início, não sabiam como reagir: o navio visado devia ziguezaguear ou se mobilizar para melhor ajustar o tiro antiaéreo? Com o tempo descobriu-se como combatê-los, mas até lá, foram afundados pelos kamikase 34 navios, outros 288 ficaram muito danificados e milhares de marinheiros americanos morreram.
ü  A disposição e exemplo de patriotismo dos kamikase fez com que os soldados que combatiam em terra tornarem-se inimigos quase insuperáveis, valendo-se da mesma estratégia dos primeiros: o sacrifício da vida. Na batalha pela Ilha de Leyte morreram 4 000 americanos, mas 65 000 japoneses. A conquista da Filipinas custou 10 440 vidas americanas, e 256 000 japonesas. O massacre se seguiu em Iwo Jima, em fevereiro de 1945, quando morreram 6 812 americanos e 21 000 japoneses, isto é, a guarnição inteira aniquilada.  
ü  Os aliados tinham certeza que os japoneses nunca se entregariam. Aí os generais americanos pensaram: se naquelas ilhotas a resistência fôra tão grande, o que não aconteceria quando os aliados chegassem às ilhas do Japão? Para poupar a estimada morte de 2 milhões em uma guerra de ocupação, os Estados Unidos decidiram jogar a bomba atômica sobre Hiroshima, e depois Nagasáki, em 6 e 9 de agosto de 1945.
ü  Porém, mesmo já havendo morrido milhares de soldados e muitos de seus pilotos, os generais kamikase quando ouviram pelo rádio a rendição japonesa pelo imperador Hiroito, começaram a se suicidar em massa. Praticaram o seppuku, o ritual de abrir-se o ventre com uma adaga, em cruz, da esquerda para a direita, e de cima para baixo, pois não aceitavam a derrota de seu país. O idealizador e comandante dos kamikase, o almirante Onishi Takijiro, foi um dos que se suicidou nesta ocasião. Deixou sobre sua mesa uma poema e sua última mensagem foi : "Eu me dirijo à elite que os kamikase representam. Eles lutaram heroicamente. Estávamos cheios de esperança na vitória final, mas o sacrifício não tornou nosso triunfo possível. Ofereço minha morte em honra de meus subordinados e suas famílias. Também me dirijo aos jovens. Que eles aprendam uma lição com minha morte. Deve-se levar a vida a sério. Deve-se obedecer ao Imperador e, mesmo na derrota, todos devem continuar orgulhosos de serem japoneses".
ü  No final da guerra, foram computados 2 198 pilotos kamikase que morreram. E uma coisa é certa: morreriam quantas vezes pudessem, para defenderem seu país, seu imperador e sua liberdade. Que coragem! Que amor!
ü  Tudo porque simplesmente AMAVAM.

1- QUANDO CRISTO VIER, DISSE ELE QUE FARÁ UMA SELEÇÃO DE PESSOAS, QUE ELE COMPAROU AO TRABALHO DO PASTOR EM SEPARAR OVELHAS E BODES. OVELHAS, SALVAS, BODES PERDIDOS. MAS QUAL SERÁ O CRITÉRIO? QUE PERGUNTA FARÁ O SENHOR PARA PODER PROMOVÊ-LOS AO CÉU? MAT. 25. 31-46.

2- A PRIMEIRA GRANDE PERGUNTA SERÁ: VOCÊ AMA? POR QUE?
v  Você pode Ter vivido 50 anos com sua esposa. Ele perguntará: Você a amou?
v  Você pode Ter trabalhado por sua igreja local, durante muito tempo, realizando serviços eméritos. Ele perguntará: Você amou sua igreja?
v  Você pode Ter ajudado aos pobres e necessitados. Ele perguntará: Você os amou?
v  Deus faz esta pergunta porque Ele nos julga não somente pelas ações em si, mas em primeiro lugar pelos motivos que as fizemos. E ele sabe que se fizermos todo o bem do mundo, mas sem a motivação correta, nós estamos sendo infelizes. E ele não quer levar frustrados para o Céu.

3- A SEGUNDA PERGUNTA: QUANTO VOCÊ AMA?
v  Alguns amam tão fracamente que tal amor não os levou a moverem um só dedo.
v  Deus deseja que você ame não só de palavra, mas de ato. Não quer um sentimento barato, uma emoção passageira, vulgar, baixa. Tudo que vale a pena ser amado, tem que ser plenamente amado, com o custo da própria vida se assim for necessário.
v  Apenas um amor assim pode trazer o prazer que a vida precisa!

4- A QUEM VOCÊ AMA?  JOÃO 21.15-17.
v  O mundo tem 3 coisas para amar: dinheiro, fama e prazer. E a mídia diz: Quem ama esta 3 coisas é plenamente feliz. É verdade isso?
v  Observe que a pergunta de Jesus não é O QUE VOCÊ AMA? Mas QUEM VOCÊ AMA?  Por que?  As coisas nunca devem, e não merecem ser amadas. Amar um carro, uma casa, um terreno, um emprego, é o maior desperdício emocional que existe. E não compensa.
v  Deus não quer que amemos as coisas. Por que? Nós morreremos, e nada destas coisas poderemos levar. Nós nunca mais teremos estas coisas desta vida. Seria frustrante Deus levar para o Céu pessoas que amassem seu carro e depois ficarem sem ele lá na eternidade.
v  Deus quer que amemos PESSOAS. Só elas merecem o nosso amor. Precisamos amar nosso cônjuge, nossos filhos, nossos pais, parentes, amigos e irmãos em Cristo. E é claro, acima de tudo Sua pessoa.

5- É POR ISTO QUE A LEI DE DEUS, SUA REGRA PARA CONDUZIR NOSSA VIDA E PARA NOS JULGAR É BASEADA EM 2 PRINCÍPIOS. QUAIS SÃO ELES?
v  Ganhar dinheiro? Ter sucesso na vida? Ser honrado por todos?
v  Amar a Deus e amar ao próximo. É isso Deus Deus espera de mim e de você e é isto que nos levará para o Céu.

Apelo
Você ama? Quanto ama? A quem ama?
Se amássemos a Jesus verdadeiramente, já teríamos levado Seu evangelho a todo mundo/ daríamos nosso tempo e nosso dinheiro, como os apóstolos, para que Ele pudesse voltar logo/ nos prepararíamos para nos encontrar com Ele.

Não sente amor. Peça

Pr. Marcelo Carvalho. 13/01/2001. Campo Limpo. SP

quarta-feira, 15 de julho de 2020

BRINCANDO DE MORRER


Marcelo Augusto de Carvalho


ATOS 5. 1-10

-Muitas pessoas perguntam assustadas “Por que Deus trata de forma tão dura com o pecado e com os pecadores? Por que Ele parece ser tão intransigente com pequenas faltas e erros?”.

1- ELE SABE QUÃO MORTAL É O PECADO.
ü  Foi na madrugada chuvosa do dia 16 de julho de 1945, numa área de testes de bombas do exército americano, em Alamogordo, Novo México, quando ocorreu a primeira explosão nuclear da história. Umas luz vinte vezes mais brilhante que a do sol, acendeu a noite e fez o céu, o deserto e as montanhas próximas ficarem brancas como papel. Mais lento que a  luz, o som veio segundos depois- um estalo seco, seguido de um trovão. Uma imensa bola de fogo com 2 Km de diâmetro levantou-se, mudando de amarelo para laranja, e depois para vermelho, esta bola alcançou poucos minutos depois, 15 Km de altura. A energia liberada foi de 18 quilotons, o equivalente a  explosão de 18 mil toneladas de dinamite!.  
ü  Três anos foram gastos neste projeto atômico, envolvendo centenas de milhares de engenheiros e trabalhadores civis, bem como físicos e químicos famosos, tendo entre estes 10 ganhadores do Prêmio Nobel.  Para que tenhamos uma idéia de como tal projeto foi abraçado pelos EUA, cidades foram construídas, e outras cresceram em “minutos”, tudo para alimentar o projeto desta “super-bomba”, e mantê-lo em segredo até o grande evento de seu uso em guerra. Em menos de 1 ano foram construídos 250 mil quilômetros de ferrovias, 600 quilômetros de estradas, casas para 40 mil operários , uma fábrica de plutônio (combustível nuclear) , e 9 fábricas espalhadas pelo país a fim de fornecer peças ou combustível para o projeto.
ü  Vinte e hum dias depois do teste em Almologordo,  veio o pesadelo. Em meio à II Guerra Mundial, que já se estendia pôr 6 anos, Alemanha e Itália já haviam se rendido, mas o Japão continuava a combater contra o resto do mundo. Decidiu-se então, atacar a cidade japonesa de Hiroshima, forçando o Japão a se render. Você pode perguntar: Por que foi escolhida Hiroshima? A primeira cidade escolhida foi Kyoto, antiga capital imperial japonesa, com mais de 1 milhão de habitantes e, repleta de templos, palácios e jardins, era um símbolo da nacionalidade do país, portanto um perfeito alvo para quem o queria vencer. Também foi escolhida porque era suficientemente grande e povoada para que fosse analisado o poder destrutivo da nova bomba- que era exclusividade americana. Porém Kyoto saiu da lista  no momento em que se concluiu que atacar um alvo tão carregado de simbolismo dificultaria a reconciliação com o Japão, depois da guerra. Havia também o risco de, nessas condições, o Japão acabar caindo nos braços da União Soviética. Hiroshima então foi escolhida. Com seus 325 000 habitantes, era um lugar onde a bomba surtiria os efeitos físicos e psicológicos esperados. Outra vantagem era a topografia da cidade, plana. O impacto da bomba ali não seria diminuído pôr morros, vales ou colinas que impedissem a progressão de suas potencialidades destrutivas. Outra vantagem era que Hiroshima não havia sofrido bombardeios. Estava virgem de ataques aéreos, e assim se poderia bem avaliar os efeitos da nova arma. 
ü  A bomba atômica, que na época custou 2 bilhões de dólares- 20 bilhões hoje, era de 3 metros de comprimento pôr 70 centímetros de diâmetro, pesando 4000 quilos e apelidada de “Little Boy”, foi colocada num gigantesco quadrimotor B-29, o melhor avião americano, com o nome de Enola Gaye, pilotado pôr Paul Tibbets.
ü  A operação para arrasar a cidade teve início à zero hora do dia 6 de agosto de 1945, quando um pequeno grupo de militares americanos se reuniu na base onde serviam, em Tiniam, nas Ilhas Marianas, Pacífico Sul, para receberem as orientações finais da missão. Seguiu-se um ofício religioso, comum antes das missões difíceis, em que o capelão pediu a Deus: “Que os homens que voam esta noite estejam sob a Tua proteção, e que retornem sãos e salvos”. Às 2h45, o coronel Tibbets decolou a bordo do Enola Gay, acompanhado pôr dois aviões de observação.
ü  Tudo se passou da melhor forma possível, ao amanhecer daquele dia. Fazia um belo dia de verão, em Hiroshima. Céu de brigadeiro. Os americanos queriam ter certeza de que a bomba atingiria o alvo e surtiria os efeitos desejados, por isso dependiam crucialmente do tempo. Assim, na manhã de 6 de agosto de 1945, às 8h 16m a bomba foi jogada. O avião fez uma curva de 180 graus, mergulhou, e acelerou fugindo da explosão. Quarenta e três segundos depois veio o momento fatal! O que se viu então, foi como se estivessem recebendo a visita do sol.  A bomba explodiu no ar, a 580 metros de altitude, formando uma bola de fogo que logo se expandiu, até atingir um raio de 230 metros. Seria um belo espetáculo, se não fosse o resto. A bola de fogo manteve a máxima intensidade de seu brilho por dez segundos. A temperatura, que havia atingido 7 000 graus centígrados, caiu para 1 500 graus centígrados depois de 3 segundos. No hipocentro, o ponto em terra situado bem abaixo, calcula-se que a temperatura subiu para 3 000 ou 4 000 graus centígrados. Isso é bem mais do que a temperatura em que o ferro se funde- 1 535 graus centígrados! Na verdade, foi uma amostra do que seria um esbarrão do Sol!
ü  A bomba atômica queimou, e queimou como coisa alguma criada pelo homem havia queimado antes. Tudo e todos que se expuseram a seu flash pegaram fogo, tal a intensidade do calor que dela se desprendia. A cidade ficou qualhada de incêndios. Quase ninguém, a menos de 5 000 metros dali sobreviveu. Os testemunhos vistos deste momento, de quem sobreviveu são horrendos: “ Vi minha tia em chamas. Ela estava viva e em chamas”. “Vi pessoas sem cabelo e outras com a pele pendurada, como uma casca que se solta. Os bondes ficaram retorcidos. Cavalos e bois corriam enlouquecidos, queimados, inchados”. “Vi uma menina de uns 4 anos com a barriga rasgada e os intestinos pendurados para fora”. “Vi uma jovem mãe carregando uma criança nas costas, e essa criança estava sem cabeça”. “Vi pessoas com a pele caindo como papel que se descolasse. Muita gente corria, alguns fugindo da cidade, outros tentando entrar nela para encontrar parentes e amigos”.
ü  A segunda maneira das mortes ocorridas foi pôr simples “desaparecimento”, sem ficarem sequer carbonizados os cadáveres. No Museu da Paz de Hiroshima, vêem-se fotos de pedaços de calçada, ou escada, com uma mancha negra. É tudo o que restou da pessoa que se encontrava ali. Mas também muitos morreram calcinados pelo fogo. Pode-se ver, no dia seguinte à explosão, uma casa onde telhado e paredes haviam desaparecido, mas o chão estava intacto. Também foi visto um casal e suas 4 crianças, sentados em volta de uma mesa redonda, todos carbonizados, imobilizados como estavam no momento da explosão. o pai estava com uma tigela de arroz na mão, e a mãe tinha os braços estendidos, como se quisesse proteger os filhos ao seu redor, e as outras duas crianças tinham os braços estendidos em direção à ela, como se pedissem proteção”. Foram encontrados centenas de cadáveres carbonizados debaixo de pontes,  que foram amontoados em pilhas para depois serem transpostos. Uma testemunha contou: “Às 3h da tarde, vi na Ponte Motoyasu uma mulher de pé, apoiada no parapeito da ponte, com um filho nas costas e outro no colo, os três mortos carbonizados do jeito em que se encontravam”. Outro diz: “Havia gente com a pele escorregando do corpo. Quem usava chapéu ficou com uma parte do rosto protegida das queimaduras, onde o chapéu lançava sua sombra, a outra não. Igualmente, quem usava camisa de manga curta tinha uma parte do braço salva e a outra queimada. Havia gente com os lábios caídos para fora. Gente inchada”. Muita gente queimada procurava alívio no rio, e morria. O rio estava cheio de cadáveres. As ruas irreconhecíveis.
ü  Quem não morria ou ficava ferido pela exposição direta ao calor produzido pela bomba, podia-se morrer ou ficar ferido pêlos incêndios que rapidamente tomaram conta da cidade. o calor e o fogo foram a primeira causa da destruição, ferimentos e morte. A segunda foi o impacto da explosão. Ao clarão seguiu-se um deslocamento de ar de loucas proporções. a furiosa rajada viajou a 740 metros no segundo posterior à explosão - mais de duas vezes a velocidade do som, que é de 340 metros pôr segundo. Ela fez 4 quilômetros em 10 segundos, e 11 km em 30 segundos, após o que sua velocidade declinou rápidamente. A exposição direta a esta furiosa rajada de vento deslocou os membros de centenas de pessoas, como atirou em todas as direções pedaços de materiais, que ficaram cravados nos corpos das pessoas. Muitos sobreviventes tiveram a experiência de ver seu corpo expulsando naturalmente cacos de vidro que neles penetraram naquele momento, e que só foram expelidos anos depois. Pelo deslocamento de ar, muitos prédios desabaram matando a milhares.
ü  Outros sofreram terríveis alucinações e delírios, pôr terem visto a luz que da bomba irradiou. No hospital, um dizia: “Doutor, o senhor vê aquele cisne nadando no lago?”. Outro dizia: “Deixei cair meu lenço. O senhor o apanharia para mim?”. Outro: “Como é linda essa fonte”. Tinham alucinações de brancura. Suspeita-se que o violento flash de luz quando a bomba caiu ficou gravado na retina deles e que esse flash reaparecia a eles na forma de alucinações de brancura antes de eles morrerem.
ü  Outro tipo de morte foi ainda mais traiçoeiro: a radiação. Nos dias seguintes, muitos sobreviventes começaram a perder os cabelos e a sentirem-se muito cansados. Era o começo do pesadelo, que era seguido pôr pequeninas bolinhas avermelhadas na pele e sangramento na gengiva. A maioria morreu entre 3 e 10 dias depois do aparecimento de tais sintomas. Descobriu-se que a radiação, tendo penetrado a medula óssea e as glândulas linfáticas, destruía os glóbulos brancos do sangue, ocasionando a morte. No dia da explosão, caiu sobre a cidade uma chuva preta, , causada pelas cinzas que se levantara do intenso fogo em baixo da explosão. Muitos morreram contaminados pela radiação que esta dissipou.
ü  Para se ter uma idéia do poder de destruição daquele dia, dos 325 000 habitantes de Hiroshima, 74% morreram no mesmo dia, e 89% nas duas primeiras semanas. Mas nos anos seguintes continuaram a aparecer vítimas. Pela radiação que ficou pelo ar e incrustada nos objetos e no corpo das pessoas, o número de mortos que foi de 70 000 naquele primeiro dia subiu para 140 000 nos 4 meses seguintes, totalizando 200 000 vítimas até 1950. Em 1947 começaram a aparecer casos de catarata entre os sobreviventes. No mesmo ano, registraram-se as primeiras ocorrências de leucemia, cuja incidência atingiria um pico no período 1950-1954. Mas a radiação foi tão intensa que é impossível saber quantos morreram pôr esta contaminação, e quantos hoje ainda sofrem pôr ela.
ü  A cidade quase desapareceu. 50 000 edifícios ruíram. Dos 76 000 prédios, 95% sofreram danos. A maior parte sumiu. Cidades vizinhas, a quilômetros de distância sentiram a explosão. Cortinas, sem qualquer material inflamável pôr perto, queimavam num instante. O ar ficou pesado e uma sensação de asfixia foi sentida pôr muitos.
ü  Três dias depois, outro pesadelo. A bomba que caiu sobre Nagasaki também tinha um apelido- “Flat Man”- “O Gordo”. Ela tinha 3,5 metros de comprimento e uma barriga proeminente- 1,5 metro, em seu diâmetro máximo. Pesava 4,5 toneladas e era feita de plutônio. Portanto, era maior, mais pesada, feita de material diferente e mais poderosa do que a bomba de Hiroshima, tendo 20 quilotons de TNT contra os 18 da de Hiroshima.
ü  Às 11h02 da manhã do dia 9 de agosto de 1945, a bomba de Nagasaki explodiu, a 500 metros de altitude. Nagasaki foi escolhida pôr acaso. Quando o B-29 pôr nome de Bock’s Car decolou, na madrugada  do dia 9, pilotado por Charles Sweeney, carregando a segunda bomba atômica da história, tinha como objetivo a cidade de Kokura, situada ao norte de Nagasaki. Porém, o tempo estava nublado, e o piloto sobrevoou Kokura 3 vezes sem conseguir enxergá-la. Rumou então para o sul, em busca do alvo alternativo, Nagasak. Sobrevoou-a uma primeira vez, e também não conseguiu enxergá-la. Já eram quase 11 horas da manhã e o combustível do avião começava a escassear. Na segunda vez que sobrevoou Nagasaki, deu para vislumbrá-la em parte, num buraco nas nuvens. Assim, a bomba foi lançada.
ü  A bomba acabou caindo não no centro mas no norte da cidade. Isso, mais o fato de a topografia de Nagasaki ser irregular, cheia de colinas, subidas e descidas que serviam de obstáculo à propagação do fogo e do vento, explica o fato de ali os danos e o número de vítimas terem sido menores do que em Hiroshima, apesar de a bomba ter mais potência. Mas o resultados para os atingidos foi o mesmo contemplado em Hiroshima. 
ü  A bomba atômica possui tal poder de destruição porque por sua explosão, ela libera energia que decompõe, instantaneamente, as substâncias e objetos que se encontram em seu raio de ação. E não há como se proteger de tal devastação!

2- POR MENOR QUE SEJA, É ALTAMENTE DESTRUTIVO.
Bactéria
ü  Ser vivo unicelular e microscópico pertencente ao reino monera. Como todos os seres desse grupo, é formada por uma célula procarionte (desprovida de membrana nuclear).
ü  As bactérias causam várias doenças infecciosas. A transmissão pode-se dar pelo ar ou por contato direto (gotículas de saliva ou muco) e indireto.
ü  As bactérias são classificadas segundo a forma.
ü  As esféricas são chamadas cocos; as alongadas em forma de bastão são os bacilos;
ü  as espiriladas, espirilos; e as com formato de meia espiral denominam-se vibriões.
ü  As bactérias são muito resistentes a variações de temperatura e também a agentes químicos.
ü  A maioria das doenças causadas por elas é tratada com antibióticos, substâncias produzidas por microrganismos (os mais comuns são os fungos) ou sintetizadas em laboratório, capazes de impedir seu crescimento ou mesmo de destruí-las. No entanto, o tratamento nem sempre é eficaz, pois elas desenvolvem resistência contra certos medicamentos, que perdem seu efeito.
ü  Algumas espécies de bactéria podem provocar doenças fatais. É o caso da Streptococcus beta hemolíticos (causadora da escarlatina), que estimulam a superativação dos linfócitos,  os glóbulos brancos responsáveis pela defesa do organismo. Ao produzir grande quantidade de citosina e óxido nítrico, causam grave desequilíbrio na composição e na circulação sanguínea, que pode resultar na morte do paciente. Esse quadro clínico é conhecido como síndrome da reação inflamatória sistêmica (Sirs). Outros tipos, como a Escherichia coli (causadora de diarréia), podem atingir a circulação sanguínea e provocar infecção generalizada, que também pode levar à morte. Mas a maior parte das espécies de bactéria é benéfica ao homem. Elas são responsáveis, por exemplo, pela fixação do nitrogênio da atmosfera no solo, fundamental para o desenvolvimento das plantas. Também realizam a fermentação necessária para a fabricação de vinagre e queijo.

3- ELE ENTRA EM NOSSA VIDA E RETIRA TODA A NOSSA FORAÇA, A NOSSA FELICIDADE.
Câncer
ü  Nome dado a todas as formas de tumores malignos. A palavra vem do latim cancer, que significa caranguejo. Esse nome se deve à semelhança entre as pernas do crustáceo e os tentáculos do tumor, que se infiltram nos tecidos sadios do corpo.
ü  Os tumores se desenvolvem quando certas células de um organismo se multiplicam de maneira descontrolada em virtude de uma anormalidade nos genes. Forma-se, então, um núcleo celular sólido e uma rede de vasos sanguíneos para sustentá-lo. Através da corrente sanguínea ou linfática, as células malignas atingem outros órgãos e originam novos tumores, processo conhecido como metástase. Em geral, o câncer é uma doença de longa evolução. Até atingir o tamanho aproximado de uma azeitona, que é quando costuma ser diagnosticado, um tumor pode levar alguns anos para ser descoberto. Existem mais de cem tipos de câncer. Cerca de 90% deles são curáveis se diagnosticados precocemente e tratados de maneira correta.
ü  Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1996 mais de 6 milhões de pessoas morreram de câncer em todo o mundo e cerca de 10 milhões de novos casos foram diagnosticados. Até 2020, pelo menos 15 milhões de pessoas devem desenvolver a doença. Os tipos de câncer mais comuns são os de pulmão, estômago, intestino, fígado, mama, esôfago, boca e colo do útero. No Brasil, o câncer é a terceira causa de morte, depois de doenças circulatórias e de fatores externos (acidente, homicídio etc.).
ü  Tratamento – A cirurgia e a radioterapia são formas locais de combate à doença. A cirurgia é usada para a retirada dos tumores. Já a radioterapia mata a célula maligna pelo efeito da irradiação, mas pode atingir outros tecidos, provocando inflamações. A quimioterapia, tratamento à base de drogas, impede a reprodução celular e leva as células malignas à morte. Atua também sobre as células normais, causando efeitos colaterais temporários, como a queda de cabelo, o vômito e a diarréia. A hormonoterapia é usada para combater os tumores mais sensíveis à ação dos hormônios, como os de mama e os de próstata.
v  E não adianta tentar vencê-lo por suas próprias forças. Não há ninguém que possa ser mais forte do que seu pecado. Prova maior é que todos morremos.
ü  A picada da cobra naja Hannah, a maior entre as cobras venenosas, mata um elefante em 4 horas. O pecado mata o mais forte homem espiritual.

SOLUÇÃO

1- JOÃO 3.3-4 NASCEMOS COM O CORAÇÃO INFECTADO POR ELE. É PRECISO A CONVERSÃO. SÓ A MUDANÇA DE CORAÇÃO RESOLVE.
Doença de Chagas
ü  Doença infecciosa causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e transmitida pelo inseto Triatoma infestans, conhecido como barbeiro. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1996 cerca de 18 milhões de pessoas no mundo tinham a doença.
Ao picar uma pessoa já infectada pelo parasita, o barbeiro torna-se portador dos tripanossomos. Enquanto pica um indivíduo sadio, o inseto defeca e elimina fezes contaminadas. A vítima, ao coçar o local da picada, espalha as fezes do mosquito sobre o ferimento. Assim, os parasitas penetram na pele e atingem a circulação sanguínea. Nessa fase, os sintomas são raros, podendo incluir forte reação local à picada e febre alta. Se não diagnosticada, a doença evolui para a forma crônica. Os tripanossomos instalam-se nos músculos humanos, em especial no coração. Ao atingir e destruir as fibras musculares, provocam insuficiência e arritmia cardíaca, que podem levar à morte. A prevenção consiste no saneamento básico, no combate ao inseto transmissor e na melhoria das condições de habitação.

2- MIQ. 6.8 - COMUNHÃO COM DEUS- RETÉM OS TERRÍVEIS RAIOS DO PECADO 
Camada de ozônio
ü  Situada na estratosfera , entre os quilômetros 20 e 35 de altitude, a camada de ozônio  tem cerca de 15 km de espessura. Sua constituição permitiu o desenvolvimento de vida na Terra, já que o ozônio, um gás rarefeito, impede a passagem de grande parte da radiação ultravioleta emitida pelo Sol.
ü  Redução da camada – Como a composição da atmosfera nessa altitude é bastante estável, a camada de ozônio manteve-se inalterada por milhões de anos. Nas últimas décadas, entretanto, vem ocorrendo uma diminuição na concentração de ozônio, causada pela emissão de poluentes na atmosfera. O maior responsável é o cloro presente em clorofluorcarbonetos (CFCs). Ele é utilizado como propelente de sprays, em embalagens de plástico, chips de computador, solventes para a indústria eletrônica e, especialmente, em aparelhos de refrigeração, como geladeira e ar-condicionado.
ü  Em 1984, é detectado um buraco na camada de ozônio sobre a Antártica, cuja extensão, 7.000.000 km², supera as previsões mais pessimistas.
ü  Um novo inimigo é descoberto em 1992: o brometo de metila, um inseticida usado em plantações de tomate e morango, que existe em quantidade bem menor que o CFC, mas é 50 vezes mais prejudicial.
ü  Conseqüências – A redução da camada de ozônio causa maior incidência dos raios ultravioleta, o que diminui a capacidade de fotossíntese nos vegetais e afeta as espécies animais. Nos seres humanos compromete a resistência do sistema imunológico e causa câncer de pele e doenças oculares, como a catarata.
ü  Entre 1988 e 1995, a utilização de CFC cai 76% no mundo inteiro. Os Estados Unidos, em 1994, substituem totalmente o produto, assim como vários países europeus. O Brasil reduz sua utilização em 31%. Mas, como o CFC leva anos para chegar à estratosfera, estima-se que a camada de ozônio só vai começar a se recuperar no final da década e não será totalmente reconstituída antes de um século.

3- DEIXE DEUS GUIAR SUA VIDA. DEIXE QUE ELE USE AS CIRCUNSTÂNCIAS DA VIDA, O RESULTADO DE SEUS FACASSOS PARA TRATAR DE SEU PROBLEMA.
ü  O óleo de rícino é extraído das sementes da mamoneira, que contém um veneno potente, o rícino.
v  O pecado é o melhor remédio para aniquilar a si mesmo. Por isto muitas vezes Deus permite suas conseqüências em nossa vida. Elas são o único meio de nos separar dele.

Pr. MARCELO AUGUSTO DE CARVALHO SP 2001

O Novo Nascimento


John Wesley

"Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo" (João 3:7)
  
1. Se alguma doutrina, dentro de toda a extensão do Cristianismo, pode ser propriamente denominada fundamental, essas duas, sem dúvida são elas: a doutrina da justificação, e aquela do novo nascimento. A primeira relativa àquele grande trabalho o qual Deus operou por nós, perdoando nossos pecados; a última, ao grande trabalho que Deus operou em nós, renovando nossa natureza caída. Na ordem do tempo, nenhuma delas é colocada antes da outra: No momento em que nós estamos justificados, pela graça de Deus, através da redenção que está em Jesus, nós somos também "nascidos do Espírito", mas, em ordem de pensamento, como está denominada, justificação precede o novo nascimento. Nós, primeiro, temos em mente, sua ira sendo desviada, e, então, seu Espírito operando em nossos corações. 

2. De quão grande importância, então, deve ser para todos os filhos do homem, entenderem completamente essas doutrinas fundamentais! Da total convicção disso, muitos homens excelentes têm escrito bastante largamente a respeito da justificação, explicando cada ponto relativo a ela, e abrindo as Escrituras que tratam a esse respeito. Muitos, igualmente, têm escrito sobre o novo nascimento: E alguns deles, largamente suficiente; mas, ainda assim, não tão claramente como poderia ser desejado; nem tão profundamente ou corretamente; tendo dado um relato obscuro, e de difícil compreensão, assim como, insignificante e superficial. Entretanto, um completo, e, ao mesmo tempo, claro relato do novo nascimento parece ser ainda esperado; de tal maneira, que possa ser capaz de nos dar uma resposta satisfatória a essas três questões:

I.                          Por que nós devemos nascer de novo? Qual o fundamento da doutrina do novo nascimento?
II.                       Como nós devemos nascer de novo? Qual a natureza do novo nascimento?
III.                    Para que nós devemos nascer novamente? Para que finalidade ele é necessário?
IV.                    Essas questões, pela assistência de Deus, eu devo, responder, brevemente e plenamente; e, então, acrescentar algumas poucas inferências as quais naturalmente se seguem:

I
  
(1) Por que nós devemos nascer de novo? Qual o fundamento dessa doutrina?
           
O alicerce dela é tão remoto quanto a criação do mundo; num relato bíblico, a respeito do que nós lemos: (Gen. 1:26,27) "Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar; sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou". — Não somente, em sua imagem natural,  um retrato de sua própria imortalidade; uma existência espiritual, Doda com entendimento, liberdade de vontade,e afecções várias; — não meramente em sua imagem política, de governador desse mundo aqui de baixo, tendo "domínio sobre os peixes do mar, e sobre toda a terra"; — mas, principalmente, em sua imagem moral; que, de acordo com o Apóstolo, em (Efésios 4:24) "E vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão precedentes da verdade". Nessa imagem de Deus o homem foi feito. "Deus é amor". Por conseguinte, o homem de sua criação era cheio de amor; que era o princípio único de todo seu temperamento, pensamentos, palavras e ações. Deus é cheio de justiça, misericórdia, e verdade; de modo que assim era o homem, quando ele veio das mãos de seu Criador.

Deus é imaculadamente puro; e assim o homem era, no início; puro de toda mancha de pecado; do contrário, Deus não o teria pronunciado, tanto quanto toda obra de suas mãos, "bem feita" (Gen. 1:31) "Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom". Isto ele não seria, se ele não estivesse puro do pecado, e cheio com a retidão e a santidade verdadeira. Porque não existe meio termo: se nós supomos uma criatura inteligente que não ame a Deus, que não seja reta e santa, nós necessariamente supomos que, afinal, não seja uma boa pessoa; muito menos, que seja "muito boa".

(2) Mas, embora o homem tenha sido feito a imagem de Deus, ainda assim, ele não foi feito imutável.

Isso teria sido inconsistente com o estado de experimentação, na qual Deus estava satisfeito de situá-lo. Ele foi, entretanto, criado capaz de permanecer nele, e ainda sujeito a cair. E isso o próprio Deus o notificou a respeito, e deu a ele um aviso solene contra. Contudo, o homem não subsistiu na honra: Ele caiu do seu alto posto. Ele "comeu da árvore que o Senhor tinha ordenado a ele que não comesse". Por esse ato proposital de desobediência ao seu Criador, essa rebelião clara contra o Todo-Poderoso, ele declarou abertamente que não poderia ter as regras de Deus sobre ele, por muito tempo. Que ele seria governado por sua própria vontade, e não a vontade Dele que o criou; e que ele não buscaria sua felicidade em Deus, mas no mundo, no trabalho de suas mãos. Agora, Deus disse a ele: "No dia em que comeres" daquele fruto, "tu certamente morrerás". E a palavra do Senhor não pode ser quebrada. Por conseguinte, naquele dia, ele morreu: ele morreu para Deus, — a mais terrível das mortes. Ele perdeu a vida de Deus. Ele foi separado Dele, em cuja união sua vida espiritual consiste.

O corpo morre, quando ele é separado da alma; a alma, quando ela é separada de Deus. Mas essa separação de Deus, Adão manteve nesse dia, no momento em que ele comeu do fruto proibido. E disso, ele deu prova imediata; presentemente, mostrando, por seu comportamento, que o amor de Deus fora extinguido em sua alma, e que agora era "alienado da vida de Deus".  Em vez disso, ele estava debaixo do poder servil do medo, de modo que ele fugia da presença do Senhor. Sim, tão pouco ele reteve, até mesmo, do conhecimento Dele que encheu os céus e a terra, que ele se esforçou para "esconder a si mesmo do Senhor Deus, entre as árvores do Jardim". (Gen. 3:8). Assim sendo, ele perdeu tanto o conhecimento quanto o amor de Deus, sem o que a imagem de Deus não poderia subsistir. Disso, entretanto, ele foi despojado, no mesmo instante, e tornou-se impuro e infeliz. Nessa oportunidade, ele afundou no orgulho e vontade própria, a mesma imagem do diabo; e nos apetites sexuais e desejos; a imagem das bestas que perecem. 

(3) Se tivesse sido feita apenas uma ameaça, 'no dia em que comeres dele, tu certamente morrerás', referindo à morte temporal; apenas essa; à morte do corpo, tão somente", a resposta seria clara: afirmar isso é positivamente  e palpavelmente fazer de Deus um mentiroso; asseverar que o Deus da verdade positivamente afirmou o contrário da verdade. Porque é evidente que Adão não morreu nesse sentido, "no dia em que ele comeu do fruto". Ele viveu, ao contrário, novecentos anos mais. De maneira que isso não poderia ser possivelmente entendido como a morte do corpo, sem contestar a veracidade de Deus. Isto deve ser entendido, no entanto, como a morte espiritual; a perda da vida e imagem de Deus.

(4) E, em Adão, todos morreram; toda a espécie humana; todos os filhos dos homens estavam, então, na força motriz de Adão. A conseqüência natural disso é que cada um dos descendentes dele veio para o mundo, espiritualmente morto; morto para Deus; totalmente morto no pecado; inteiramente vazio da vida de Deus; vazio da imagem de Deus, de toda retidão e santidade, na qual, Adão foi criado. Em vez disso, todo homem nascido no mundo carrega agora a imagem do diabo, no orgulho e amor-próprio; a imagem da besta, nos apetites sexuais e desejos. Isso, então, é o fundamento do novo nascimento —, a corrupção total de nossa natureza. Assim sendo, que, tendo nascido no pecado, nós devemos "nascer novamente". Conseqüentemente, cada um que é nascido de uma mulher deve ser nascido do Espírito de Deus.  

II

(1) Mas, quanto é necessário que um homem nasça de novo? Qual a natureza do novo nascimento?

Essa é a segunda pergunta. E é uma questão, no momento mais importante que pode ser concebida. Nós não devemos, entretanto, num assunto tão grave, nos contentar com uma inquisição insignificante; mas examiná-la, com todo o cuidado possível, e ponderá-la, em nossos corações, até que entendamos completamente esse ponto importante, e vejamos claramente como nós devemos nascer novamente.

(2) Nem devemos esperar, em momento algum, um relato filosófico da maneira como isso é feito. Nosso Senhor nos guardou suficientemente contra tal expectativa, pelas palavras que se seguem imediatamente ao texto; onde ele lembra Nicodemos do fato tão incontestável quanto qualquer um em todo o contexto da natureza, que, não obstante o homem mais sábio debaixo do sol não é capaz de explicar totalmente. "O vento sopra para onde quer", — não através do teu poder ou sabedoria; "e tu ouves o som dele", – tu estás absolutamente seguro, sem sombra de dúvida, que ele sopra; "mas tu não podes dizer de onde ele vem, nem para onde ele vai"; — a maneira precisa como ele começa e termina, se levanta e cai, nenhum homem pode dizer. "Assim é todo aquele que é nascido do Espírito". — Tu podes estar absolutamente seguro do fato, assim como do sopro do vento; mas a maneira precisa como ele é feito, como o Espírito Santo trabalha isso na alma, nem tu, nem o mais sábio dos filhos dos homens é capaz de explicar. 

(3) De qualquer modo, é suficiente para todo propósito racional e cristão, que, sem cair na mera curiosidade, das inquisições críticas, nós podemos dar um relato bíblico claro da natureza do novo nascimento. Isso irá satisfazer todo homem razoável, que deseja apenas a salvação de sua alma. A expressão "ser nascido de novo" não foi primeiramente usada por nosso Senhor em sua conversa com Nicodemos: Ela foi conhecida antes daquele tempo, e foi de uso comum entre os judeus, quando nosso Senhor apareceu no meio deles. Quando um pagão adulto estava convencido de que a religião judaica era de Deus, e desejava fazer parte dela, era costume batizá-lo, e se dizia que ele nasceu de novo; ou seja, aquele que era antes um filho do diabo, era agora, adotado na família de Deus, e considerado um de seus filhos.  Essa expressão, entretanto, que Nicodemos, sendo um "professor em Israel", deveria ter entendido bem, nosso Senhor usa na conversa com ele; apenas que num sentido mais forte do que ele estava acostumado. E isso seria a razão de sua pergunta: "Como essas coisas podem ser?". Elas não poderiam ser literalmente: — Um homem não pode "entrar, uma segunda vez, no útero de sua mãe, e nascer novamente": — Mas essas coisas podem ser compreendidas espiritualmente: Um homem pode nascer do alto; nascer de Deus; nascer do Espírito; numa forma que conduz a uma analogia bem próxima do nascimento natural.

(4) Antes de uma criança nascer no mundo, ela tem olhos, mas não vê; tem ouvidos, mas não ouve. Ela tem o mesmo uso imperfeito de qualquer outro sentido. Ela não tem o conhecimento de qualquer outra coisa do mundo, ou qualquer outro entendimento natural. Para esta maneira de existência, em que ela se encontra, então, nós não podemos dar o nome de vida. É apenas quando um homem nasce, que nós podemos dizer que ele começa a viver. Já que, tão logo nasce, ele começa a ver a luz, e os vários objetos que estão ao seu redor. Seus ouvidos, então, estão abertos, e ele ouve os sons que sucessivamente chegam até eles. Ao mesmo tempo, todos os outros órgãos do sentido começam a ser exercitados em seus objetos apropriados. Ele igualmente respira, e vive de uma maneira totalmente diferente do que ele vivia anteriormente.

Quão exato paralelo existe em todos esses exemplos! Enquanto um homem está, em um estado meramente natural, antes de ser nascido de Deus, ele tem, em um sentido espiritual, olhos e não vê; um véu grosso e impenetrável se estende sobre eles; ele tem ouvidos, mas não ouve; ele está totalmente surdo para o que ele deve, mais do que tudo, estar preocupado em ouvir. Seus outros sentidos espirituais estão encarcerados: Ele está, na mesma condição, como se ele não os tivesse. Por esse motivo, ele não tem conhecimento de Deus; nenhuma relação com ele; ele não está, afinal, familiarizado com ele. Ele não tem o conhecimento verdadeiro das coisas de Deus, assim como, das coisas espirituais ou eternas; assim sendo, embora ele seja um homem vivente, ele é um cristão morto. Mas, tão logo ele é nascido de Deus, há uma mudança total em todas essas particularidades.  Os "olhos de seu entendimento são abertos"; (tal é a linguagem do grande Apóstolo); e, Ele, que nos tempos antigos, "ordenou que a luz brilhasse fora da escuridão, brilhando em seu coração, ele vê a luz da glória de Deus"; seu amor glorioso, "na face de Jesus Cristo". Com seus ouvidos abertos, ele é agora capaz de ouvir a voz interior de Deus dizendo: "Tenha ânimo! Teus pecados foram perdoados de ti! Vá, e não peques mais!". 

Esse é o significado do que Deus fala ao seu coração; embora que, talvez, não nessas mesmas palavras. Ele está pronto a ouvir o que quer que "Ele, que leva ao homem conhecimento", se agrada de revelar a ele, de tempos em tempos. Ele "sente em seu coração" (para usar as palavras de nossa igreja), "o trabalho poderoso do Espírito de Deus"; não, em um sentido grosseiro e carnal, como o homem do mundo, estúpida e obstinadamente, mal interpreta a expressão; e, embora tenha sido dita a eles, várias vezes, nós não queremos dizer, nem mais, nem menos do que isso: Ele sente, e está interiormente sensível a isso, as graças com as quais o Espírito de Deus opera em seu coração. Ele sente, e está consciente disso, a "paz que excede todo entendimento". Ele, muitas vezes, sente tal alegria "inexprimível em Deus, e cheia de glória". Ele sente "o amor de Deus, espalhando-se, por todo seu coração através do Espírito Santo que é dado a ele": e todos os seus sentidos espirituais são, então, exercitados para discernir o bem e o mal espiritual.

Através do uso desses sentidos, ele está diariamente progredindo, no conhecimento de Deus, e de Jesus Cristo, a quem Ele enviou, e em todas as coisas pertinentes ao seu reino interior. E agora ele pode dizer, com toda propriedade, que ele vive: Deus o tendo vivificado, pelo seu Espírito, ele está vivo para Deus, por meio de Jesus Cristo. Ele vive a vida que o mundo não conhece, a "vida que se oculta com Cristo em Deus". Deus está continuamente respirando, assim como antes, em sua alma; e ela está respirando em Deus. A graça está em seu coração; e oração e louvor sobem aos céus: E, por esse intercurso entre Deus e o homem; essa camaradagem com o Pai e o Filho, assim como através de uma espécie de respiração espiritual, a vida de Deus em sua alma se mantém; e o filho de Deus cresce, até que ele se torna da "mesma medida e estatura de Cristo".

(5) Disso, evidentemente aparece qual é a natureza do novo nascimento: a grande mudança que Deus opera na alma, quando ele a traz para a vida; quando ele a ergue, de entre os mortos do pecado, para a vida de retidão. É a mudança forjada, em toda a alma, através do poderoso Espírito de Deus, quando ela é "criada de novo em Jesus Cristo"; quando ela é "renovada na busca da imagem de Deus, na retidão e santidade verdadeira"; quando o amor do mundo é trocado pelo amor de Deus; orgulho pela humildade; paixão pela brandura; o ódio, a inveja, e malícia, pelo amor sincero, terno e desinteressado por toda a humanidade. Em uma palavra, é aquela mudança onde a mente mundana, sensual e diabólica torna-se "a mente que estava em Jesus Cristo". Essa é a natureza do novo nascimento: "Assim é todo aquele que é nascido do Espírito".

III

(1) Não é difícil para aquele que tem considerado essas coisas, ver a necessidade do novo nascimento, e responder à terceira questão: Para que; com que finalidade é necessário que nós nasçamos novamente?

É muito facilmente discernido que isto é necessário. Primeiro, com o objetivo da santidade. Mas o que é santidade de acordo com a Palavra de Deus? Não uma mera religião externa, um círculo de obrigações exteriores, quantas sejam elas exatamente; e quão exatamente sejam executadas. Não: A santidade evangélica não é menos do que a imagem de Deus, estampada no coração; não é outra, do que toda a mente que estava em Jesus Cristo; ela consiste de todas as afeições celestes e temperamentos entrosados em um. Ela implica em tal amor ininterrupto e agradecido a Ele que não impediu seu Filho de nós; seu único filho; quando torna natural, e de certa maneira necessário a nós, que amemos cada filho do homem; quando nos preenche com misericórdia, bondade, gentileza, e longanimidade.

Tal é o amor que nos ensina a sermos irrepreensíveis, em todas as formas de conversação; como a nos capacitar a apresentar nossas almas e corpos; tudo que somos e temos; todos os nossos pensamentos, palavras e ações, como um sacrifício contínuo para Deus, aceitável através de Jesus Cristo. Agora, essa santidade pode não ter existência, até que sejamos renovados na imagem de nossa mente. Ela não se principia na alma, até que a mudança seja forjada; até que, pelo poder do Altíssimo esteja sobre nós, e sejamos "trazidos das trevas para a luz; do poder do diabo, para Deus"; ou seja, até que nasçamos novamente; o que, entretanto, é absolutamente necessário, com o objetivo da santidade.

(2) Mas, "sem santidade, nenhum homem verá o Senhor"; poderá ver a face de Deus na glória. Como conseqüência, o novo nascimento é absolutamente necessário para a salvação externa. Os homens podem, de fato, enganarem a si mesmo (tão desesperadamente mau, e tão enganoso é o coração do homem!), acreditando que eles podem viver, em seus pecados, até que venham para o último fôlego, e, mesmo assim, mais tarde, viverem com Deus; milhares realmente acreditam, que eles encontraram um caminho largo, que não conduz à destruição. "Que perigo", eles perguntam, "pode uma mulher ser, naquele que é tão inofensivo e virtuoso? Que medo há de que um homem tão honesto; alguém de tão estrita moralidade possa perder o paraíso; especialmente se, além de tudo isso, ele constantemente atender à igreja e aos sacramentos?".

Alguém irá perguntar com toda segurança: "O que! Eu não faço o bem ao meu próximo?". Sim, você faz, assim como seus vizinhos profanos; tanto quanto seus vizinhos que morrem em seus pecados! Porque vocês todos irão cair na mesma cova juntos; no inferno mais baixo! Vocês irão juntos para o lago de fogo; "o lago de fogo que queima com enxofre". Então, por fim, vocês verão a Deus (mas Deus concede que vocês possam ver antes!) a necessidade da santidade, com o objetivo da glória; e, conseqüentemente, do novo nascimento, uma vez que ninguém pode ser santo, exceto se nascer de novo.

(3) Por esse mesmo motivo, exceto se tiver nascido de novo, ninguém poderá ser feliz, mesmo nesse mundo. Já que é impossível, pela natureza das coisas, que um homem possa ser feliz, sem que seja santo. Mesmo o poeta pobre e profano nos diria, "nenhum homem mau é feliz". A razão é clara: Todo temperamento, que não é santo, é temperamento difícil: Não apenas a malícia, ódio, inveja, ciúme e desejo de vingança criam um inferno presente no peito, mas também as paixões mais brandas, se não mantidas dentro dos limites, trazem, milhares de vezes, mais dores do que prazer.

Até mesmo a "esperança", quando "adiada" (e quão freqüentemente esse é o caso!) "torna o coração doente", e todo desejo que não está de acordo com a vontade de Deus está propenso a nos "despedaçar, através das muitas tristezas": E todas essas fontes gerais de pecado — orgulho, vontade-própria, e idolatria — são, na mesma proporção que predominam, fontes de miséria geral. Entretanto, por quanto tempo, esses sentimentos reinarem, em nossa alma, a felicidade não terá lugar nela. No entanto, eles devem reinar até que a propensão de nossa natureza seja mudada; até que nós nasçamos de novo; conseqüentemente, o novo nascimento é absolutamente necessário, para que exista felicidade nesse mundo, do mesmo modo que no mundo que a de vir.

IV

Eu propus, em Último lugar, acrescentar algumas poucas inferências, que naturalmente se seguem das observações precedentes.

(1) O batismo não é novo nascimento: Eles não são um só, e a mesma coisa. Muitos realmente parecem imaginar que eles são exatamente o mesmo; pelo menos, eles falam, como se eles pensassem dessa forma; mas eu não sei se esta opinião é publicamente admitida, através de qualquer denominação cristã que seja. Certamente, não é através de alguma dentro desses reinos, se da Igreja Estabelecida, ou da parte dissidente dela. O julgamento da última é claramente declarado em um amplo Catecismo:

"Quais são as partes de um sacramento?".
As partes de um sacramento são duas: uma é o sinal exterior e sensível; a outra, a graça interior e espiritual; desse modo, representado.

"O que é batismo?".
O batismo é um sacramento, em que Cristo ordenou a lavagem com água, como sinal e selo da regeneração pelo seu Espírito.

Aqui está manifesto que o batismo, o sinal, é falado, de maneira distinta, da regeneração, e a coisa representada.

O julgamento de nossa Igreja está declarado com a mais extrema clareza:

"O que queres tu dizer com a palavra sacramento?".
Eu quero dizer o sinal exterior e visível da graça interior e espiritual.

"Qual é a parte exterior ou forma no batismo?".
A água, onde a pessoa é batizada, em nome do Pai, Filho e Espírito Santo.

"Qual é a parte interior, ou conseqüência?".
A morte no pecado, e um novo nascimento na retidão. Nada, entretanto, é mais claro do que isto: de acordo com a Igreja da Inglaterra, o batismo não é o novo nascimento. O motivo é tão claro e evidente que não precisa de outra autoridade.

"No que pode ser mais claro, para uma pessoa, do que uma coisa visível, e outra invisível, e, conseqüentemente, totalmente diferente uma da outra?".
Uma sendo o ato do homem, purificando o corpo; e a outra, a mudança forjada por Deus na alma: De modo que a primeira distingue-se justamente da última, assim como a alma do corpo, ou a água do Espírito Santo.

2) Das reflexões precedentes, nós podemos, em Segundo Lugar, observar que, como o novo nascimento não é a mesma coisa que o batismo, então, ele nem sempre acompanha o batismo: Eles não andam constantemente juntos. Um homem pode possivelmente "nascer da água", e, ainda assim, "não nascer do Espírito".  Pode existir, algumas vezes, sinal exterior, quando não existe a graça interior. Eu não falo com respeito às crianças: É certo que nossa Igreja supõe que todo aquele que é batizado, na infância, estão, ao mesmo tempo, nascendo de novo; e é permitido que o Ofício total do Batismo das Crianças origine-se dessa suposição. Nem é alguma objeção, de qualquer relevância, contra o fato de que nós não podemos compreender como esse trabalho pode ser forjado nas crianças. Já que nós nem podemos compreender, como ele é forjado na pessoa na idade madura. Mas, qualquer que seja o caso com as crianças, é certo que todos aqueles, em idade madura, que sejam batizados, não estão, ao mesmo tempo, nascendo novamente. "A árvore é conhecida pelos seus frutos". E, por meio disso, parece muito claro, para ser negado, que diversos desses que foram crianças do mal, continuem a ser os mesmos depois do batismo: "já que eles fazem o trabalho do pai deles": Eles continuam servos do pecado, sem pretensão à santidade interior, ou exterior.

(3) A Terceira inferência, que nós podemos esboçar do que tem sido observado, é que o novo nascimento não é o mesmo que santificação. Isto é tomado realmente como confirmado por muitos; particularmente, por um eminente escritor, em seu último tratado sobre "A Natureza e Alicerces da Regeneração Cristã". Para acenar diversas outras objeções relevantes, que poderiam ser feitas para aquele tratado, aqui está uma que é palpável: Há muito tempo, tem-se falado da regeneração, como um trabalho progressivo, que é levado, na alma, através de graus vagarosos, do momento de nosso primeiro regresso para Deus. Isso é, incontestavelmente, a verdade da santificação; mas o novo nascimento não é verdade da regeneração. Essa é uma parte da santificação, não, o todo; é o portal para ela; a sua entrada. Quando nós nascemos novamente, então, nossa santificação - nossa santidade interior e exterior - começa; e, daquele momento em diante, gradualmente, "crescemos Nele que é nossa Cabeça". Essa expressão do Apóstolo ilustra admiravelmente a diferença entre uma e a outra; e, posteriormente aponta a exata analogia que há entre as coisas naturais e espirituais. A criança nascida da mulher, de repente, ou depois de um curto espaço de tempo, gradualmente, e com crescimentos sucessivos, chega à estatura de um homem; dessa mesma forma, a criança que nasce de Deus, em um curto período de tempo, se não, imediatamente, através de passos sucessivos, chega à medida de toda estatura de Jesus Cristo. A mesma relação, entretanto, que há entre nosso nascimento natural e nosso crescimento para a vida adulta, existe também entre nosso novo nascimento e nossa santificação.  

(4) Um ponto a mais que podemos aprender, das observações precedentes, é um ponto de tão grande importância, que não podemos nos recusar de considerá-lo, mais cuidadosamente, dando seguimento a ele, com alguma minúcia.

O que deve alguém que ama as almas dos homens, e está angustiado que nenhuma delas possa perecer, dizer àqueles que ele vê, não respeitando o dia do Senhor; vivendo a embriaguez; ou qualquer outro pecado obstinado? O que ele pode dizer, se as observações precedentes são verdadeiras, a não ser que "ele deve nascer de novo?".

"Não", diz um homem zeloso, "isto não pode ser! Como você pode falar, de maneira, não misericordiosa a este homem? Ele já não havia se batizado? Então, ele não pode nascer novamente!".

Ele não pode nascer de novo? E isto que você está afirmando? Então, ele não pode ser salvo! Embora ele tenha uma idade tão avançada como Nicodemos tinha, ainda assim, "exceto se ele nascer novamente, ele não poderá ver o reino de Deus". Por conseguinte, ao dizer que "ele não pode nascer novamente", você, de fato, o está entregando à condenação; E onde se está a falta de misericórdia agora? Do meu lado, ou do seu? Eu repito que ele deve nascer de novo, e, então, se tornar um herdeiro da salvação. Você diz, "Ele não pode nascer de novo": Se fosse assim, ele inevitavelmente iria perecer! Assim, você impede totalmente o caminho da salvação dele, e o envia ao inferno, fora da mera caridade!

Mas, talvez, o próprio pecador, a quem, na verdadeira misericórdia, podemos dizer, "Você deve nascer novamente", tenha sido ensinado a dizer, "Eu desprezo sua nova doutrina; eu não preciso nascer novamente; eu nasci novamente, quando fui batizado. O que! Você quer que eu negue o meu batismo?".

Eu respondo, Primeiro, que não há nada, debaixo dos céus, que possa desculpar uma mentira; caso contrário, eu diria a um pecador declarado: se você foi batizado, você não possuiu isto. Quão potencialmente isso agrava a sua culpa! Como aumentará a sua condenação! Você estava devotado a Deus, aos oito anos de idade? E, todos esses anos, você não tem sido devotado ao diabo? Você não foi, mesmo antes do uso da razão, consagrado a Deus, ao Pai, ao Filho, e ao Espírito Santo? E você, desde que começou a fazer uso dela, não tem flutuado, na face de Deus, e consagrado a si mesmo ao diabo?

A abominação da desolação - o amor da palavra, orgulho, ira, luxúria, desejos tolos, e toda série de afeições vis – está onde não deveria estar? Você não tem colocado todas as coisas execráveis, naquela alma que, uma vez, foi o templo do Espírito Santo; reservada para a "habitação de Deus, através do Espírito"; sim, solenemente, entregue a ele? E você não se gloria nisso, de que você, uma vez, pertenceu a Deus? Oh! Envergonhe-se! Enrubesça! Esconda-se na terra! Não se glorie mais do que o preenche com confusão, e faz com que você se envergonhe diante de Deus e do homem!

Eu respondo, em Segundo Lugar, você já negou o seu batismo; e isto, da maneira mais eficaz. Você o negou, milhares de vezes; e você ainda o nega, dia-a-dia; já que, em seu batismo, você renunciou ao mal, e às todas as suas obras. Quando quer, entretanto, que você dá lugar a ele novamente; quando quer que você realize alguma de suas obras, então, você nega o seu batismo. Por conseguinte, você o nega, por meio dos pecados obstinados; por meio de todos os atos de sujidade, bebedeira, ou vingança; por meio de toda palavra obscena e profana; através de praga que sai de sua boca. Todo tempo, você profana o dia do Senhor; você, por meio disso, nega seu batismo; sim, todo tempo, você faz alguma coisa para alguém, que você não gostaria que ele fizesse a você.

Eu respondo, Terceiro Lugar, seja batizado ou não, "você deve nascer de novo"; do contrário, não é possível que você seja santo internamente; e sem a santidade interior, assim como a exterior, você não pode ser feliz, mesmo nesse mundo, muito menos, no mundo que há de vir.

Você diz: "Não, eu não causo dano algum a qualquer homem; eu sou honrado e justo em meus procedimentos; eu não praguejo, ou tomo o nome do Senhor em vão; eu não profano o dia do Senhor; eu não sou alcoólatra; eu não difamo meu próximo, nem vivo, em qualquer pecado obstinado". Se for dessa forma, que todo homem chegue até onde você chegou; no entanto, ainda assim, você deve ir mais longe, ou você não poderá ser salvo: ainda assim, você deve "nascer de novo”. 

E você acrescenta: "Eu já fui além; já que eu, não apenas, não causo dano, como faço todo bem que posso". Eu duvido desse fato; eu temo que você teve milhares de oportunidades de fazer o bem, o qual você sofreu para executar, por não estar aperfeiçoado, e pelo qual, por conseguinte, você é responsável perante Deus. Mas, se você os tem melhorado; se você tem realmente feito todo o bem, que você possivelmente poderia fazer a todo homem, ainda assim, isso, de forma alguma, altera seu caso; "você ainda deve nascer novamente".  Sem isso, nada fará bem à sua pobre, pecadora e contaminada alma.

"Não, mas eu atendo constantemente todas as ordenanças de Deus: eu mantenho minha igreja e o sacramento". É bom que você o faça: Mas, tudo isso não irá mantê-lo longe do inferno, exceto se você nascer novamente. Ir à igreja, duas vezes ao dia; sentar-se à mesa do Senhor, toda semana; orar sempre em privativo; ouvir sempre os bons sermões; ler sempre todos os bons livros; ainda assim, "você deve nascer de novo". Nenhuma dessas coisas irá substituir o lugar do novo nascimento; não, nem qualquer outra coisa debaixo dos céus. Permita-se, entretanto, se você ainda não experimentou essa obra interna de Deus, estar em oração contínua: "Senhor, acrescenta isso a todas as tuas bênçãos, -- que eu possa nascer novamente! Negues o que quer que te agrades, mas não negues isto; deixa-me 'nascer do alto!'. Joga fora o que quer que pareça a ti bom – reputação, fortuna, amigos, saúde – e apenas dá-me isto, nascer do Espírito; ser recebido entre os filhos de Deus! Deixa-se nascer 'não, da semente corruptível, mas incorruptível, através da palavra de Deus, que vive e que permanece para sempre'; e, então, deixa-me diariamente 'crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor, e Salvador Jesus Cristo!".


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Este sermão foi originalmente editado por Michael Anderson, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções por George Lyons para o Wesley Center for Applied Theology. Ele foi designado para o "John Wesley Holiness of Heart and Life" web site at http://gbgm-umc.org/UMW/Wesley/index.html.